Monthly Archives: Dezembro 2014

Um 2015 cheio de boas histórias

ReadingClub

Fecha-se 2014 e fazem-se balanços. A revista Fábulas deu este ano um valente salto e abriu as asas na sua missão de divulgar a literatura infantil e juvenil aos leitores portugueses e leitores de língua portuguesa espalhados pelo mundo.

Inauguramos 2015 com 548 seguidores no facebook, 69 subscritores por e-mail, tendo ultrapassado já a barreira das 27 000 visitas. O artigo mais popular foi Cinco truques para pôr o seu filho a devorar livros com mais de 3000 partilhas, seguido do artigo sobre a Livraria Fadas, Bruxas e Dragões e um da autoria de Ana Ramalhete, Contos tecidos – Os livros de pano da Bru Junça.

Publicaram-se no total quase 350 artigos que receberam visitantes de todas as partes do mundo desde Portugal, claro, ao Brasil, aos Estados Unidos da América, a França, a Espanha, a Índia, a Rússia e a Austrália e até a Tailândia e as Filipinas.

De um passámos a sete colaboradores, que contribuem de formas variadas, com artigos, passatempos e ilustrações, como as Fábulas Cruzadas e as Fábulas para os meus olhos.

Esperamos em 2015 continuar a missão de divulgar a leitura e os livros, de conquistar leitores, de contar boas histórias, de expandir horizontes, e assim contribuir um pouco para a literacia, para o gosto de ler, especialmente entre as crianças em idade escolar.

Desejamos a todos os nossos leitores um feliz 2015, cheio de boas histórias para ler e contar. Nós cá estaremos, bem atentos!

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Editora TOPSELLER publica «Girl Online» em 2015

Zoella, nome artístico, é um fenómeno do You Tube, com um canal seguido por milhões de adolescentes que procuram dicas sobre moda ou sobre outros assuntos mais ou menos sérios. Recentemente a vlogger (palavra que resulta da junção de vídeo com bloguer), cujo nome verdadeiro é Zoe Sugg, lançou um livro destinado aos adolescentes, intitulado Girl Online. 

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O livro tem chamado a atenção por diversos motivos. Em primeiro lugar por ter vendido cerca de oitenta mil exemplares na primeira semana, um feito inédito para um novo autor. Em segundo lugar, porque não foi escrito por Zoe Sugg, mas por um escritor fantasma. A polémica em torno deste último facto deixou muitos leitores desapontados e provocou uma onda de contestação. Tanto Zoe como a editora, a Penguin Random House, já admitiram que o livro foi redigido por uma escritora fantasma chamada Siobhan Curran, mas salvaguardaram que as ideias e as personagens são da autoria de Zoe. Ainda assim, não conseguiram evitar as críticas por a jovem não ter sido mais transparente quanto ao tipo de ajuda que estava a receber na criação da sua primeira obra, escrita em apenas seis semanas. Mas há quem defenda a jovem vlogger e apele ao bom-senso.

Entretanto, a editora TOPSELLER anunciou na sua página de facebook a publicação da tradução portuguesa para março de 2015, com a promessa de tentar trazer Zoe a Portugal para o lançamento.

A ilha de todas as mentiras

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por Catarina Araújo

Cadence Sinclair pertence a uma família privilegiada que se esforça por exibir classe e defender os altos valores tradicionais. São todos lindos, loiros e atléticos. «Ninguém é criminoso», «Ninguém é viciado», «Ninguém é um fracasso», são as frases repetidas pela narradora, Cady, e com que os Sinclair se descrevem orgulhosamente, ostentando ainda lemas como «Nunca aceites um não como resposta» ou «Faz aquilo de que tens medo», como se fossem slogans essenciais para se atingir o estatuto de nobreza americana.

Todos os verões, a família Sinclair instala-se em Beechwood, a ilha privada do patriarca, perto de Martha’s Vineyard. Nessa ilha existe a casa principal, uma casa para os empregados, várias docas, praias e campos de ténis, e casas para as três filhas, Carrie, Penny e Bess. Cady é filha de Penny, e como primeira neta, suposta herdeira da ilha e da fortuna.

