Subestimar as crianças e as suas leituras

Cassat Reading to Children
(c) Pintura de Mary Stevenson Cassatt.

A literatura infantil e juvenil tende a ser tratada como um género menor. Mesmo alguns autores que escrevem habitualmente livros para adultos e que resolvem fazer uma «pausa» dos assuntos sérios e escrever para os mais pequenos por ser «simples» e «leve», subestimam o que é escrever para os jovens. Como se a complexidade de um enredo e a forma artística fosse exclusiva dos «bons entendedores» dos crescidos.  Assim, é mais fácil dar a ler às crianças livros simples, com respostas simples e moralizadoras, sem qualquer vestígio de imaginação para que desde cedo a criança saiba mover-se no mundo real.

Paula Rivera Donoso, escritora chilena,  escreve sobre este tema, afirmando que «estas concepciones de “adulto” e “infantil” parecen sostenerse en exageraciones polarizadas (la brutalidad descorazonada en oposición a la ingenuidad descerebrada), que no representan lo que significa madurar en experiencias vitales ni el potencial lúdico y creador de la imaginación de los primeros años».

Um livro infantil ou juvenil não se rege por padrões menores do que aqueles dirigidos aos adultos. Nem as expectativas de qualidade devem ser mais baixas. E certamente que não será benéfico para a criança, se se subestimar a sua capacidade de retirar algo para si da experiência da leitura de um livro com um enredo menos óbvio e com uma linguagem um pouco mais avançada.

Não será, igualmente, produtivo limitar as leituras com base na idade do leitor. Paula Rivera Donoso diz que «si consideramos que la literatura infantil es efectivamente literatura, no podemos seguir viendo sus obras como como cremas para la piel, que sirven sólo para determinadas fases de la vida y que luego deben abandonarse y reemplazarse por otras. Menos aun cuando los niños, si los consideramos como seres humanos, tienen progresos lectores distintos, independientes de su nivel escolar o edad.»

A autora foca-se ainda na ruptura entre a infância, a juventude e a idade adulta, pois certos livros não têm idade e a mesma história pode ganhar novos significados em diferentes fases da vida. Termina com uma citação de Ursula K. Le Guin, autora americana, que dizia que um adulto criativo é uma criança que sobreviveu – «The creative adult is the child who has survived».

Relativizar a literatura infantil e, principalmente, a literatura juvenil, sem lhe dar o devido crédito como literatura genuína, de qualidade, que mereça uma atenção tão relevante e cuidada como qualquer outra, só prejudica o saudável crescimento intelectual e criativo das crianças, dos jovens e, curiosamente, dos próprios adultos.

O artigo completo pode ser lido aqui.

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