Novidades no mundo dos livros

por Sofia Pereira

Sol, calor, praia, mar, campo e esplanada são sinónimos de verão. A verdade é que as férias estão (quase) a chegar. Há mais tempo e disponibilidade para usufruir da companhia dos familiares e dos amigos. Mas é também nesta época que se compensa a falta de tempo que, durante o ano, temos para nos dedicar a atividades culturais que nos dão prazer. Que nos relaxam. Que nos enriquecem. Que nos alimentam o corpo e o espírito. Como a leitura. Quem não se sente sereno e num mundo mágico quando lê um livro? Porque podemos ler em todo o lado, basta para isso levarmos na mala, no saco de viagem e/ou de praia ou na carteira um pequeno livro para folhear e deixar-nos viajar pelo seu mundo imaginário e criativo. Sem sair do lugar.

Partilhamos com os nossos leitores o que há de novo no universo editorial, dirigido a leitores de diferentes idades – miúdos aos graúdos, para que possam fazer as vossas melhores escolhas:

A Maratona dos Bichos, texto de Regina Boratto e Vanda Romão e ilustrações de Vanda Romão, Editorial Caminho

«Três velhos amigos — um porquinho, um urso panda e uma tartaruga — adoravam corridas e sonhavam em ser velozes e ágeis como os felinos.
Resolveram, então, organizar uma maratona e correr também! Como não eram muito velozes, acharam melhor convidar outros animais, também lentos por natureza, para aumentar as hipóteses de ganharem.
E foi assim que um bicho preguiça, um rinoceronte e um burrinho entraram na disputa.
Os três amigos preparavam-se para vencer, mas quando a corrida começou, acabaram por se atrapalhar… E as surpresas também apareceram! O grande vencedor surpreende, dando uma lição a todos os que duvidaram da sua vitória.»

A Revolta dos Vegetais, de David  Aceituno e Daniel Montero Galán, Nuvem de Letras

«Os vegetais estão fartos! … Fartos de meninos chorões e queixinhas que nunca acabam o que têm no prato. Por isso, disseram BASTA! e reivindicaram o seu lugar no mundo. Como? com a revolta mais endiabrada, divertida e vitamínica jamais vivida no interior de um frigorífico. Um álbum ilustrado muito divertido e original para incentivar as crianças a comer vegetais.»

Se Vir Um Ovni… Peço-lhe Boleia, de Nurb, Planeta Editora

«Um manual de sobrevivência para o fim da adolescência – início da idade adulta. O popular YouTuber e cantor propôs-se escrever um livro que fosse uma espécie de manual para a transição entre a vida adolescente e a adulta, relatando as experiências e lições aprendidas na sua vivência. Mas, ao reflectir sobre a vida e o mundo que o rodeia, acabou por perceber que quem precisa de um manual para sobreviver neste planeta é ele.»

Por Treze Razões, de Jay Ashe, Editorial Presença

«Não podes parar o futuro, nem voltar atrás ao passado. A única maneira de perceberes o mistério… é carregando no play. Clay Jensen não quer ter nada a ver com as cassetes gravadas por Hannah Baker. Hannah está morta. Os seus segredos foram enterrados com ela. Mas a voz de Hannah diz a Clay que o nome dele está gravado naquelas cassetes e que ele é, em parte, responsável pela sua morte. Clay ouve as gravações ao longo da noite. Ele segue as palavras gravadas de Hannah pela pequena cidade onde vive… e o que descobre muda a sua vida para sempre. Por Treze Razões é um romance intenso e sempre atual, adaptado a minissérie pela Netflix.»

O Pianista de Hotel, de Rodrigo Guedes de Carvalho, Publicações Dom Quixote

«O Pianista de Hotel transporta-nos numa melodia.
É uma entrada para um mundo regido pela linguagem da música, pela sua força e beleza, presentes no ritmo de cada frase, de cada parágrafo rigorosamente medido.
Livro em camadas, nele se cruzam diversos planos, diversas histórias perpassadas pelo poder redentor da música que entra e rasga, a solidão, a dor e o vazio das pessoas que habitam nestas páginas. Com um vasto subtexto, a densidade das personagens está carregada de mistérios que nos prendem a sucessivas interrogações.
Há um pouco de nós em todas elas.
Há muito de nós neste mergulho ao mais fundo da alma humana.
É um romance que se lê e ouve, que mantém todos os sentidos alerta. Uma pauta musical, com andamentos diversos, que acabam por se cruzar numa vertigem imprevisível de autêntico thriller psicológico.
E, depois, há o pianista…»

Escrito na Água, de Paula Hawkins, Topseller

«Um thriller intenso, da autora do bestseller mundial A Rapariga no Comboio. Cuidado com as águas calmas. Não sabemos o que escondem no fundo. Nel vivia obcecada com as mortes no rio. O rio que atravessava aquela vila já levara a vida a demasiadas mulheres ao longo dos tempos, incluindo, recentemente, a melhor amiga da sua filha. Desde então, Nel vivia ainda mais determinada a encontrar respostas. Agora, é ela que aparece morta. Sem vestígios de crime, tudo aponta para que Nel se tenha suicidado no rio. Mas poucos dias antes da sua morte, ela deixara uma mensagem à irmã, Jules, num tom de voz urgente e assustado. Estaria Nel a temer pela sua vida? Que segredos escondem aquelas águas? Para descobrir a verdade, Jules ver-se-á forçada a enfrentar recordações e medos terríveis há muito submersos naquele rio de águas calmas, que a morte da irmã vem trazer à superfície. Um livro profundamente original e surpreendente sobre as formas devastadoras que o passado encontra para voltar a assombrar-nos no presente. Paula Hawkins confirma, de forma triunfal, a sua mestria no entendimento dos instintos humanos, numa história com tanta ou maior intensidade do que A Rapariga no Comboio

Boas leituras!