As três irmãs lutam entre elas pela atenção e pela fortuna do pai Harris, que está cada vez mais demente, após a morte da esposa, Tipper. Atormentadas pelos seus fracassos pessoais, entregam-se à bebida e à autocomiseração. As crianças mais pequenas apercebem-se do que se passa, mas vivem a sua inocência, enquanto as mais velhas sentem vontade de se rebelar, de se libertar dos lemas opressivos da família Sinclair.

É pois em Beechwood que se concentra a história efabulada dos «Mentirosos», um grupo composto pelos primos adolescentes Cady, Johnny, Mirren e por Gat Patil. Este último é sobrinho do namorado da tia Carrie. É um rapaz indiano, descrito como alguém de fora (e nunca muito bem aceite pelo patriarca), mas por quem Cady está apaixonada.

Os primos observam as discussões familiares cada vez mais duras e carregadas de rancores antigos e temem que os Sinclair caminhem para a autodestruição, como nos contos de fadas, com que Cady intercala a sua história. Os «Mentirosos» congeminam então um plano para reunir toda a gente em torno de algo em comum, na esperança de uma redenção coletiva.

Entretanto Cady sofre um acidente que lhe provoca uma lesão no cérebro, deixando-a com enxaquecas crónicas e incapacitantes. Uma outra consequência do traumatismo é amnésia. Cady não se lembra de nada do que aconteceu nesse verão, quando tinha quinze anos.

Passados dois anos, Cady regressa para passar o verão em Beechwood e descobre que algo na ilha mudou. Porém, a mãe e as tias estão cada vez piores. Ninguém na família lhe explica o que aconteceu e parecem viver todos em estado de negação, movido pelo tal esforço dos Sinclair em manter as aparências. Algo que acaba por corroê-los por dentro, tanto os adultos, como as crianças. Aos poucos, Cady vai montando o puzzle de certos acontecimentos que marcaram esse verão.

Ao longo da leitura vamos dando conta que nada daquilo que parece é e mais ou menos a meio começamos a descortinar que algo trágico aconteceu. A autora consegue extrair da personagem principal as sensações e os sentimentos de confusão, de medo, de dor, que afloram à medida que ela se vai confrontando com uma realidade que não é de modo nenhum confiável. Não se compreende muito bem porque é que aquele grupo de adolescentes é chamado de «Mentirosos», não nos é dado um contexto, porém a nuvem que envolve a família é tão densa que dá para entender a política de omissão, de secretismo que reina entre os Sinclair.

O estilo de escrita de E. Lockhart, metafórico e recortado, não agradará a todos. Em certos momentos somos confrontados com uma cena inesperada, que só com releitura se conclui ser uma metáfora. Por vezes é difícil distinguir o metafórico do literal.  Este estilo é magistralmente conseguido por Jandy Nelson (The Sky Is Everywhere; I’ll Give You The Sun) e em parte também por Tahereh Mafi (Shatter Me). A execução nesta obra, todavia, é infeliz e perturba a fluidez da leitura, sem lhe conferir a poética desejada.

Em relação ao enredo, que daria «pano» para personagens memoráveis, acaba por ser dececionante nesse aspeto. A única personagem que é desenvolvida e que apresenta conteúdo, para além de Cady, é Gat, com quem ela vive um breve romance. Os primos Johnny e Mirren são-nos descritos com palavras soltas. As tias, ou estão a discutir a divisão das casas e dos bens, ou estão a beber, ou vagueiam fantasmagoricamente pela ilha. A mãe de Cady limita-se a dizer-lhe o quanto a ama e que ela tem de descobrir o que se passou por si. Manter estas personagens à distância poderá ser intencional, mas mais uma vez a execução não é feliz, porque não se chega a criar empatia pela família, nem pelo desfiar da sua história.

A história como um todo é efetivamente cativante e a autora sabe conduzir o leitor com perícia pelas memórias fragmentadas de uma narradora cuja perceção da realidade se encontra deturpada, devido à doença que a afeta, à sua idade, e ao facto de ser, afinal de contas, uma Sinclair. A sensação com que se fica no final é intensa e perdurará por algum tempo, mesmo depois de fechado o livro.

