O que nos fica depois de «Os Jogos da Fome: A Revolta – Parte 1»?

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por Alexandra Martins

Li os três livros da trilogia Os Jogos da Fome de uma única assentada, sem pausas entre volumes, sem estabelecer diferenças entre eles. Li-os como se fossem uma história única e não os três livros individuais, de modo que nunca consegui dizer se um era melhor do que outro. Muita gente diz que o primeiro livro é o melhor e o terceiro, A Revolta, é o mais fraco, o mais introspetivo, aquele que transforma Katniss de uma heroína forte numa miúda traumatizada e patética. É verdade, mas para mim isso foi determinante para marcar o ritmo realista e poderoso da história, tornando esta trilogia numa das melhores de sempre.

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Estava por isso muito curiosa em relação ao filme A Revolta – Parte 1. Depois de ter ficado muito desiludida com o primeiro filme da saga, numa adaptação que, embora fiel, não teve metade da adrenalina que encontrei nas páginas de papel, e completamente rendida com o filme Em Chamas, onde reencontrei a chama intensa dos livros, estava ansiosa por ver o que este filme me traria. Queria a tortura e a loucura da Katniss, queria a frieza da Coin, queria o crescimento da Prim e a evolução do Gale num soldado da revolução. E queria o Peeta, desejando que não me obrigassem a esperar mais um ano pelo seu salvamento.

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E, na verdade, tive tudo aquilo que pedi. Os Jogos da Fome: A Revolta – Parte 1, realizado por Francis Lawrence, que já tinha dirigido o segundo filme da saga, tem um pouco de tudo, desde ação, intriga, tragédia, instrospeção… A ação expande-se para lá de Katniss, surgem novas caras e regressam velhos amigos, ficamos a conhecer o Distrito 13 e, principalmente, as personagens da Presidente Coin, interpretada pela fantástica Julianne Moore, e de Plutarch Heavensbee, numa saudosa interpretação de Phillip Seymor Hoffman.

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A Presidente Coin é, inclusive, uma das maiores surpresas do filme. Quando a conhecemos, ela é fria, calculista, uma verdadeira máquina de guerra com o único propósito de derrubar o Capitólio, custe o que custar. Como a sanidade de Katniss, por exemplo. Quando a jovem não corresponde e não consegue ser o Mimo-Gaio, o rosto da rebelião, a frustração de Coin é óbvia. Ela quer resultados e quere-os já! No entanto, graças à influência do eterno político Plutarch, a sua postura vai mudando, vai-se tornando flexível, cedendo em alguns aspetos para conseguir o que quer. Ela deixa de «retirar o oxigénio da sala», como Plutarch afirma, e começa a inflamá-lo, a dar-lhe mais e mais lenha para ele arder. O seu discurso final, em nada comparado ao primeiro, é disso o sinal mais óbvio. Plutarch transformou Coin de general em Presidente, de chefe em líder. E o público delira e nós deliramos e ficamos ansiosamente à espera de ver mais desta personagem na segunda parte.

O filme mantém um bom ritmo, alternando entre cenas focadas em Katniss e cenas da rebelião, mostrando-nos um mundo que é muito maior do que a arena dos Jogos e fazendo-nos perceber que a dimensão da narrativa mudou, abrange muito mais pessoas, mais histórias (a cena do hospital no Distrito 8 é disso exemplo). Katniss, por seu lado, oscila entre a lucidez e a fragilidade mental – esta fragilidade, que no livro ocupa uma grande quantidade de páginas, foi muito bem conseguida e condensada pela atriz Jennifer Lawrence – mantendo a sanidade graças a Prim, a sua irmãzinha, a quem continua a proteger acima de tudo. Senti falta de ver mais Prim neste filme, de a ver evoluir de criança a jovem assistente médica, com uma calma e uma serenidade que transcendem os seus treze anos. Afinal, a guerra faz-nos crescer a todos. Que o diga Gale – também neste filme podemos observar as mudanças subtis que o transformam em guerreiro, em soldado, em defensor da rebelião, chocando Katniss com algumas das suas palavras e atitudes.

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Apesar de não ser um filme épico (estão certamente a guardar isso para o grande final) e de haver muitas cenas que poderiam ter sido encurtadas, caso o livro não tivesse sido dividido em dois filmes, a verdade é que as duas horas de filme passam a correr e a história não desilude. Conseguimos perceber os momentos de acalmia antes da tempestade, conseguimos sentir a tensão a crescer e, mesmo antes do final, dois momentos intensos, chocantes e, na minha opinião, extremamente bem realizados, que nos ficam a saber a pouco.

O que nos fica depois de Os Jogos da Fome: A Revolta – Parte 1? Uma vontade enorme de ver a Parte 2 e um longo, longo ano de espera até que ela saia. Ao menos, podemos ocupar esse tempo a reler a trilogia, sempre amenizará a espera!

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