Desassossegos, curiosidades e inquietações na literatura: entrevista ao escritor Paulo Kellerman

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(c) Ricardo Graça

por Sofia Pereira

Paulo Kellerman nasceu em Leiria, em 1974. Editou, em edições artesanais e limitadas de autor, Livro de Estórias (1999), Dicionário (2000), Sete (2000), Uma Pequena Nuvem Solitária perdida no Imenso Azul do Céu (2001), Fascículo (2002 a 2005, 75 edições), Da Vida e da Morte (2005). Foi um dos responsáveis pela conceção e edição da revista literária Cadernos do Alinhavar e é autor do blogue A Gaveta do Paulo. Participa na organização de diferentes eventos e iniciativas culturais.

A Fábulas entrevistou o escritor. Paulo Kellerman fala-nos do seu percurso e gostos literários, do universo dos seus livros e da importância da literatura na vida de todos nós.

Como surgiu o gosto pela escrita?
Na escola, quando percebi o alcance da palavra escrita. Os professores liam textos meus à turma e havia sempre grandes reações, geralmente de riso porque eram textos com algo de humorístico. E eu, num canto, assistia ao poder que essas palavras tinham, as reações que causavam. Não era eu que desencadeava as reações, eram as minhas palavras. Essa descoberta foi determinante.

Lembra-se do primeiro livro que leu na infância?
Não lembro. As recordações mais fortes e antigas referem-se aos Cinco, mas certamente que terei lido muitos livros antes; contudo, não tenho memória dessas leituras.

Qual a importância de A Gaveta do Paulo?
O blogue foi criado em sequência da publicação do livro Gastar Palavras, em 2005. Alguns dos contos que tinha pré-selecionado para esse livro acabaram por ficar de fora e criei o blogue para os divulgar. A partir daí, a Gaveta ganhou uma enorme importância; os livros que fui publicando foram sendo alinhavados e pré-publicados no blogue, conto a conto, permitindo-me um contacto imediato com os leitores, uma interatividade muito estimulante e enriquecedora. Foi tornando-se um sítio de experimentação e partilha, de crescimento, de liberdade. Mais tarde, com a explosão das redes sociais, os blogues tornaram-se menos apetecíveis para muita gente, mas a Gaveta continua a ser um local especial para mim.

Miniaturas, como o título sugere, é um livro de pequenas histórias, num total de cinquenta e seis, recheadas de humor. Considera que o humor pode ser uma forma de nos aliviar das vicissitudes da vida?
O humor pode ser uma distração poderosa. Mas também pode ser uma forma muito incisiva de nos fazer pensar, de nos confrontar, de nos agitar.

A morte, a solidão ou o confronto interior são alguns dos temas presentes no livro Gastar Palavras. É seu objetivo levar os leitores a identificarem-se e a refletirem sobre as emoções e os pensamentos inerentes a todo o ser humano?
O objetivo é confrontar o leitor consigo próprio e desassossegá-lo. Já percebi que muitos leitores procuram na literatura uma possibilidade de fuga ou de sonho, ou até respostas para as suas inquietações. Mas os escritores que julgam ter respostas ou soluções assustam-me um bocado. Prefiro causar alguma inquietação, algum desconforto; porque é o desconforto que nos impele a avançar, arriscar, tentar. Quando estamos confortáveis, tendemos a ficar quietinhos.

Os Mundos Separados Que Partilhamos narra, num tom intimista, situações e momentos contaminados por solidões, cumplicidades, melancolias e obsessões. Podemos ver nele um retrato da sociedade dos dias de hoje?
Para quem escreve, a observação é fundamental. E um texto inclui, consciente ou inconscientemente, muito do que é observado. Um texto será uma mistura de observação, reflexão, imaginação e vivência; nesse sentido, será sempre um retrato da contemporaneidade do autor. Mesmo que se escreva ficção científica ou romance histórico.

Mente-me e seremos mais felizes é o título de um dos seus e-books. Nele, podemos encontrar a estória «Toda a gente sabe que o facebook é uma treta». Considera que as redes sociais podem ser prejudiciais para os relacionamentos?
As redes sociais têm potencialidades extraordinárias mas também assustadoras. Por esta altura, é impossível pensar em redes sociais e não lembrar o que o Trump faz neste âmbito, a forma como manipula a realidade usando o Twitter.

Silêncios entre Nós é um livro que, à semelhança dos anteriores, aborda as relações humanas no mundo contemporâneo. O silêncio pode ser audível?
O silêncio pode ser tão ruidoso que é capaz de nos ensurdecer. Devia haver nas escolas, juntamente com o português, a matemática e a educação física, uma disciplina que ensinasse como lidar com o silêncio, como aprender a geri-lo e até a saboreá-lo.

Chega de Fado é um ato revolucionário?
Neste país de consensos meio podres e quase sempre aparentes, dizer que não se gosta de fado é quase um ato de rebeldia. E, por acaso, não gosto mesmo nada de fado. Mas o fado a que se refere o título não é o género musical, é antes aquele espírito de ladainha e lamentação, de conformismo, de lamuria e queixa, que caracteriza tantos discursos e posturas. E nesse sentido, sim: chega de fado.

O Céu das Mães é o seu primeiro livro infantojuvenil, com ilustrações de Rute Reimão. Trata um tema difícil e pouco abordado na literatura para crianças: a perda. Conta a história de um menino que perdeu a mãe e que é confrontado com uma afirmação muitas vezes escutada: «a tua mãe está no céu». Considera que os livros podem ajudar a explicar a morte às crianças?
Mais do que explicar, talvez os livros possam ajudar a lidar com emoções. E não gosto muito da literatura que tenta dar respostas ou explicações, da literatura com lições ou moralismos. Parece-me bem mais enriquecedor quando suscita questões, desassossegos, curiosidades, inquietações. Quando tira o sono, em vez de adormecer.

Com o livro Serviços Mínimos de Felicidade deu o salto da escrita de contos para o romance. Somos comodamente felizes ou ambicionamos uma felicidade esplêndida e impossível de alcançar?
O desejo de uma felicidade esplêndida pode ter muitas formas e materializações, pode ser simplesmente aquilo a que chamamos sonhos; e se deixamos de sonhar, passamos a viver em função do que somos ou temos, não mudamos; não crescemos. Vivemos em serviços mínimos. Essa é uma das ideias presentes no livro: como reagir quando percebemos que deixámos de sonhar?

Muito recentemente, publicou mais um livro dirigido ao público mais novo: A tristeza dá fome, com ilustrações de Lisa Teles. Fale-nos um pouco desta história.
No final dos anos 90, tinha uma espécie de editora caseira, através da qual editava os meus próprios livros; eram edições artesanais, em que eu construía cada um dos exemplares dos livros; depois, oferecia-os. Fiz, deste modo, milhares de livrinhos. A Lisa é a responsável pela Escaravelho, uma editora que também tem uma componente muito importante de trabalho manual na conceção dos seus livros. E isso fascinou-me. Além disso, é uma ilustradora fantástica. Portanto, foi uma enorme honra colaborar com ela neste projeto, foi das aventuras mais fantásticas em que participei. Quanto à estória, nasceu da sugestão de uma aluna, numa visita a uma escola.

