Monthly Archives: Abril 2015

Bibliotecas misteriosas, mundos paralelos e raparigas geeks…

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por Catarina Araújo

Gosto muito de acompanhar o que se publica lá fora e nas minhas leituras encontro sempre novos títulos que me vão despertando a curiosidade. Aqui ficam alguns dos livros que mais burburinho têm desencadeado nos meandros da literatura juvenil e jovem adulta estrangeira, neste caso anglo-saxónica.

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The Princess in Black, de Shannon Hale, ilustrações de Dean Hale e LeUyen Pham

Muito se tem falado ultimamente de questões de género. Antes proliferavam – e ainda continuam –, os brinquedos específicos para meninas e para meninos, em que para as raparigas imperava o cor-de-rosa e as histórias de princesas e de fadas, enquanto para os rapazes o tom corrente era o azul e as histórias de heróis, etc., deixando para segundo plano o conteúdo, os interesses comuns a ambos os géneros. Ultimamente, promove-se muito o estereótipo da heroína dura, que troca os vestidos por umas calças e a varinha mágica por uma espada ou um arco e uma flecha. Este livro vem quebrar um pouco essa corrente e mostrar que as raparigas podem ser heroínas, sem deixarem de ser femininas, e que as suas histórias podem ser apelativas também para os rapazes.

«Quem disse que as princesas não se vestem de preto? Quando os monstros aparecem, a Princesa Magnolia larga os seus vestidos de folhos e transforma-se na Princesa de Negro.

Deter monstros não é tarefa para princesas, mas a Princesa Magnolia tem um segredo: ela é a Princesa de Negro, e parar os monstros é o trabalho perfeito para ela! Será que consegue escapar-se do palácio, transformar-se no seu alter-ego e derrotar o monstro antes que a Duquesa descubra o seu segredo?»

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Escape from Mr. Lemoncello’s Library, de Chris Grabenstein

A história apresenta-se como um cruzamento entre Charlie e a Fábrica de Chocolate e À Noite no Museu, escrita pelo premiado Chris Grabenstein. Uma escrita cheia de humor e de personagens peculiares.

«Kyle Keely é o bobo da turma, popular entre a maioria dos colegas e um fã ardente de todo o tipo de jogos: jogos de tabuleiro, palavras-cruzadas, e, principalmente, videojogos. O seu herói, Luigi Lemoncello, o mais notório e criativo criador de jogos do mundo, é o génio por detrás do edifício onde fica instalada a nova biblioteca da cidade.

Kyle ganha um lugar entre as primeiras doze crianças a visitarem a biblioteca, numa noite que promete ser de grande diversão, com comida deliciosa e muitos jogos. Mas quando a manhã chega e, ao tentarem sair, encontram as portas ainda trancadas, Kyle e os outros vencedores terão de resolver todas as pistas e todos os puzzles secretos para encontrar a saída de emergência escondida. O desafio é grande e a parada é alta.»

 

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Magonia, de Maria Dahvana Headley

É lançado mundialmente daqui a dois dias, mas há alguns meses que o buzz é alto, com críticas muito boas. A história é uma mistura de Stardust, de Neil Gaiman, com A Culpa É das Estrelas, de John Green.

«Aza Ray mal consegue respirar.

Desde bebé, Aza sofre de uma doença pulmonar misteriosa que lhe dificulta a respiração, que quase a impede de falar, de viver.

Quando Aza avista um estranho navio no céu, a família atribui essa visão a um efeito secundário da medicação que ela toma. Mas Aza não acredita que seja uma alucinação. Ela consegue ouvir alguém na nave a chamar por ela.

Só o melhor amigo dela, Jason, acredita nela. Ele, que sempre esteve do seu lado. Jason, por quem ela começa a sentir mais do que amizade. Mas antes que Aza possa considerar a ideia de um relacionamento, algo corre terrivelmente mal. Aza vai parar a um sítio estranho. Magonia.

Acima das nuvens, Aza deixa de ter dificuldade em respirar e de se sentir à beira da morte. Em Magonia, ela consegue respirar normalmente pela primeira vez. Melhor ainda, descobre que tem um grande poder. Mas enquanto navega na sua nova vida, Aza apercebe-se de que há uma guerra prestes a acontecer. Magonia e a Terra estão à beira de um confronto catastrófico.

