As primeiras leituras do meu filho

O Sapo Saltitão, Booksmile

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O Sapo Saltitão não foi o primeiro livro que ofereci ao meu filho, mas foi o primeiro que ele apreciou verdadeiramente. Talvez porque a idade, aos doze meses, já lhe permitia prestar mais atenção ao encadeamento da história, talvez porque o facto de lhe ler o livro durante o banho nos proporcionasse a ambos momentos de muitas gargalhadas e diversão, talvez porque o livro é verdadeiramente bom, giro e adequado à faixa etária para que se dirige.

Assim, O Sapo Saltitão tornou-se companheiro diário na hora do banho. Com um material macio e à prova de água e com o tamanho perfeito para os bebés poderem agarrar, este livro conta uma história em frases muito curtinhas e com bom ritmo, uma por página, correspondentes aos desenhos de cada uma das suas seis páginas. Para além das frases, há palavras que indicam sons que podemos reproduzir e tornar a leitura mais dinâmica e divertida («poing, poing», «iupiii», etc.).

Em menos de nada, passou a ser o Tiago a pedir-me para ler a história, passando-me o livro para as mãos e apontando para o sapo da capa. E lá começava eu: «O sapo saltitão adora o seu lago…» E quando chegava ao fim, tal como o sapo que repetia tudo aquilo que mais gostava de fazer, também eu repetia incontáveis vezes a história, para gáudio do meu filho.

Um livro que parece uma brincadeira, que é prazer e diversão e que, ao mesmo tempo, permite desenvolver competências como a atenção, a memória (principalmente quando repetirmos a história e esperamos que o bebé já saiba que barulhos fazer nas alturas certas) e até alguns aspetos da motricidade fina ao permitir-lhes virar as páginas, apontar especificamente para a mosca ou o sapo ou o peixe. Acima de tudo, um livro que oferece momentos inesquecíveis em família.

Um livro que irei sempre recomendar quando me perguntarem que livros comprar para um bebé pequeno!

Sente os Contos, Yoyo Studios

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Um dos principais problemas ao comprar livros para bebés é encontrar livros que equilibrem harmoniosamente as imagens com uma história com princípio, meio e fim. É muito comum encontrar livros com grandes imagens, com texturas, com palavras soltas, mas que raramente têm uma linha orientadora da primeira à última página. E se esses livros são ótimos e engraçados em certos contextos, às vezes esta mãe queria um bocadinho mais.

Foi então que descobri a coleção Sente os Contos, da Yoyo Studios. Os contos tradicionais da Branca de Neve, do Gato das Botas, da Cinderela, adaptados para os mais pequeninos, com frases muito curtas e imagens muito bonitas e apelativas e, claro, texturas diferentes em cada página. A simplicidade da história, aliada aos relevos e aos tecidos diferentes das páginas, cativam a atenção dos bebés e permitem aos pais ter um fio condutor do início ao fim do livro. O principal problema é explicar aos filhotes que a história acabou, pois eles vão querer lê-la outra e outra vez.

Cá em casa, começámos com a Branca de Neve que é, neste momento, o livro preferido do Tiago, que o quer ler todas as noites, sem exceção. E que já sabe identificar quem é a Branca de Neve, o príncipe, onde está o espelho, a maçã ou o «cobertor fofinho» (que é um cobertor de pelinho que tapa a Branca de Neve quando ela está adormecida). É o favorito do momento, do filho e da mãe, que está ansiosa por ir comprar o resto da coleção!

Como pôr as crianças a ler durante as férias?

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Esta é a pergunta que muitos pais fazem nesta altura. Com a chegada das férias, as crianças tendem a colocar os livros de lado e a procurar outras formas de entretenimento.

É verão, o tempo está bom, o que se quer é sair, apanhar sol, brincar na areia, chapinhar na água, isso tudo faz muito bem para o desenvolvimento da criança, mas deixar a leitura completamente de lado durante três meses pode não ser lá muito bom. Principalmente quando, em setembro, a criança regressar às aulas, pois ficar demasiado tempo sem praticar, pode levar a um recuo na aprendizagem, especialmente em crianças que ainda estão no 1.º ciclo, e, portanto, não dominam bem a leitura. Além disso, ler também entretém. E pode ser a escolha certa nas pausas, nas horas de maior calor.

Como motivar as crianças para a leitura durante os meses das férias?

As bibliotecas municipais organizam nesta época diversas atividades e oficinas que envolvem os livros e a leitura, pelo que pode ser uma boa opção para estimular na criança o gosto pelas letras. Procure na biblioteca da sua zona e encontrará certamente iniciativas variadas.