Título: Quando Éramos Mentirosos
Autor: E. Lockhart
Tradução: Elsa T. S. Vieira
Editor: Edições ASA

A origem secreta do Ursinho Pooh

Winnie-the-Pooh, ou Ursinho Pooh, como é por cá conhecido, é uma personagem incontornável do mundo Disney, com a sua cor amarela e a T-shirt vermelha e um apetite muito grande por mel.

As origens do Ursinho Pooh, porém, são literárias e recuam algumas décadas antes de a Disney ter realizado os primeiros desenhos-animados, tão conhecidos hoje.

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A personagem foi pois inventada por um escritor chamado A.A. Milne. A inspiração veio de um urso de peluche que pertencia ao filho, Christopher Robin Milne. Foi aliás o seu próprio filho que serviu de base para a personagem do menino, amigo de Pooh, o Christopher Robin. O nome, Winnie-the-Pooh, foi retirado de dois sítios diferentes – Winnie era o nome de um urso preto americano do jardim zoológico que pai e filho costumavam visitar, e Pooh, era um cisne de um lago que também visitavam com regularidade.

O primeiro livro em que Pooh aparece pela primeira vez foi lançado em 1924, com o título When We Were Very Young. O primeiro a tê-lo como protagonista foi Winnie-the-Pooh, publicado dois anos depois, com ilustrações de E. H. Shepard.

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O sucesso foi de tal forma grande que em 1930, um senhor chamado Stephen Slesinger, comprou a Milne os direitos para cinema e comercialização. Quase dois anos depois, Pooh já era um negócio de 50 milhões de dólares.

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O primeiro filme animado do Ursinho Pooh, produzido pela Disney, estreou no cinema em 1977, lançando a imagem da personagem como ela é conhecida hoje.

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Em Portugal, podemos encontrar o livro de A.A. Milne nas livrarias, com o título Puff e os Seus Amigos, publicado pela editora Relógio D’Água, com ilustrações do autor.

«Irmão Lobo» é um dos melhores do ano na Colômbia

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A Planeta Tangerina reportou há dias que a edição colombiana de Irmão Lobo, de Carla Maia de Almeida, com ilustrações de António Jorge Gonçalves, foi escolhida pela revista cultural Arcadia, daquele país, como um dos melhores livros de 2014.  A tradução é de Jerónimo Pizarro. Sem dúvida nenhuma que são muito boas notícias para a literatura infantil e juvenil portuguesa.

Mais informações aqui.

Títulos natalícios

por Catarina Araújo

Nesta altura do ano é o cheirinho a canela pela casa, o odor a lenha queimada no ar, é canções com sininhos a dançar nos ouvidos, é estrelas no topo do pinheiro, o cintilar de luzes coloridas. Tudo aquilo que nos leve a entrar no espírito da época. Pois também há livros que podem ajudar a incorporar esse espírito que nos reúne à infância e nos leva de mãos dadas com os pequeninos. Aqui ficam cinco títulos muito natalícios.

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A Noite de Natal, de Sophia de Mello Breyner Andresen, Ilustr. Jorge Nesbitt, Porto Editora

«A consoada em casa de Joana é cheia de abundância e alegria. Contudo, a menina lembra-se do seu amigo Manuel, que nem vai ter presentes nem uma mesa farta nessa noite tão especial. Decide, por isso, ir ter com ele e dar-lhe o que recebeu. Guiada por uma estrela, Joana descobre, nessa noite, o verdadeiro Natal.»

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Uma Canção de Natal, de Charles Dickens, Ilustr. Roberto Innocenti, Kalandraka

«Na véspera de Natal, Ebenezer Scrooge, um velho homem de negócios londrino, amargo, avarento, implacável e desumano, recebe durante a noite a visita do fantasma do seu ex-sócio, Jacob Marley, e logo de seguida a dos Espíritos do Natal Passado, Presente e Futuro que despertarão nele, de forma terrificante, a consciência e o verdadeiro sentido da época…»

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Eu Sei Tudo sobre o Pai Natal, Aurélie Blanz, Nathalie Delebarre, Editorial Presença

