Monthly Archives: Novembro 2014

Civilização lança coleção «Vício dos Livros»

Os clássicos da literatura são daqueles livros indispensáveis na estante de uma casa que se quer de leitores, sobretudo de bons leitores. Certamente a pensar nisso, a Civilização Editora lança uma nova coleção que «reúne um conjunto selecionado de obras de alguns dos autores mais consagrados da literatura mundial, de Tolstoi a Twain e Jack London.»

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Os primeiros quatro títulos lançados em novembro são A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, Anne dos Cabelos Ruivos, de Lucy Maud Montgomery, As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain, e O Apelo da Selva, de Jack London.

Com um design moderno e apelativo, que atrairá os leitores adolescentes, as capas apresentam tons escuros, com elementos que remetem para cada um dos títulos.

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Para 2015 já está prevista a publicação de As Aventuras de Huckleberry Finn, Ivan, O ToloMulherzinhasRobin dos BosquesMiguel, o Aprendiz de SapateiroAs Minas de Salomão (tradução e adaptação de Eça de Queirós) e O Príncipe e o Pobre.

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As escolhas de Natal de… Alexandra Martins

E por último, mas não menos especial, nesta nossa maratona de recomendações de presentes para o sapatinho, fica a lista para os leitores adolescentes, com títulos que vão do distópico, ao fantástico e ao realismo contemporâneo.

Esperamos que tenham gostado das obras escolhidas e desejamos que com esta ajudinha este Natal seja cheio de boas histórias.

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Maze Runner – Correr ou Morrer, de James Dashner, Editorial Presença

«Quando desperta, não sabe onde se encontra. Sons metálicos, a trepidação, um frio intenso. Sabe que o seu nome é Thomas, mas é tudo. Quando a caixa onde está para bruscamente e uma luz surge do teto que se abre, Thomas percebe que está num elevador e chegou a uma superfície desconhecida. Caras e vozes de rapazes, jovens adolescentes como ele, rodeiam-no, falando entre si. Puxam-no para fora e dão-lhe as boas vindas à Clareira. Mas no fim do seu primeiro dia naquele lugar, acontece algo inesperado – a chegada da primeira e única rapariga, Teresa. E ela traz uma mensagem que mudará todas as regras do jogo.»

Porquê? Este é um livro que me deixou sentadinha na beira da cadeira, prestes a roer as unhas e a fazer voar as páginas tal a velocidade com que as virava. Tão intenso e viciante, mas ao mesmo tempo fluido e leve, permite-nos uma leitura rápida, sem enrolar e sem complicar. Ao mesmo tempo, por ser um livro cuja personagem principal é um rapaz, não se perde demasiado tempo em contemplações sentimentais, o que ajuda a acelerar o ritmo da narrativa. Ideal para oferecer no sapatinho dos rapazes adolescentes que gostam de ação e aventura.

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Quando a Neve Cai, de John Green, Lauren Myracle e Maureen Johnson, TOPSeller

«Numa cidade isolada por uma das maiores tempestades de neve dos últimos cinquenta anos, três histórias, oito raparigas e rapazes e mais uns quantos caminhos vão cruzar-se num romance brilhante, mágico e divertido, a que não faltarão fragmentos de amor, laços de amizade, uma maratona de filmes do James Bond e beijos muito apaixonados.
Um livro perfeito para quem gosta de histórias de amor e aventura.»

Porquê? Este livro, escrito a três mãos, tem tudo para ser um sucesso como prenda de Natal. Tem romance, aventura, personagens cativantes e, acima de tudo, um espírito muito natalício. Para não dizer que foi escrito por três dos mais bem-sucedidos autores de literatura young adult dos últimos anos. São três contos curtos, mas cujos cenários e personagens se interligam, transformando três histórias diferentes numa leitura única e muito reconfortante neste tempo frio de inverno, mesmo sem haver neve a cair.

