Monthly Archives: Março 2014

Vendas de livros infantis e juvenis e hábitos de leitura

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À falta de estudos sobre a venda de livros em Portugal, principalmente para crianças e jovens, bem como de hábitos de leitura, temos os dos outros países, e embora não sejam de modo nenhum um espelho da nossa realidade, podem no entanto ajudar a formar uma ideia de como anda o mercado. Um desses estudos, divulgado aqui, conta-nos que a maior dos livros para crianças ainda são comprados nas livrarias, apesar de os e-books estarem em claro crescimento, bem como as vendas pela internet (nos EUA). Revela ainda que os livros para Jovens Adultos – na sua maioria comprados por adultos a partir dos dezoito anos –  e os livros infantis ilustrados são os que mais se vendem no mercado infantil e juvenil. O género mais procurado entre as crianças é o da Fantasia e o da Ficção-Científica. Gostava muito de saber como é relativamente ao nosso mercado e se os resultados seriam parecidos ou, pelo contrário, muito diferentes.

Uma estreia portuguesa no romance juvenil

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O Segredo da Serra
é o título do primeiro volume de uma nova série escrita por Arinda Rodrigues. Arinda é autora de manuais escolares, mas estreia-se agora no romance juvenil, com as aventuras de cinco jovens que durante umas férias da Páscoa passadas na Beira Alta envolvem-se num mistério relacionado com uma moura, lobos e uma serra em perigo. Segundo a autora, este livro foi «idealizado e escrito a pensar nos adolescentes e jovens com quem convive e trabalha diariamente e de quem conhece os gostos, as palavras, os desejos e os sonhos. Foi para eles que nasceu O Segredo da Serra, para que possam viver a aventura de o desvendar e sentir a emoção de descobrir em si mesmos o poder da confiança e da união, bem como a importância que têm para o futuro da Terra.»

«O Mundo de Sofia», de Jostein Gaarder

A descoberta da filosofia na adolescência teve um impacto importante na minha vida, pois foi quando comecei a tecer mais seriamente uma ideia sobre a humanidade, a religião, com a qual sempre tive muitos conflitos, e finalmente sobre mim própria. Tinha catorze anos e estava no décimo ano, no curso de Humanidades, pelo que a disciplina de Filosofia fazia parte do currículo. Filósofos como Bertrand Russel, Kant, Platão, Simone de Beauvoir e, principalmente, Sartre, foram, nesses anos de grande turbulência juvenil, fundamentais na minha procura insaciável de respostas para as grandes questões da vida. Foi então que descobri O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, um livro que nos transporta para o mundo da filosofia.

Quando está prestes a fazer quinze anos, Sofia Amundsen recebe cartas de alguém desconhecido perguntando quem é ela e de onde vem o mundo em que vivemos. Estas perguntas lançam Sofia numa viagem pela Filosofia em que descobre muitos pensadores, desde Sócrates a Jean-Paul Sartre.

Não o li de uma assentada, até porque na altura não era grande leitora a não ser de manuais escolares. Contudo, funcionou, para mim, como uma espécie de bússola no que diz respeito aos pensadores, àquilo que era para eles a existência, o conhecimento, a verdade, enfim, tudo aquilo que eu procurava para poder determinar por mim própria o modo como olhava o mundo. O livro não oferece uma leitura muito fluida, apesar da linguagem acessível. Todavia, poderá ser um importante rastilho para todos aqueles jovens adolescentes que estão a começar a criar a sua visão do mundo e a procurar descobrir o seu lugar dentro dele.