«Iniciando-se com a frase «os crescidos dizem que…», este pequeno hino à figura do Pai Natal vem reforçar a sua existência e provar a todos os meninos que ele não só existe como continua a visitar todas as casas, ou melhor, aquelas casas que têm árvores de Natal, em cada ano que passa. As dificuldades enunciadas pelos adultos são rapidamente desconstruídas pelo menino protagonista desta história que encontra resposta para qualquer ideia feita. O importante é acreditar que realmente o Pai Natal existe e toda a tradição de que ele faz parte encontra significado na mentalidade dos pequenos leitores. As crianças são a prova viva de que a lenda perdura ao longo dos tempos e se mantém acima de todas e quaisquer contrariedades. Por isso, não vale a pena dizerem que o Pai Natal não existe quando todos sabem que isso não é verdade.»

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O Pai Natal Preguiçoso e a Rena Rodolfa, Ana Saldanha, Editorial Caminho

«É Dezembro. Na Lapónia, andam todos muito atarefados. O carteiro entrega as cartas, a secretária do Pai Natal, a rena Rodolfa, lê-as e procura as prendas pedidas nas prateleiras, as outras renas preparam-se para a grande corrida de Dezembro. Só o Pai Natal parece não ter pressas. Mas, quando estão já de partida, descobre-se que o provérbio de que o Pai Natal tanto gosta — «Devagar, que tenho pressa» — está mesmo certo. Do que é que a rena Rodolfa se foi esquecer?!»

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Como Funciona o Pai Natal! Pop-Up, Alan Snow, Civilização Editora

«O que sabemos ao certo sobre o Pai Natal? Como é que ele sabe o que queremos receber no Natal? Como consegue entregar os presentes todos? E o que faz depois do Natal? Há muitas outras perguntas que poderíamos fazer. Este espetacular livro pop-up responde a algumas delas. O autor e ilustrador pega nas eternas questões sobre a misteriosa – mas encantada figura – que é o Pai Natal, para criar cenários pop-up fabulosas e cheias de humor. Os extraordinários cenários pop-up de Como Funciona o Pai Natal! vão deslumbrar crianças e adultos.»

Os livros são os melhores presentes de Natal!

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Este fim de semana que aí vem será o último antes do Natal e muitos aproveitarão para comprar os presentes que faltam. Há umas semanas deixámos aqui umas listinhas com sugestões de livros para oferecer a crianças e jovens. São páginas e páginas de histórias que encantam, deslumbram, divertem e comovem, como também ensinam, demonstram e desvendam muitos mundos diferentes, o nosso, o real, e o imaginário, aquele que inventamos quando acompanhamos as nossas personagens favoritas nas suas aventuras. Aproveitamos para recordar hoje estas listas e para lembrar ainda que oferecer um livro é o melhor presente que se pode dar, porque é um bem precioso, não precisa de bateria, pode-se levar para qualquer lado, tem sempre tanto para descobrir, e pode ser emprestado a um amigo, lido em voz alta àqueles que precisam de poesia na sua vida ou doado a quem não tem possibilidade de ter acesso a boas leituras. Além disso, está cientificamente comprovado que ler histórias faz bem.

Cá estão as nossas recomendações, divididas por faixas etárias para servir de guia, mas de maneira nenhuma restritivas – estas leituras são para todas as idades.

Alexandra Martins – Adolescentes
Ana Ramalhete – Infantil
Andreia Rasga – Infantil e Juvenil
Catarina Araújo – Infantil e Juvenil
Cristina Dionísio – Juvenil

Boas compras e Feliz Natal!

Katniss Everdeen entre as personagens mais influentes de 2014

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A revista Time nomeou as quinze personagens de ficção mais influentes do ano. Katniss Everdeen, da saga Jogos da Fome, de Suzanne Collins, editada por cá pela Editorial Presença, é uma das personagens literárias que fazem parte da lista.

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A razão da escolha prende-se com o facto de o «Mimo-gaio» ser já um ícone cultural e um modelo a seguir para muitas pessoas, mas este ano especialmente por o seu gesto de resistência – o braço elevado em saudação, com três dedos esticados juntos – ser já usado na vida real por manifestantes como símbolo da luta pela liberdade e pela democracia, como aconteceu recentemente na Tailândia e em Hong Kong.

A lista completa encontra-se aqui.