 

A importância da Literatura

por Sofia Pereira

“…leer puede que tenga el valor de hacermos más críticos, más reflexivos, más solidarios y tolerantes, más autónomos: puede dar la posiblidad de pensar por uno mismo, con lo que se convierte en herramienta imprescindible …”
(Puertas a la lectura)

Se a Literatura não necessita de se justificar porque possui um capital simbólico, uma arte gratuita e livre, não se pode, contudo, atualmente, deixar de se questionar sobre o seu presente e o seu futuro. A leitura está em crise, a Literatura deixou de ser uma marca de Homem culto. A atual cultura baseia-se noutras formas de aquisição, vindo esta arte a perder o prestígio que detinha até há uns anos atrás. Quando lemos um livro, conseguimos compreender o melhor e o pior de um povo, de uma cultura, pois nele cabem emoções, gostos, valores, ideologias e esperanças.

Ler um texto literário:

– estimula a aprendizagem da língua no seu poder de expressão mais perfeita e completa;
– permite adquirir conhecimentos de ordem linguística, estética e cultural;
– contribui para o aperfeiçoamento das expressões oral e escrita;
– contribui para uma visão crítica e reflexiva do mundo;
– desenvolve a formação cultural e cívica;
– proporciona experiências de emoção estética;
– fomenta valores morais;
– reforça a superação das fragilidades emocionais e as pressões do dia a dia, proporcionando o bem-estar físico, mental e social.

O texto literário é o thesaurus da identidade nacional e o espaço de diálogo com outras realidades culturais e literárias (textos de outros povos, outras terras e culturas). O seu estudo reforça a consciência do ser português, das raízes culturais e identitárias, num mundo globalizado.

A Literatura, também pelo seu carácter libertador e terapêutico, promove a interação, a socialização e a participação, preparando-nos para as contínuas mudanças da vida, auxiliando-nos a fomentar valores e crenças, desenvolvendo a nossa capacidade imaginativa e criadora e aumentando o nosso sentido crítico e estético.

 

Dia Mundial do Livro: qual a importância da leitura?

por Sofia Pereira

Hoje é o Dia Mundial do Livro!
O Dia Mundial do Livro é celebrado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de abril. Esta data foi escolhida com base na tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge, e recebem em troca um livro, testemunho das aventuras heróicas do cavaleiro. Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como William Shakespeare e Miguel de Cervantes, falecidos em abril de 1616.

A leitura deve ser um hino à vida. O contacto com o livro como instrumento de trabalho e de lazer facilita o acesso à cultura, à informação e à educação, fomenta hábitos de leitura, contribui para a preservação das tradições e da cultura locais, estimula a inovação educacional, ampliando os horizontes sociais e culturais e contribuindo para o desenvolvimento democrático das sociedades, base de uma cidadania ativa e plena.

Para assinalar a data, a Fábulas convidou alguns leitores a partilharem a importância da leitura nas suas vidas:

Raquel Cravo, 6 anos, aluna do 1º ano

«Ler é muito importante porque aprendemos todas as coisas do mundo. Adoro ler e estou muito feliz porque já consigo ser eu a ler os livros sozinha.»

Alunos do 3º ano da turma 18 da Escola Básica do 1º ciclo da Gândara dos Olivais, Leiria

«A leitura é muito importante porque nos transporta para lugares mágicos. Permite-nos imaginar e viver aventuras fantásticas. Quando lemos, conseguimos esquecer as nossas tristezas.»

Fábio Canceiro, 31 anos, Jornalista

«É difícil descrever a importância que a leitura teve na minha vida. Desde que me conheço que as letras e as palavras, os livros, fazem parte da minha vida. Seja na construção de cenários imaginários seja no melhor conhecimento do mundo real. Graças aos livros e à leitura abri portas, quebra fronteiras, desvende mistérios. Não consigo imaginar a minha vida sem livros.»

André Barros, 32 anos, Compositor e Pianista autodidata

«Parece-me que em todos os géneros literários persiste, por parte do seu autor, uma vontade inequívoca de partilha. Seja esta de factos históricos ou científicos, de estados de espírito ou de sentimentos recalcados, de mundo ficcionados ou de relatos autobiográficos, a verdade é que de um livro comungamos na mesma medida em que se fôssemos o interlocutor presencial do autor da obra. E que privilégio é poder fazê-lo com tamanha intimidade e ao tempo que queremos… Sempre achei curioso que um poema musicado impõe necessariamente o seu tempo através da música que o acompanha, confinado ao seu ritmo e duração, sendo que um poema escrito adapta-se ao tempo de cada leitor, individualmente. Como apaixonado pelos sons confesso que para mim não há melhor combinação do que uma boa leitura potenciada por uma consonante paisagem sonora instrumental! Parabéns aos autores que, tantas vezes, nos comunicam de forma absolutamente altruísta e indelével!»

Catarina Pereira, 34 anos, Professora do 1º ciclo

«Para mim, a leitura tem uma grande importância. Com ela, estimulamos a nossa capacidade de aprendizagem e memória, como também a nossa escrita. Com a leitura desenvolvemos ainda a nossa imaginação, criatividade e adquirimos novos conhecimentos. E, para além de tudo isto, é um ótimo passatempo com efeito terapêutico que nos permite sonhar! Por isso, acho importante a leitura tanto nas crianças como nos adultos.»