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Ler em voz alta também é importante

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No passado dia 5 de março assinalou-se o Dia Mundial da Leitura em Voz Alta. Esta iniciativa é promovida pela LitWorld, uma organização de promoção da literacia. Em mais de 60 países, pais, estudantes e professores associaram-se a este evento e realizaram diversas atividades para combater a iliteracia. A leitura em voz alta tem muitas vantagens: ajuda a apreender melhor o conteúdo lido, a melhorar a dicção, e promove o contacto com os outros. Para saber mais sobre este dia, não deixem de passar por aqui.
No ano passado, por exemplo, as Bibliotecas Escolares de Mafra organizaram, a propósito, um Concurso de Leitura em Voz Alta que incluía um Workshop sobre técnicas de leitura. Não sei se este ano repetirão a iniciativa, mas de qualquer modo reencaminho para aquela que se deu em 2013, aqui.

L. Frank Baum, e o poderoso feiticeiro de Oz

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Há dias, o Fantasporto prestou homenagem a Victor Fleming,  realizador do filme O Feiticeiro de Oz, a famosa adaptação ao cinema da obra de L. Frank Baum, e que celebra este ano 75 anos.
O livro foi publicado em 1900, com o título The Wonderful Wizard of Oz. Entretanto o Wonderful caiu para ficar apenas The Wizard of Oz. Em 1902 foi adaptado a musical da Broadway e, em 1939, Victor Fleming transportou-o para o cinema, espantando e maravilhando os espectadores com o technicolor, uma novidade recente na altura, já que os filmes até ali eram a preto e branco. O filme foi nomeado para seis Óscares, tendo ganho dois.

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Lyman Frank Baum era o sétimo filho de um barão do petróleo. Em criança foi-lhe diagnosticado um problema de coração, pelo que teve uma infância bastante protegida. Como escape tinha muitos amigos imaginários e lia. Na juventude mostrou vontade de ser ator,  e embora o pai desaprovasse, acabou por apoiá-lo. Mais tarde, depois de casar com Maud Gage, filha de uma sufragista que lutava pelos direitos das mulheres, foi encorajado a escrever as histórias que contava aos filhos.

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O primeiro livro que escreveu chamava-se Mother Goose in Prose, seguido por Father Goose, His Book, ambos recebidos com entusiasmo pelos pequenos leitores.
The Wonderful Wizard of Oz teve um sucesso gradual, e após a estreia do espetáculo da broadway e do filme, as vendas dispararam ultrapassando os três milhões de exemplares em 1956. Vários temas são explorados neste livro, como a inteligência, a coragem, a compaixão e a autoconfiança.
Seguiram-se as continuações, apesar de L. Frank Baum nunca ter tido a intenção de escrever mais livros sobre Oz. Assim em 1904 lançou The  Marvelous Land of Oz. Até à sua morte, em 1919, publicou mais doze sequelas, a pedido dos leitores que não se cansavam das histórias daquela terra maravilhosa. Baum escreveu outros livros como a série Aunt Jane’s Nieces, sob o pseudónimo Edith Van Dyne. Estes livros eram dirigidos para o público leitor de As Mulherzinhas, de Louisa May Alcott.

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Após o desaparecimento do autor, outros autores continuaram a escrever histórias passadas na terra de Oz. Algumas dessas histórias são reconhecidas como fazendo parte do universo criado por L. Frank Baum, enquanto outros escritores reinventam esse universo, como é o caso da obra de Gregory Maguire, Wicked (editado em Portugal pela Casa das Letras, com o título A Bruxa de Oz), que acabou por ser adaptada também a musical da Broadway, com grande sucesso.

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O livro mais recente a explorar este mundo é The Oz Saga: The City of Emeralds, de Landon Parks, publicado em 2013, e em que Dorothy regressa a Oz descobrindo que deixou de ser uma terra mágica como aquela que conhecia.

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Em 2013 a Disney estreou ainda no cinema o filme que conta a verdadeira origem do Feiticeiro de Oz, com James Franco no papel principal – Oz the Great and Powerful.

Atualmente existem várias edições diferentes de O Feiticeiro de Oz. A que eu tenho, e que só se encontrará em alfarrabistas, é da Âmbar, com lindíssimas ilustrações de Lisbeth Zwerger.