Há muitos livros de atividades que não só ensinam uma coisa ou outra mas também entretêm, envolvendo a criança em algo construtivo nos momentos de lazer.

Livros mais práticos, sobre invenções, viagens ou história e ciência também podem ser uma boa opção.

Para crianças mais crescidas, que já dominem bem a leitura, histórias de aventuras ajudarão a transportá-las para outros mundos e a envolvê-las, estimulando-lhes a imaginação, o que é igualmente um bom exercício mental.

Uma criança que lê é uma criança que pensa, que tem mais facilidade em encontrar soluções criativas e em resolver problemas. As férias são importantes para descansar e para recarregar energias, depois de um ano escolar intenso, mas isso não significa que tenham de se afastar completamente de tudo aquilo que envolva aprendizagem, pois esse é,  e deve ser, um processo contínuo.

E ler também é muito divertido!

Aqui ficam algumas das nossas recomendações de livros de atividades:

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E para outras leituras:

Livros para as Férias Grandes… por Cristina Dionísio

Livros para as Férias Grandes… por Sofia Pereira

Livros para as Férias Grandes… por Alexandra Martins

Livros para as Férias Grandes… por Ana Ramalhete

 

Livros para as Férias Grandes… por Cristina Dionísio

Além do protector solar e do chapéu, da toalha e da roupa de praia, mais os baldes e pás para brincar na areia e as braçadeiras, os livros são sempre presença obrigatória nas malas de férias. Seguem-se algumas sugestões que filhos e pais podem trocar entre si.

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A Praia de Noite, Elena Ferrante (Relógio d’Água)

«Entusiasmada com o seu gato branco e preto, Mati parece esquecer-se da sua boneca na praia.
É assim que Celina vai passar uma interminável noite sob as ameaças do Banheiro Cruel do Sol-Posto e do seu amigo Grande Ancinho.
À luz das chamas de um incêndio, a noite transforma-se numa aventura fantástica e terrível que só termina ao nascer do Sol.
A história é acompanhada pelas magníficas ilustrações a cores de Mara Cerri.»

Ideal para: iniciar os leitores mais pequenos na Ferrantemania que conquistou a crítica e o público em todo o mundo.

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Alice do Outro Lado do Espelho, Lewis Carroll (Edições Nelson de Matos)

«Alice do Outro Lado do Espelho continua as aventuras de Alice no País das Maravilhas e, como este, é um deslumbrante conto de fadas onde tudo se torna possível graças ao poder da imaginação, do absurdo, do nonsense, da aventura sem limites… A história percorre um país em forma de tabuleiro de xadrez onde é possível cruzarmo-nos com as mais mirabolantes personagens. Lewis Carroll junta ao texto versos que parodiam autores clássicos e que contagiam a sua escrita com estranheza e uma prodigiosa imaginação.»

Ideal para: ler (ou reler) antes de ir ao cinema ver o filme e porque Alice é uma presença obrigatória no imaginário infantil.

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Vamos Comprar um Poeta, Afonso Cruz (Caminho)

«Numa sociedade imaginada, o materialismo controla todos os aspetos das vidas dos seus habitantes. Todas as pessoas têm números em vez de nomes, todos os alimentos são medidos com total exatidão e até os afetos são contabilizados ao grama. E, nesta sociedade, as famílias têm artistas em vez de animais de estimação. A protagonista desta história escolheu ter um poeta e um poeta não sai caro nem suja muito — como acontece com os pintores ou os escultores — mas pode transformar muita coisa. A vida desta menina nunca mais será igual…
Uma história sobre a importância da Poesia, da Criatividade e da Cultura nas nossas vidas, celebrando a beleza das ideias e das ações desinteressadas.»

Ideal para: qualquer leitor que aprecie uma história bem contada e que faça pensar, independentemente da idade.

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As Crianças de Cristal, Kristina Ohlsson (Bertrand)

«Algo de estranho se esconde na nova casa de Billie… Billie tem um mau pressentimento em relação à nova casa, para onde se mudou com a mãe, logo que põe nela o pé pela primeira vez. É uma casa velha e delapidada, com a tinta das paredes a descascar, à noite ouvem-se ruídos estranhos e existem duas misteriosas figuras de cristal, um rapaz e uma rapariga. A mãe acha que ela está a inventar tudo, mas Billie tem a certeza de que a cidade está a esconder alguma coisa sobre a casa e o seu passado. Estará assombrada? E quem são as misteriosas crianças de cristal? Com a ajuda de Aladdin, o seu novo amigo, e de Simona, a velha amiga, Billie decide descobrir os mistérios que envolvem a casa…»