O futuro da humanidade está nas mãos de Aza, incluindo o rapaz de quem ela gosta. Mas para onde penderá a sua lealdade?»

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Geek Girl, de Holly Smale

Geek Girl é uma série para adolescentes que pega num tema juvenil recorrente e rompe com alguns estereótipos, conferindo-lhes uma nova perspetiva, com o humor típico britânico.

«Harriet Manners sabe muitas coisas.

Ela sabe que um gato tem 32 músculos em cada orelha, que um «minutinho» dura 1/100 de segundo, que uma pessoa ri-se em média 15 vezes por dia. O que ela não percebe é porque é que ninguém na sua escola parece gostar muito dela. Por isso quando é «descoberta» por uma agente de supermodelos, Harriet agarra a oportunidade de se reinventar. Mesmo que isso signifique roubar o sonho da sua melhor amiga, provocar a ira da sua arqui-inimiga Alexa, e humilhar-se diante do atraente supermodelo Nick. Mesmo que isso signifique mentir a todos aqueles que ela ama.

À medida que Harriet vai passando de um desastre de alta costura para o outro, com a ajuda do seu muito entusiasmado pai e um stalker super geek chamado Toby, ela começa a perceber que o mundo da moda não gosta muito mais dela do que o mundo real em que vivia.

Quando a sua vida antiga começa a desmoronar-se, será que Harriet irá conseguir transformar-se antes que dê cabo de tudo?»

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Na biblioteca de Laura e Maria

por Ana Ramalhete

Porque em Abril se comemora o Dia Internacional do Livro Infantil, e porque gostamos de saber o que pensam as crianças e o que têm nas suas bibliotecas, entrevistámos duas meninas: a Laura, de dez anos, e a Maria, de nove. Conversámos sobre livros, histórias e imagens. Obrigada, Laura e Maria!

Fábulas – Têm algum livro preferido? Porquê?
Laura – Tenho, O livro que explica tudo sobre os pais. Porque fiquei a saber coisas que ainda não sabia.
Maria – Tenho, o Diário de um Banana. Porque acho uma história muito engraçada.

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Fábulas – Qual foi o último livro que leram?
Laura – O meu preferido.
Maria – Também foi o meu preferido.

Fábulas – Num livro, o que preferem? O texto ou as ilustrações?
Laura – As ilustrações, porque nos permitem ler o livro por imagens, ou seja mostra-nos uma composição de arte.
Maria – O conjunto dos dois, texto e ilustração.

Fábulas – Há algum livro em que gostam do texto, mas não gostam das ilustrações?
Laura – Há, Uma flor chamada Maria, de Alves Redol.
Maria –  Há, O Principezinho.

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Fábulas – E há algum livro em que gostam das ilustrações, mas não gostam do texto?
Laura – Sim, Novas histórias de princesas e fadas.
Maria – Sim, Princesas esquecidas ou desconhecidas.

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Fábulas – Apreciam imagens a preto e branco?
Laura – Não, porque não nos permite ver as coisas como elas são realmente.
Maria – Sim, porque mostra uma imagem como era antigamente.

Fábulas – Antes de adormecer, gostam mais de ouvir ou de ler uma história?
Laura – Gosto mais de ser eu a ler.
Maria – Também gosto mais de ser eu a ler.

Fábulas – As histórias para adormecer têm de ser especiais?
Laura – Têm, pois tenho medo de certas histórias.
Maria – Não.

Fábulas – Ultimamente, qual foi o livro que leram mais vezes?
Laura – Quem mexeu no meu queijo.
MariaO meu diário top secret – Em digressão pela América.

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Fábulas – Qual é o livro que não têm, mas gostavam de ter?
LauraRomeu e Julieta e Os Maias.
MariaVerão e Romeu e Julieta.

Fábulas – Chegámos ao fim da entrevista. Obrigada pelas respostas!
Laura – Nunca tinha sido entrevistada.
Maria – Eu também não.

A Liberdade de ler histórias do 25 de Abril

25 de abril

por Sofia Pereira

Abril é sinónimo de Liberdade. Mês que assinala a Revolução dos Cravos de 1974, a luta de Homens e Mulheres que pôs fim ao Estado Novo e abriu caminho à instauração do regime democrático em Portugal.

