Livros que ajudam a explicar a morte às crianças

Do livro «Duck, death and the tulip», de Wolf Erlbruch.
Do livro «Duck, death and the tulip», de Wolf Erlbruch.
por Sofia Pereira

Falar da morte aos mais novos não é fácil, mas isso não deverá ser motivo para os excluir das explicações, do choro e da tristeza.

Se até aos três anos a criança não consegue entender que a morte é definitiva e irreversível, certo é que, a partir dos seis, sete anos, já começa a compreender o seu significado e a sentir o quão doloroso e angustiante é perder para sempre alguém que lhe é querido (família e/ou animal de estimação).

Os adultos sabem que o confronto da criança com a morte é inevitável. Por essa mesma razão, deverão prepará-la para essa perda com verdade e honestidade, procurando abordar o assunto com respostas claras e acessíveis às suas curiosidades e dúvidas. Quando uma criança é protegida desse impacto emocional e nenhum familiar clarifica esse assunto, será natural crescer num mundo de ilusão e terá, mais tarde, dificuldades em lidar com a perda e o luto.

Os livros podem ajudar a explicar a morte às crianças. A leitura de histórias que abordem o tema pode, sem dúvida, constituir uma oportunidade para criar condições para que, num ambiente familiar, tranquilo e lúdico, crianças e adultos possam falar sobre a morte. Cria-se, assim, um espaço seguro e de partilha de afeto, em que as crianças expressam as suas dúvidas, anseios e preocupações. Os pais explicam, de forma simples e delicada, que a morte é um processo natural da vida (seres humanos, animais, plantas…), ajudando a criança no seu crescimento psicológico, nomeadamente no seu processo de perda e luto, através da clareza de ideias e do incentivo à expressão de sentimentos.

Deixamos aqui a sugestão de alguns livros que podem ajudar a explicar, num momento familiar e lúdico, a morte às crianças:

Um gato tem sete vidas

Um gato tem 7 vidas, de Luísa Ducla Soares, ilustrações de Francisco Cunha, Civilização Editora

«Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 2.º ano de escolaridade. É de um modo extremamente hábil e cheio de ternura que a autora aborda, neste livro, a questão da morte. Através da história de um gato que, à medida que cresce, vai gastando as suas sete vidas, fala-se da vida e da morte. Uma história doce, com espectaculares ilustrações de Francisco Cunha.»

Para Onde Vamos Quando Desaparecemos

Para Onde Vamos Quando Desaparecemos?, de Isabel Minhós Martins, ilustrações de Madalena Matoso, Planeta Tangerina

«Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 4.º Ano de escolaridade. Leitura Orientada na Sala de Aula. À parte algumas exceções, ninguém consegue responder com certeza absoluta à pergunta que dá título a este livro. “Para Onde Vamos Quando Desaparecemos?” aproveita a ausência de respostas “preto no branco” para lançar novas hipóteses – mais coloridas e poéticas, mais sérias ou disparatadas, conforme o caso… – e assim iluminar um tema inevitavelmente sombrio.»

Menina Nina

Menina Nina – Duas razões para não chorar, de Ziraldo, Melhoramentos

«Com uma enternecedora força poética, o autor sonda os mistérios da vida e da morte e, numa linguagem cuidada simples, consegue falar de dor de um modo delicado e cheio de esperança, é talvez o livro mais comovente de quantos Ziraldo já escreveu para crianças.»

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O Meu Avô Foi Para o Céu, de Maria Teresa Maia Gonzalez, Editorial Presença

«Da conceituada escritora Maria Teresa Maia Gonzalez, autora de “A Lua de Joana”, chega-nos uma comovente história sobre a relação avós-netos, que ajuda os pequenos leitores a perceber como se consegue, no meio da tristeza e da dor, preservar a memória de um ente querido para sempre.»

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Ponte para Terabithia, de Katherine Paterson, Dom Quixote

Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 5.º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma. «Esta é a história de uma amizade que muda as vidas da Leslie e do Jess, dois estudantes do quinto ano que acreditam que no coração do bosque existe num mundo de aventuras chamado “Terabithia”.»

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Sete Minutos Depois da Meia-Noite, de Patrick Ness, Editorial Presença

«Passava pouco da meia-noite quando o monstro apareceu. Inspirado numa ideia original da escritora Siobhan Dowd, que morreu de cancro em 2007, Patrick Ness criou uma história de uma beleza tocante, que aborda verdades dolorosas com elegância e profundidade, sem nunca perder de vista a esperança no futuro. Fala-nos dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para os ultrapassar. Fantasia e realidade misturam-se num livro de exceção, com ilustrações soberbas que complementam e expandem a beleza do texto.»

A intervenção pela arte, sobretudo pela leitura, torna-se um instrumento da psicologia, que ajuda a explicar a morte às crianças, falando-lhes da dor da perda de alguém que é querido e próximo, da saudade, das recordações e do luto.

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8 thoughts on “Livros que ajudam a explicar a morte às crianças

  1. Explicar, ou melhor, deta forma que vocês estão propondo, inventar sobre a realidade, e assim fatalmente doutrinando, colocando valores em algo natural é falsear! Falsear para a criança, o que faz parte da vida, é perpetuara uma subjetividade fraca, e isso vemos em todo o processo educacional ocidental.
    Acredito que o processo deveria ser o contrário quando se trata da educação para a transformação, ou seja, não mistificar a morte, não separa-la do todo, traze-la para a vida! Poderemos ter humanos mais conscientes do todo

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