Foi autor e concebeu algumas exposições literárias como Foto estórias (2000), As Palavras do Olhar (2002), Pedaços de Literatura (2005) e Insignificâncias (2006). Quer partilhar connosco como foram essas experiências?
Todos esses projetos estiveram relacionados com a exploração do potencial entre texto e imagem, tendo criado contos originais a partir de fotos ou pinturas de diversas pessoas. A relação texto / imagem é algo que continua ainda hoje a apaixonar-me, assim como a possibilidade de colaboração e criação conjunta com autores das mais diversas áreas. A aventura mais recente neste domínio é um blogue chamado Fotografar Palavras, criado há alguns meses. Mas desses projetos de início do século, o que melhor recordo foi uma exposição que criei (e que depois deu origem a um e-book) chamada Sincronismos (2002); marcou-me particularmente porque foi o único trabalho onde, além do conceito e do texto, também concebi as imagens.

sincronismoExposição Sincronismo

Quando lemos os seus livros, percebemos que a escrita é sempre muito fluida e de leitura fácil, mas não deixa de ser inquietante. Tem a ver com as temáticas abordadas ou é um estilo próprio?
Tem a ver com um estilo próprio, com opções técnicas. Sempre fiz experiências do ponto de vista técnico, sempre me testei e me desafiei, sempre refleti sobre a dimensão mais técnica da minha escrita. Existe uma dimensão instintiva e incontrolável na escrita, mas também é fundamental o trabalho puramente técnico de depuração, de análise e corte, de adequação; e este trabalho está em evolução constante, é sempre melhorável.

Ao longo da sua carreira, já foi distinguido com alguns prémios literários. Como encara todo esse reconhecimento?
Encaro como um incentivo, sinto-me agradecido e responsabilizado. Depois, esqueço e continuo a fazer o que tenho a fazer.

É notória a relação de proximidade que mantém com os seus leitores. Como o faz? Provoca isso mesmo ou é a própria ambiência da escrita que a suscita?
Talvez tenha a ver com o facto de encarar a literatura como algo natural e não uma espécie de dádiva divina apenas ao alcance de meia dúzia de privilegiados, como por vezes acontece com alguns escritores. Gosto quando escritor e leitor estão ao mesmo nível, e ambos podem partilhar algo. É possível que a relação de proximidade nasça daí.

Conte-nos uma situação vivida num encontro com os seus leitores e tenha sido particularmente especial.
As idas a escolas são sempre momentos intensos. Houve, por exemplo, situações tremendas em idas a escolas de 1º ciclo para falar sobre o primeiro livro infantil, que conta a estória de um menino que não tem mãe, e onde convivi com meninos que não têm mãe. Uma das experiências mais tremendas que tive foi numa ida a uma prisão, onde estive duas ou três horas com presos que não me conheciam de lado nenhum, nem tinham tido qualquer contacto com o meu trabalho. Mas nos encontros mais convencionais com leitores também acontece todo o tipo de coisa, desde pedidos concretos de conselhos a ameaças de ser processado por ter uma escrita indecente e perturbadora.

Como tem sido a receção dos leitores à sua escrita?
Importante é existir reação, o que custa é a indiferença. As reações vão sendo boas ou más mas geralmente fortes, e isso é que importa. Se fosse como naqueles inquéritos que fazem aos serviços de comunicações, preferia ser avaliado com 1 ou 10, e não 5.

Onde e quando é que gosta mais de escrever?
Não tenho rituais de escrita nem grandes exigências. Preciso apenas de ter um desejo genuíno de escrever, um desejo que por vezes é uma necessidade. E mesmo que as mãos não estejam a teclar ou a rabiscar, a mente está muitas vezes a escrever. Durante a condução, por exemplo.

Qual foi o último livro que leu?
O meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout.

Se fosse uma personagem literária, qual seria? E porquê?
Tom Sawyer. Foi uma personagem que marcou muito a minha infância, através da série que passava na televisão nos anos oitenta. Na altura não fazia ideia que tinha origem num livro. Nunca quis ser bombeiro ou piloto ou super-herói. Queria ser o Tom Sawyer.

Os livros podem ser amores de perdição, ora porque nos cativam e relemos vezes sem conta, ora porque nos desapontam e nunca mais os voltamos a ler. Fale-nos de um livro que o tenha marcado e daquele que, de alguma forma, o desiludiu.
Os livros não desiludem, eu é que me desiludo porque tenho entusiasmos e expectativas irrealistas. Acontece com frequência. A última vez foi com o último livro que li: O meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout. Quanto a livros marcantes, prefiro aqueles que deixam marcas subtis, por vezes inconscientes, ou apenas percetíveis com o tempo. O Albert Cossery dizia: «Se um determinado livro não tiver sobre o leitor um tal impacto que no dia seguinte ele deixe de ir ao emprego, esse livro nada vale.» Não concordo muito com isto, se uma pessoa precisa de um livro para mudar de vida, algo me parece errado. Acredito mais que dezenas de livros ao longo de anos possam fazer alguém mudar a perspetiva, mudar o foco; na verdade, a literatura serve para isso mesmo, é essa uma das suas riquezas: proporcionar novos focos, novos ângulos.

Qual o/a escritor/a que convidaria para jantar? Porquê?
Elena Ferrante. Porque gosto bastante dos seus livros e porque a própria autora em si é uma espécie de personagem literária. Seria muito interessante tentar perceber onde começa a realidade e termina a ficção.

Que conselhos daria a um jovem que quisesse gastar as palavras na publicação de um livro?
Surpreende-me quando encontro pessoas que desejam escrever mas não leem. É fundamental, é o primeiro passo: ler. Descobrir, perceber, saborear, aprender através do que se lê. A leitura é o oxigénio de quem escreve, ou pelo menos um dos oxigénios. Também importa ser curioso, fazer questões e ter inquietações, imaginar, ter vontade de observar o mundo com um olhar diferente do que se usa habitualmente. Não ter medo de arriscar.

Podemos esperar a publicação de novos livros para breve?
Publiquei dois livros no espaço de três meses. Agora, é tempo de acalmar um pouco.

Afonso Cruz, o escritor que pergunta, compreende e sente

afonso-cruz_copyright_paulo-sousa-coelho(c) Paulo Sousa Coelho

Escritor, ilustrador, cineasta, ilustrador e ainda músico na banda The Soaked Lamb, Afonso Cruz é um dos mais interessantes autores portugueses da atualidade. Nasceu em julho de 1971, na Figueira da Foz e frequentou a Escola António Arroio, a Faculdade de Belas-Artes de Lisboa e o Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira. Apaixonado por viagens, publicou o seu primeiro romance em 2008 e, desde então, a escrita tem sido o combustível da sua vida, com livros muito inspiradores. Ao longo da sua carreira, foi já distinguido com diversos prémios e galardões literários e viu a sua obra chegar além-fronteiras, a países como Brasil, Bulgária, Canadá, Colômbia, Croácia, Eslováquia, Espanha, França, Hungria, Itália, Macedónia, Polónia, Sérvia, República Checa e Turquia.

A Fábulas entrevistou o escritor. Afonso Cruz, muito atento à realidade que o rodeia, fala-nos do seu percurso como autor de livros para todos os leitores – crianças,  jovens e adultos – e da sua paixão pelo mundo das artes.

Considera que tem sido dado espaço suficiente à literatura em Portugal?
Creio que os escritores esperam sempre mais. O suficiente é uma palavra terrível, que implica a sensação de que nos acomodamos ao mundo tal como ele nos é dado. Há sempre muito mais a fazer, muitas milhas a percorrer.

Sabemos que todos os escritores têm autores de referência. Quais são os seus?
Vários, evidentemente. Sem ser fastidioso e exibir uma lista, refiro três: Saint-Exupéry, Kazantzakis e Dostoievsky.

É escritor, ilustrador, músico e cineasta. Em que mundo vive melhor?
Depende das alturas, mas passo mais tempo a escrever. Todas essas áreas me preenchem de maneira diferente, e não abdicaria de nenhuma, mas a escrita faz-me viver de um modo mais completo, uma vez que passo mais tempo com ela.

