«A Invenção de Hugo Cabret», de Brian Selznick

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Esta obra é descrita como não sendo bem um romance juvenil, nem uma novela gráfica ou um livro ilustrado, mas uma combinação de todas essas coisas. É para já, e começando pelo superficial, um livro lindíssimo. Antes de o ler, é difícil não dedicar uns bons minutos à observação minuciosa da capa, da contracapa, das ilustrações, etc.. Depois de o termos «apalpado» todo com os olhos e de nos termos habituado ao seu peso (tem quase quinhentas e cinquenta páginas e capa dura), então começamos a ler e a descobrir a história de Hugo Cabret, um rapaz que vive às escondidas numa estação de comboios, em Paris, na década de 1930. Ele sobrevive furtando comida e dedicando-se à conservação dos relógios da estação, enquanto tenta arranjar um autómato no qual ele e o pai trabalhavam, antes de este morrer tragicamente num incêndio. Abandonado pelo único tio e sozinho no mundo, Hugo acha que o pequeno autómato contém uma mensagem escondida deixada pelo pai para ele. Mas para o consertar, precisa de peças que vai roubando de uma pequena loja de brinquedos da estação. Um dia, porém, é apanhado pelo dono da loja, um velho rabugento e misterioso, que esconde um incrível segredo. E assim começa uma jornada de descoberta e redescoberta, tanto do rapaz, como do velho homem, numa história contada através de um texto simples e recheado de referências históricas, intercalado de belas ilustrações que nos vão ajudando a resolver o enigma à volta do autómato.

É, sem sombra de dúvida, um livro difícil de definir, mas a partir do momento em que descobrimos a sua grande inspiração no cinema e no ilusionista e realizador George Méliès, tudo começa a compor-se como num grande puzzle. A transição entre texto e imagem podia ser confusa, mas neste caso parece resultar muito bem, cada ilustração entrando suavemente, com intenção de mostrar algo mais, que nos obriga a uma atenção redobrada.

Felizmente adquiri-o logo quando saiu, em 2007, pelo que tenho a edição com a capa original (entretanto ganhou uma sobrecapa do cartaz do filme).

Em relação ao filme, uma adaptação de Martin Scorsese, vencedora de cinco Óscares, vi-o muito recentemente. Apesar de ser uma bonita homenagem à obra bem como ao cinema, não apreciei tanto o seu visionamento, como tinha apreciado a leitura do livro.

Um livro que pode assustar alguns miúdos pelo seu tamanho (principalmente aqueles que não gostam muito de ler), mas que quando se abre, nos revela, por meio de palavras e ilustrações, o mundo mágico do cinema, dos livros e da amizade.

Catarina Araújo

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