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A primeira regra dos feiticeiros, de Terry Goodkind, Porto Editora

«Richard Cypher é um jovem guia em Hartland, à procura de respostas para o assassinato brutal do pai. Na floresta onde se refugia, encontra uma mulher misteriosa, Kahlan Amnell, que precisa da sua ajuda para fugir aos sequazes do temível Darken Rahl, governante de D’Hara, praticante da mais temível magia negra e um homem ávido por vingança.
Num golpe de verdadeira magia, Richard passa a deter nas suas mãos o destino de três nações e, sobretudo, da própria humanidade. O seu mundo, as suas crenças e a sua própria essência serão abalados e testados, à medida que Richard lida com amigos e inimigos, com a crueldade extrema e a compaixão dedicada, experimentando a paixão, o amor e a raiva, e o seu impacto na missão que lhe é imposta: ser aquele que procura a verdade.»

Porquê? Este livro é um regresso à fantasia pura: um mundo novo, criaturas estranhas, magia, personagens que nos mostram os valores da amizade, da coragem e da integridade. Apesar de não estar catalogado como young adult, é um livro perfeito para jovens que querem dar os primeiros passos no mundo da high fantasy, com uma história linear e pouco complexa, que facilmente encaixa as personagens nas categorias do Bem e do Mal e que nos apresenta um herói puro e verdadeiro, como tem havido pouco na literatura recente.

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A prova do ferro, de Holly Black e Cassandra Clare, Editorial Planeta

«A maior parte dos miúdos faria qualquer coisa para passar na Prova do Ferro. Mas não Callum Hunt. O pai ensinou-o a desconfiar da magia e explicou-lhe que o Magisterium, a escola onde os aprendizes de Magos são treinados, é uma armadilha fatal. Callum tenta fazer o seu melhor para ser o pior de todos os candidatos – mas não consegue falhar. Superada a Prova do Ferro, não lhe resta outra opção, senão entrar para o primeiro de cinco anos de aprendizagem no Magisterium. A Prova do Ferro foi apenas o início, porque o verdadeiro teste ainda está para vir…»

Porquê? Mais um livro cuja autoria é partilhada. A prova do ferro é o primeiro dos cinco volumes que perfazem a saga Magisterium, sendo que cada livro representa um ano na vida do nosso herói Callum Hunt (dos 12 aos 17). Uma saga a fazer lembrar Harry Potter, com algumas similaridades também, mas que tem a sua própria originalidade e que volta a chamar a atenção de um público que começa antes dos dez anos e vai até aos 80. O próximo livro da série chegará a nós em 2015.

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Quando éramos mentirosos, de E. Lockhart, ASA

«E se alguém lhe perguntar como acabar este livro… MINTA. A família Sinclair parece perfeita. Ninguém falha, levanta a voz ou cai no ridículo. Os Sinclair são atléticos, atraentes e felizes. A sua fortuna é antiga. Os seus verões são passados numa ilha privada, onde se reúnem todos os anos sem exceção. É sob o encantamento da ilha que Cadence, a mais jovem herdeira da fortuna familiar, comete um erro: apaixona-se desesperadamente. Cadence é brilhante, mas secretamente frágil e atormentada. Gat é determinado, mas abertamente impetuoso e inconveniente. A relação de ambos põe em causa as rígidas normas do clã. E isso simplesmente não pode acontecer. Os Sinclair parecem ter tudo. E têm, de facto. Têm segredos. Escondem tragédias. Vivem mentiras. E a maior de todas as mentiras é tão intolerável que não pode ser revelada. Nem mesmo a si.»

Porquê? Um livro diferente e inesperado, com capítulos curtos e muitos diálogos a tornarem a leitura rápida e fluida, ao mesmo tempo que as intrigas familiares e o mistério que rodeia a narrativa prendem os leitores às páginas do livro. O tom juvenil da narração, no início, rapidamente é substituído por um tom mais sombrio à medida que nos aproximamos de um desfecho muito emocionante, que prova o indubitável talento da autora. Um livro a não perder!