Micael Sousa, 34 anos, Engenheiro Civil

«Ler para mim é a oportunidade de aprender, de aceder a conhecimentos que de outra forma me estariam vedados. Ler permite quebrar as fronteiras do tempo e do espaço, permite conhecer ideias distantes na sua pureza original. Podemos escapar à pressão e ditadura do presente acelerado, pois ler desenrola-se ao nosso ritmo, numa viagem para outra dimensão.»

Rita Pereira, 36 anos, Psicóloga

«Para mim, a leitura é importante porque ao lermos um livro este transporta-nos para outras vivências e novas realidades, desenvolvendo assim o nosso imaginário e a nossa criatividade. Ajuda-nos a libertar emoções e sentimentos reprimidos, a conhecer melhor o nosso interior e as pessoas que nos rodeiam, contribuindo para um melhor bem-estar aos níveis da saúde mental, emocional e social. No fundo, acaba por nos ajudar a crescer pessoal, espiritual e profissionalmente.»

Telma Fontes, 39 anos, Funcionária Pública

«Não me lembro de quando aprendi a ler, lembro-me unicamente de escrever em espelho porque era mais fácil e lembro-me, lembro-me perfeitamente do dia em que li Blaupunkt na porta do frigorífico lá de casa. Já nessa altura olhava para o copo meio cheio quando ele se apresentava meio vazio e disse rapidamente para a minha mãe: é frigorífico no país de outras pessoas. Deixo aqui o meu agradecimento aos meus pais por terem sempre livros em cima das suas mesinhas de cabeceiras, uns castanhos ou verdes da Círculos de Leitores, grandes, de uns escritores com nomes diferentes, como Alexandre Herculano e Eça de Queiroz. E agradeço também por nunca me deixarem faltar os livros coloridos no meu quarto, os da Anita e os da Condessa de Segur. E, claro, ao senhor da carrinha da Calouste Gulbenkian que me deixava sempre levar mais livros do que o permitido!
A importância da leitura da minha vida? Deve ter muita, não me lembro de como era dormir, sem ter um livro ao lado!»

Célia Alves, 40 anos, Funcionária Pública

«Há pessoas tão pobres, tão pobres, que só têm dinheiro! Esta frase feita ajuda-me a esclarecer o que, para mim, a leitura tem de tão especial uma vez que, independentemente do estrato social e da condição financeira, todos podemos ler! A leitura aguça-nos a sede de viver e permite-nos tudo… viajar, conhecer, sentir!! Quem nunca sonhou e foi feliz devorando as letras escritas por alguém com tanta paixão como quem as recebe, humildemente no seu coração?»

Saul António Gomes, Professor Universitário

«Ler é a oportunidade do encontro, da reflexão, da descoberta do maravilhoso e do sonho, mas também a oportunidade de crescer na vida e de se aprender a olhar o mundo de forma mais original, pessoal e sem limites. Ler por necessidade, ler para debater, ler para vencer barreiras e estarmos disponíveis para cada novo amanhã.»

Feliz Dia Mundial do Livro! E boas leituras!

Sete dicas para pais de leitores relutantes

Filhos de pessoas que leem, dizem os estudos, normalmente também se tornam bons leitores. Contudo, muitos pais debatem-se com estratégias para convencerem os filhos entre os nove e os doze anos a lerem mais. Ficção? Não ficção? Com muitos bonecos, sem bonecos, com jogos ou enigmas para resolver? Escolher para eles ou deixá-los escolher sozinhos? E o que fazer quando começam a ler um livro mas o deixam a meio? E quando o fazem sucessivamente?

A mãe de uma criança leitora deixa alguns conselhos preciosos e úteis para pais de leitores mais relutantes. Resumindo e adaptando, aqui ficam sete dicas.

1. Qual é o mal de deixar um livro, ou vários, a meio?

R: Todos nós o fazemos. Não é motivo para preocupação. Todos testamos diversos géneros até encontrarmos aquele ou aqueles de que mais gostamos.

2. Os livros de que gostamos não têm necessariamente de ser os mesmos de que os nossos filhos gostam.

R: Hoje em dia a variedade de títulos disponíveis é muito maior do que há uns anos. É bom explorar e descobrir novos livros com a criança. Também pode acontecer gostar dos mesmos clássicos. Talvez seja uma questão de haver uma abertura de ambas as partes para o novo e para os velhos clássicos.

3. O seu filho poderá demorar algum tempo até querer livros maiores e mais complexos.

R: Tudo começa pelo princípio. Um livro com muitos bonecos, cheio de ação e aventura, depois passa para um livro com um pouco mais de texto, até por fim se decidir a ler algo mais complicado. Faz parte do crescimento do leitor. É preciso passar por esse processo.

4. Deixe-os ler onde quiserem.

R: O melhor é não obrigar a ler num lugar específico, como por exemplo sentado na cadeira, direito, com o livro sobre a mesa. Nós também não o fazemos.

5. Não critique as suas escolhas de leitura.

R: Se o seu filho tem 12 anos e decide ler um livro infantil que está indicado para 6 anos, tente não criticar a sua escolha, isso pode desencorajá-lo. O melhor é tentar compreender porque escolheu aquela obra e dar-lhe a independência de decidir o que é melhor para si. Nós, adultos, também gostamos de ler livros para crianças, não é verdade?

6. Ler em voz alta.

R: Ler em conjunto pode ser divertido. Enquanto leem em voz alta, vão fazendo paragens para conversar sobre o que se leu. É uma boa forma de estimular a capacidade de interpretação, de refletir sobre algo. É também um bom momento para reforçar vínculos entre pais e filhos.