Ideal para: jovens aventureiros e corajosos que gostam de uns bons arrepios. Ah, e que não tenham medo de dormir com a luz apagada…

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Gregor — A Segunda Profecia, Suzanne Collins (Presença)

«Meses depois de ter caído pela conduta de ar, descobrindo os estranhos habitantes da Subterra, a vida de Gregor parece entrar na normalidade. Jurou nunca mais voltar àquele mundo aterrador vários quilómetros debaixo de Nova Iorque. No entanto, apesar de ser um rapaz com pouco mais de 11 anos, Gregor está destinado a grandes feitos. Uma nova profecia coloca-o no centro dos acontecimentos. Mais uma vez, os subterrestres precisam da sua ajuda. Cedo se apercebem de que só conseguirão arrastá-lo de volta à Subterra raptando Boots, a sua irmã mais nova. Gregor vê-se forçado a reencontrar Ares, o seu morcego, e Luxa, a princesa cheia de rebeldia. E assim partem juntos em busca de Bane, um gigantesco rato branco destinado a trazer o caos à Subterra.»

Ideal para: leitores jovens — e também adultos de qualquer idade, para que conste — que privilegiam a aventura com um misto de fantástico.

Livros para as Férias Grandes… por Sofia Pereira

Leituras para os mais pequeninos e para os mais crescidos.

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Deu-me o Nome Liberdade o Avô Agostinho da Silva, de Patrícia Martins, ilustração de Tenório, edição Arquivo

«Esta é a história da amizade entre Agostinho da Silva e um gato por ele adoptado a quem deu o nome Liberdade. Fala de partilha, de amizade, do ser e do ter e acima de tudo de Liberdade. Uma história de vida para miúdos e graúdos, que mais do que por a imaginação a funcionar, vai deixar todos a pensar.»

Por que razão? Patrícia Martins convida-nos, miúdos e graúdos, a refletir sobre a importância que a Liberdade tem para cada um/a de nós e lembra-nos que todas as relações – humanas e criadas com os animais – devem ser pautadas pelo respeito, pela partilha, pela compreensão e pelo sentimento de pertença. Um livro que ensina que a Liberdade está, antes de tudo, dentro de cada um/a de nós e se conquista com responsabilidade, esforço e vontade.

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Uma Onda Pequenina, de Isabel Minhós Martins, Yara Kono, Planeta Tangerina

«Menção Especial – Prémio Nacional de Ilustração 2013 – DGLAB. Todos os leitores sabem como as histórias podem ajudar-nos a vencer o medo. Depois de lermos um livro é como se ganhássemos super poderes para derrotar bruxas, dragões, lobos, tempestades… tubarões! Neste livro acontece uma situação parecida, mas ao contrário: há um menino que nada tranquilamente no mar até ser perturbado por uma dessas palavras assustadoras que nos fazem recuar (neste caso, uma palavra com muitos dentes terminada em ÃO!). E agora, o que acontecerá? É que o menino não quer voltar ao mar e precisa muito da ajuda de um leitor para vencer o medo. Será que os leitores se atrevem a mergulhar? Será que a coragem passa não só das personagens para os leitores mas também dos leitores para as personagens dos livros? É isso que vamos ver…»

Livro-interativo, para quê? O cenário idílico – o mar – é, desde logo, um dos principais atrativos para ler esta magnífica aventura. Esta história estabelece uma interatividade com os leitores mais novos, que são convidados a participar na construção das personagens e estimulados a desenvolver a sua imaginação e criatividade. Um livro que ensina as crianças a lutarem sempre contra os seus medos e a nunca desistirem de ser felizes.

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Fernão Capelo Gaivota, de Ricardo Bach, Lua de Papel

«Fernão é diferente de todas as outras gaivotas do Bando. As outras foram educadas, desde pequenas, a cumprir a sua missão: ir para o mar e trazer o alimento. E é o que fazem, dia após dia, desde sempre. Sem nunca se questionarem por quê. Fernão não percebe. Ele voa por prazer, voa cada vez melhor, e sabe que o voo, em si mesmo, é um dom único. E, aos poucos, desafiando as rígidas regras do Bando, assume o seu desejo de se aperfeiçoar, de usar melhor esse fantástico poder de voar. E procura ir sempre cada vez mais rápido, cada vez mais longe, até onde as asas o levarem – levando as suas experiências ao limite e arriscando a própria vida. Mas o Bando não vê com bons olhos aquelas aventuras. E acaba por expulsá-lo, condenando-o ao exílio… Livro mágico, que encantou mais de 40 milhões de leitores em todo o mundo, e deu origem a filmes e discos, Fernão Capelo Gaivota é uma fábula sobre o poder dos nossos sonhos – e até onde eles nos podem levar. O nosso caminho, o nosso destino, está escrito há muito dentro de cada um. Muitas vezes, porém, tendemos a ignorá-lo, levados pela opinião dos que nos rodeiam, pelas críticas que ouvimos. Quando, na verdade, podemos simplesmente escolher o nosso próprio caminho, lutar por muito mais do que aquilo que temos… E aprender verdadeiramente a voar.»