Vem aí mais uma adaptação ao cinema de «Peter Pan»

Não será bem uma adaptação, mas uma «prequela», como se costumam chamar às histórias que se passam antes da história principal. Em Pan, realizado por Joe Wright (Orgulho e Preconceito, 2005; Ana Karenina, 2011), ficaremos a saber como é que Peter chegou à Terra do Nunca e como se tornou no Pan. O filme conta com as participações de Hugh Jackman, Rooney Mara, e Levi Miller, que interpreta Peter Pan. A data de estreia prevista para Portugal é 16 de julho de 2015. Ainda falta muito, mas fica já aqui o trailer.

As escolhas de Natal de… Catarina Araújo

É quinta-feira, penúltimo dia, penúltima lista de sugestões de livros para oferecer no Natal. Um livro é um presente que se pode desembrulhar várias vezes e de várias maneiras, porque não é só tirar o papel de embrulho e já está. É preciso abri-lo, explorá-lo, descobrir-se lá dentro, como poderão verificar pelos títulos sugeridos.

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Poemas da Horta e Outras Verduras, Manuela Leitão e Marta Monteiro, Máquina de Voar

«Será que podemos fazer ou, mesmo, ler poemas sobre um nabo ou uma abóbora-menina?… Claro que sim. Aqui, acima de tudo, brinca-se. Com palavras, com poemas, com histórias. Por acaso — ou não será assim tão por acaso? —, as personagens são da horta, mas poderiam ser outras. E até tu podias entrar neste livro… ou eu, ou os teus amigos ou os meus vizinhos. Com tudo o que nos define. Com as nossas alegrias e tristezas, com as nossas qualidades e defeitos, com os nossos desejos e os nossos sonhos. São, sobretudo, pequenas histórias que acontecem todos os dias. Para as descobrires, só tens de estar atento… e ter alma de poeta!»

Porquê? Poesia e verduras, tudo num, transformando a horta num espaço de descoberta através da rima. Um livro que convida à leitura conjunta, a momentos de cumplicidade entre pais e filhos, que tem algo a ensinar, muito mais do que apenas versos.

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Lá Fora, de Maria Ana Peixe Dias, Inês Teixeira do Rosário e Bernardo P. Carvalho, Planeta Tangerina

«Mesmo que moremos numa grande cidade, existe sempre natureza lá fora: nuvens e estrelas, árvores e flores, rochas e praias, aves, répteis ou mamíferos.  O que esperamos então? Saltemos do sofá e iniciemos a exploração! Criado com a colaboração de uma equipa de especialistas portugueses, este livro pretende despertar a curiosidade sobre a fauna, a flora e outros aspetos do mundo natural que podem ser observados em Portugal. Inclui também propostas de atividades e muitas ilustrações, para ajudar toda a família a ganhar balanço, sair de casa e descobrir – ou simplesmente contemplar – todo o mundo incrível que existe “Lá fora”.»

Por que razão? Um verdadeiro guia que convida à exploração, à descoberta e ao questionamento, numa edição cuidada, cheia de pormenores cativantes, com informação útil, sem ser demasiado expositiva ou maçuda. Um livro que mal fechamos, queremos voltar a abrir, mas não sem antes ir passear um bocadinho com as crianças e ver de perto todas aquelas coisas divertidas e interessantes que se descobriram «lá dentro».

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Milagre, de R.J. Palacio, ASA

«August nasceu com uma deficiência genética que faz com que o seu rosto seja completamente deformado. Quando nasceu os médicos não tinham esperança de que sobrevivesse, mas sobreviveu. Vários anos e muitas cirurgias depois, August vai, aos 10 anos, enfrentar o maior desfio da sua vida. A escola. Contado a várias vozes, é uma história emotiva das dificuldades que tem de superar uma criança com uma terrível deformação e um relato do milagre que é a vida.»

