INSURGENTE: uma adaptação brilhante ou demasiado livre?

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por Alexandra Martins

A adaptação para a tela do livro Insurgente, de Veronica Roth, chegou aos nossos cinemas no passado dia 19 de março, embora com menos pompa e circunstância do que o esperado, talvez por partilhar a data de estreia com o filme Cinderela, da Disney. Ainda assim, os teasers e os trailers já tinham deixado o bichinho da curiosidade e o filme tem tido uma boa adesão por parte do público, em grande parte graças aos leitores desta trilogia, que não perdem a oportunidade de ver os seus heróis no grande ecrã.

E, à semelhança do que já tínhamos visto com o filme Divergente, esta é uma adaptação bastante livre da história que nos conta Roth. Com uma equipa de guionistas e um realizador (Robert Schwentke) novos, aposta-se acima de tudo num filme muito gráfico, muito visual, com cenas a roçar o surreal (por exemplo, aquela que já vimos no teaser trailer, com Tris a tentar salvar a sua mãe num cenário pós-apocalíptico). Embora isso dê uma nova dinâmica ao filme, a verdade é que a forma como a história é contada nada tem de fiel ao livro, no qual somos confrontados também com muitos momentos de introspeção por parte da protagonista. Da mesma forma, personagens que, no livro, têm muito relevo e importância para o desenrolar da história, no filme são relegadas para segundo plano, inclusive as personagens de Marcus Eaton e da sua mulher, Evelyn, que todos julgavam morta e que é uma das maiores surpresas deste segundo volume da saga ao revelar-se como a líder dos Sem Fação.

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Num mundo em que tudo acontece em rápida sucessão, admito que senti a falta do desenvolvimento pessoal das personagens, principalmente das personagens principais. Queria ter visto mais crescimento da Tris, do Four, até do Caleb. A interação entre eles, o evoluir das suas relações, o aprofundar ou quebrar dos laços que os unem… faltou olhar um pouco mais para a forma como estas relações moldam (e irão moldar) a história.

Quem leu o livro e viu agora o filme terá certamente sentido o mesmo, bem como alguma surpresa com as voltas diferentes que a narrativa sofreu. O final, só por si, leva-nos a perguntar o que estará reservado para o terceiro filme desta saga, já que segue um rumo muito diferente daquele que nos foi mostrado no livro.

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Assim, resta-nos esperar pelo próximo ano, para finalmente ficarmos a conhecer o final desta trilogia que, não sendo fiel aos livros, se torna uma completa incógnita para o espetador. Será uma adaptação brilhante, ou deixará uma onda de desilusão no ar, como o fez o livro Convergente?

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