Ler, porque sim? É um livro que fala sobre o poder do sonho, da alegria e do amor. A história de Fernão ensina-nos a compreender que, por mais adversidades que tenhamos de enfrentar na nossa vida, devemos lutar sempre por chegar até onde ansiamos, com o esforço de ser sempre cada vez melhor.

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O Curso do Amor, de Alain do Botton, Dom Quixote

«O Curso do Amor é um romance que explora o que acontece após os dias de paixão, bem como o que é necessário fazer para manter o amor vivo, e o que acontece aos nossos ideais românticos originais quando confrontados com a pressão da vida quotidiana. Através de Rabih e Kirsten, o leitor experimenta os primeiros momentos do enamoramento, a facilidade com que se cai no amor romântico, e a vida após esses momentos tumultuosos. Intercalando a história e os desafios deste casal, estão comentários filosóficos, anotações e um guia sobre o que estamos a ler. Esta é uma novela romântica no verdadeiro sentido do termo, interessada em explorar a possibilidade de o amor poder sobreviver, e mesmo florescer, com o tempo. O resultado é uma experiência sensorial – ficcional, filosófica e psicológica – que nos interpela a identificarmos profundamente com as personagens, e a reflectir sobre as experiências de Rabih e de Kirsten sobre o amor. Fresco, visceral e muito convincente, O Curso do Amor é um romance provocador e verosímil para todos os que acreditam no amor.

Porquê? Um livro comovente que convida a acreditar na essência do verdadeiro amor.

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Sol de Pedra, de João Carlos Pereira, Lua de Marfim

Vale a pena ler? Óbvio que sim! É um livro que desperta todas as emoções, todos os sentimentos, todos os sentidos. Cada momento vivido é um motivo de celebração do amor e da felicidade, é a libertação do nosso eu profundo, é a tentativa constante de ir ao encontro de tudo o que existe para além de nós, do mundo visível que nem todos têm sensibilidade para ver.

Livros para as Férias Grandes… por Alexandra Martins

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O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs (Edições Contraponto)

«Uma ilha misteriosa. Uma casa abandonada. Uma estranha coleção de fotografias peculiares.
Uma terrível tragédia familiar leva Jacob, um jovem de dezasseis anos, a uma ilha remota na costa do País de Gales, onde vai encontrar as ruínas do lar para crianças peculiares, criado pela senhora Peregrine.
Ao explorar os quartos e corredores abandonados, apercebe-se de que as crianças do lar eram mais do que apenas peculiares; podiam também ser perigosas. É possível que tenham sido mantidas enclausuradas numa ilha quase deserta por um bom motivo. E, por incrível que pareça, podem ainda estar vivas…
Um romance arrepiante, ilustrado com fantasmagóricas fotografias vintage, que fará as delícias de adultos, jovens e todos aqueles que apreciam o suspense.»

Com estreia cinematográfica prevista para setembro, o verão é uma excelente altura para ler ou reler o livro O lar da senhora Peregrine para crianças peculiares. Uma história intensa e cheia de suspense, que nos mostra que as peculiaridades de cada um de nós não nos tornam mais estranhos, apenas mais fortes.

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Gregor – A Primeira Profecia, de Suzanne Collins (Editorial Presença)

«Enquanto escorrega pela conduta de ar atrás da irmã, Gregor suspira por mais uma peripécia na sua vida. Mas nada o preparou para a aventura que se segue. Debaixo da cidade esconde-se a Subterra, um mundo sombrio onde os humanos convivem com aranhas, morcegos, baratas e ratos gigantescos. A Subterra prepara-se para a guerra e uma profecia previu que ele mesmo, Gregor, desempenhará um papel importante. Gregor quer fugir, mas percebe que ali talvez possa desvendar o desaparecimento do pai.»