Pourquoi? É um livro que desperta para a crueza do preconceito e que ajuda a compreender os diferentes pontos de vista de quem lida com alguém «diferente», encorajando o leitor a não ser tão duro consigo próprio e com os outros, e a ser mais tolerante. Aprendemos também que os gestos mais pequenos podem ter um grande significado. Perfeito para abrir os horizontes, tanto de crianças, como de adultos.

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Pippi das Meias Altas, de Astrid Lindgren, Booksmile

«A Pippi das Meias Altas está de volta, e continua engraçada, arisca e incrivelmente forte!
O Tomás e a Anita estão fascinados pela sua nova vizinha, que vive sozinha, acompanhada apenas do seu cavalo de estimação e de um macaco, o Senhor Nelson. Os dois irmãos rapidamente percebem que ela é uma menina mesmo peculiar: ninguém lhe diz o que deve fazer, está sempre metida em sarilhos e peripécias, faz os seus próprios biscoitos e é mais forte do que qualquer outra pessoa do mundo. Ela é a Pippi das Meias Altas. Vais adorar conhecê-la e viver as suas aventuras extraordinárias! A acompanhar o texto original, estão as soberbas ilustrações da premiada artista Lauren Child.»

Warum? Os miúdos vão divertir-se muito com esta história, pois mostra, por um lado, como é bom brincar, sem levar a vida demasiado a sério, mas por outro, como é importante ter uma família que cuida, que dá amor, carinho e estrutura.

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Mary Poppins, de P. L. Travers, ilustrações de Susana Oliveira, Relógio D’Água

«Jane e Michael não gostavam da sua antiga ama. Também não tinham a certeza de ir gostar da nova: Mary Poppins. Rapidamente mudaram de ideias quando a viram deslizar pelo corrimão acima – e retirar de seguida várias coisas empolgantes de um saco de alcatifa vazio. Agora a única preocupação deles é que ela não parta, pois Mary Poppins apenas prometeu ficar “até que os ventos mudem”.»

¿Por qué? Trata-se de um clássico, que teve uma adaptação ao cinema pela Disney, com Julie Andrews no papel principal. É um passeio pela fantasia enquanto transmite uma mensagem sobre a família e de como é importante não esquecer que os momentos mais significativos são aqueles em convivemos com as pessoas que mais amamos. 

Presença publica livro infantil do Nobel de Literatura 2014

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O único livro infantil escrito por Patrick Modiano, vencedor do Prémio Nobel de Literatura, em 2014, intitula-se A História de Catherine e será publicado pela Editorial Presença no próximo dia 4 de dezembro. As ilustrações são de Sempé.

«Tal como o seu pai, a pequena Catherine usa óculos. E tal como a mãe, que vive em Nova Iorque, gostaria de vir a ser uma grande bailarina. E porque tem de tirar os óculos para dançar, Catherine descobre a vantagem de poder viver em dois mundos diferentes: o mundo real, assim como ela o vê quando tem os óculos postos, e um mundo pleno de doçura, vago e suave, quando os tira. Um mundo onde dança como num sonho…»

Via revista Visão.

As escolhas de Natal de… Andreia Rasga

Oferecer livros, a gente de qualquer idade, é dar muito mais do que um conjunto de folhas de papel protegidas por uma capa. É dar a oportunidade de inventar, de ir longe, de viver mais, de saber outras e diferentes coisas.

Assim, estas são as minhas sugestões natalícias:

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O Meu nome é…, de Rita Correia, Edição de Autor

«Um livro/mapa, que esconde várias pistas durante a caminhada (leitura e imagem), onde alguns chegarão à solução mais rápido do que outros, mas todos terão vontade de repetir o percurso, mesmo depois do verdadeiro “nome tesouro” ter sido descoberto.»

