Monthly Archives: Outubro 2013

«O Rapaz do Pijama às Riscas», de John Boyne

Na altura em que foi editado cá em Portugal, em 2007, já muito se falava sobre este «rapaz do pijama às riscas». Adquiri-o, curiosa por lê-lo, mas ainda o deixei quieto na prateleira durante um tempo antes de me atrever a abri-lo.

Desde que estudei a matéria pela primeira vez no 9.º ano de escolaridade, se não me engano, que tenho lido muito sobre a Segunda Grande Guerra, e visto muitos filmes e documentários sobre os mais variados aspetos da guerra, incluindo as atrocidades cometidas pelos nazis contra crianças judias e não só. Portanto, foi com alguma reserva que peguei neste livro a que o autor, John Boyne, se refere como sendo uma fábula.

Passada no princípio da década de 1940, a história segue um rapaz alemão de nove anos, chamado Bruno, cujo pai é destacado pelo Fúria (o Fürher, ele próprio) para Acho-vil (o campo de concentração de Auschwitz, palavra que o rapaz é incapaz de pronunciar). A família muda-se, assim, de Berlim para uma casa nova no campo, onde o pai vai desempenhar um cargo muito importante, que Bruno não sabe muito bem qual é. Mas a vida longe do bulício citadino de Berlim é aborrecida e ele resolve aventurar-se pelas redondezas da casa, onde encontra uma vedação, com pessoas de semblante triste, vestidas com estranhos pijamas às riscas, a vaguearem do outro lado. Intrigado, Bruno passa a visitar aquele lado da propriedade e acaba por conhecer um rapazinho chamado Shmuel, que vive do outro lado da cerca e também veste um pijama às riscas. Esta amizade faz com que Bruno deixe de se sentir tão sozinho, mas terá consequências trágicas, totalmente imprevistas.

À medida que ia lendo o livro, ia-me parecendo cada vez mais inverosímil que o miúdo não percebesse o que de facto estava a acontecer, o que se passava realmente com aquelas pessoas do outro lado da vedação, nem o que o pai fazia de verdade. Está certo que hoje em dia a educação das crianças é bastante diferente e um rapaz de nove anos, com o acesso que tem logo desde tão novo a computadores, a tablets, à televisão, aos livros, enfim, a informação em geral, tem se calhar um nível de consciência da realidade diferente que um miúdo da mesma idade na década de 1940. Contudo, ainda assim, não me parecia credível que ele estivesse tão alheado da sua realidade, tendo em conta que até levava comida ao amigo Shmuel, vendo que ele passava fome e que, com o passar do tempo, estava cada vez mais doente. Ou que não tivesse sentido qualquer indício de perigo quando passou a vedação para o outro lado, a fim de ajudar o amigo a encontrar o seu pai.

O final surpreendeu-me. E percebe-se em parte a intenção do autor. Às vezes, é possível proteger demasiado uma criança ao ponto de, por falta de discernimento próprio e de contacto com a realidade, ela se colocar numa situação de perigo. Por outro lado, fica a sensação de uma certa gratuitidade que não serve de todo a leitura.

Um livro interessante, mas que levanta muitas dúvidas quanto à sua verosimilhança e mesmo quanto à mensagem, mesmo sendo uma história efabulada.

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Prémio literário com voto dos jovens leitores

O Red House Children’s Book Award, do Reino Unido, é um prémio diferente, porque quem vota são as crianças.
A lista de nomeados já foi divulgada e agora os jovens leitores têm até 24 de janeiro de 2014 para votar nos seus livros preferidos. Há três categorias: «Younger Children», «Younger Readers» e «Older Readers». Na categoria de literatura juvenil estão nomeadas as obras Killing Rachel, de Anne Cassidy; Warp – The Reluctant Assassin, de Eoin Colfer; e The 5th Wave, de Rick Yancey.

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A importância de ler, segundo Neil Gaiman

Não há dúvida nenhuma de que ler e imaginar é importante para o desenvolvimento de qualquer criança, mas poucos poderiam dizê-lo com tanta propriedade como Neil Gaiman. Numa palestra que deu para o The Reading Agency, num encontro anual iniciado em 2012, com o objetivo de ter escritores e pensadores a partilharem ideias originais sobre a leitura, o autor reflete sobre como o nosso futuro depende essencialmente das bibliotecas, de ler e da capacidade de sonhar acordado.

A palestra encontra-se transcrita (em inglês) aqui.

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Tendências para 2014

No mundo editorial já se especula sobre as novas tendências para o mercado da literatura juvenil e dos jovens adultos, em 2014, após as sagas de vampiros, lobisomens e zombies que marcaram os últimos anos. Num artigo do Publishers Weekly em que a questão é colocada aos agentes literários, alguns consideram, precisamente, que a era das trilogias está a terminar e que agora os jovens leitores preferem histórias que começam e acabam num só volume, e centradas em temas relacionados com os nossos dias. «A Culpa é das Estrelas», dizem os agentes e editores, num trocadilho com o título da obra de John Green, cujo sucesso estrondoso por todo o mundo tem chamado a atenção para outros títulos que na era do paranormal teriam passado despercebidos. Os agentes literários, pelo menos, parecem entusiasmados com a ideia de a próxima tendência ser o realismo contemporâneo e a busca por títulos do género está a ser concorrida.

O artigo completo da revista Publishers Weekly encontra-se aqui.

 

SIC K estreia programa dedicado à literatura infantil e juvenil

Com o objetivo de promover a leitura junto dos telespetadores mais jovens, a SIC K estreou, no passado dia 13 de outubro, um programa dedicado à literatura «para aqueles que já sabem ler, mas também para os que ainda estão a aprender». Em A Minha Estante serão destacadas novidades e recomendações, serão lidas histórias e também haverá um momento para curiosidades e humor. Um programa a não perder todos os domingos, às 21h.

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Celebração dos 30 anos de carreira do autor Álvaro Magalhães

Assinalam-se por esta altura os trinta anos de vida literária do autor Álvaro Magalhães e a biblioteca municipal Almeida Garrett, em parceria com as Edições ASA, organizou uma série de atividades comemorativas para celebrar este marco na sua carreira. As iniciativas, com entrada gratuita, incluem horas de conto, encontros com o escritor, workshops de ilustração, conferências, sessões de poesia e de teatro. O autor lançará ainda o seu novo romance juvenil, O Rapaz dos sapatos prateados, a conclusão de uma trilogia iniciada com A Ilha do Chifre de Ouro, e continuada com O Último Grimm. Neste último capítulo um miúdo de nove anos faz a descrição da sua vida por palavras e recorrendo a ilustrações (da autoria de Patrícia Furtado).

Não perca esta celebração a decorrer na biblioteca municipal Almeida Garrett, no Porto, até 25 de outubro. Para mais informações, visite a página da biblioteca aqui.

Notícia daqui.

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Prémio Jabuti 2013

Foram anunciados os vencedores da 55.ª edição do Prémio Jabuti, e, entre as várias categorias, encontra-se, claro, a do Juvenil. O primeiro prémio foi atribuído à obra Namíbia, Não!, de Aldri Anunciação. A história deste livro passa-se em 2016 e descreve as consequências de uma decisão do governo brasileiro que obriga todos os afrodescendentes a regressar imediatamente a África. O segundo prémio foi para Os anjos contam histórias, de Luiz Antonio Aguiar, e o terceiro para Ouro Dentro Da Cabeça, de Maria Valéria Rezende.

NAMIBIA