«Não matem a cotovia», de Harper Lee

Penso que deve ser comum a todos aqueles que leem este livro, provavelmente até será um clichê, mas fiquei fascinada com Atticus Finch. Curiosamente, o título do livro era Atticus quando foi entregue ao agente, mas a autora acabou por alterá-lo antes de ser publicado. Não tenho a certeza se um jovem ainda na adolescência, dado à rebeldia, conseguirá apreciar esta personagem, entendê-la, admirá-la e respeitá-la.  Dependerá muito das circunstâncias que levaram à leitura do livro, suponho eu. Contudo, não deixará de absorver a sua retidão de carácter, a sua benevolência e o seu sentido de justiça. Em nenhum momento, porém, sentimos que esses valores nos estão a ser atirados à cara. As personagens estão muito bem construídas e à medida que vamos conhecendo cada uma delas, as crianças Scout e Jem, Atticus, Boo Radley, Calpurnia, Mr. Underwood, compreendemos a sua maneira de ver o mundo e o seu modo de agir sobre ele (embora isso não queira dizer que concordemos com algumas dessas visões). Tudo se passa durante os anos da Grande Depressão, numa terra pequena do sul dos EUA, e Atticus Finch, advogado e viúvo, é incumbido de defender um homem negro, Tom Robinson, acusado de violar uma jovem branca, Mayella Ewell. Apesar de Atticus provar a inocência de Tom em tribunal, este é condenado a pena de prisão. Obra vencedora de um prémio Pulitzer, Não matem a cotovia é um livro que, apesar de tratar de temas pesados, como violação, racismo e morte, acolhemos com uma certa inocência, pois é através do olhar curioso de Scout, de seis anos, de Jem, o irmão mais velho, e Dill, o amigo, que vamos tomando conhecimento do que se passa. Eles acompanham a vida na comunidade enquanto decorre o julgamento de Tom Robinson, observando as transformações que nela se vão operando. É assim que eles se apercebem das injustiças do mundo, de como cada um tem o seu modo de ser, com atitudes por vezes contraditórias, e de como, perante esse conhecimento, podem tentar ser melhores e passar aos outros essa aspiração, como Atticus Finch. Em cada situação descrita, com cada personagem, há sempre algo a descobrir e que contribui para uma complexidade profunda da história, enredando-nos completamente.

Uma ótima leitura para pais juntamente com os seus filhos ou para discussão num clube de leitura juvenil, porque só numa conversa se pode assinalar e apreender a multiplicidade de temas e ideias que o livro passa.

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