A autora e ilustradora Rita Correia oferece-nos um livro que é também um enigma. Página a página somos convidados a viajar por um mundo pintado em tons de verde, recolhendo as nove letras que compõem a misteriosa palavra que completa o título.

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Charlie e a Fábrica de Chocolate, de Roald Dahl, Civilização Editora

«Charlie Bucket adora chocolate. E o Sr. Willy Wonka, o mais prodigioso inventor do mundo, vai abrir as portas da sua maravilhosa fábrica de chocolate a cinco crianças sortudas. É o melhor prémio do mundo!  Rebuçados cintilantes, gulodices sinuosas e um rio de chocolate derretido esperam por eles. Se Charlie conseguir um Bilhete Dourado, estas guloseimas deliciosas podem ser todas suas.»

Escrito em 1964, este clássico de Roald Dahl reúne todos os ingredientes para se tornar um vício: personagens bizarras, momentos hilariantes, desfechos inesperados e a busca de um menino por um sonho. Um livro intemporal e obrigatório!

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Toda a Mafalda, de Quino, Verbo

A contestatária Mafaldinha de Quino tem atravessado gerações sem perder força, convicção e pertinência… tudo aliado a boas risadas. A nova edição da Verbo comemora os 50 anos da personagem e traz alguns extras: artigos de opinião e informação que ajuda a contextualizar a personagem e os acontecimentos históricos que a Argentina e o Mundo atravessaram na época. Contudo, as tiras da Mafalda e amigos encaixam na perfeição neste tempo e em qualquer ponto do mundo.

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Herberto, de Lara Hawthorne, Bruaá

Para mim este livro é a grande edição de 2014 na área infantil. Na verdade, ele atravessa idades, sexos, formações e informações, para falar de algo tão simples e negligenciado: como todos nós temos um talento só nosso e como ele pode ser revelado quando menos esperamos. Um livro tão bonito, por dentro e por fora, que nos guia, acompanhados pela lesma Herberto, por um jardim de luz e esperança. A guardar na mesa-de-cabeceira, por gente pequena e adulta, para abrir nos dias mais incertos, quando falha quase tudo.

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Esta é a sugestão do Tiago:

Greve, de Catarina Sobral, Orfeu Negro

Justifica o Tiago: «porque o livro é muito giro e fala sobre os vários pontos que existem no mundo. Como por exemplo, os pontos cardeais, pontos de exclamação, de interrogação, finais, pontos de vista… Assim vocês vão descobrir como é que chegámos a este ponto».

Antes de dormir a Mãe e o Tiago leram…

A minha professora é um monstro, de Peter Brown.
por Andreia Rasga

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O Tiago reconheceu o livro logo que entrámos na livraria, porque um amigo da escola já lhe tinha falado sobre ele. Pegou nele e pediu-o insistentemente. Mãe que é mãe e que adora livros não resiste a tal pedido e, assim, a leitura daquela noite estava decidida.

Todas as noites a Mãe e o Tiago leem juntos antes de dormir. Agora que começa a ficar frio, embrulhamo-nos no edredão azul, cada um na sua almofada, e disputamos à vez quem muda a página. O combinado é «meio-meio»: eu leio um capítulo e o Tiago lê outro ou, nos livros com pouco texto, eu leio uma página e o Tiago lê outra.

Naquela noite, a Mãe demorou uns minutos a chegar ao seu lugar na cama do Tiago e, quando pegou no livro para começar a leitura, ele disse a rir: «Já o li todo uma vez!».

Então, agora era eu. Enquanto eu lia, o Tiago chamava-me a atenção para os pormenores: «Vê Mãe, a professora Lurdes aqui é um monstro verde, mas mais para a frente já é uma senhora simpática… e vê bem o fim!».