Quando lemos os seus livros, ficámos com a ideia de que é um leitor nato e compulsivo. Lê desde muito cedo? E como começou a ter acesso aos livros?
Leio muito, sim, e não escreveria se não lesse. Não sei ao certo quando comecei a ler nem quando me tornei leitor, mas os livros que li na adolescência marcaram-me muito, em especial os livros que eram do meu pai. Ao pegar em livros que não eram dirigidos especificamente para crianças, entrei noutro mundo. Costumo dizer que a a grande viragem da minha adolescência não aconteceu por causa das hormonas, mas da literatura.

Qual foi o livro que mais o marcou em criança? Porquê?
Em criança, não sei. Mais tarde, aos doze anos, li um livro de Dostoievsky que marcou muito a minha vida enquanto leitor. Era um conto chamado O sonho de um homem ridículo. Também, ao mesmo tempo, com a bd, comecei a ler outras coisas, como os livros de Hugo Pratt. O desenho, que fugia a normas convencionais, foi uma revelação. Com Dostoievsky identifiquei-me com a responsabilidade de cada um e com a importância do julgamento interior para as nossas vidas.

Como surgiu a paixão pela escrita?
Muito mais tarde, nunca pensei em ser escritor, mas acho que, a certa altura, tudo o que tinha lido começou a derramar-se, a tornar-se visível. Foi mais ou menos natural, sem que o que tivesse planeado, assim como uma criança começa a falar.

Lembra-se do primeiro texto que escreveu?
Quando viajava, porque não levava máquina fotográfica, escrevia muito daquilo que vivenciava em pequenos blocos que guardava no bolso das calças e que me ajudavam a reter experiências, permitiam-me gravar, não com imagens, mas com palavras, o que via e sentia.

Tem livros dirigidos a diferentes públicos. Prefere escrever livros para adultos ou para os leitores mais novos? Porquê?
Não penso nisso. Escrevo livros que depois encontram o seu público, os seus leitores. Tenho uma ideia, tento concretizá-la o melhor que sei, da maneira que considero mais eficiente. Por vezes, inclui crianças, outras não.

As recordações que tem da infância passada em Buarcos, Figueira da Foz, influenciaram a escrita de Mar?
Algumas, sim. O mar é uma presença constante na Figueira. Em casa dos meus avós, de manhã, era a primeira coisa que via quando olhava pela janela. Há pouco tempo escrevi uma frase, num livro: «Como é que um mar tão grande cabe numa janela tão pequena?» Eram as minhas manhãs, a olhar para aquele gigante que entrava pela casa, pela janela mais pequena e enchia tudo. Outras coisas foram também importantes, temas omnipresentes, que fazem parte do imaginário da Figueira da Foz. A pesca do bacalhau, por exemplo, é matéria romanesca pura. A meio da escrita do volume Mar, pedi a uma jornalista figueirense, a Andreia, para me enviar uma entrevista que ela tinha feito a um velho capitão da pesca do bacalhau e ponderei pedir-lhe permissão para a publicar na íntegra nesse volume da Enciclopédia da Estória Universal. Só desisti, por não ser o espírito do livro, que é acima de tudo ficcional.

O amor, o passado e a morte são temas nucleares das suas histórias. A escolha destes assuntos deve-se ao facto de fazerem, inevitavelmente, parte integrante da nossa existência?
Claro, são grandes temas. Na verdade, acho que são os temas de toda a literatura. Ao falar da humanidade, inevitavelmente tocamos, abordamos, aprofundamos esses assuntos, que, na prática estão interligados e em certas situações chegam a confundir-se.

Na sua obra, é percetível um enorme fascínio pela religião. A que se deve esse interesse?
Falo de religião, mas não creio falar mais de religião do que de ciência, filosofia ou arte. São maneiras de compreender o universo. Não faz sentido alhearmo-nos de algumas delas. A religião é mais uma ferramenta, ainda que esteja cada vez mais em desuso e desacreditada como forma de entender a vida. No entanto, não perdeu pertinência.

«Quando Deus fecha uma porta, abre-nos um livro». Esta é uma das frases que podemos ler em Jesus Cristo Bebia Cerveja. Considera que a literatura permite-nos viajar, descobrir novos mundos e viver experiências interessantes sem sairmos do mesmo lugar?
A leitura não substitui a viagem física, assim como a viagem não substitui a leitura, apesar de terem alguns pontos comuns. Em ambas podemos experimentar novos mundos e perspetivas, por vezes importantes, outras vezes banais, mas também belos, incómodos, gratificantes, dolorosos, prazerosos. Mas, sobretudo, permitem vários ângulos de visão, novas maneiras de compreender, de aceitar, de execrar.

Para onde vão os guarda-chuvas é um livro que coloca questões, procura explicar o que nos rodeia e estimula a pensar. Como surgiu também o seu interesse pelo mundo da filosofia?
Gosto, como tanta gente, de tentar perceber o mundo que me rodeia. Como uma criança fascinada por um brinquedo, tento abri-lo para ver como funciona, e nesse processo, leio o que posso sobre o que outros têm ou tiveram a dizer sobre isso. A filosofia, assim como a arte e a literatura, são formas de chegar mais longe, de abrir o mundo e tentar perceber as engrenagens que se escondem por debaixo da superfície. Olhar para a vida sem que nos interroguemos, ou a pensemos, é renunciar a uma boa parte da nossa humanidade.

Flores conta a história de um homem que perde a sua memória afetiva e, perante a impossibilidade de a resgatar, procura reinventá-la. Dependemos dos outros para conservar as nossas memórias?
Dependemos dos outros para tudo. A nossa tragédia e felicidade está nos outros. Ninguém existe sem ser percebido, sem ser tocado.

E o escritor, como tem a capacidade de chegar a um maior número de pessoas, tem a responsabilidade de preservar a memória?
O escritor não tem responsabilidade nenhuma, para além da de um cidadão comum. Qualquer coisa imputada a um escritor limita, evidentemente, a sua liberdade e eventualmente a sua criatividade. A preservação da memória é mais um trabalho de um historiador ou de um arqueólogo, mais de um cientista do que de um escritor, cuja matéria-prima é acima de tudo a ficção. Não quer dizer, que, em muitos livros, isso não seja feito de forma admirável. Mas não é um dever.

No livro A Cruzada das Crianças, convida-nos a viajar para o mundo das crianças e lembra-nos que também elas têm sonhos – por vezes, os de tantos adultos – e que há momentos na vida em que é necessário um manifesto, para conseguir alcançar aquilo que desejamos. Deixou algum sonho de criança por realizar? E, hoje, é um sonhador?
Sou otimista. Não gosto nada dos discursos, sejam de direita ou de esquerda, sobre o anúncio do fim dos tempos, da derrocada, do abismo: o estertor do comunismo, o fim do capitalismo, o romance esgotado, a geração vazia e sem propósito (como se tivesse existido uma geração qualquer que não tivesse considerado isso em relação à geração seguinte). Mário de Sá Carneiro, quando tinha dezassete anos, escreveu um conto em que não havia nada mais para descobrir exceto a morte. Basta olhar para o século XX, para perceber tudo o que foi descoberto desde então. Há pouco tempo descobriram uma nova espécie de baleia. Não foi um inseto na Amazônia, foi um mamífero gigante. Há muito para sonhar e para descobrir. Mário de Sá Carneiro, não era um velho desistente quando escreveu esse conto, tinha dezassete anos, mas este é um discurso presente em todas as gerações, no seio do modernismo ou na China de há dois mil e quinhentos anos.

Nem todas as baleias voam é o título do seu último livro, inspirado no projeto «Jazz Ambassadors», e apresenta-se como uma reflexão sobre a vida, a morte e a arte. Considera que a arte, neste caso a música, pode ter um papel importante para transformar o mundo?
Sim. A música, de uma maneira mais imediata, pode fazer mudar muita coisa, basta ver como nos move, como faz encher estádios, como arrasta multidões e põe pessoas a dançar e a gritar em uníssono. Há um poder catártico e avassalador na música, um fenómeno mais difícil ou impossível de conseguir com outras artes, que não deixam de ser igualmente eficientes e marcantes, mas cujo impacto nos fruidores é feito de maneira diferente. Em todo o caso, independentemente do meio de expressão, a cultura é essencial para a sociedade, para a sustentar, mas principalmente para a mudar e melhorar.