As crianças e os jovens de hoje vivem numa sociedade mais humana, democrática e livre, e desconhecem a realidade que os seus avós, pais e tios vivenciaram. Ainda hoje, para alguns dos familiares das gerações mais novas, torna-se emocionante e até difícil descrever um tempo cinzento, traumático e marcante das suas vidas, remetendo-se, por vezes, ao silêncio.

Pese embora o facto de existir ainda algum desconhecimento sobre este golpe militar, por parte das gerações mais novas, certo é que esta luta de armas pela liberdade, pela solidariedade e pela igualdade faz parte da História de Portugal e não pode, de forma alguma, ser esquecida. As crianças e os jovens têm e devem conhecer a história da Revolução de 1974, que representa uma das mais importantes conquistas da cidadania, tornando crucial a vida em sociedade, através do respeito entre as pessoas, da aprendizagem de novos saberes, e da expressão e partilha de opiniões e ideais.

Os livros podem ajudar a explicar o 25 de Abril de 1974. Se, no contexto escolar, nem sempre este acontecimento histórico do século XX é, devidamente, valorizado, não é também inegável que em ambiente familiar este dia é, muitas vezes, apenas confundido como feriado, não se fazendo jus à sua memória.

As crianças e os jovens são o futuro da Nação e necessitam de conhecer e valorizar este importante evento da História Nacional. Por essa mesma razão, deixamos aqui a sugestão de alguns livros que podem ajudá-los a conhecer e a perceber melhor o que foi o 25 de Abril, símbolo de liberdade, de afirmação da dignidade humana, de igualdade e de democracia:

o tesouro

O Tesouro, de Manuel António Pina, ilustração de Pedro Proença, Assírio & Alvim

«Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 3º Ano de Escolaridade. Leitura Orientada. O Tesouro foi publicado pela primeira vez em 1994, pela Associação 25 de Abril e pela APRIL, com o alto patrocínio do Presidente da República de então, Dr. Mário Soares. Em 1999, nos 25 anos do 25 de Abril, O Tesouro deu origem ao premiado filme de João Botelho: Se a Memória Existe. A nova edição foi enriquecida com magníficos desenhos de Pedro Proença: uma parceria que já nos habituou a outros tesouros como O Pequeno Livro da Desmatemática ou Perguntem aos Vossos Gatos e aos Vossos Cães

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Era uma vez o 25 de Abril, de José Fanha, Alfaguara

«José Fanha viveu o 25 de abril de 1974 com espanto, alegria e felicidade, como muitos outros jovens de então. Com o passar dos anos, percebeu que os jovens de hoje pouco sabem desses dias distantes. Resolveu então contar a história de como era Portugal antes da Revolução dos Cravos, como se desenrolaram os dias do 25 de abril e como surgiu o Movimento das Forças Armadas que o fez acontecer. Não quis fazer um livro de História. Quis antes falar desse período como quem conta uma história fantástica e complexa, heróica, divertida e contraditória, mas maravilhosa e verdadeira. Uma história que mudou a História.»

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Romance do 25 de Abril, de João Pedro Mésseder, ilustração de Alex Gozblau, Editorial Caminho

«Distinção Prémio Nacional de Ilustração 2007. E se um menino se chamasse Portugal?
Ou então: pode o Portugal do antes do 25 de Abril ser comparado a um menino? Ora por que não? Ouçam pois a sua história: como cresceu e sofreu e lutou até, já adulto, ver realizado um sonho. E que sonho foi esse? O da liberdade, é claro. Mas imaginou também uma democracia e uma justiça que julgou possíveis no seu país à beira-mar. Esse país onde hoje o mesmo menino, homem feito agora, continua atento a sonhar com um mundo melhor.»

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O Rapaz da Bicicleta Azul, de Álvaro Magalhães, ilustração de Marta Madureira, Edições Asa

«O João subiu para a bicicleta, que rangeu aflitivamente. Às primeiras pedaladas, ela respondeu com estalidos, como os ossos de um velho que se levanta de uma cadeira, mas pouco depois já rolava pela estrada abaixo. Ele pedalou com mais força e atravessou o ar morno da manhã. Sentia não sabia o quê que o empurrava para diante. Cheirava-lhe não sabia a quê, sabia-lhe não sabia a quê. E esse «não sei quê» era a liberdade. Estava dentro dele e à volta dele, por todo o lado. Também ele era um rapaz numa bicicleta azul e também ele levava a flor da liberdade numa manhã de Abril. Com ela, podia ir até onde quisesse. Por isso, pedalou ainda com mais força e avançou a sorrir na direcção do Sol.»

