Monthly Archives: Maio 2014

Os adolescentes estão a ler menos?

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Em Portugal, com a crise, é possível que sim. Todavia, não terá tanto que ver com a crise, mas com uma especial apetência dos portugueses pela tecnologia. Neste caso, o estudo foi feito nos EUA e demonstra que os adolescentes americanos estão, cada vez mais, a trocaros livros pela Internet, onde podem ver séries, espreitar os blogues uns dos outros, conversar com os amigos, etc. A tendência verifica-se desde há uma década e tem-se agravado nos últimos anos, com a ascensão dos smartphones e a proliferação da Internet gratuita. No entanto, apesar disso, o responsável pelo estudo diz que muito depende dos pais, e do contacto que eles próprios têm com os livros e a forma como promovem esse contacto com os filhos. O artigo pode ser lido aqui.

Notícia através daqui.

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Feira do Livro de Lisboa 2014

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Começa hoje a 84.ª edição da Feira do Livro de Lisboa, no sítio do costume – o Parque Eduardo VII. Um fantástico evento e uma excelente oportunidade para levar as crianças e deixá-las tatear, folhear, cheirar, apreciar, sonhar os livros e as histórias. Haverá muito para entreter os miúdos, desde atividades, horas do conto, sessões de autógrafos, e muito mais. Aqui está a agenda da Feira.

As montras mais bonitas da semana dos livros para crianças

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Nos EUA celebra-se a 95.º edição da Children’s Book Week e entre muitas atividades e iniciativas há um prémio atribuído à livraria com a decoração de montra relativa ao evento mais bonita. A livraria vencedora deste ano foi a Tattered Corners New & Used Bookstore, localizada em Meadville, no estado da Pensilvânia. Aqui encontram-se fotografias das outras livrarias que concorreram.

Subestimar as crianças e as suas leituras

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(c) Pintura de Mary Stevenson Cassatt.

A literatura infantil e juvenil tende a ser tratada como um género menor. Mesmo alguns autores que escrevem habitualmente livros para adultos e que resolvem fazer uma «pausa» dos assuntos sérios e escrever para os mais pequenos por ser «simples» e «leve», subestimam o que é escrever para os jovens. Como se a complexidade de um enredo e a forma artística fosse exclusiva dos «bons entendedores» dos crescidos.  Assim, é mais fácil dar a ler às crianças livros simples, com respostas simples e moralizadoras, sem qualquer vestígio de imaginação para que desde cedo a criança saiba mover-se no mundo real.

Paula Rivera Donoso, escritora chilena,  escreve sobre este tema, afirmando que «estas concepciones de “adulto” e “infantil” parecen sostenerse en exageraciones polarizadas (la brutalidad descorazonada en oposición a la ingenuidad descerebrada), que no representan lo que significa madurar en experiencias vitales ni el potencial lúdico y creador de la imaginación de los primeros años».

Um livro infantil ou juvenil não se rege por padrões menores do que aqueles dirigidos aos adultos. Nem as expectativas de qualidade devem ser mais baixas. E certamente que não será benéfico para a criança, se se subestimar a sua capacidade de retirar algo para si da experiência da leitura de um livro com um enredo menos óbvio e com uma linguagem um pouco mais avançada.

Não será, igualmente, produtivo limitar as leituras com base na idade do leitor. Paula Rivera Donoso diz que «si consideramos que la literatura infantil es efectivamente literatura, no podemos seguir viendo sus obras como como cremas para la piel, que sirven sólo para determinadas fases de la vida y que luego deben abandonarse y reemplazarse por otras. Menos aun cuando los niños, si los consideramos como seres humanos, tienen progresos lectores distintos, independientes de su nivel escolar o edad.»

A autora foca-se ainda na ruptura entre a infância, a juventude e a idade adulta, pois certos livros não têm idade e a mesma história pode ganhar novos significados em diferentes fases da vida. Termina com uma citação de Ursula K. Le Guin, autora americana, que dizia que um adulto criativo é uma criança que sobreviveu – «The creative adult is the child who has survived».

Relativizar a literatura infantil e, principalmente, a literatura juvenil, sem lhe dar o devido crédito como literatura genuína, de qualidade, que mereça uma atenção tão relevante e cuidada como qualquer outra, só prejudica o saudável crescimento intelectual e criativo das crianças, dos jovens e, curiosamente, dos próprios adultos.

O artigo completo pode ser lido aqui.