Ao longo da sua carreira, recebeu já várias distinções e prémios literários. Enciclopédia da Estória Universal é distinguida com o Grande Prémio de Conto Castelo Branco, em 2009. O livro A Boneca de Kokoschka vence o Prémio da União Europeia de Literatura, em 2012. Recebeu, ainda, o Prémio Autores da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), em 2011 e 2014, e o Prémio Nacional de Ilustração, em 2014. A obra Os livros que devoraram o meu pai é distinguida com o Prémio Literário Maria Rosa Colaço e A contradição humana vence o Prémio Autores SPA/RTP. O romance Jesus Cristo Bebia Cerveja, editado em 2012, é distinguido com o Prémio Time Out – Livro do Ano e Para onde vão os guarda-chuvas, publicado em 2013, com o Prémio Autores SPA na categoria Melhor Livro de Ficção. Muito recentemente, o romance Flores vence o Prémio Literário Fernando Namora, em 2016. Como encara todo este reconhecimento?
Com alegria. É sempre gratificante saber que alguém acha que o nosso trabalho é meritório, independentemente da subjetividade inerente. Os prémios, para quem vem de fora do meio, são especialmente importantes. Apontam para os nossos livros e fazem com que não sejam tão facilmente ignorados, quer pelos media, quer pelos leitores.

Muitas vezes, notamos que há uma certa dificuldade em escolher um livro para oferecer às crianças. O Plano Nacional de Leitura, em parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares e as Bibliotecas Municipais, desempenha um papel fundamental na promoção da leitura. Acha que o objetivo está a ser cumprido?
Sim. Acho que é muito importante. Tenho conhecido pessoas incríveis, que têm atos superrogatórios e promovem a leitura com uma dedicação admirável. Quando apoiados por um plano ou instituição que os ajude, podemos efetivamente chegar mais longe em muito menos tempo.

Conte-nos uma situação que tenha vivido numa visita a uma Escola ou a uma Biblioteca e tenha sido particularmente especial.
Numa escola em Medellín, na Colômbia, um rapaz rapou o cabelo, pôs uma barba postiça e uma argola na orelha, para ficar parecido comigo. Havia centenas de crianças à minha espera, mas este sósia, que dizia ser o meu maior fã, deixou-me verdadeiramente surpreendido.

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Escreve todos os dias? Por prazer ou por necessidade?
Escrevo quando tenho algo para escrever. Espero que seja todos os dias, mas por vezes não acontece. De qualquer modo, prazer e necessidade confundem-se.

Tem algum ritual de escrita?
Escrevo em qualquer lugar e a qualquer hora. Mas prefiro escrever à noite, quando tenho mais silêncio e menos interrupções. Ninguém me liga, me envia e-mails. A noite é, também, pelo meu ritmo biológico, o momento em que me sinto mais confortável. Escrevo sempre no computador ou no iPad.

Lembra-se do momento em que viu pela primeira vez um livro seu nas montras das livrarias? Descreva-nos como foi a sensação.
Não me lembro, o que deve querer dizer que não dei muita importância.

Podemos esperar a publicação de novos livros para breve?
Claro. Estou sempre a escrever.

Mais informações sobre o autor aqui.

 

 

«Harry Potter and the Cursed Child»: Voltar a Hogwarts duas décadas depois

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*Atenção! Pode conter spoilers*

Eleito pelos utilizadores do Goodreads como o melhor livro de Fantasia de 2016, Harry Potter and the cursed child – Parts I & II* parte de uma boa premissa: voltar a Hogwarts 19 anos depois e contar a história do segundo filho de Harry Potter, enquanto nos mostra as vidas adultas das nossas personagens favoritas.

Albus Severus Potter é o segundo filho de Harry Potter e Ginny Weasley e cresceu à sombra da fama do seu pai. Um miúdo introvertido e calado que, por infortúnio, sorte ou destino, no seu primeiro ano em Hogwarts, é selecionado para os Slytherin e torna-se no melhor amigo de Scorpius Malfoy, filho do grande rival do seu pai. Como se isso não bastasse, tem ainda de lidar com os problemas típicos da adolescência e com um relacionamento cada vez mais tenso com o seu progenitor: duas personagens tão parecidas em tantos aspetos, mas que são incapazes de se compreender mutuamente. Isto leva Albus a querer destacar-se do seu pai, acabando por, em conjunto com Scorpius, criar uma série de confusões perigosas para o universo mágico numa altura em que Lorde Voldemort está novamente à espreita. No final, Albus precisará de toda a sua coragem, a par dos laços fortes da amizade e da família, para poder evitar que um grande mal seja feito.

Esta obra trata-se, na verdade, do guião da peça de teatro homónima, escrito por Jack Thorne e baseada numa história original de Thorne, J. K. Rowling e John Tiffany. A peça, dividida em duas partes para serem vistas de uma assentada ou em dias seguidos, estreou no dia 30 de julho de 2016 no Palace Theatre, em Londres, e pouco depois foi editado o seu guião, criando assim a oitava história oficial de Harry Potter, agora um adulto a trabalhar no Ministério da Magia e a ter de lidar com a adolescência dos seus filhos. J. K. Rowling disse, na altura, que estava «confiante de que, quando o público visse a peça, iria concordar que aquele era o único meio adequado à história».

Não tendo visto a peça, não posso opinar sobre a mesma, mas acredito que os atores e toda a envolvência cénica acrescentarão uma profundidade e um conteúdo extra ao guião, dando-lhe, acima de tudo, a tridimensionalidade das personagens que por vezes me faltou na leitura desta obra. Porque, apesar de ser claramente uma história mágica e com um dedinho da incrível imaginação de J. K. Rowling, nas folhas do livro falta toda a componente narrativa que descrevia os pensamentos, as emoções e o carácter do Harry. Desta forma, ficamos muitas vezes a pensar porque é que as personagens (as novas, como Albus e Scorpius, e as antigas, o Harry, o Ron, a Hermione e o Draco crescidos) fazem o que fazem, o que está por detrás das suas ações e dos seus pensamentos. Um exemplo claro é o início da história e a seleção de Albus para os Slytherin – quem leu o livro Harry Potter e a Pedra Filosofal sabe bem que o Chapéu Selecionador tem em conta os sentimentos e as escolhas dos alunos; no entanto, nesta obra, a seleção foi muito rápida, muito apressada e quase descartada como irrelevante, quando na verdade é ela que molda grande parte do percurso da história, já que Albus se sente à parte da sua família por causa desta questão. Todo o percurso de Albus até ao quarto ano, e consequente degradação da relação com o seu pai, é, aliás, encarada muito superficialmente, o que me fez distanciar-me desta personagem.

Tive também alguma dificuldade em criar empatia com as personagens adultas: Harry tornou-se mais severo e rígido do que toda a sua história fazia prever, Ron serve apenas como comic relief, Hermione não acrescenta grande coisa à história e o papel de Ginny é perfeitamente secundário. Ganha pontos Draco Malfoy, com uma história vivida no interregno temporal e que é abordada, para efeitos que história, fornecendo-lhe profundidade. Draco cresceu e evoluiu de uma forma que me pareceu condigna com o final da sua personagem nos Talismãs da Morte.

Apesar de um pouco apressada no início, e da falta de alguns pormenores que me pareciam importantes esclarecer para melhor compreendermos as personagens, a verdade é que a história vai ganhando um ritmo interessante, com conteúdo, melhorando a cada página. E termina com aquela sensação que todos os livros do Harry nos deixaram: podem acontecer coisas terríveis, mas a vida continua e o dia de amanhã será sempre melhor. E, no fim, o melhor que temos são mesmo os amigos e a família. Mesmo quando demoramos a entender-nos uns com os outros.

