Monthly Archives: Fevereiro 2014

Feira do Livro Infantil de Bolonha 2014

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Falta pouco mais de um mês para a feira mais importante dedicada ao negócio do livro infantil e juvenil, em Bolonha, Itália. Realiza-se entre 24 e 27 de março, e este ano o país homenageado fala português. O Brasil será o convidado de honra no 51.º aniversário desta feira. Embora seja um evento destinado aos profissionais do livro infantil – editores, livreiros, agentes, escritores, ilustradores, tradutores –, para comemorar as cinquenta edições, a feira terá uma semana dedicada aos livros para crianças e a eventos culturais num pavilhão especial aberto ao público, com uma mega-livraria que comportará mais de 25 000 livros! Esta semana especial terá lugar de 22 a 27 de março.

Pouco antes do evento já se anunciam os vencedores de alguns prémios, nomeadamente o BOLOGNARAGAZZI DIGITAL, entregue a criadores de conteúdo digital para crianças. Os vencedores deste ano podem ser conhecidos aqui.

A página oficial da feira é aqui.

Autores portugueses de infantil e juvenil vão ter livros publicados lá fora

Ana Saldanha, André Letria, Carla Maia de Almeida e Margarida Fonseca Santos vão ter livros publicados no estrangeiro. Ana Saldanha verá os seus O Papão no Desvão, Eu Só, Só Eu e O Tesouro do Palácio atravessarem o Atlântico e desembarcarem no Brasil. Uma boa notícia para os nossos autores!

Daqui.

 

Lewis Carroll detestava a fama de «Alice no País das Maravilhas»

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Conta o The Telegraph que o autor Lewis Carroll não gostava de ter ficado tão famoso com o seu livro «Alice no País das Maravilhas» e suas continuações. Já se sabia que o autor tinha aversão às atenções dos leitores e da imprensa, e que era muito reservado, tanto que escolheu um pseudónimo para publicar os seus livros na esperança de que a sua verdadeira identidade (o seu nome verdadeiro era Charles Dodgson), permanecesse no anonimato, salvaguardando a sua privacidade. No entanto, numa carta escrita para um amigo e que data de 1891, Lewis revela como detestava quando as pessoas descobriam a sua identidade e o abordavam na rua. Por outro lado, ele gostava de enviar livros autografados para algumas das crianças que conhecia.
A carta vai agora ser leiloada juntamente com uma fotografia tirada pelo autor.
A notícia do The Telegraph encontra-se aqui.

A respeito da censura nos livros juvenis

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Nem a propósito de um artigo que escrevi sobre a censura na literatura juvenil nas escolas e nas bibliotecas dos EUA, parece que em França grupos de extrema-direita, e até o Secretário-geral do Partido UMP, a segunda maior força política no país, estão a fazer pressão para que certos livros infantis e juvenis sejam censurados. Jean-François Copé fez destaque num programa de televisão a um livro em particular, Tous à poil! (numa tradução livre Todos se despem), de Claire Franek e Marc Daniau, e que considera inapropriado e desrespeita figuras de autoridade aos olhos das crianças. No livro infantil ilustrado, várias pessoas, desde o professor, a babysitter, os vizinhos, se despem para tomar banho no mar. O objetivo deste livro, segundo os autores, era o de familiarizar as crianças com diferentes tipos de corpos em situações naturais. O artigo que relata este caso refere ainda que em França tem crescido o número de grupos de extrema-direita que têm feito listas de livros que consideram imorais e que têm solicitado a respetiva retirada de circulação de livrarias e bibliotecas.
Isto é, sem dúvida nenhuma, preocupante!
Parece, no entanto, que a polémica fez com que as vendas do livro Tous à poil! disparassem, chegando mesmo ao primeiro lugar dos livros mais vendidos da Amazon francesa. A notícia completa pode ser lida aqui.

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Qual é o vilão mais notável da literatura juvenil?

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Imagem daqui.

Não pode haver luz, sem escuridão. Um bom livro que se debruça sobre a guerra entre o bem e o mal tem de ter, mais do que um herói com quem nos identificamos, um vilão carismático e memorável que lhe faça frente. O vilão deve ser capaz de nos fazer acreditar que pode realmente vencer o herói se este não atravessar o arco que precisa de atravessar para enfrentar o mal que está dentro dele para por fim derrotar o vilão. Existem muitos na literatura infantil e juvenil que preenchem esses requisitos e que estão entre as personagens mais vis, detestáveis, apaixonantes, arrepiantes, avarentas, enganadoras e desprezíveis que o mundo das histórias já viu.   A questão que deixo aos leitores que por aqui passarem e se depararem com esta pergunta é: qual foi o autor mais bem sucedido nesta empreitada? Que vilão literário mais fez estremecer as entranhas com o receio de que derrotasse o bem, mergulhando os nossos heróis favoritos numa escuridão sem fim?