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7 X 25 Histórias da Liberdade, de Margarida Fonseca Santos, ilustração de Inês Carmo, Gailivro

«Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 5º Ano de escolaridade. Leitura autónoma e/ou leitura com apoio do professor ou dos pais. 7×25 Histórias da Liberdade é um conjunto de contos cujas personagens principais, falando na primeira pessoa, são objectos carregados de simbologia: o semáforo que travou a revolução durante uns minutos, o lápis da censura que, de repente, se vê como um elemento criativo nas mãos de uma criança, a G3, o portão da prisão de Caxias, o megafone…»

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A Magia do Luar de Abril – Cores de Liberdade em sonhos de criança, de João M. Costa, Chiado Editora

«A Magia do Luar de Abril revela-se num país ainda cinzento, perante os olhos deslumbrados de uma criança que abria as janelas do quarto e as portas da alma ao luar intenso de feitiço e sedução, que deixava a noite ainda mais brilhante. Naquela Primavera, a lua e as estrelas não couberam todas num céu cheio de sonhos: desceram e vieram proteger do medo os soldados que iam espalhar sementes de liberdade entre o cinza das armas, o vermelho das flores e o brilho dos sorrisos. Havia agora um país a renascer nos sentidos inocentes e nas almas apaixonadas. De repente, o azul acordava no piscar de olhos de uma chaimite e nos perfumes de fantasias, em fragrâncias de surpresa por um mundo que renascia em outras cores. Nesse país, agora tão perto, enquanto os homens aprendiam a sonhar e a viver sem olhar para trás, os outros, os que os aprisionaram, fugiram… O professor da escola do Carlos também fugiu… Mas ele tinha tanta pena: Quem nos ensina a ler e a escrever nunca deveria ser de nenhuma PIDE, para nunca nos fazer prisioneiros de nada! Nem de nós mesmos…»

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Salgueiro Maia – o Homem do Tanque e da Liberdade, de José Jorge Letria, ilustração de António Jorge Gonçalves, Pato Lógico/INCM

«Era uma vez um capitão que aprendeu a fazer a guerra, mas que preferia a paz para poder ler, viver e ser feliz. Da guerra sabia tudo ou quase tudo. Noutros tempos teria sido cavaleiro, porque a sua arma era Cavalaria, mas, como os tempos mudam, o seu cavalo passou a ser um tanque de guerra, daqueles grandes e possantes que cospem fogo e derrubam casas, quartéis e muralhas, quando é preciso, quando a paz é vencida.»

Feliz Dia da Liberdade!

Anjos, demónios e uma rapariga de cabelo azul

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por Alexandra Martins
A Quimera de Praga traz uma lufada de ar fresco ao género fantástico

O livro A Quimera de Praga, de Laini Taylor, já não é novo, tendo sido publicado em 2011 e tendo já recebido uma série de galardões e prémios. Mas chegou finalmente a Portugal e parece que trouxe uma lufada de ar fresco dentro do género do fantástico para os jovens adultos. Depois da moda dos vampiros e das distopias, eis que surge um título que se afasta dos clichés habituais e, embora nos apresente anjos no seu menu, estes anjos não podiam ser mais diferentes de outros que pululam as páginas de tantos livros.

Para começar, apresenta-nos Karou, uma rapariga de dezassete anos e de cabelo azul que foi criada por quatro quimeras – monstros, demónios, criaturas deformadas e saídas de pesadelos, mas que para Karou são gentis, amistosas, a sua família. Karou vive em Praga, onde leva uma vida dupla entre o mundo humano, com os seus amigos, a escola e os problemas com o ex-namorado, e o mundo das quimeras, onde faz recados para a sua família, sem que perceba muito bem o objetivo atrás dos mesmos. É inocente, de um jeito de menina que está a tornar-se mulher e que procura descobrir quem é no mundo. Até que um dia põe os olhos num estranho ser que revela ser um anjo, um Serafim, eterno inimigo das quimeras e, consequemente, inimigo de Karou. Mas Karou não consegue tirar o Serafim da sua cabeça e Akiva, assim se chama o anjo, também não consegue esquecer Karou. A atração entre ambos leva-os a questionar tudo: serão eles inimigos mortais ou poderão ser mais do que isso?