Gregor pode ter apenas onze anos, mas as suas aventuras farão as delícias de miúdos e graúdos. Um mundo novo e perigoso para descobrir, um amor fraterno inquebrável, o despontar do crescimento e a maturidade e as responsabilidades que vêm com o mesmo. É bom ver o Gregor e os seus amigos crescerem e poder acompanhá-los na Subterra, estando nós debaixo do sol.

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A Todos os Rapazes que Amei, de Jenny Han (Topseller)

«Guardo as minhas cartas numa caixa de chapéu verde-azulada que a minha mãe me trouxe de uma loja de antiguidades da Baixa. Não são cartas de amor que alguém me enviou. Não tenho dessas. São cartas que eu escrevi. Há uma por cada rapaz que amei — cinco, ao todo.
Quando escrevo, não escondo nada. Escrevo como se ele nunca a fosse ler. Porque na verdade não vai. Exponho nessa carta todos os meus pensamentos secretos, todas as observações cautelosas, tudo o que guardei dentro de mim. Quando acabo de a escrever, fecho-a, endereço-a e depois guardo-a na minha caixa de chapéu verde-azulada.
Não são cartas de amor no sentido estrito da palavra. As minhas cartas são para quando já não quero estar apaixonada. São para despedidas. Porque, depois de escrever a minha carta, já não sou consumida por esse amor devorador. Se o amor é como uma possessão, talvez as minhas cartas sejam o meu exorcismo. As minhas cartas libertam-me. Ou pelo menos era para isso que deveriam servir.»

Lara Jean tem 16 anos e um coração talhado para o amor. Ou para a ideia do amor. Porque, de todos os rapazes que amou, nunca a nenhum deles revelou os seus sentimentos. No entanto, o mundo é posto do avesso quando, de repente, as suas paixões platónicas deixam de o ser e Lara Jean tem de lidar com rapazes reais, relações reais, sentimentos reais. Um livro para enfrentarmos os nossos receios e relembrarmos os nossos primeiros amores.

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Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard (Saída de Emergência)

«O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados.
Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de uma princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a como noiva a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate – uma rebelião dos Vermelhos – mesmo que o seu coração dite um rumo diferente.
A sua morte está sempre ao virar da esquina, mas neste perigoso jogo, a única certeza é a traição num palácio cheio de intrigas. Será que o poder de Mare a salva… ou condena?»

A fazer lembrar as heroínas de Os Jogos da Fome, de Suzanne Collins, e Divergente, de Veronica Roth, Mare traz-nos uma nova aventura onde o mundo se divide pela cor do sangue e que sobrevive das aparências e do poder que uns exercem sobre os outros. Um mundo que Mare vem desequilibrar e onde tem de ter muito cuidado, pois nada é o que parece. Uma história que, quando acabada, só nos faz perguntar: quando sai o próximo volume?

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Coisas que nos Diz o Coração, de Jessi Kirby  (Editorial Presença)

«Quando o namorado morre num acidente, Quinn sofre uma perda terrível. O luto impede-a de viver como qualquer outra adolescente. Tentando encontrar sentido para a dor, Quinn escreve a quem foram transplantados os órgãos do namorado. Apenas Colton Thomas, que recebeu o coração, não responde. Quinn procura-o. Desse encontro nasce uma relação intensa e inesperada que dá alento aos dois, antes tolhidos pela dor. Mas uma mentira ameaça o coração desse relacionamento – Quinn sabe que tem de contar a verdade.»

A vida perfeita de Quinn ruiu com a morte do seu namorado Trent. A vida de outras cinco pessoas, a quem ele doou os seus órgãos, salvou-se. Quando Quinn, procurando atenuar a dor, entra em contacto com essas cinco pessoas, não esperava que a vida desse outra volta e lhe trouxesse Colton, um jovem com uma força e uma vontade de viver incríveis. E que mostra a Quinn que, mesmo que não saibamos à partida, a vida dá-nos o que precisamos.

Livros para as Férias Grandes… por Ana Ramalhete

Baleias na banheira, cabeças perdidas, histórias inventadas, poemas poesiados, dedos mágicos. Para ler, saborear e aproveitar as férias.

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A baleia, texto e ilustração de Benji Davies, editora Orfeu Negro

Noé, um menino que vivia com o pai e seis gatos, ao pé do mar, ao passear na praia depois de uma tempestade nocturna, encontrou uma baleia. Temendo pela sua sobrevivência, decidiu levá-la para casa, tomar conta dela e entretê-la com histórias e músicas. Contente com a sua nova companheira, o menino temia a reacção do pai, quando este chegasse,  ao final do dia. Como iria reagir?
Uma história sobre a amizade, a solidão e a relação pai/filho. Um álbum onde o texto que se lê se conjuga com aquele que se depreende, seja por palavras ou por imagens. Nestas,
a utilização das cores e os pormenores dos desenhos transportam-nos para um filme de animação.