Um livro que me confortou e que agradará a qualquer pessoa que goste de Harry Potter e queira saber mais um pouco da história. Aos fãs mais acérrimos – para os quais não devem haver variações aos livros originais, nem sequer as adaptações para filmes – então não recomendo este livro, uma vez que é preciso lê-lo com mente e coração abertos, sabendo que pode haver coisas muito diferentes das que imaginámos. No fundo, surpresas são um dos pontos fortes de J. K. Rowling e Jack Thorne captou muito bem esse espírito com este Harry Potter and the cursed child – Parts I & II.

 

*A obra em português, editada pela Editorial Presença, tem o título Harry Potter e a Criança Amaldiçoada – Partes 1 & 2, mas aqui mantive o título original em inglês, pois foi nesta língua que li esta obra.

As escolhas de Natal de… Ana Ramalhete

Em Dezembro, cartas e desejos.

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Uma última carta, texto de Antonis Papatheodoulou, ilustrações de Iris Samartz, Kalandraka

«Aquele era o último dia de trabalho do senhor Costas. O último dia como único carteiro de toda a ilha. Era uma época em que não havia telefone, nem correio electrónico, e em que todas as notícias viajavam a pé…»

Uma história importante para explicar ( ou lembrar), às crianças, o papel fundamental que os carteiros e os correios desempenhavam quando ainda não existiam as novas tecnologias; e para reafirmar como ainda é bom escrever e receber cartas em papel, escritas à mão, ou não.

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Cartas de uma mãe à sua filha, Sara Monteiro, Caminho

«Quando Luisinha, com 15 anos, sai de casa da mãe para ir estudar inglês em Inglaterra, esta começa a ser invadida pelos mais estranhos seres: sereias, fadas, bruxas, 1 Pai Natal, 1 fantasma e 1 gnomo (não necessariamente por esta ordem), que a mãe cordialmente recebe e se prontifica a alimentar, dando origem a uma imparável aventura que a leva de casa para a floresta – lugar onde tudo o que existe se mexe e opina (desde folhas e formigas até àspedras mais duras) – e de novo para casa, onde finalmente irá tomar uma decisão radical. Estas cartas, que se prolongam no tempo, são o relato pormenorizado dessas peripécias.»

Quando as pessoas que nos são queridas estão longe, criamos estratégias para encurtar a distância e utilizamos as palavras como pontes que nos levam até ao outro. As cartas que a mãe de Luisinha lhe escreve, narrando as suas aventuras em lugares magicos e com uns seres supostamente amigos da filha, transpotam-na para junto da filha e integram-na num universo comum.

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Diógenes, texto de Pablo Albo, ilustrações de Pablo Auladell, Kalandraka

«Diógenes tem um hobby: colecionar coisas. Que tipo de coisas? Todas. Encontra-as, apanha-as e leva-as para casa. Acontece que Diógenes vive com os pais, com a irmã, com o irmão mais novo e com os avós, e todos eles coleccionam coisas:todo o género de coisas. Não podem imaginar quão cheia está aquela casa. E como se isso não bastasse, Diógenes tem um tio solteiro que também é colecionista e que os visita frequentemente com a sua colecão de… cartas de amor.»

Uma história terna e deliciosa que se inspirou na síndrome de Diógenes para descrever uma família de coleccionadores compulsivos. Um «vício de amealhar coisas» que «já vem de longe», como nos explica Diógenes, o protagonista e narrador.

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Três desejos, texto de Eva Mejuto, ilustrações de Gabriel Pacheco, tradução de Dora Batalim Sottomayor, OQO Editora

«Sonhar em noites de Lua, traz fortuna. Podeis pedir três desejos., dizia o misterioso papel que desceu pela chaminé de um casal de velhinhos enquanto passavam o tempo a assar um naco de pão ao lume. Dentes de ouro, roupas elegantes, um palácio de diamantes… eÉ difícil escolher, e a velhinha achou que com um chouriço no pão pensaria muito melhor. De repente… zás! Apareceu-lhe o chouriço. Tinha gasto o seu primeiro desejo! Quantos onhos cabem em três desejos!»

Um conto adaptado da tradição oral portuguesa, que se debruça sobre a importância de mantermos a capacidade de sonhar, condição necessária para conseguirmos concretizar os desejos que nos trazem mais felicidade.

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O livro dos desejos, texto de Virgílio Alberto Vieira, ilustrações de Cristina Robalo, Caminho

«Sob o céu alto, e fundo, da infância que acorda dos desejos, de margem a margem, tensa, o sonho unia, descalço, sobre o abismo, um menino a medo caminhava. De olhos fechados, um equilibrio de vara forçava contra o peito. A seu lado, pé ante pé, seguia um anjo. Parado em terra, um cavalinho cego espera em silêncio a cor mansa do dia. Em que país há-de nascer esse desejo do poeta que nas palavras do mundo acaba e principia?»

Um livro de poemas marcados pelas rimas, pelo jogo sonoro das palavras, pelo humor, pela imaginação narrativa e pela sátira a algumas figuras típicas do mundo do poder, em contraponto a outras em que a beleza, a natureza e o amor se elevam e nos seduzem pela ternura das suas expressões.

As escolhas de Natal de… Sofia Castanheira

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Todos Eles Viram um Gato, Brendan Wenzel, Edicare

«Quando vês um gato, o que vês? Nesta gloriosa ode à observação, à curiosidade e à imaginação, BrendanWenzel mostra-nos as várias vidas de um gato, e como ele muda dependendo de quem o vê… Um livro magnífico e surpreendente que nos faz refletir sobre as diversas formas de observar e sentir o mundo.»

Um livro que mostra como é importante colocarmo-nos no lugar dos outros e ver o mundo de diferentes perspetivas.

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Os Dinossauros não vão para a Cama!, Timothy Knapman, Edicare

«Ao fim do dia, todos nos sentimos cansados. Lavamos os dentes, vestimos o pijama e acabamos por ir para a cama… ATÉ os dinossauros! A mãe tenta que o seu filho, muito activo e maluquinho por dinossauros, se prepare para ir para a cama. Mas ele encontra sempre um magnífico dino-motivo para tentar escapar-se! Afinal, se os dinossauros não têm de comer todo o jantar, tomar banho ou lavar os dentes, porque haverá ele de o ter de fazer? Com a hora de deitar a aproximar-se, ele vai-se perdendo cada vez mais no seu mundo imaginativo. Será que a mãe conseguirá que ele feche sequer os olhos?»

Os pais vão reconhecer a história e os filhos mais pequenos vão divertir-se com as tropelias do dinossauro para não ir para a cama. Um livro cheio de cor, perfeito para leitura em conjunto.

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Um Bicho Estranho, Mon Daporta e Óscar Villán (Ilustrador), Kalandraka

«Livro de pequeno formato que segue a fórmula dos chamados “contos sem fim”. Um conto para contar, onde a rima e o ritmo são fundamentais, a partir de uma estrutura de oito sílabas que se mantém ao longo de toda a história. Apesar da sua simplicidade do ponto de vista literário e artístico, este livro destaca-se pelo “jogo” que estabelece com as crianças, crianças essas que, por seu intermédio, podem assim descobrir a função lúdica da leitura. E isso porque ao girar o livro e dando a volta à história…»

Um livro diferente que desperta para outras facetas da leitura.

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Natalossauro: O Dinossauro que Salvou o Natal, Tom Fletcher, Nuvem de Letras

«Um menino especial e um dinossauro vivem a história mais fantástica deste Natal! O Natalossauro é um livro sobre amizade, família, sinos, o Pai Natal, duendes cantores, renas voadoras, música e magia. É sobre a descoberta dos desejos mais secretos e aprender que o impossível pode tornar-se possível…»

Uma história ternurenta e divertida, mágica para esta época.

