«Marcelo no Mundo Real», de Francisco X. Stork

Marcelo Sandoval tem 17 anos e sofre de uma perturbação similar ao Síndrome de Asperger, uma forma de autismo, e por isso perceciona o mundo e interaje com ele de maneira diferente. Deste modo, frequenta uma escola para alunos com necessidades especiais e mantém um círculo de amigos restrito, colegas que o conhecem bem e sabem lidar com ele. Interessa-se muito por religião, o seu assunto favorito, e ouve música que mais ninguém consegue ouvir – é a sua forma de processar emoções e sentimentos.

Arturo, o pai de Marcelo, sente-se frustrado por o filho  se isolar socialmente e não ser «desafiado» no dia-a-dia. Assim resolve que Marcelo tem de se expor mais para aprender a lidar com os desafios do «mundo real», e para isso recruta-o para trabalhar no seu escritório de advogados durante o verão. Marcelo, claro, não fica nada contente, pois tudo o que ele queria era trabalhar nos estábulos a cuidar dos cavalos.

A história é-nos contada do ponto de vista de Marcelo. Através do seu modo particular de ver o mundo e de interagir com as pessoas, descobrimos o impacto que o Asperger tem na sua vida, principalmente o preconceito de que é alvo ao ser olhado como alguém diminuído intelectualmente, o que não podia estar mais longe da verdade. A entrada de Marcelo no «mundo real» não é fácil, confrontando-se com pessoas muito diferentes daquelas a que estava habituado. Aos poucos, com a ajuda de novas amizades, umas boas, outras más, ele vai aprendendo a lidar a sua nova realidade e a sair da bolha protetora que criara à sua volta, mas sempre com a perspetiva de voltar para a antiga escola e de trabalhar nos estábulos, contudo o pai não tem intenção de o deixar voltar à sua antiga vida. Marcelo experimenta sentimentos novos de angústia, ciúme, raiva, descobre o amor, a traição, a coragem.

Uma leitura curiosa e que desconstrói um pouco o mito à volta de uma pessoa que sofre de uma forma mais ou menos leve de autismo. No entanto, trata-se de uma história com que todos nos identificamos – a do «peixe fora de água», do adolescente a entrar no mundo dos adultos, a da descoberta do amor e da amizade, e, fundamentalmente, da descoberta de si próprio e das suas capacidades para lidar com o «mundo real».

Capa_Marcelo

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