Benji Davies além de autor e ilustrador é também realizador de animação. A baleia foi o seu primeiro livro de literatura para a infância. Com ele ganhou o Oscar’s First Book 2014.

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Eu quero a minha cabeça, texto e ilustração de António Jorge Gonçalves, editora Pato Lógico

Por vezes é preciso dizer não mas dizer sempre não pode fazer-nos perder a cabeça. Foi o que aconteceu a Céu, uma menina que adorava andar de baloiço e que ao responder ao pai NÃO com muita força, a sua cabeça saltou para uma montanha, longe do baloiço onde estava. Desejosa de recuperar a cabeça, Céu partiu para a montanha acompanhada por uma gaivota. Pelo caminho encontrou diversas cabeças que experimentou, como a cabeça-flor ou a cabeça-pedra, mas nenhuma lhe agradou pois era a sua a única que lhe servia, a única que queria. A viagem da menina continuou e, no coração da montanha, recuperou a sua cabeça, depois de ter conseguido passar por desafios inesperados, principalmente o último: descobrir a palavra mágica que a levaria de regresso a casa.
Uma história que aborda a vontade de dizer constantemente não, o desejo de teimar e a necessidade de utilizar outras palavras e outras atitudes que têm o poder de não nos fazer perder a cabeça facilmente. A força do traço e a intensidade da paleta cromática aquece-nos como se também estivéssemos envolvidos pelo calor da montanha e pelo seu coração generoso.

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O recado de Rosie, texto e ilustração de Maurice Sendak, editora Kalandraka.

Rosie é uma menina citadina que usa a imaginação para viver aventuras e acontecimentos emocionantes, com os seus amigos e vizinhos. Nas suas brincadeiras, inventam lugares e personagens que os transportam para outras realidades e os levam a experimentar variadas sensações e emoções. Um dia podem ser maravilhosas cantoras, poderosas dançarinas ou corajosos bombeiros, no outro incorporarem objectos, como foguetes às cores.
Ao escrever O recado de Rosie, Maurice Sendak inspirou-se na sua infância passada em Brooklyn,  numa criança que conheceu nessa época e pretendeu transmitir a importância da criatividade e da imaginação no universo infantil.
Para as expressivas ilustrações, Sendak escolheu três tons: rosa, azul e preto.

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Poesia-me!, texto de Álvaro Magalhães, ilustrações de Cristina Valadas, editora Asa

Poemas para amar. Palavras para sentir. Um livro atravessado pelo verbo poesiar, onde se fala da vida, do tempo, do amor, da natureza, de animais e da poesia.
As ilustrações de Cristina Valadas plenas de sensibilidade, delicadeza e movimento são imagens poéticas que acompanham as palavras poéticas.
Um livro para lermos e vermos e vermos e lermos, tantas vezes até ficarmos irremediavelmente poesiados.

Poesia-me!
Abre-me e lê-me.
Devagar e também furiosamente.
Como quem ama.
Em troca, poesio-te.

O que é isso?
Ficas em modo poético, digamos assim.
A partir daí, não respondo por mim.
Já caçaste uma alegria em pleno voo?
Oh, sim, tem que se lhe diga.
Já saboreaste um pedacinho de azul
Ou ouviste bater o coração de uma formiga?
Sabes quantos grãos de tudo
Há num grão de nada?
Já viste um pezinho de erva a crescer?
Já te aconteceu coincidires com o mundo,
Perfeitamente, sem estares a contar?
Pois tudo isso, e mais, pode acontecer
Se te poesiar.
(…)

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O dedo mágico, texto de Roald Dahl, ilustrações de Quentin Blake

A Rapariga não suportava caça. Fazia tudo o que estava ao seu alcance para impedir os seus vizinhos de matarem animais, por pura diversão. Um dia, ao ver chegá-los, pai e filhos, com um veado morto pendurado num pau, a Rapariga ficou zangada, furiosa e apontou-lhes o seu dedo mágico. E quando a Rapariga apontava o dedo mágico tudo podia acontecer, tudo se podia transformar…

Uma narrativa que convida à reflexão sobre o comportamento do homem na Terra e sobre a sua relação com os outros seres vivos, nomeadamente os animais. As histórias de Roald Dahl, para crianças, são sempre inesperadas, irreverentes e plenas de imaginação, apelando a uma secreta identificação do leitor. Quem não gostaria de ter um dedo mágico?