Na história a Dona Lurdes é uma professora irritadiça que não permite aviões de papel na sala de aula e que grita, todos os dias, com o Frederico. Os problemas do Frederico têm um nome: Dona Lurdes! No entanto, a história muda de cenário e a Dona Lurdes muda de figura quando aluno e professora se encontram fora da escola, no parque. Aí o Frederico é o salvador do chapéu preferido da sua professora e juntos admiram a paisagem do sítio que o menino mais gosta em todo o parque. A grande surpresa acontece aí mesmo, quando é a própria Dona Lurdes a propor ao Frederico para, dali de cima, fazerem voar um avião de papel!

Segundo o que o Tiago me disse, no final da leitura, ele gostou do livro «porque todos nós temos uma professora que é um monstro». Eu fiquei muito admirada com tal remate. Até porque a professora do Tiago tem muito pouco de monstruoso, mas o meu rapaz explicou-me melhor: «Esta história quer-nos dizer que as professoras podem ser um bocadinho refilonas nas aulas, mas são queridas».

Aí a coisa fez mais sentido para mim e o Tiago resumiu tudo: «Este livro é muito bom para nós lermos porque fala de um menino que não gostava muito da professora. Depois, ao conhecer a professora melhor noutro sítio sem ser nas aulas, ele começou a gostar mais dela e a entendê-la, percebendo que ela só queria o melhor para ele e para todos os outros meninos».

De 1 a 5, o Tiago deu 5 estrelas ao livro daquela noite. Não pensem que ele é um rapaz exagerado ou que os seus 9 anos de idade lhe dão pouco sentido crítico, no que diz respeito a leituras. Aguardem até à próxima história e verão.

Sobre a autora:

Andreia Rasga é editora de livros das mais diversas temáticas e para todas as faixas etárias. Licenciou-se em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas. Desde muito jovem trabalhou em vários órgãos de imprensa e rádio. É ainda autora e formadora do Workshop «Fazer um Livro. Da Ideia ao Papel» e «Escrevi um livro. Da gaveta à publicação». Mais informações em www.facebook.com/FAZERUMLIVRO.

As escolhas de Natal de… Cristina Dionísio

Aqui fica mais uma lista de recomendações de presentes para o Natal, desta vez para os leitores juvenis. As escolhas são de Cristina Dionísio.

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George e o Big Bang, de Stephen Hawking e Lucy Hawking, Editorial Presença

Viaja pelo universo com George e descobre… Como conduzir um veículo lunar; O que fazer quando viajas até Andrómeda; E o que aconteceu meras frações de segundo após o Big Bang. Uma aventura trepidante, recheada de factos reais sobre o espaço e o cosmos, de Lucy Hawking e Stephen Hawking, génio da ciência intergaláctica!

Depois de A Chave Secreta para o Universo e Caça ao Tesouro no Espaço, Stephen Hawking, o mais importante físico da actualidade, em parceria com a sua filha Lucy, leva os pequenos leitores numa viagem através do Big Bang. Intercalando as aventuras de George e do seu porquinho, encontramos também ensaios científicos adaptados para uma linguagem acessível aos pequenos leitores curiosos. Contém ainda mais de 30 imagens a cores do espaço e do sistema solar.

 

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As Aventuras de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, Robert Dunn (ilus.), Girassol

Esta edição do clássico de Lewis Carroll, que dispensa apresentações, conta com belíssimas ilustrações a cores da autoria de Robert Dunn.

 

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Oliver e as Perucas do Mar, de Philip Reeve, Sarah McIntyre (ilust.), Zero a Oito

Os pais de Oliver desaparecem e, para os encontrar, o rapaz parte numa viagem cheia de emoção, acompanhado pelos seus novos amigos: um velho albatroz e uma sereia um bocadinho míope — ok, bastante míope. Se a isto juntarmos uma ilha amistosa, então a aventura é certa.

Com divertidas ilustrações de Sarah McIntyre, Oliver e as Perucas do Mar fará garantidamente as delícias de jovens aventureiros.

