«O Rapaz do Pijama às Riscas», de John Boyne

Na altura em que foi editado cá em Portugal, em 2007, já muito se falava sobre este «rapaz do pijama às riscas». Adquiri-o, curiosa por lê-lo, mas ainda o deixei quieto na prateleira durante um tempo antes de me atrever a abri-lo.

Desde que estudei a matéria pela primeira vez no 9.º ano de escolaridade, se não me engano, que tenho lido muito sobre a Segunda Grande Guerra, e visto muitos filmes e documentários sobre os mais variados aspetos da guerra, incluindo as atrocidades cometidas pelos nazis contra crianças judias e não só. Portanto, foi com alguma reserva que peguei neste livro a que o autor, John Boyne, se refere como sendo uma fábula.

Passada no princípio da década de 1940, a história segue um rapaz alemão de nove anos, chamado Bruno, cujo pai é destacado pelo Fúria (o Fürher, ele próprio) para Acho-vil (o campo de concentração de Auschwitz, palavra que o rapaz é incapaz de pronunciar). A família muda-se, assim, de Berlim para uma casa nova no campo, onde o pai vai desempenhar um cargo muito importante, que Bruno não sabe muito bem qual é. Mas a vida longe do bulício citadino de Berlim é aborrecida e ele resolve aventurar-se pelas redondezas da casa, onde encontra uma vedação, com pessoas de semblante triste, vestidas com estranhos pijamas às riscas, a vaguearem do outro lado. Intrigado, Bruno passa a visitar aquele lado da propriedade e acaba por conhecer um rapazinho chamado Shmuel, que vive do outro lado da cerca e também veste um pijama às riscas. Esta amizade faz com que Bruno deixe de se sentir tão sozinho, mas terá consequências trágicas, totalmente imprevistas.

À medida que ia lendo o livro, ia-me parecendo cada vez mais inverosímil que o miúdo não percebesse o que de facto estava a acontecer, o que se passava realmente com aquelas pessoas do outro lado da vedação, nem o que o pai fazia de verdade. Está certo que hoje em dia a educação das crianças é bastante diferente e um rapaz de nove anos, com o acesso que tem logo desde tão novo a computadores, a tablets, à televisão, aos livros, enfim, a informação em geral, tem se calhar um nível de consciência da realidade diferente que um miúdo da mesma idade na década de 1940. Contudo, ainda assim, não me parecia credível que ele estivesse tão alheado da sua realidade, tendo em conta que até levava comida ao amigo Shmuel, vendo que ele passava fome e que, com o passar do tempo, estava cada vez mais doente. Ou que não tivesse sentido qualquer indício de perigo quando passou a vedação para o outro lado, a fim de ajudar o amigo a encontrar o seu pai.

O final surpreendeu-me. E percebe-se em parte a intenção do autor. Às vezes, é possível proteger demasiado uma criança ao ponto de, por falta de discernimento próprio e de contacto com a realidade, ela se colocar numa situação de perigo. Por outro lado, fica a sensação de uma certa gratuitidade que não serve de todo a leitura.

Um livro interessante, mas que levanta muitas dúvidas quanto à sua verosimilhança e mesmo quanto à mensagem, mesmo sendo uma história efabulada.

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