Como habitual nos livros deste autor, as características ilustrações, a preto e branco, são de Quentin Blake.

 

Feira do Livro de Lisboa está quase a abrir… e com novidades!

por Sofia Pereira

A 86ª Feira do Livro de Lisboa decorre entre 26 de maio e 13 de junho, no Parque Eduardo VII, uma organização da APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que tem como objetivos promover o livro, e fomentar os hábitos de leitura e o incremento do nível de literacia.

Durante mais de duas semanas, os leitores têm oportunidade de participar nesta festa do livro, o maior evento literário do país, que tem na sua programação um vasto leque de atividades: apresentação de livros, sessões de autógrafos, concertos, doação de livros, cinema,  showcookings, debates, concertos, workshops, transmissão de programas de rádio e mostras gastronómicas.

Uma das grandes novidades da edição deste ano é a App, uma aplicação disponível em Android ou iOS, com o mapa dos pavilhões, a programação das iniciativas e os livros do dia.

Mais informação sobre a Feira do Livro de Lisboa 2016 aqui.

Feira Cultural de Coimbra

por Sofia Pereira

O Município de Coimbra promove, entre os dias 3 e 12 de junho, mais uma edição da Feira Cultural.

Promover a criatividade e as atividades culturais da e na cidade, projetar o trabalho de diferentes agentes de desenvolvimento criativo e cultural, e contribuir para o enriquecimento da criação artística são objetivos deste certame.

A iniciativa, que decorre no Parque Dr. Manuel Braga, é já considerada uma das maiores e melhores festas da Cultura do país, que abrange variadas áreas: a Literatura, o Artesanato, as Artes Performativas, a Música, as Artes Plásticas e a Gastronomia, atraindo milhares de visitantes pelo local aprazível em que se realiza, pela diversidade da oferta cultural, pela qualidade do programa de animação e pelo ambiente acolhedor.

Apresentações de livros, sessões de autógrafos, peças de teatro, sessões de poesia concertos, exposições e «24 horas culturais» são alguns dos atrativos da edição deste ano.

Uma Feira para valorizar a Cultura, a cidade do Mondego e o País!

«O dom da palavra», de Catarina Nunes de Almeida, na Feira do Livro de Lisboa

por Sofia Pereira

No próximo dia 28 de maio, será apresentado o livro infantojuvenil O dom da palavra, de Catarina Nunes de Almeida, com ilustrações de João Concha.

Catarina Nunes de Almeida é uma autora natural da cidade de Lisboa que tem dedicado a sua atividade literária à escrita de poesia. Com O dom da palavra, uma publicação da Não Edições, estreia-se na literatura para crianças e jovens, criando «uma espécie de poema contínuo, escrito sob a forma de diálogos», como refere.

A iniciativa, inserida no programa cultural da Feira do Livro de Lisboa, que decorre no Parque Eduardo VII, terá lugar no Stand BLX, pelas 18 horas, e a apresentação estará a cargo de  Ana Tecedeiro, com momentos de leitura por Cátia Sá.

Um momento que promete ser agradável e divertido! Mais uma sugestão de um livro para oferecer e/ou para ler com os mais novos.

Dia Mundial do Livro: escritores e ilustradora sugerem a leitura de livros

por Sofia Pereira

Hoje é o Dia Mundial do Livro!

A data, assinalada desde 1996 e por decisão da UNESCO, foi escolhida com base na lenda de S. Jorge e o Dragão, adaptada para honrar uma velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de S. Jorge e, em troca, recebem um livro. Simultaneamente, presta-se homenagem à obra de grandes escritores, como Cervantes e Shakespeare, falecidos exatamente em abril de 1616.

Para assinalar a data, a Fábulas convidou escritores e ilustradores a sugerirem a leitura de um livro, apenas um, e a justificar o motivo da sua escolha:

Catarina Gomes, Ilustradora

O dariz, Olivier Douzou, Editora Cosacnaify

«Inspirado num conto satírico do escritor russo Nikolai Gógol, O dariz de Olivier Douzou é um livro que conta, de uma forma genial, a história de um nariz que procura um lenço para se assoar. Escolhi-o porque foi dos poucos livros que me convenceu pela lombada/título. Depois de pegar nele, a ilustração da capa convenceu-me ainda mais e quando o abri para ler a primeira página, não lhe tirei mais as mãos de cima, porque soube que ele tinha de vir comigo para casa. Talvez o facto de eu ter a voz um pouco anasalada, tenha ajudado. Começa assim (ler em voz alta): “Guando agordei esta banhã / esdava gombletamente endupido. / Zaí bra domar ar.” Recomendo-o para qualquer faixa etária.»