 

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Os Desastres de Sofia, de Condessa de Ségur, Oficina do Livro

A Sofia acha que a sua boneca de cera está pálida e com frio. Por isso, põe-na ao sol e… ela derrete-se. Sofia chora, mas nem tudo está perdido porque ela se lembra de convidar as amigas para o divertido enterro da boneca! A Sofia quer brincar com os seus peixes vermelhos e… acaba por deixá-los morrer! E quando tenta ser uma menina bonita, faz um chá para os seus primos… com giz e água do cão. Fica de castigo! Mas a mãe tem razão: ela é uma menina boazinha, tudo isto não passa de uma série de peripécias que mais não são do que Os Desastres de Sofia.

Escrito no século XIX, este é um clássico da literatura infanto-juvenil que tem marcado sucessivas gerações. Todos nós crescemos com as histórias deliciosas da Condessa de Ségur, sendo esta a mais marcante de todas. Mais do que uma leitura para crianças traquinas e adolescentes, esta é também uma oportunidade de os pais se reencontrarem com uma parte da sua infância.

 

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Se disser que te amo, vou ter de te matar (As miúdas de gallagher #1), de Ally Carter, Booksmile

«O Colégio Gallagher (para Raparigas Excecionais) parece, à primeira vista, uma escola típica, onde as adolescentes se  preocupam em combinar a cor da mala com o top que vão usar, e suspiram quando um professor giro lhes sorri. Isso até é verdade, mas o que o comum dos mortais desconhece é que nas suas malas levam câmaras ocultas e o tal professor giro dá aulas de Preparação para Missões Secretas. O Colégio garante que forma os maiores génios do país, mas na realidade é a melhor e mais conceituada escola de espias e agentes secretas.
Cammie Morgan (ou Camaleão, como gostam de lhe chamar) é uma das miúdas de Gallagher. Passou para o segundo ano do curso e pode dizer-se que é uma ótima aluna: é fluente em catorze línguas e capaz de matar um inimigo de sete maneiras diferentes (uma das quais apenas com esparguete cru). Mas ela é também uma adolescente. E no momento em que conhece um rapaz da cidade, que nunca poderá saber quem ela é na realidade, percebe que há questões para as quais o Colégio não a preparou.  Cammie está prestes a enfrentar a missão mais perigosa de sempre: apaixonar-se! Será que está preparada?»

Nesta escola, as Miúdas de Gallagher, de Ally Carter, lidam com os problemas de todas as adolescentes, e que servem de base a muita da literatura juvenil vocacionada para as raparigas: necessidade de aceitação, afirmação na escola… e rapazes, claro. No entanto, esta é uma escola especial: uma escola para agentes secretas e espias, que eleva as peripécias a um outro nível e que é uma autêntica lufada de ar fresco no meio das muitas séries que têm por pano de fundo a vida escolar.

Livros ilustrados que parecem mágicos

Todos nos lembramos daqueles livros pop-up em que puxávamos uma patilha e os bonecos mexiam-se ou portas abriam-se para revelar segredos escondidos. Também nos recordamos daquilo que aprendemos na escola sobre animação em que se desenhava uma figura num bloco papel e depois repetíamos o desenho em várias folhas, mas ligeiramente diferente, e ao correr as páginas a grande velocidade dava a sensação de que o nosso boneco estava a mover-se.

Um artista japonês chamado Mou Hitotsu no Kenkyujo reinventou o flip book usando espaços negativos e ilustração. O resultado é algo maravilhoso e irresistível. Os livros também podem ser objetos de arte.

Mais sobre estes livrinhos aqui.

As escolhas de Natal de… Ana Ramalhete

Falta um mês para o Natal e achamos que os melhores presentes para pôr nos sapatinhos dos mais pequenos, e também dos maiorzinhos, são livros, livros e mais livros. Com isso em mente, e porque às vezes é difícil saber o que escolher no meio de tanta oferta, resolvemos dar uma ajudinha. Ao longo desta semana será publicada uma lista de cada uma das redatoras da revista Fábulas com as suas recomendações de livros para oferecer neste Natal. Ana Ramalhete revela aqui as suas escolhas na categoria de Infantil.