Tintin (des)contextualizado

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Há muitos livros para crianças que embora se tenham tornado clássicos intemporais, não o são sem uma aura de polémica à volta. Num artigo intitulado Putting Tintin into Historical Perspective, um livreiro conta como se debate com pedidos de pais e educadores que chegam à livraria e pedem para deixar de vender certos livros por serem ofensivos, racistas, elitistas, etc. Um desses livros era o Tintin no Congo por considerarem que advogava valores colonialistas. Apesar de efetivamente o livreiro concordar com os receios desses pais de que certos livros não serão apropriados para crianças por conterem valores que no nosso contexto atual são condenáveis, o livreiro acredita que não se deve retirá-los das prateleiras, evitando a sua leitura, mas que, pelo contrário, se deve dá-los a ler, tendo em atenção a sua perspetiva histórica. O papel do livreiro não deve ser, portanto, o de censor, mas antes o de promotor do pensamento crítico, do debate.
Muitos críticos consideram também que os livros da autora britânica Enid Blyton são elitistas, sexistas e xenófobos e, no entanto, continuam a vender, e em Portugal, estão sempre no top infantil dos livros mais vendidos.  Os livros para crianças da escritora portuguesa Odette de Saint-Maurice, escritos e publicados durante a ditatura, também são criticados por no seu âmago promoverem os valores do regime.
É por isso grande o risco de as crianças que leem estes livros sem qualquer tipo de orientação, serem depois incapazes de terem sobre eles uma visão crítica e de discernirem o que é realmente certo e errado nessas histórias, e de isso influenciar a maneira como lidam com o mundo real.
O importante, parece-me, é que estes livros sejam lidos, sim, com a devida contextualização, para que dessa forma, como refere o artigo, se possa ajudar a expandir mentalidades e não a encerrá-las. Impedir a leitura desses livros, em vez de reconhecer a falibilidade das ideias presentes nos seus enredos, com vista a um maior entendimento, é um erro. Tendo contacto com essas obras, os jovens aprenderão que existem diferentes visões do mundo e que estas vão evoluindo nos diferentes momentos da nossa História, influenciando, em consequência, a produção cultural da época, nomeadamente a literária.

 

A livraria «Eight Cousins», EUA

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Situa-se na localidade de Falmouth, no estado do Massachusetts, EUA, num edifício de fachada em tijolo.  Aberta em 1986, por mãe e filha, mais tarde juntou-se o pai, e mais tarde ainda os pais venderam a livraria à filha que tomou sozinha as rédeas do negócio. Começou por ser uma livraria exclusivamente dedicada aos livros para crianças, mas nos últimos anos, devido ao encerramento naquela região de outras livrarias generalistas, começou a expandir a sua secção de literatura para graúdos. Entre as muitas atividades que promovem, por vezes até acolhem pequenos concertos. O sítio oficial da livraria é aqui.

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Brasil – anunciados os vencedores do Prémio FNLIJ 2014

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A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, criada em 1968, no Brasil, representa a secção brasileira do International Board on Books for Young People – IBBY, e atribui anualmente prémios aos melhores livros do ano anterior.
Na edição de 2014, entre os vencedores encontra-se Ondjaki, na categoria de Literatura em Língua Portuguesa, com Uma escuridão bonita: estórias sem luz elétrica. A cantora e compositora Adriana Calcanhoto também foi distinguida com um prémio na categoria de Poesia pela obra Antologia ilustrada da poesia brasileira: Para crianças de qualquer idade (Casa da Palavra), que reúne poemas de clássicos autores brasileiros.

A notícia é daqui. O sítio oficial do FNLIJ é aqui.

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O National Centre for Children’s Books

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O Seven Stories – National Centre for Children’s Books, é o único museu dedicado à ilustração infantil e aos livros para crianças na Inglaterra. Situado em Newscastle, organiza exposições e eventos relacionados com os livros infantis e juvenis, através de uma seleção de ilustrações, de manuscritos, desde rascunhos a trabalhos finalizados.  Abriram em 2005 e até ao momento já receberam meio milhão de visitantes. O museu apresenta já um espólio importante com manuscritos originais e ilustrações de mais de cem autores, em que se incluem Enid Blyton, Philip Pullman e David Almond. O Seven Stories promove ainda atividades de promoção da leitura junto das crianças e dos jovens. O sítio oficial do museu pode ser visitado aqui.

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Seven Stories, the centre for Children's Books

A revista «Andersen»

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Andersen é uma publicação independente italiana dedicada à literatura para crianças e jovens. Criada em 1982, e publicada mensalmente, a revista tornou-se uma «referência para professores, bibliotecários, educadores, escritores, ilustradores e editores». A revista promove também um prémio anual, o Prémio Andersen, atribuído aos melhores livros do ano por um painel de autores, ilustradores e editores. Com capas cuidadas e informação de qualidade sobre a literatura infantil e juvenil, a revista alcançou um público diversificado para além dos profissionais ligados ao setor. A revista tem também uma versão online em www.andersen.it. Aqui poderá apreciar as capas das edições em papel.

Planeta Tangerina lança guia para explorar o mundo «Lá fora»

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Chama-se Lá Fora – Guia para Descobrir a Natureza, e é uma verdadeira delícia. Quando era miúda adora este tipo de livros e este seria um daqueles que andaria com certeza a toda a hora debaixo do braço. Maria Ana Peixe Dias, Inês Teixeira do Rosário e Bernardo Carvalho conceberam um livro que ajuda a responder àquelas perguntas que as crianças fazem quando deparam com qualquer coisa intrigante na rua, como «De quem será esta pegada?», «O que faz aqui esta minhoca?», «Será um sapo ou uma rã?», «Como se chama esta árvore?». A sinopse descreve-nos o livro assim: «Criado com a colaboração de uma equipa de especialistas portugueses, este livro pretende despertar a curiosidade sobre a fauna, a flora e outros aspetos do mundo natural que podem ser observados em Portugal. Inclui também propostas de atividades e muitas ilustrações, para ajudar toda a família a ganhar balanço, sair de casa e descobrir – ou simplesmente contemplar – todo o mundo incrível que existe “Lá fora”.» É um pequeno investimento, mas que renderá muitos dias e meses de grandes explorações! Poderá folhear uma parte do livro aqui.