Monthly Archives: Junho 2014

Ler mal

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Pode-se ler mal um livro? Será uma criança ou um adolescente capaz de examinar por si um texto e retirar das suas profundezas algo mais do que apenas aquilo que está à superfície? Num blogue no qual tropecei enquanto fazia as minhas pesquisas na Internet, uma leitora expôs num artigo a sua preocupação com o facto de achar que lê mal os livros, que os outros conseguem retirar deles analogias e referências que ela não consegue por fazer uma leitura completamente distinta. Tudo dependerá do livro que se lê, é certo, mas parece-me uma questão muito pertinente.

Na adolescência sofri da mesma ansiedade. Nas aulas de português, sempre que se analisava um texto, tinha muita dificuldade em interpretá-lo segundo os parâmetros fornecidos pela professora ou pelo manual escolar. Não havia uma grande liberdade ou compreensão por visões diferentes, pelo que me sentia limitada e pouco à vontade para expor as minhas ideias. Por fim, veio a desmotivação. Para que as notas não sofressem com isso, deixei as minhas próprias interpretações de lado. Talvez seja por esse motivo que tenha lido tão pouca literatura nos tempos da escola, principalmente no secundário. Por outro lado, foi nesses anos que mais produzi ao nível da escrita. Tenho textos e textos e poemas às dezenas, escritos nessa altura.

Será então possível que muitos leitores jovens se afastem da leitura por acreditarem que «leem mal»? Por não lerem os livros como os professores, educadores ou outros tencionam que eles sejam lidos?

Como se pode decidir se uma criança está certa ou não na sua interpretação se, apesar de não ser aquilo que se esperava, for ainda assim válida? Como se poderá estimular o pensamento crítico e a criatividade nas crianças, sem com isso tornar demasiado dispersos os parâmetros que determinam a interpretação correta de um texto? Não creio que haverá uma única resposta certa.

O artigo que referi pode ser lido aqui.

 

«Os pais preocupam-se de mais com o que os filhos leem»

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Esta é uma afirmação proferida por Judy Blum, autora americana best-seller de livros para jovens, com mais de oitenta milhões de exemplares vendidos. Numa reportagem do jornal The Telegraph, a escritora diz ainda que todas as crianças possuem um «censor interno» que as levará a evitar ler aquilo que as fizer sentirem-se desconfortáveis.

Judy Blum chegou a ver alguns dos seus livros serem banidos das bibliotecas, nos anos 1980, por abordarem temas considerados chocantes, relacionados com o sexo na adolescência, o racismo, o divórcio e o bullying, por exemplo.

Quando conversa com os seus jovens leitores, a autora diz sempre: «Vão e leiam à vontade. Leiam aquilo de que gostarem.»

É sempre polémica a questão sobre aquilo que os pais devem evitar ou não que as crianças leiam. Preocupação de mais ou de menos nunca é, de modo nenhum, benéfico para ninguém. É sobretudo o bom-senso que deve guiar pais e educadores, tendo em conta a idade da criança ou do jovem, as suas habilitações, a sua personalidade. Contudo, é frequente esse bom-senso ser contaminado pelos seus próprios medos e preconceitos, acabando os pais por não deixarem os filhos defrontarem-se com leituras que poderão ser mais desafiantes, tanto no que diz respeito à linguagem, como ao conteúdo.

É preciso é que os pais ou educadores estejam atentos e disponíveis para conversarem com as suas crianças sobre aquilo elas leem. Seja aquilo que for.

 

Anunciado o vencedor do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce

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Chama-se Joana Margarida Pires Lopes, tem 30 anos, reside na Sertã e é professora.  De onde vêm as Bruxas?  é o título do conto com que venceu a 1.ª edição do Prémio de Literatura Infantil do Pingo Doce, na categoria de texto. O prémio, no valor monetário de 25 mil euros, será entregue à autora quando o livro for lançado em novembro. A primeira edição do concurso recebeu um total de 1500 contos, oriundos de tudo o país.

Notícia daqui.

Salão do livro infantil e juvenil a decorrer no Brasil

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A 16ª. edição do Salão FNLIJ do Livro (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) começou a 28 de maio e decorre até 8 de junho, no Rio de Janeiro. Argentina é o país convidado num evento que reúne autores, editores, ilustradores e outros profissionais ligados aos livros para a infância e a juventude. Mais sobre este evento aqui.

 

Planeta Tangerina publica novo livro de Ana Pessoa

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O novo livro de Ana Pessoa (autora de O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca, Planeta Tangerina, 2012) intitulado Supergigante, será lançado na coleção juvenil da Planeta Tangerina, 2 Passos e 1 Salto. A apresentação da obra está marcada para o dia 17 de julho, na Casa Independente (Largo do Intendente, Lisboa), e contará com a apresentação de Afonso Cruz. Com ilustrações de Bernardo Carvalho, este livro conta a história de Edgar. Sempre a correr «Edgar tropeça nas suas reflexões, nos almoços de família, nas gargalhadas dos amigos e nas longas conversas com Joana. À medida que avança, Edgar torna-se cada vez maior. A certa altura não cabe dentro do seu corpo. É um monstro. É uma explosão contínua». Poderá ler um excerto aqui.