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Um Rapaz Chamado Natal, Matt Haig, Booksmile

«Um Rapaz Chamado Natal é um livro repleto de magia, perfeito para miúdos e graúdos. Nesta viagem, que tem início na infância pobre e simples do pequeno Nicolau, o autor vai desvendando a verdadeira história do Pai Natal e surpreendendo o leitor com descrições fantásticas e completamente inesperadas. Um livro encantador, divertido e emocionante, com ilustrações sublimes. Uma jornada imperdível onde não faltam elfos, neve, renas, fadas e muitos pozinhos mágicos, capazes de transformar a tristeza em alegria e os “impossíveis” em amor. Sem dúvida, um novo clássico de Natal!»

Presente em diversas listas de melhores livros infantojuvenis do ano, este livro de Matt Haig traz-nos uma história que reinventa a magia do Natal e fará muitos leitores, pequenos e graúdos, sonhar.

As escolhas de Natal de… Alexandra Martins

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Fantastic Beasts and Where to Find Them: The Original Screenplay, de J. K. Rowling, Little, Brown Book Group 

«Quando o magizoologista Newt Scamander chega a Nova Iorque, pretendia que a sua estadia fosse curta. No entanto, quando a sua mala mágica é trocada e algumas das criaturas mágicas de Newt conseguem escapar, os problemas começam para toda a gente…

Inspirado no manual escolar de Hogwarts, escrito por Newt Scamander, Fantastic Beasts and Where to Find Them: The Original screenplay marca a estreia de J.K. Rowling como guionista. Uma combinação brilhante entre a imaginação e um elenco inesquecível de personagens e de criaturas mágicas, esta épica aventura é do melhor. Quer se seja um fã de longa data ou novo no mundo da feitiçaria, este livro é a adição perfeita para qualquer amante do filme ou para a estante de um leitor.»

Com o filme das salas de cinema, é impossível não começar a lista com esta sugestão. Apesar de ainda não haver previsões para uma edição em português, o facto de ser um guião, bem como a utilização de uma linguagem acessível a todos, permite que a leitura seja pacífica e, em complementaridade com o filme, se torne num momento de grande diversão. Como a própria sinopse refere, trata-se da prenda ideal para os fãs do universo mágico criado por J.K. Rowling, tanto os que preferem os livros, como os que preferem os filmes.

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Gregor – A Terceira Profecia, de Suzanne Collins, Editorial Presença

«Depois de cumpridas as duas primeiras profecias, Gregor enfrenta agora a Profecia de Sangue, que prevê que ele e Boots regressem à Subterra. Aí terão de encontrar a cura para um surto de peste que assola as criaturas de sangue quente. A mãe deixa-os ir… com a condição de os acompanhar. Quando chegam a Regalia, a peste está a espalhar-se e um dos membros da família de Gregor é atingido. Só então Gregor percebe qual o papel a desempenhar na profecia. Terá de reunir todas as forças para concluir a missão, ou será o fim dos Subterrestres de sangue quente.»

Já por duas ou três vezes falámos aqui no Fábulas do Gregor, um rapaz perfeitamente normal e monótono, que vê a sua vida dar uma volta gigante quando a irmã bebé cai por uma conduta e vai parar à Subterra. Gregor vai atrás dela e descobre todo um novo mundo, mesmo por debaixo das ruas de Nova Iorque. O pior é que há uma série de profecias que dizem que apenas Gregor pode salvar os habitantes da Subterra, profecias que anunciam desafios que ele tem de vencer, sendo que cada um é mais difícil do que o anterior. Partimos agora para o terceiro livro desta saga que tão bem retrata temas como a amizade, a lealdade, a coragem e o amor da família.

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A Ilha do Chifre de Ouro, de Álvaro Magalhães, Edições Asa

 «Basta duvidar do que os nossos olhos veem para se chegar ao lado desconhecido da cidade, que ninguém vê. E aí começa sempre uma história como esta, que levará um rapaz e uma rapariga até à ilha em forma de chifre que não vem em mapa nenhum.

Publicada originalmente em 1998, A Ilha do Chifre de Ouro alia a qualidade e notoriedade do autor à novidade de esta ser a sua primeira novela juvenil fora da série Triângulo Jota. A ação desenrola-se em torno de um pacato distribuidor de pizas e de uma misteriosa rapariga ruiva que de repente se veem no outro lado da cidade do Porto e que acabam por chegar a uma ilha em forma de chifre que não vem em mapa nenhum – a Ilha do Chifre de Ouro! Uma aventura empolgante e enternecedora, a confirmar as (re)conhecidas qualidades literárias de Álvaro Magalhães.»

Li A Ilha do Chifre de Ouro, agora reeditado pela ASA, quando estava a entrar na adolescência. Foi uma leitura fantástica, a juntar a magia da escrita de Álvaro Magalhães, que já me deliciava com as aventuras do Jorge, da Joana e do Joel do Triângulo Jota, uma história de amor para fazer suspirar as meninas e muita aventura para entusiasmar os meninos. Um livro que encanta miúdos e graúdos e que nos transporta para uma ilha mágica, que fica ali «do outro lado da cidade», um lado que só se vê se acreditarmos com muita força na magia e no nosso coração.

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O Código da Vinci – edição juvenil, de Dan Brown, Bertrand Editora

«O best-seller de Dan Brown está agora disponível numa adaptação da obra feita a pensar numa nova geração de leitores mais novos. A estrutura base do romance mantém-se inalterada na condução dos leitores desde Paris até Londres, passando por alguns dos seus lugares mais emblemáticos, numa alucinante corrida contra o tempo. A edição inclui mais de vinte fotos coloridas que mostram os locais e as obras de arte mais marcantes na narrativa. A maior conspiração dos últimos dois mil anos está prestes a ser revelada a uma nova geração.

Robert Langdon, professor de simbologia da Universidade de Harvard, está em Paris para dar uma palestra. Na receção que se segue deve encontrar-se com um respeitado curador do mundialmente famoso Museu do Louvre. Mas o curador nunca aparece e mais tarde, durante a noite, Langdon é acordado pelas autoridades é informado que o curador foi encontrado morto. De seguida, é conduzido ao Louvre, à cena do crime, e descobre pistas desconcertantes. Este é o ponto de partida para uma corrida contra o tempo, no decorrer da qual Robert Langdon, auxiliado pela criptologista francesa Sophie Neveu, procura decifrar um conjunto de pistas especificamente deixadas para sua interpretação. Se Robert e Sophie não conseguirem resolver o quebra-cabeças a tempo, serão confrontados com um trágico destino.»

Não vale a pena alongarmo-nos a falar d’O Código da Vinci, essa famosa história que saltou da imaginação de Dan Brown para as páginas do livro, para as telas de cinema e para o imaginário de todos nós. É um livro cheio de ação, emoção e um ritmo alucinante que nos impede de pousar o livro com medo de que, enquanto não estamos a olhar, aconteça algo às personagens a quem nos afeiçoámos. Mas é também, claramente, um livro complexo, cheio de peripécias e de pormenores e de histórias dentro da própria história. Este Natal, a Bertrand Editora traz-nos uma versão mais simplificada d’O Código da Vinci, sem lhe tirar nenhum do seu valor, para que as mentes mais jovens se possam também apaixonar por esta história ímpar e entrar nesta aventura inesquecível de Robert Langdon.