7. Pedir recomendações.

R: A variedade de obras é tão grande que não será difícil encontrar livros que estimulem nos leitores relutantes o gosto pela leitura. Ir a uma livraria, explorar as prateleiras, conversar com crianças que gostem de ler, tudo isso vai ajudar.

 

Entrevista a Catarina Nunes de Almeida

por Sofia Pereira

Catarina Nunes de Almeida nasceu em Lisboa, em 1982. Licenciada em Língua e Cultura Portuguesas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ensinou, entre 2007 e 2009, Língua Portuguesa na Universidade de Pisa. Em 2012, concluiu, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, uma Tese de Doutoramento intitulada «Migração Silenciosa – Marcas do Pensamento Estético do Extremo Oriente na Poesia Portuguesa Contemporânea» e, atualmente, trabalha num projeto de investigação de Pós-Doutoramento no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, também no âmbito do Orientalismo Português. A sua ligação à poesia iniciou-se com a publicação de poemas em revistas literárias portuguesas e estrangeiras e a participação em diversos encontros internacionais de poesia. Tem cinco livros de poesia publicados –  Prefloração (2006), A Metamorfose das Plantas dos Pés (2008), Bailias (2010), Marsupial (2014), Achamento (2015) –  e um dirigido ao público infantojuvenil – O dom da palavra (2016).

A Fábulas entrevistou a autora. Catarina, que desde cedo manifestou um enorme fascínio pelo Teatro e pela Literatura, tendo frequentado diversos cursos e oficinas criativas, fala-nos do seu gosto pela poesia e do seu percurso literário.

Que papel desempenha a poesia na sua vida?
Não desempenha um papel. Quando muito a poesia está na assistência. Umas vezes aplaude-a de pé, outras levanta-se e vai-se embora. Quando leio um poema (ou escrevo) agrada-me sobretudo aquela sensação de poder entrar onde não há tempo. Num haiku, por exemplo, nunca sei se me demoro por quinze segundos, se por quinze séculos. Isto é o que me faz bem na poesia, ir para fora de pé e afogar-me.

Muitos estudos psicológicos concluem que a poesia pode ter maiores benefícios para o bem-estar do ser humano do que os livros de autoajuda. Concorda?
Esses estudos deixam-me arrepiada. É uma visão muito utilitarista da poesia, que sinceramente não me interessa. Talvez possamos dizer, invertendo um pouco os termos, que cada poeta escreve o seu próprio livro de autoajuda. Mas sabendo de antemão que no final não salvará ninguém, nem sequer a si próprio.

Em que momento da sua vida surgiu o encanto pela leitura e pela escrita de poesia?
O amor pela leitura e pela escrita nasceu antes de saber ler ou escrever. Os livros de histórias interessaram-me sempre e eu gostava de os receber, gostava que os adultos mos lessem. Outras vezes imaginava, inventava a partir das ilustrações, como qualquer criança. Também era uma grande criadora de dramas e tragédias para as minhas bonecas. A escrita ia aparecendo assim: frases ou cantilenas que se inscreviam nos meus pensamentos. Neste aspeto, o contacto com a natureza, nos verões com os meus avós, foi muito importante para tornar os meus sentidos disponíveis. Observar os adultos era uma coisa que adorava. É importante que uma criança aprenda a ver além do que é objetivamente visível e lhe seja dado espaço para partilhar as suas descobertas – por mais simples e comuns, devem ser recebidas como coisas raras. Assim uma criança vai aprendendo a colecionar os seus pequenos milagres e a pensar com poesia.

É uma autora da novíssima poesia portuguesa. Há uma proximidade em estilo nos novos poetas contemporâneos?
Do lado de dentro é difícil ter uma visão do conjunto. Haverá coincidências em certas angústias que perpassam a nossa geração, no ritmo da escrita (que reflete o da própria vida), nos espaços das cidades que partilhamos e que coabitam vários poemas. Porém, não existe atualmente um movimento estético organizado que reúna várias vozes como os que existiram noutros momentos.

Quando lemos os seus livros, facilmente percebemos que há uma forte ligação ao Oriente. Como surgiu esse fascínio?
O interesse pelo Extremo Oriente foi crescendo à medida que desenvolvia a minha investigação de doutoramento. Esse interesse, que começou por ser puramente estético – pela poesia e pela arte –, rapidamente se transformou num interesse espiritual. Certos aspetos da tradição budista foram ao encontro de questões profundas, silenciosas, que estavam comigo há muito tempo. E à medida que avanço em leituras – ou que pratico exercícios como a meditação – o meu entendimento do mundo transforma-se e a escrita também se transforma. Todo este processo está ainda muito ativo e tem abalado poderosamente a minha estrutura, mas descrevê-lo é quase impossível.

Com O dom da palavra estreia-se na literatura para crianças e jovens, criando «uma espécie de poema contínuo, escrito sob a forma de diálogos». Fale-nos um pouco sobre este livro.
O João Concha, que ilustrou este livro e foi também o seu editor, convidou-me um ano antes para escrever o número seguinte da Colecção Alice (Não Edições), criada a pensar em miúdos mais ou menos graúdos. A ideia era fazer qualquer coisa que se aproximasse mais da poesia, algo que me pareceu bastante difícil. Mas sou amiga do João há muito tempo e sinto imensa afinidade com o seu trabalho – tínhamos, aliás, já colaborado num projeto antes deste, embora não tenha saído da gaveta –, pelo que lá me enchi de coragem. Tinha uma fonte riquíssima lá em casa, o meu filho, a quem acabei por dedicar o livro. As crianças são uma espécie de reis Midas da linguagem: quase todas as palavras que proferem se transformam em ouro. Passei a fazer esse exercício de o escutar com mais atenção do que nunca, de me concentrar na essência das suas perguntas, das suas inquietações, na forma como reconstruía os conceitos, o discurso. E foi um exercício que nunca mais abandonei, porque me faz visitar uma série de raízes: as da minha própria linguagem, as das minhas ideias e as dos meus afetos.

