«Os Reinos do Norte», de Philip Pullman

Os Reinos do Norte, como se intitulava quando foi editado pela primeira vez em Portugal, em 2003, tendo entretanto passado a ser conhecido como A Bússola Dourada, depois de lançado o filme, é fantasia, steampunk e realidade alternativa, tudo num só livro.

Neste primeiro livro da trilogia His Dark Materials, a protagonista, Lyra Belacqua, tem doze anos e vive no colégio Jordan, em Oxford, sob a proteção dos Académicos. A sua vida no colégio, apesar das regras restritas que lhe tentam impor, é livre, simples, sem grandes preocupações. Tudo isso muda quando o seu tio Asriel chega ao colégio e mostra aos Académicos, numa reunião em que Lyra se inflitrou às escondidas, provas da existência de uma substância misteriosa, o Pó, e uma imagem do que parece ser uma cidade entre a luz difusa da Aurora Boreal e que ele acredita ser um outro universo. Lyra fica obcecada com a história do Pó e procura saber mais sobre ele.
Entretanto, começam a suceder-se raptos misteriosos de crianças nas redondezas do colégio. Diz-se que elas são levadas por Gobblers e sujeitas as experiências terríveis em que são separadas dos seus Génios, criaturas que são como manifestações físicas da alma de um humano e que podem tomar a forma de diferentes animais.

O mundo de Lyra dá uma grande volta quando Roger, o seu amigo de brincadeiras, desaparece sem deixar rasto, e uma misteriosa Sra. Coulter chega ao colégio e se encarrega de levar Lyra consigo, oferecendo-lhe roupas novas e levando-a a museus e a conhecer uma vida totalmente diferente daquela que levava no colégio, vida essa que começa a sentir falta quando percebe que as intenções da Sra. Coulter não são muito boas. Lyra decide então fugir e procurar pelo amigo desaparecido que ela suspeita ter sido levado para o ártico. Na sua jornada, conhece ursos falantes, as bruxas, os Ciganos, e outras personagens tão misteriosas quanto interessantes. Através delas conhecerá a verdade sobre quem ela realmente é e o seu papel naquele mundo carregado de perigos invisíveis.

Toda a construção da realidade alternativa em que Lyra se move – semelhante à nossa, mas diferente em muitos aspetos –, é bastante sólida e cheia de pormenores que tornam a leitura interessante e que nos levam a querer saber mais sobre aquele mundo, tanto a nível político, como religioso, até científico, dada a interligação importante que parece haver entre eles. Tem também o lado fantástico, relacionado com os Génios, as Bruxas e o objeto, a tal bússola, que diz a verdade e funciona por influência do Pó.

Lyra é uma protagonista forte e carismática, o fio condutor de uma história simples e complexa ao mesmo tempo, com inúmeras camadas que um leitor experiente captará mais facilmente. É uma leitura tão «sumarenta» que requer uma segunda e, talvez uma terceira, antes de se passar ao segundo volume, para se captar todas as suas finas subtilezas, bem como conhecer a fundo as inúmeras personagens, cheias de personalidade, que povoam aquele universo.

Um dos livros mais fascinantes que já li!

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