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Dentes de rato, de Agustina Bessa-Luís, Ilustrações de Martim Lapa, Guimarães Editores

Dentes de rato conta a história da vida de Lourença, dos seis aos nove anos, passada no Douro com a sua família. A escola, as férias, os lugares, as leituras, as aventuras e as fantasias acompanham o seu crescimento interior e exterior e levam-na à descoberta de vários mundos: os reais e os imaginados.

Esta narrativa inspirada nas vivências de Agustina Bessa-Luís enquanto criança, espelha a própria infância, nas suas diversas vertentes: física, psíquica, imaginativa, emocional e poética, que decorre num tempo vertiginoso em que tudo pode acontecer.

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 O pássaro da cabeça, de Manuel António Pina, Imagens de Ilda David, Assírio e Alvim

Este livro inclui os poemas de Manuel António Pina que integram as edições originais das obras O pássaro da cabeça, Gigões e anantes e O têpluquê, editadas pela Regra do Jogo. O autor parte dos contrários, transforma-os em jogos de palavras e apropria-se do seu significado dando-lhes um novo sentido, como se tivessem vida própria e sofressem mudanças intrínsecas.

Nestes poemas singulares, plenos de originalidade e criatividade, nada é estático ou permanente, tudo se encontra em processo de transformação dinâmica entre o que é e o que não é, o que há e o que não há. A terna desconstrução da realidade leva-nos até um mundo às avessas que parece fazer todo o sentido.

perfumeO perfume do sonho, na tarde, de Luísa Dacosta, Ilustrações de cristina Valadas, ASA

Numa tarde de sábado, debaixo de uma árvore, uma menina, acompanhada do seu gato, deixa-se envolver no sono e entra no mundo do sonho. Aí vive e imagina aventuras desencadeadas pelos seus vestidos mágicos, guardados numa arca encantada. Quando o sol se põe e o gato reclama comida, guarda os fatos que não usou, fecha o baú dos sonhos e corre para casa.

Uma prosa poética construída a partir de aguarelas de Cristina Valadas, perfumada de intertextualidades que vão desde as histórias de As mil e uma noites até aos contos de Hans Christian Andersen. Uma bela simbiose entre texto e imagem.

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Tudo é sempre outra coisa, de João Pedro Mésseder, Ilustrações de Rachel Caiano, Editorial Caminho

Pela prosa do poeta percorremos um caminho separado por uma linha que divide dois mundos aparentemente díspares mas no fundo complementares. Em tudo há sempre outra coisa. Há o lado de cá e o lado de lá, o lado de dentro e o lado de fora, o lado de cima e o lado de baixo.

Neste livro, podemos começar pelo princípio ou pelo fim, podemos ler primeiro a ultima frase de uma página ou a primeira de outra. Podemos pensar ou sentir, ler ou ver, de uma maneira ou de outra. Podemos procurar a prosa e encontrar a poesia, esperar uma resposta e descobrir uma pergunta. Numa coisa há sempre outra coisa.

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O paraíso são os outros, de Valter Hugo Mãe, Ilustrações de Esgar Acelerado, Porto Editora

Uma menina divaga sobre a vivência entre casais, sejam pessoas ou animais. Embora não compreenda totalmente o comportamento afectivo dos adultos, homens ou bichos, também espera, um dia, encontrar felicidade no amor. E até já descobriu que «o amor precisa de ser uma solução, não um problema».

Com esta história, Valter Hugo Mãe faz-nos sentir como é importante o amor, construí-lo, procurá-lo, vivê-lo… e ajuda-nos a perceber como é fundamental ter esperança, saber fintar a solidão e ter tempo para aprender «que amar é um trabalho bom».