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Editorial Presença publica «Half Bad» de Sally Green

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Há alguns artigos escrevi sobre obras para adolescentes que estavam a ter críticas antecipadas positivas, entre elas o Half Bad de Sally Green. Pois parece que o livro acaba de ser lançado cá em Portugal pela Editorial Presença, praticamente ao mesmo tempo que a edição inglesa. Intitulado Entre o bem e o mal, este livro reinventa a mitologia dos feiticeiros e das bruxas. Aqui fica a sinopse divulgada pela editora:

«Na Inglaterra dos nossos dias, bruxos e humanos vivem aparentemente integrados. Na realidade, os bruxos têm a sua própria sociedade secreta, as suas regras e a sua guerra, que divide os Bruxos Brancos, considerados «bons», e os Bruxos Negros, odiados e perseguidos pelos Brancos. O herói, Nathan, é filho de uma Bruxa Branca e de um Bruxo Negro e, portanto, considerado perigoso. Nathan é constantemente vigiado pelo Conselho dos Bruxos Brancos desde que nasceu e aos 16 anos é encarcerado e treinado para matar. Mas Nathan sabe que tem de fugir antes de completar 17 anos e a sua determinação é inabalável. Este é o romance de estreia de Sally Green e o primeiro volume de uma nova trilogia do género fantástico.»

Revista Bang! entrevista Chris Priestley

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O autor de As Histórias de Terror do Tio Montague, editado em Portugal pela Arteplural Edições (e que já aqui destaquei), dá uma entrevista exclusiva à revista Bang!, uma revista dedicada à literatura Fantástica. Entre outras coisas conta tudo sobre o desafio de escrever histórias de terror para crianças, o seu mais recente livro e faz algumas recomendações de leitura. Para ler aqui.

Robert Muchamore lança «Rock War»

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O autor da série de sucesso CHERUB, editada em Portugal pela Porto Editora, está prestes a lançar uma nova saga de quatro livros chamada Rock War. A história centra-se em três crianças – Jay, Summer e Dylan – que sonham ser estrelas de rock, mas cujas vidas não facilitam muito a concretização desse sonho. Numa entrevista dada ao jornal The Guardian o autor conta que a inspiração para estes livros surgiu durante uma sessão de autógrafos ao reparar nas T-shirts de bandas musicais que os miúdos traziam vestidas.  A entrevista contém outras informações interessantes e pode ser lida aqui. O sítio oficial do autor é por aqui: www.muchamore.com.

A origem dos Guardiões

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Em 2012 a Dreamworks estreou um desenho animado chamado A Origem dos Guardiões, em que os protagonistas eram o Pai Natal, o Coelho da Páscoa, o João Pestana e a Fada dos Dentes. Trata-se na verdade da adaptação ao cinema de uma série de livros infantis e juvenis escrita por William Joyce – The Guardians of Childhood.

Joyce desenvolveu toda a mitologia destes heróis para os filhos e, quando a filha ficou doente, decidiu transformá-la em livros. O autor estava já a escrevê-los quando ela faleceu, o que tornou a sua escrita ainda mais importante e pessoal. Joyce é também argumentista e cineasta, tendo ganho um Óscar para Melhor Curta Metragem de Animação, com The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (cuja visualização recomendo vivamente.)

Ora, o primeiro livro da série The Guardians, intitula-se Nicholas St. North and the Battle of the Nightmare King e conta a história de North, um espadachim exímio que na procura de riqueza e de aventuras depara com um grande feiticeiro que poderá estragar os seus planos. Quando descobre que uma terra está a ser aterrorizada pelo Rei dos Pesadelos, North tem de decidir se continuará a perseguir a sua ambição de ser rico ou se ajuda a salvar os habitantes da aldeia. E para isso terá de procurar os outros Guardiões.
Para saber mais sobre o autor e sobre esta série, podem visitar o seu sítio oficial: www.williamjoyce.com.