Estará a leitura na sala de aula a estragar o prazer de ler?

por Catarina Araújo
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Frank Cottrell Boyce, escritor infantil e juvenil, conhecido pela obra Milhões (editado em Portugal pela Editorial Presença, em 2004), afirmou recentemente, num artigo escrito para o jornal The Guardian, que alguns métodos de ensino estão a poluir a experiência de leitura. O autor alerta que determinadas estratégias aplicadas para encorajar a literacia estão a afastar as crianças dos livros ao invés de as aproximar deles. Isto acontecerá devido a uma análise excessiva dos textos que retira o prazer da leitura. Cottrell Boyce explica que em vez de se deixar a criança apreciar a história, os professores muitas vezes interrompem o momento de leitura para dar indicações daquilo a que devem estar atentas para mais tarde realizarem diferentes exercícios. O autor acredita que isso afeta o gosto pela história que se está a ouvir ou a ler. Ele defende que «o prazer de ler é uma forma profunda e poderosa de atenção, uma espécie de pensamento lento». O escritor apoia ainda a leitura em voz alta, pois ela não tem de ser um ato solitário.

Promover o gosto pela leitura é pois o ponto de partida para a literacia. Se se não se fomentar esse prazer, então qualquer análise de uma história corre o risco de não se fixar e de a criança acabar por não refletir no texto por si, mas apenas com base em parâmetros fornecidos, o que esvazia toda a experiência de leitura.

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