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Onde estás, Audrey?, de Sophie Kinsella, Porto Editora

«Audrey é uma adolescente cheia de vida, igual a tantas outras. Com 14 anos, estuda, discute com os irmãos, sonha muito e confia cegamente nas amigas. Até ao dia em que essa confiança é destruída… Vê-se obrigada a deixar a escola. Sente-se incapaz de sair casa. E esconde-se irreversivelmente atrás de um par de óculos de sol. Então, conhece Linus, um rapaz de sorriso simpático e comentários divertidos, que parece ser o raio de sol de que Audrey precisava.

E a jovem acaba por descobrir que, mesmo quando pensamos que estamos perdidos, o amor consegue sempre encontrar-nos…»

Este é o primeiro livro de Sophie Kinsella na categoria de Young Adult e aborda temas como o bullying, as consequências do mesmo, os problemas pelos quais as vítimas e as famílias destas passam (depressão, ansiedade, ataques de pânico). Sophie Kinsella apresenta-nos Audrey e os seus dramas de uma forma muito natural, com uma escrita muito suave e madura, que nos leva a compreender sem precisar de estar lá escrito, que nos leva a sentir empatia sem sentir pena. A Audrey quer apenas ser a normal adolescente de 14 anos, mas aos poucos, com a sua família de loucos que nos faz gargalhar e com a presença de Linus que nos faz sorrir, ela vai acabar por perceber que a normalidade é diferente para cada pessoa e que todos os problemas conseguem ser superados com a ajuda da família, da amizade e do amor…

As escolhas de Natal de… Sofia Pereira

As luzes iluminam as ruas. Os sonhos intensificam-se. Os corações amolecem. A alegria contagia-se. Os sorrisos espalham-se. Perdoa-se e dá-se Amor. O Natal está a chegar. Estamos em contagem decrescente. Faltam exatamente 19 dias para as famílias – e alguns amigos mais próximos – se reunirem à mesa. E, para ajudar a passar esta época festiva, deixamos a sugestão de cinco livros para folhear, oferecer, ler ou partilhar.

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As Visitas do Pai Natal, de José Viale Moutinho e Abigail Ascenso, Booksmile

«Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para 3º/4º/5º/6º anos de escolaridade. Apoio a projetos Natal. O Pai Natal está muito baralhado e precisa de ajuda. O que terá acontecido? Já nada é como antigamente, e o Pai Natal está mesmo confuso com os pedidos que recebeu da criançada. Como é que ele vai conseguir entregar os presentes, se nem sequer sabe o que é uma BTT ou uma Playstation? Por sorte, os primos Álvaro e Francisco estão dispostos a dar-lhe uma ajuda preciosa. Ao mesmo tempo, por entre histórias curiosas e divertidas, os meninos aprendem a origem de algumas das tradições de Natal, como a do cartão de boas-festas ou a da fava do bolo-rei. E ainda vão ter uma bela surpresa, ao serem brindados com um lanche delicioso preparado, imagina tu, pelas renas do Pai Natal! Uma história divertida que te vai fazer sonhar! Inclui deliciosas receitas de Natal. Junta-te ao Pai Natal, ao Álvaro e ao Francisco nesta grande aventura pela magia do Natal!»

Por que razão? Um livro fascinante que ajuda os pais e familiares a incutir nos mais pequeninos a magia desta época natalícia, com maravilhosas ilustrações, curiosidades, tradições e receitas sobre o Natal.

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O Livro da Ciência, de Vários, Marcador

«Será que o Universo começou com um Big Bang? A luz é uma onda, uma partícula – ou ambas? Será que somos a causa do aquecimento global? É possível uma Teoria de Tudo? A ciência tornou possível a compreensão do mundo em que vivemos e os multiversos teóricos além dele, oferecendo avanços tecnológicos e alargando as fronteiras do conhecimento. Escrito numa linguagem simples, “O Livro da Ciência” está repleto de explicações curtas e concisas que evitam o jargão técnico, diagramas passo a passo que desembaraçam teorias complicadas, citações clássicas que tornam memoráveis as descobertas científicas e ilustrações espirituosas que melhoram e jogam com a nossa compreensão da ciência. Seja qual for a sua compreensão do assunto, quer seja um estudante interessado ou um cientista de sofá, vai encontrar muita coisa para o estimular neste livro.»

Livro de exploração, porquê? As férias do Natal são uma boa oportunidade para todos – crianças, jovens e adultos – dedicarem algum do seu tempo a atividades que a azáfama do dia a dia não permite. Este livro permite explorar o mundo da ciência, através da observação e descoberta científicas, estimulando o conhecimento, a curiosidade e a vontade de aprender.

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Mary John, de Ana Pessoa, ilustrações de Bernardo Carvalho, Planeta Tangerina

«Há semanas que ando a escrever-te. Não sei bem porquê. Não sei bem para quê. Quem és tu, Júlio Pirata? Ando a pensar na nossa história. Desde o princípio. Desde o primeiro encontro. Desde a primeira pergunta: “És menino ou menina?”

Eu sou uma menina por tua causa, Júlio. Deixei crescer o cabelo para ti, furei as orelhas para ti. Eu vivo e morro para ti. Todos os meses tenho o período, morro um bocadinho e penso em ti. Tu dizes: “Morreste!” E eu morro. Atiro-me para o chão de qualquer maneira.

E eu não quero isso. Eu nunca mais quero morrer, Júlio. Eu quero viver para sempre. Todos os minutos de todas as horas de todos os dias.”»

Porquê? Este livro, recomendado para jovens e adultos, mergulha de uma forma informal – mas delicada e entusiástica – numa das fases mais marcantes da vida de todos nós: a adolescência.

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Bestiário Tradicional Português, de Nuno Matos Valente, ilustrações de Natacha Costa Pereira, Edições Escafandro

«Esqueçam o Halloween, os Vampiros, os Trolls e o Pai Natal. Neste livro, só vamos falar de criaturas portuguesas. Quem são as Moiras Encantadas? Onde vivem? O que faz a Maria Gancha no fundo do poço e os Maruxinhos nas ruínas do castelo? Aquele som lá ao longe, na encruzilhada, será um Lobisomem ou um Tardo?»

Vale a pena ler? Óbvio que sim! Um Bestiário ilustrado, para ler e explorar em ambiente familiar, com informações explícitas sobre os hábitos de criaturas portuguesas, segundo os testemunhos de tradição oral e das obras de Leite de Vasconcelos, Consiglieri Pedroso, Alexandre Herculano, Júlio Dinis, Teófilo Braga, entre outros, que permite um maior conhecimento da cultura portuguesa.

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A Doença, o Sofrimento e a Morte entram num Bar, de Ricardo Araújo Pereira, Tinta da China

«O que faz de Ricardo Araújo Pereira o maior humorista português? Já não é preciso esperar mais para saber (e aprender) o que RAP tem a dizer sobre escrita de humor. Podíamos fazer uma piada sobre a importância deste livro, mas o melhor é mesmo lê-lo. “Aquilo a que chamamos humor, ou sentido de humor, é, na verdade, um modo especial de olhar para as coisas e de pensar sobre elas. É raro, não por se tratar de um dom oferecido apenas a alguns eleitos, mas porque aquele modo de olhar e de raciocinar é muito diferente (às vezes, o oposto) do convencional. Este livro procura identificar e discutir algumas características dessa maneira de ver e pensar.”»

Ler, porque sim! O Natal é a união da família e dos amigos mais próximos. E é nesse ambiente saudável e harmonioso que todos juntos podem ler e partilhar alguns excertos deste livro que, certamente, provocará momentos de enormes gargalhadas e ajudará a melhorar o estado anímico e psicológico, por vezes, habitado pela nostalgia de algumas ausências.

Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los: o regresso ao mundo da magia, muito para além de Harry Potter

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Novembro foi mês de regressar ao universo mágico criado pela autora J. K. Rowling. Comecei por ler o livro Harry Potter e a criança amaldiçoada, o guião da peça teatral com o mesmo nome (opinião para breve) e terminei este fim de semana com o filme Monstros Fantásticos e onde encontrá-los, uma espécie de prequela à saga Harry Potter, que parte de um pequeno livro homónimo do filme.