Podemos identificar versos e imagens de outros poetas na sua poesia?
Sim, isso acontece, como é natural. Todos nós temos mestres e entramos em diálogo com eles – algumas vezes essas referências transparecem de forma evidente, outras vezes são mais subtis. Também já aconteceu esses ecos revelarem-se mais tarde, quando releio um poema publicado há algum tempo. Isso mostra que essa revisitação é também um processo inconsciente. Portanto, prefiro não destacar (ou destapar) aqui nenhum nome.

Como é o seu processo de criação artística?
Nada organizado. Posso passar várias semanas sem escrever um verso e a certa altura ser atravessada por ele (ou por uma imagem antes dele) e no momento mais inoportuno. É comum guardar fragmentos no telemóvel, nos rascunhos das sms. Ultimamente, os poemas saem dum só jorro, por vezes até difícil de acompanhar só tendo duas mãos. Depois volto a eles, claro, para os limar, mas cada vez menos. Para os meus três primeiros livros escrevia sempre os poemas em caderninhos. O acto de me sentar a um computador inibia a fluidez e o despojamento de que eu precisava. Além de que, alguns versos deixados de lado, por vezes encontravam salvação numa segunda ou terceira leitura. Depois, aos poucos, fui-me habituando, porque passei a estar mais tempo a trabalhar ao computador e, por vezes, para não deixar fugir um verso, acomodava-o logo ali no documento ao lado. Já no que respeita à relação entre os poemas, quando se entra na fase de escrever o livro propriamente dito, com uma estrutura pensada, o computador facilita um pouco. Quando publico um livro, geralmente nos tempos que se seguem ando muito às cegas, não encontro logo um fio condutor a partir do qual escrever. Mas quando ele me aparece, nunca mais o largo: sei que vou escrever um livro e não uma coletânea de poemas.

 

Dez filmes que não sabias que eram adaptações de livros

Os livros sempre foram fontes de inspiração para o teatro e o cinema e, muitas vezes, as suas adaptações acabam por ser tão famosas que os livros nos quais foram baseados acabam por ser esquecidos. Por isso, para que possas descobrir os autores originais destas histórias fascinantes, aqui fica uma lista de dez filmes que quase de certeza não sabias que vinham de livros.

JUMANJI

Chris van Allsburg é o nome do autor que escreveu a história de Jumanji, adaptado em 1995 ao cinema, com Robin Williams no papel principal. Em dezembro de 2017 chegará uma nova iteração cinematográfica deste livro, Jumanji: Bem-vindo à Selva, desta vez com Dwaine «The Rock» Johnson num dos papéis principais. Segundo o autor, Chris van Allsburg, o significado da palavra jumanji em zulu quer dizer «muitos efeitos», fazendo alusão às muitas e fascinantes consequências do jogo. A editora Jacareca publicou há pouco tempo o livro em Portugal.

101 DÁLMATAS (101 DALMATIANS)

Quem pensa em 101 Dálmatas pensa imediatamente na longa-metragem animada da Disney, de 1961 (adaptado também a filme em imagem real em 1996), mas a verdade é que foi adaptada de um livro com o mesmo nome, da autoria de Dodie Smith. Publicado em 1956, o livro teve mais tarde uma continuação com o título The Starlight Barking. Não se conhece nenhuma edição portuguesa disponível.

MARY POPPINS

Mais uma vez, o famoso filme da Disney, com a encantadora Julie Andrews no papel da ama mágica, faz esquecer que existe um livro por detrás da película. Recentemente até estreou um filme sobre a autora, P. L. Travers, e como Walt Disney demorou anos a conseguir convencê-la a deixá-lo adaptar a sua obra a uma longa-metragem, em Ao Encontro de Mr. Banks, com Tom Hanks e Emma Thompson. A Relógio D’Água publicou recentemente o livro em Portugal.

DR. DOLITTLE

Talvez os mais novos não conheçam a primeira adaptação cinematográfica deste livro, O Extravagante Dr. Doolitle, de 1967, mas certamente conhecerão a mais recente, com Eddie Murphy no papel do homem que aprende a falar com animais: Dr. Dolittle, de 1998. Escrito por Hugh Lofting, foi publicado em 1920, e ao primeiro título seguiram-se vários outros. Em Portugal não haverá nenhuma edição publicada.

PAPÁ PARA SEMPRE (MRS. DOUBTFIRE)

A interpretação de Robin Williams, no filme de 1993, como o pai que se disfarça de ama inglesa para poder visitar os filhos é inesquecível. Mas o que deveria ser também inesquecível é que o filme é baseado num livro da autoria de Anne Fine. Madame Doubtfire é o título original e foi publicado em 1987, tendo sido nomeado para vários prémios da literatura para a infância. Não se encontra disponível nenhuma edição portuguesa do livro.

SHREK

O ogre mais maldisposto da terra dos contos de fadas foi-nos apresentado na longa-metragem animada da Dreamworks, em 2001, e teve várias sequelas. O livro que serviu de inspiração para o filme é da autoria de William Steig, um cartoonista norte-americano. O livro foi publicado em 1990 e o nome Shrek deriva da palavra germânica Schreck, que quer dizer «medo». O livro nunca terá sido publicado em Portugal.