Um conto de fadas disfarçado com um toque de modernidade, uma história de amor em tempos de guerra, mundos paralelos, ex-namorados chatos, monstros, anjos e, no meio de tudo isso, uma rapariga de cabelo azul. A receita ideal para quem procura fugir um pouco à rotina, numa escrita muito fluida e divertida, com uma personagem principal muito forte, determinada e teimosa e um leque de personagens secundárias, com os quais a empatia é imediata. Um livro que dá muito prazer em ler e que nos faz ficar ansiosamente à espera do próximo volume, que será editado pela Porto Editora já no próximo mês de maio.

«O país a falar sobre livros para crianças»

(c) Público
(c) Público

Nós gostamos quando os portugueses se põem a falar pelos cotovelos de livros para crianças. O jornal Público fez uma recolha dos eventos que vão decorrer por todo o país, nos próximos meses, com a literatura infantil e juvenil como tema central.

«Os livros continuam a ser um dos melhores veículos de estímulo ao pensamento e reflexão, sem esquecer que enriquecem o vocabulário, exercitam a concentração e dão um prazer difícil de descrever a quem nunca o experimentou. As escolas e as bibliotecas sabem disso. E os municípios também já o descobriram. Por isso apoiam cada vez mais iniciativas de promoção da leitura para toda a família.»

Para conhecê-las é ir aqui.

Não é um e-book, é um livro!

É UM LIVRO

por Sofia Pereira

Estamos na era das novas tecnologias e o mundo é invadido por todas as formas de comunicação à distância. Muitas vezes, falar pessoalmente deu lugar ao chat, às mensagens, ao twitter e até o simples ato de ler transformou-se num deslizar de dedos num qualquer ecrã que tenhamos à frente: o livro digital.


Mas será que toda esta revolução veio substituir o contacto com as pessoas e com o mundo dos livros? É óbvio que não! Os amantes dos livros sabem disso e Lane Smith, escritor e ilustrador americano, explica-nos, de uma forma encantadora, em É um Livro como o livro em papel não é um mero objeto, mas algo precioso que capta a nossa atenção e prende o nosso coração. Através da simplicidade das palavras, das cores e das imagens, o autor coloca em diálogo um macaco e um burro, abordando o poder inquestionável do livro impresso, que seduz pela textura, pelo cheiro do papel e das tintas, e a sedução exercida pelos media, sobretudo as redes sociais:

página livro

Uma história divertida para toda a família!

Título: É um Livro
Autor: Lane Smith
Editora: Editorial Presença

Dr. Seuss homenageado com um museu

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Theodor Seuss Geisel, ou Dr. Seuss, como é conhecido mundialmente, será em breve homenageado com um museu, na sua terra natal, em Springfield, Massachusetts, nos EUA. O museu terá dois pisos e custará cerca de três milhões de dólares. Os visitantes poderão visitar diversos ambientes que recriam cenas retiradas das obras do autor, com personagens em tamanho real, a três dimensões, e lugares dos livros. Este primeiro piso será inaugurado em junho de 2016. No segundo piso haverá exposições diversas ligadas à vida e obra do autor. Este só será aberto ao público em 2017.

A notícia é daqui.

Eoin Colfer e Oliver Jeffers escrevem livro juntos

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Imaginary Fred é o título do livro ilustrado, que será lançado em outubro nos EUA e na Inglaterra, pela HarperCollins. Imaginary Fred marca a estreia de uma parceria dourada entre dois dos mais importantes autores de literatura infantil e juvenil mundial. O livro pega no conceito de amigos imaginários e dá-lhe um toque único. É a história de dois rapazinhos que partilham o gosto por filmes, música e banda-desenhada, e como «com um pouco de eletricidade, um pouco de sorte e um pouco de magia podem dar origem a uma amizade como nenhuma outra». Os editores acreditam que este livro dará um clássico infantil instantâneo.

Eoin Colfer é o autor da série juvenil best-seller mundial Artemis Fowl, e Oliver Jeffers é autor premiado de inúmeros livros infantis ilustrados, entre os quais The Day The Crayons Quit.

Mais informações aqui.