(c) Miguel Alves
Catarina Nunes de Almeida, Escritora

Cândido ou O Optimismo, Voltaire, tradução de Rui Tavares, ilustração de Vera Tavares, Tinta-da-China

«A minha escolha vai para um dos livros que marcou, pela sua intemporal frescura, imprevisibilidade e lucidez, a fase final da minha adolescência. E são vários os aspectos que sublinho desse primeiro contacto com o romance de Voltaire – o mais evidente de todos foi, sem dúvida, a dimensão caricatural da obra. Voltaire expõe-nos, com um humor e uma imaginação brilhantes, uma série de tipos humanos que, servindo de espelho da sua época, não deixam de se fazer presentes nos nossos dias. A adolescência é o tempo de procurar respostas para uma série de contradições da vida humana que esta narrativa expõe com profunda inteligência. É o tempo de afirmação da liberdade individual, mas também de descoberta dos valores fundamentais da sociedade, temas escavados até ao osso nas alegorias iluministas. Há perguntas fundamentais sobre injustiça, ignorância, fanatismo a que alguma literatura nos permite aceder e que nunca mais se devem calar dentro de nós. Confesso que o facto de saber que se tratava de uma obra que, à época, não pôde circular senão clandestinamente, aguçou ainda mais o desejo de leitura. Herói de impensáveis façanhas, Cândido leva-nos aos extremos do compadecimento e do riso, da revolta e da aceitação, do repúdio e do espanto. Como esquecer a sua bem-amada Cunegundes, os filósofos Pangloss e Martin, a passagem por uma Lisboa que se ergue a todo o custo do terramoto, o encontro do mítico Eldorado e todo o novelo de infortúnios e desventuras “no melhor dos mundos possíveis”? Esta obra é puro deleite – e a edição ilustrada da Tinta-da-China veio refinar ainda mais o prazer que é revivê-la.»

 Maria Francisca Almeida Gama, Escritora

«O livro que hoje vos recomendo chama-se Madalena e foi escrito por mim, há cerca de seis meses, após o falecimento do meu pai. Fala sobre a saudade, a dor, sobre o facto de termos que aprender a lidar com a perda. Também fala sobre os sonhos, sobre a alegria, sobre o amor. É um livro que demonstra o quanto anseio por chegar mais longe e em como, apesar da dor que sinto, me esforço para ser cada vez melhor, orgulhando sempre o meu querido pai. »

Patrícia Ervilha, Escritora

O Principezinho – O Grande Livro Pop-Up, Antoine de Saint-Exupéry, Editorial Presença

«Tendo que escolher um livro infantil, não hesitaria na edição O Principezinho – O Grande Livro Pop-Up por Antoine de Saint-Exupéry, da Editorial Presença. O Principezinho é um livro essencial e um livro que atravessa a nossa própria existência. Faz sentido aos 2 anos, como faz aos 92. Esta edição é extraordinariamente bonita e apelativa. Tem o embondeiro mais inesquecível da literatura. Neste caso, a minha escolha vale pelo conteúdo eterno e também muito pela forma.»

(c) Ricardo Graça
Paulo Kellerman, Escritor

Contos de cães e maus lobos, Valter Hugo Mãe, Porto Editora

«O livro que sugiro é Contos de cães e maus lobos, de Valter Hugo Mãe. Trata-se de um belo e cuidado livro que reúne diversos contos que podem ter vários níveis de leitura, de acordo com a idade dos leitores; apesar de em princípio ser destinado a jovens, será igualmente um livro fascinante para leitores adultos. É composto por onze contos que nos convidam simultaneamente a sairmos de nós e mergulharmos em nós, ora ternos ora duros, sempre enigmáticos e mágicos, por vezes arrebatadores. Cada um dos contos é acompanhado por ilustrações originais de diferentes artistas, o que confere a cada estória um imaginário e uma densidade muito concreta. Um livro que corresponde à definição que o próprio autor atribui ao que será um bom livro: aquele que tem “a capacidade de expressar algo que até ali estaria numa espécie de escuridão. A capacidade de colocar em discurso algo que podemos reconhecer, com que nos podemos identificar e que parece de alguma forma solucionar um problema nosso, mas que até ali ninguém tinha expressado daquela forma.”»

Boas leituras e Feliz Dia Mundial do Livro!