O GIGANTE DE FERRO (THE IRON GIANT)

O filme animado de Brad Bird, que viria posteriormente a realizar The Incredibles – Os Super Heróis, da Pixar, estreou-se em 1999, e passou por cá um pouco despercebido, tal como o livro em que foi inspirado. Ted Hughes é o autor da obra, cujo título original é The Iron Man, publicado em 1968. Para evitar confusão com o Iron Man da Marvel, o título acabou por ser mais tarde alterado para The Iron Giant. Não se conhece nenhuma edição portuguesa atualmente disponível.

PAI PARA MIM, MÃE PARA TI (THE PARENT TRAP)

Lindsay Lohan tornou-se um fenómeno mundial ao interpretar duas gémeas que, separadas à nascença, se encontram fortuitamente num acampamento e lutam para reunir os pais separados. O famoso filme é baseado no livro Das doppelte Lottchen, de Erich Kästner, publicado em 1949, na Alemanha. Antes do filme de 1998, ainda houve outra adaptação cinematográfica em 1961, As Duas Gémeas, com Hayley Mills a fazer também o papel das gémeas matreiras. Em Portugal não tem de momento nenhuma edição publicada.

UM DIA DE DOIDOS (FREAKY FRIDAY)

E por falar em Lindsay Lohan: em 2003 interpretou uma filha que troca de corpo com a mãe (a atriz Jamie Lee Curtis) numa sexta-feira sem dúvida alguma de doidos. O livro no qual é baseado foi publicado em 1972 e é da autoria de Mary Rodgers. Na versão de 1976, a filha foi interpretada por uma muito novinha Jodie Foster. O livro não tem edição portuguesa.

BAMBI

E para último fica o mais ternurento e ao mesmo tempo traumatizante filme da história da animação da Disney. Trata-se pois da adaptação do livro infantil Bambi: Eine Lebensgeschichte aus dem Walde (Bambi: Uma Vida nos Bosques), do autor austríaco Felix Salten. Publicado em 1923, rapidamente ganhou popularidade, tendo sido publicado em mais de 30 línguas, o que chamou a atenção de Walt Disney, naturalmente. O livro foi publicado em Portugal em 2016 pela E-primatur.

Editoras apostam no infantojuvenil

Em 2017, editoras com catálogos dedicados à literatura para adultos estão agora a apostar no mercado infantojuvenil.

A Bizâncio, criada em 1997, com um extenso catálogo dedicado a áreas como a ciência e a história, abraça este ano um novo projeto a pensar nas crianças, lançando a coleção Meio Palmo_Palmo e Meio. A coleção integrará livros com forte componente didática e os primeiros livros a serem lançados serão O livro que dorme e O livro zangado, com textos de Cédric Ramadier e ilustrações de Vincent Bourgeau, cuja publicação está prevista já para abril.

Para maio, segue-se Como desenhar animais uma galinha, da autoria de Jean-Vincent Sénac, através do qual vamos descobrir como, em apenas três ou quatro rabiscos, uma criança consegue desenhar um animal uma galinha e como isso lhe estimula a imaginação, tornando-se no ponto de partida para criar histórias fantásticas.

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Entre outras novidades, está ainda previsto para outubro a publicação do livro The Big Book of Bugs, de Yoval Zommer, que, através de belas e coloridas ilustrações, nos conta tudo sobre o maravilhoso mundo dos insetos.

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Uma coleção que vem agitar o mercado editorial do infantojuvenil com novos títulos, a par da chancela da Almedina, a Minotauro, que foi reavivada e terá agora também livros dirigidos às crianças. Os primeiros títulos já saíram e entre eles está A última paragem, de Matt de la Peña e Christian Robinson, livro vencedor da medalha Newbery.

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Recentemente lançada, a Jacareca, a chancela infantojuvenil da Editora Ítaca, de Isabel Castro Silva, publicou em Portugal Jumanji e O Expresso Polar, ambos da autoria de Chris van Allsburg e considerados clássicos da literatura infantil mundial.

Boas notícias para os leitores mais pequenos!

«Os Lusíadas»: poema de fundação nacional

por Sofia Pereira

Os Lusíadas de Luís de Camões, poema épico, tem como núcleo central estruturante da obra a viagem inaugural de Vasco da Gama à Índia (1948). A viagem deste navegador estava já muito remota e bastante tratada discursivamente para aparecer como evento histórico marcante. Quando Camões vai à Índia, fá-lo num período de declínio do Império Português no Oriente. Assim, a epopeia surge como uma forma de exaltação de um Império já conscientemente crepuscular.

Desde há muito tempo que se ansiava em Portugal por um poema de vitórias; desde a expansão portuguesa, que marcou a verdadeira abertura ao “outro”, que se sentia a necessidade de celebrar a entrada numa nova fase da Humanidade. Esta vontade de escrever uma epopeia era profundamente humanista, assim como era o pensamento camoniano.

Cumprido esse desejo por parte de Camões, herdámos uma obra símbolo de um mundo axiologicamente marcado por princípios épicos/guerreiros muito próprios. O intuito do autor é (re)fundar a nação, a visão de Portugal pelos portugueses e pelos estrangeiros. Pretende sublimar a glória de um dos primeiros países no tempo, com fronteiras territoriais bem definidas. Daí a sua preocupação em produzir uma arqueologia e uma genealogia portuguesas.

A epopeia camoniana divide-se em quatro planos: o da viagem, o da narração histórica, o mitológico e o das considerações do Poeta. É através destes planos, do discurso de Vasco da Gama e de alguns deuses que tomamos contacto e conhecimento com o espírito de aventura, a universalidade, a heroicidade e a religiosidade, valores inerentes à empresa dos descobrimentos/navegações, que adquirem toda a dimensão estética que permite a fusão harmoniosa da imagem nacional/imperial ambicionada pela política nacional de então.