Livros infantis de Julie Andrews adaptados a televisão

veryfairyprincess Julie Andrews encantou muitas crianças como a ama mágica Mary Poppins, que dava uma colher de açúcar para ajudar a tomar o remédio, e como Maria, em Música no Coração, com a sua voz doce e a sua alegria contagiante. Mas não foi só no cinema e na televisão que a versátil atriz desenvolveu a sua carreira. Além de atriz e cantora, Andrews tornou-se também autora de literatura infantil. veryfairyprincess_capa Entre vários outros livros, escreveu, em parceria com a filha, Emma Walton Hamilton, uma série infantil chamada The Very Fairy Princess, sobre uma menina chamada Geraldine que vive o seu dia a dia como uma princesa fada. Foram já publicados oito volumes, com o nono, intitulado The Very Fairy Princess: A Spooky, Sparkly Halloween, a ser lançado no outono. A série é já considerada um clássico infantil e será agora adaptada a televisão. A produção ficará a cargo de um estúdio canadiano, a Nelvana Enterprises, e a estreia está prevista para 2016.

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RICHARD DREW / THE ASSOCIATED PRESS FILE PHOTO

«Eu e a Emma não podíamos estar mais entusiasmadas em fazer esta parceria com a Nelvana», contou Andrews. «Estes livros são uma celebração à individualidade. Esperamos encorajar crianças a sentirem-se felizes com as suas paixões e os seus talentos únicos, mesmo que essas paixões e esses talentos sejam diferentes dos da sua família ou dos amigos, e a Nelvana é a parceira perfeita para levar a nossa querida Princesa a uma audiência mais alargada.»

Para saber mais sobre esta série de livros poderá visitar a página oficial em www.theveryfairyprincess.com.

Notícia daqui.

INSURGENTE: uma adaptação brilhante ou demasiado livre?

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por Alexandra Martins

A adaptação para a tela do livro Insurgente, de Veronica Roth, chegou aos nossos cinemas no passado dia 19 de março, embora com menos pompa e circunstância do que o esperado, talvez por partilhar a data de estreia com o filme Cinderela, da Disney. Ainda assim, os teasers e os trailers já tinham deixado o bichinho da curiosidade e o filme tem tido uma boa adesão por parte do público, em grande parte graças aos leitores desta trilogia, que não perdem a oportunidade de ver os seus heróis no grande ecrã.

E, à semelhança do que já tínhamos visto com o filme Divergente, esta é uma adaptação bastante livre da história que nos conta Roth. Com uma equipa de guionistas e um realizador (Robert Schwentke) novos, aposta-se acima de tudo num filme muito gráfico, muito visual, com cenas a roçar o surreal (por exemplo, aquela que já vimos no teaser trailer, com Tris a tentar salvar a sua mãe num cenário pós-apocalíptico). Embora isso dê uma nova dinâmica ao filme, a verdade é que a forma como a história é contada nada tem de fiel ao livro, no qual somos confrontados também com muitos momentos de introspeção por parte da protagonista. Da mesma forma, personagens que, no livro, têm muito relevo e importância para o desenrolar da história, no filme são relegadas para segundo plano, inclusive as personagens de Marcus Eaton e da sua mulher, Evelyn, que todos julgavam morta e que é uma das maiores surpresas deste segundo volume da saga ao revelar-se como a líder dos Sem Fação.

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Num mundo em que tudo acontece em rápida sucessão, admito que senti a falta do desenvolvimento pessoal das personagens, principalmente das personagens principais. Queria ter visto mais crescimento da Tris, do Four, até do Caleb. A interação entre eles, o evoluir das suas relações, o aprofundar ou quebrar dos laços que os unem… faltou olhar um pouco mais para a forma como estas relações moldam (e irão moldar) a história.

Quem leu o livro e viu agora o filme terá certamente sentido o mesmo, bem como alguma surpresa com as voltas diferentes que a narrativa sofreu. O final, só por si, leva-nos a perguntar o que estará reservado para o terceiro filme desta saga, já que segue um rumo muito diferente daquele que nos foi mostrado no livro.

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Assim, resta-nos esperar pelo próximo ano, para finalmente ficarmos a conhecer o final desta trilogia que, não sendo fiel aos livros, se torna uma completa incógnita para o espetador. Será uma adaptação brilhante, ou deixará uma onda de desilusão no ar, como o fez o livro Convergente?