O livro em questão foi lançado em Portugal em 2001, pela Editorial Presença, e consistia na compilação das conclusões do feiticeiro Newt Scamander sobre como encontrar e lidar com criaturas mágicas. O exemplar que estava a ser vendido (e que se encontra atualmente fora de circulação em Portugal; correm rumores de que vai haver uma nova edição) era uma cópia do livro pertencente ao Harry Potter e continha anotações do Harry, do Ron e da Hermione nas margens, fazendo com que um simples guia se tornasse em diversão garantida para os leitores da saga, sem que interferisse com a mesma.

No entanto, agora, volvida mais de uma década, J. K. Rowling uniu-se novamente a David Yates (realizador dos últimos 4 filmes de Harry Potter) para contar a história de Newt Scamander e dos seus monstros fantásticos, muitos anos antes do Rapaz Que Sobreviveu ter sequer nascido. E nós, fãs deste universo mágico, sentimo-nos a voltar a casa durante as duas horas e meia que dura o filme.

A história começa no ano de 1926, com a chegada de Newt Scamander e da sua mala cheia de criaturas mágicas a uma Nova Iorque onde as tensões entre os feiticeiros e os SemMage (pessoas sem magia, o equivalente dos Muggles na América) estão ao rubro. E quando uma série de ataques começa a acontecer ao mesmo tempo que Newt perde a sua mala, a aventura está lançada.

O filme tem um ritmo interessante, o ambiente oscilando entre a euforia dos loucos anos 20 e as sombras de um mundo em constante tensão, com uma história que é um importante preâmbulo para abrir caminho aos filmes que se seguem (vão ser cinco no total). Para mim, o melhor do filme foram as personagens, humanas acima de tudo, que nos cativam com as suas personalidades e com o caminho que trilham – heróis que cometem erros e que os tentam corrigir, vilões que o são por medo e desconhecimento, personagens que não são bem o que aparentam e um Muggle que mostra que é melhor do que muitos feiticeiros. Jacob é, aliás, uma das personagens mais queridas do público e deixa-nos todos a torcer por ele até ao final.

Tudo isto intercalado com muita magia, muita aventura, momentos de muito humor e muitos pequenos detalhes que nos levam invariavelmente a Harry Potter – desde a referência a Albus Dumbledore, ao cachecol de Newt Scamander que tem as cores da sua casa em Hogwarts, os Hufflepuff, e outras que não vou aqui mencionar para não estragar a surpresa.

Para quem é fã de Harry Potter, este é um filme que enche as medidas e que, por não ter base literária, traz consigo a liberdade criativa dos criadores (J. K. Rowling como autora do guião e David Yates como realizador). Para quem não é fã da saga mas gosta de magia, continua a ser um filme a não perder!

Canções e Histórias de Natal

por Alexandra Martins

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Edição em português – Edições Convite à Música

O Natal é uma época propícia à música, aos contos, às atividades em família. E que melhor programa do que pegar neste livro da Edições Convite à Música e passar um bom bocado com os miúdos? Ele tem histórias divertidas e engraçadas, ilustrações lindíssimas e 12 canções originais e perfeitas para cantar em conjunto que vêm num CD áudio.

Lá por casa, ofereci-o ao meu filho no último Natal e já lhe demos muito uso! Mais ainda agora que mais um Natal se aproxima. Antes de ir para a caminha, lemos sempre uma ou duas histórias (o livro tem 12) e, durante o dia, ouvimos as músicas e cantamos e dançamos. É um dois em um perfeito para quem, como o meu filhote, adora histórias e adora canções. Vá, eu também adoro!

 

Novidades para crianças curiosas

Os livros de histórias são ótimos para estimular a imaginação e a capacidade da criança em se colocar no lugar das personagens, de viver as suas aventuras e compreender as suas experiências. Mas, para um verdadeiro enriquecimento da criança, os livros dedicados ao conhecimento também são importantes, pois promovem a cultura geral, ajudam a tomar consciência do mundo em que vivemos e a estimular a curiosidade pelo saber. Aqui ficam algumas recomendações, dedicados a diferentes temas, para bons momentos de leitura.

Para os pequenos exploradores:

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O Grande Livro do Mundo, Yoyo Studios

«Este livro ensina às crianças tudo sobre o mundo.Aprende alguns factos surpreendentes. Os testes muito divertidos e as imagens encantadoras, tornam este mega livro numa obra de referência que se guarda para sempre!»

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Atlas de Cidades, Georgia Cherry e Martin Haake, Edicare

«Parte numa aventura global com este livro ilustrado de 30 cidades de todo o mundo. Encontra pessoas famosas, edifícios emblemáticos, zonas culturais e destinos para crianças neste livro que é também um guia turístico. Lisboa, Istambul, Nova Iorque ou Tóquio são algumas das cidades apresentadas.»

Para os pequenos investigadores:

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Como São Feitas as Coisas, de Oldrich Ruzicka e Alexandra Hetmerová, Edições Gailivro

«Sabes como é fabricada uma colher? Antes de ser feita, é preciso obter minério de ferro para a produção de ferro. E antes de se poder fazer ferro, também é preciso extrair carvão e pedra calcária. O carvão tem de ser transformado em coque; o ferro produzido tem de ser refinado para se transformar em aço, e só depois pode ser modelado e moldado numa colher. Até a produção de um objeto aparentemente simples requer o trabalho de muitas pessoas de várias profissões e conhecimento em diversas áreas. O fabrico de pão, de T-shirts e de objetos de vidro simples, por exemplo, é igualmente complexo.

Cada um destes objetos aparentemente vulgares só pode ser produzido a partir de componentes individuais, e cada um destes componentes tem de ser extraído, obtido, fabricado ou produzido por outros meios. Embora este livro trate de objetos de uso diário, graças à descrição de como são produzidos, ficamos a saber muitas outras coisas.»

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Factos Incríveis, Susan Martineau, Booksmile

«Já ouviste falar do Monge Voador? Sabes como funciona a tua bicicleta? Qual é o animal mais gordo do mundo? De fantásticas máquinas voadoras e corajosos exploradores, a efeitos especiais no céu e gigantes fósseis no fundo do mar, este livro, recheado de ilustrações apelativas, ajuda-te a compreender o mundo à tua volta. Perfeito para pequenos pensadores que gostam de grandes ideias! Tudo o que precisas de saber para impressionares os teus pais e amigos.»

Para os pequenos historiadores:

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Pequena História do Mundo, Fernando Garcia Cortázar, Texto Editores

«Queres fazer uma viagem inesquecível pelo tempo e ficar a saber tudo sobre a História do Mundo sem teres de fazer mais nada senão ler este livro? Então junta-te ao Sérgio e vem conhecer as histórias que os seis sábios anunciados por Clio, a musa da História, têm para contar. Sem precisares de máquinas do tempo nem de engenhocas complicadas, vais partir numa viagem que começa na Antiguidade e só acaba nos nossos dias, ao mesmo tempo que dás a volta ao mundo e conheces os maiores protagonistas da História Mundial e os seus feitos. E nem sequer precisas de sair de casa! Basta usares a tua imaginação e deixares-te levar nesta grande aventura.»

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Grandes Civilizações: Roma, Eva Bargalló, Edicare

«A civilização romana foi uma das mais grandiosas e influentes de toda a humanidade. A cultura, a política ou a engenharia são abordadas aqui, numa mistura de texto, ilustração e realidade aumentada. Neste livro, além dos temas abordados sobre o império romano, a realidade aumentada permite, de forma simples, acessível e gratuita, ver a 3 dimensões as conquistas, os templos, os aquedutos ou a cidade de Pompeia, entre outros.»