A nação portuguesa é apresentada no poema como centro de uma pátria de fronteiras em expansão. Os Lusíadas convertem-se na metáfora privilegiada da nação, contribuindo, dessa forma, para a criação da imagem que temos da nossa identidade.

A universalidade camoniana inclui toda a aventura ética, estética e religiosa que a travessia implicou em termos pessoais e nacionais. São estes aspetos narrados, que aliados à cultura recebida do Humanismo, se tornam símbolos de uma nação em expansão, Portugal. Esta epopeia é o reflexo não só da aventura vivida pelo povo, mas também a do próprio autor.

Com este poema temos acesso aos acontecimentos que foram ocorrendo ao longo dos tempos e que tornaram Portugal num país duplamente central: centro face à Europa como descobridores de novos mundos e centro face aos outros na Europa.

Os Lusíadas exprime a ideia de Portugal como núcleo de expressão, ideário do renascimento. Um olhar em busca do projeto imperial de D. Manuel, com aspetos medievais, como o messianismo, a missão de expandir a fé e restaurar o poder de Jerusalém.

É, de facto, a história da fundação do nosso país enquanto nação, desde os seus primórdios até à sua vontade de expansão à escala planetária, divulgando a fé e o cristianismo tão característicos dos Portugueses.

O álbum infantil

por Sofia Pereira

A literatura para a infância desempenha um papel primordial na formação de futuros leitores que, na juventude e na idade adulta, manifestam um interesse e prazer próprios pelo ato de ler. Por essa razão, torna-se fundamental a criação de hábitos de leitura desde tenra idade, através de um contacto precoce com o universo das letras e dos livros.

Pese embora o facto de ser, algumas vezes, considerado um meio de intertextualidade, certo é que o álbum infantil tem conseguido granjear, ao longo dos tempos, um reconhecimento notável como género literário eficaz na aproximação dos pequenos leitores ao mundo da literatura.

Pelas suas particularidades, o álbum infantil atribui uma universalidade ao objeto livro, entrelaçando a linguagem verbal e imagética, o que permite fruir em pleno do seu caráter artístico, aprimorar a sensibilidade  estética e desenvolver a capacidade de expressão.

Características do álbum infantil:

  • Presença de elementos paratextuais;
  • Capa rija em formato de grandes dimensões;
  • Ilustrações muito apelativas de página inteira ou dupla página;
  • Modos diversos de organizar a informação: narrativo (o enredo resolve-se numa situação final); lista (sequência de tópicos ou de ideias); e documentário (função meramente didática).

Os álbuns podem ser puros – apenas com ilustrações – ou significativamente ilustrados, quando o texto e a imagem estabelecem uma relação de interdependência, conferindo um sentido global à obra.

Potencialidades do álbum infantil:

O álbum infantil visa contribuir para a educação literária da criança, preparando-a para participar ativamente no processo de exploração da obra. Privilegiando momentos enriquecedores e agradáveis, os pequenos leitores têm, por vezes, acesso a referências culturais que remetem para áreas tão diversas, como a arte, a música, o teatro, a história, a geografia, a ciência, possibilitando o alargamento dos seus horizontes culturais e despertando a sua sensibilidade estético-literária. Os conteúdos temáticos proporcionam um conhecimento do mundo, um diálogo aberto sobre os problemas relativos ao universo pueril e um contacto com o fantástico e o maravilhoso. Atualmente, já existem também álbuns que incluem, no seu conteúdo, mapas, cartas, livros de receitas, entre outros tipos de textos, assumindo-se, desse modo, como pontes para a construção de representações mentais sobre diferentes géneros textuais.

Pela preocupação pedagógica contemplada, assente na transmissão de valores veiculados e na socialização das crianças, o álbum infantil contribui para o desenvolvimento da criança aos níveis social, cultural, afetivo e linguístico, tornando-se, cada vez mais, um objeto de fruição e de pedagogia para pais e educadores.

 

Sete livros adaptados a filmes a estrear em 2017 [Atualizado]

Os livros são sempre uma fonte de inspiração para argumentistas e cineastas, e, este ano, mais uma vez, serão muitas as obras literárias adaptadas ao cinema. Aqui fica a lista dos livros infantis e juvenis e para jovens adultos cujas estreias cinematográficas estão marcadas para 2017.

MARÇO

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Antes de Vos Deixar (9 de março)

Trata-se da adaptação ao cinema do livro da autora Lauren Oliver, Before I Fall. «O que farias se tivesses apenas um dia para viver? Até onde irias para salvar a tua própria vida? Samantha tem tudo: um namorado e três inseparáveis melhores amigas. 6ªfeira, dia 12 de Fevereiro, devia ser por isso mais um dia bom na sua vida. Nada faria suspeitar que iria ser o último… Ao viajarem no Range Rover de Lindsay, no meio de cigarros, i-pods, conversas sobre rapazes e ausência de cintos de segurança, o grupo de amigas sofre um brutal acidente, onde Sam encontra morte imediata. Nesse instante, passa-lhe pelos olhos um episódio de crueldade infantil que ela escondera bem no fundo do seu subconsciente. Tarde demais para remediar a situação: Sam sentiu o choque, a dor excruciante, a escuridão a envolvê-la e o mergulho num nada profundo. É, pois, com grande espanto que, na manhã seguinte, Sam acorda na sua cama, perfeitamente viva. Então percebe que teve uma segunda oportunidade. Sete oportunidades, na realidade, e durante sete dias repetidos.» O livro foi editado por cá em 2011, pela Editorial Presença.