«Doll Bones», de Holly Black

Gosto imenso de histórias de terror para crianças. Acho que se fosse criança não leria, mas agora que sou crescida, é um gosto. Estranhamente, não gosto de filmes de terror, nem literatura de terror para adultos. Creio que é a criança em mim que gosta de se assustar, mas sem ser com nada muito gore. Doll Bones, de Holly Black (autora de As Crónicas de Spiderwick), estava nomeado para vários prémios quando o adquiri, o que me suscitou muita curiosidade, não só pela história, mas também pelas ilustrações que remetem para Edward Gorey.

Zach, Poppy e Alice são os melhores amigos. Juntos inventam mil e uma brincadeiras com os seus bonecos. Porém, um dia Zach descobre que o pai deitou todos os seus brinquedos fora, pois considera que ele já é demasiado crescido para brincar com eles. Zach fica furioso e sente-se subitamente desorientado.  Decide então que a única maneira de ultrapassar isso é deixar de brincar e de ser amigo de Poppy e Alice. Uma decisão radical, mas que não tem volta. Até que um dia as meninas lhe fazem uma visita e lhe contam sobre uma série de estranhos acontecimentos. Poppy acha que a boneca dela, uma boneca de porcelana, está possuída por um fantasma e que na realidade foi feita com ossos de uma menina assassinada muitos anos antes. Para escaparem a uma maldição, as três crianças terão de levar a boneca para o sítio onde a menina vivia e enterrá-la lá.

Identifiquei-me em parte com a história, porque quando tinha treze, catorze anos, descobri que o baú dos meus brinquedos de infância fora parar ao lixo e assim de uma assentada perdi tudo aquilo que representava as minhas memórias das brincadeiras de infância, o que teve um grande impacto em mim. Já não brincava com os brinquedos, mas mesmo assim, foi como se alguém tivesse cortado um fio que ainda me prendia à infância, fazendo-me entrar assim em pleno na adolescência.

É o que acontece neste livro, em que a descoberta desta boneca e da sua história marca como que a última grande aventura da infância de Zach, Poppy e Alice, antes de entrarem na adolescência e começarem a perder aquela inocência de criança na sua jornada para a idade adulta.

Outra coisa que me interessou muito foi a imaginação demonstrada pelos miúdos nas suas brincadeiras com os brinquedos. Penso que qualquer criança irá identificar-se com esses momentos e, talvez, ao ler este livro, transportar os eventos da história para as suas próprias brincadeiras.

Não está traduzido para português, mas recomendo a adultos que gostem deste tipo de literatura e até podem ir traduzindo oralmente para os seus pequenos se estes ainda não forem capazes de ler sozinhos em inglês.

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Ator da série «Glee» escreve livros juvenis

Chris Colfer, ator da série musical Glee (passa na FOXLife), já ganhou dois Globos de Ouro, entre outros prémios,  foi considerado uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, canta, dança, escreve argumentos e agora também escreve livros juvenis. O título da série é The Land of Stories (A Terra das Histórias) e conta com dois volumes publicados, com o terceiro a sair este ano.  Destinado a leitores dos oito aos doze anos, a história segue as aventuras de dois gémeos, Alex e Conner, quando através dos poderes de um livro mágico de histórias vão parar a uma terra de fantasia, cheia de surpresas e também de grandes perigos. As críticas ao primeiro livro não são muito boas, mas parece que Chris tem evoluído de volume para volume e já conquistou milhares de leitores e de fãs da sua saga mágica.

Notícia daqui.

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Thalita Rebouças, a autora fenómeno de juvenil no Brasil

Nasceu no Rio de Janeiro, em 1974, é jornalista e escritora de livros para adolescentes e é o mais recente fenómeno de vendas no Brasil. A série Fala Sério! conta já com seis livros publicados e atravessou o oceano, desembarcando em Portugal sob a chancela da Editorial Presença, com o título As Cenas da Malu. Uma comunicadora nata, Thalita adora o contacto com o público que responde com entusiasmo. Alguns dos seus livros já foram adaptados a musical, a televisão e ao teatro.  As vendas no Brasil ultrapassaram o milhão e meio de exemplares.
Numa visita ao seu sítio oficial dá para perceber que Thalita é enérgica e cativante. A sua história sobre como se tornou escritora e das suas primeiras sessões de autógrafos é hilariante e identifico-me muito com ela! Gosto especialmente da parte em que a certa altura salta de onde estava sentada pacientemente à espera que os leitores viessem pedir-lhe autógrafos e começa a chamá-los e a contar histórias e a conquistá-los, passando as horas  seguintes a assinar livros sem parar. Não deixem de visitar aqui.

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A livraria «Récréalivres», França

Esta livraria especializada em livros para crianças e jovens fica em Le Mans, na Rue des Ponts Neufs. Organizada por autores e por temática para facilitar a procura, a livraria oferece uma grande variedade de livros, desde culinária para os mais pequenos a literatura contemporânea e fantástica. Todos os sábados realizam a hora do conto. Também disponibilizam diversos jogos de tabuleiro entre outros, importantes para qualquer criança. O blogue oficial da livraria encontra-se aqui.

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