ABRIL

A DOG'S PURPOSE

Juntos para Sempre (6 de abril)

A adaptação cinematográfica deste livro de W. Bruce Cameron, cujo título original é A Dog’s Purpose, chega às salas, com Dennis Quaid num dos papéis principais. «Quantas vidas temos de viver para encontrar o amor? Toby persegue um sonho: amar e ser amado. Serão necessárias várias reencarnações, mas o seu destino está escrito há muito e vai ser cumprido. Em cada reencarnação, ele aprende algo novo. Mas conseguirá a resposta para a grande questão: qual o sentido da vida? Após uma curta e trágica vida de cão vadio, o cachorro Toby fica surpreendido ao perceber que lhe foi dada uma nova oportunidade: o nosso herói nasceu de novo e tem um mundo de possibilidades pela frente. Esperam-no ainda muitas emoções fortes e provações até o verdadeiro desígnio da sua vida lhe ser revelado. No seu desejo de amar e ser amado, Toby protagoniza uma jornada universal. Toby somos todos nós. E todos nós nascemos com um destino para cumprir.» O livro está editado em Portugal pela ASA.

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O Jardim da Esperança (20 de abril)

«Quando as histórias são reais a sensibilidade do leitor é posta à prova consoante a maior ou menor identificação com o tema. O caso deste livro não é excepção tendo a particularidade de tocar pela beleza e simplicidade a dura passagem pelo holocausto. Baseado no diário de Antonina, mulher de Jan Zabinski, director do Jardim Zoológico de Varsóvia e em outros relatos de sobreviventes concentra-se na ocupação alemã de Varsóvia. Mas a par da crueldade da guerra, a autora dá-nos a conhecer o amor deste casal pelo zoo, a sua tentativa de salvar o maior número de animais possível e de acolher animais bebés na própria casa. Quando os alemães procuram fechar o Jardim Zoológico, Jan propõe-lhes que o transformem numa quinta pecuária, criando porcos para alimentar o exército. E é dessa forma numa perfeita harmonia entre homens refugiados e animais, que o casal Zabinski opera um verdadeiro milagre em prol da defesa do zoo, através da tentativa de salvar as espécies de um fim abrupto. Um relato inesquecível do Holocausto, contado a partir de uma perspectiva inédita mas não menos comovente.» Este livro de Diana Ackerman, cujo título original é The Zookeeper’s Wife, foi editado em Portugal pela Editorial Presença, em 2008. Conta com atores como Jessica Chastain e Daniel Brühl.

MAIO
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Diário de um Banana: Assim Vais Longe (19 de maio nos EUA)

The Long Haul é o nono volume da famosa série Wimpy Kid, de Jeff Kinney, e chegará agora ao cinema com novos atores a encarnar as personagens Greg e Rowley, entre outras. «O maior pesadelo do Greg está prestes a acontecer: a mãe organizou uma viagem de carro para toda a família, com a desculpa de que é a melhor forma de passarem tempo juntos. Não há nada que vá fazer o carro voltar para trás, nem mesmo a entrada em cena de um porco à solta ou um ataque de gaivotas assassinas. E quando parece que nada pode piorar a situação, o Greg descobre uma forma de deixar toda a gente à beira de um ataque de nervos. Pois é, Greg, ASSIM VAIS LONGE!» Os livros do Diário de um Banana são editados em Portugal pela Booksmile.

JUNHO

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As Aventuras do Capitão Cuecas (1 de junho)

No verão chegará a adaptação deste divertido livro a filme de animação pela Dreamworks. «O George e o Harold são dois rapazinhos espertalhões que, mais do pregar partidas, gostam de produzir os seus próprios livros de banda desenhada. Em conjunto, criaram o maior super herói de banda desenhada da história da sua escola primária – o Capitão Cuecas. As coisas complicam-se quando o director da escola, o Sr. Krupp, tenta acabar com a brincadeira, mas o Capitão Cuecas salta das páginas para resolver as coisas…». Os livros do Capitão Cuecas, da autoria de Dav Pilkey, são editados por cá pela editora Gradiva.

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Tudo, Tudo… e Nós (15 de junho)

Esta adaptação ao cinema do popular livro Everything, Everything, de Nicola Yoon, contará com Amandla Stenberg no principal papel. Esta atriz é mais conhecida por ter interpretado o papel da pequena Rue na adaptação ao cinema de Os Jogos da Fome.  «Madeline Whittier observa o mundo pela janela. Tem uma doença rara que a impede de sair de casa. Apesar disso, Maddy leva uma vida tranquila na companhia da mãe e da sua enfermeira – até ao dia em que Olly, um rapaz vestido de preto, se muda para a casa ao lado e os seus olhares se cruzam pela primeira vez. De repente, torna-se impossível para Maddy voltar à velha rotina e ignorar o fascínio do exterior – mesmo que isso ponha a sua vida em risco. Nicola Yoon escreveu um livro comovente com uma mensagem para leitores de todas as idades.» O livro está editado em Portugal pela Editorial Presença.

NOVEMBRO

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Milagre (30 de novembro)

Este livro de R. J. Palacio, cujo título original é Wonder, conquistou leitores de todo o mundo. Jacob Tremblay, que se destacou no filme Quarto, interpretará o papel de August. «August nasceu com uma deficiência genética que faz com que o seu rosto seja completamente deformado. Quando nasceu os médicos não tinham esperança de que sobrevivesse, mas sobreviveu. Vários anos e muitas cirurgias depois, August vai, aos 10 anos, enfrentar o maior desfio da sua vida. A escola.
Contado a várias vozes, é uma história emotiva das dificuldades que tem de superar uma criança com uma terrível deformação e um relato do milagre que é a vida.» O livro foi editado em Portugal pela ASA, em 2012.