A Liberdade de ler histórias do 25 de Abril

25 de abril

por Sofia Pereira

Abril é sinónimo de Liberdade. Mês que assinala a Revolução dos Cravos de 1974, a luta de Homens e Mulheres que pôs fim ao Estado Novo e abriu caminho à instauração do regime democrático em Portugal.

As crianças e os jovens de hoje vivem numa sociedade mais humana, democrática e livre, e desconhecem a realidade que os seus avós, pais e tios vivenciaram. Ainda hoje, para alguns dos familiares das gerações mais novas, torna-se emocionante e até difícil descrever um tempo cinzento, traumático e marcante das suas vidas, remetendo-se, por vezes, ao silêncio.

Pese embora o facto de existir ainda algum desconhecimento sobre este golpe militar, por parte das gerações mais novas, certo é que esta luta de armas pela liberdade, pela solidariedade e pela igualdade faz parte da História de Portugal e não pode, de forma alguma, ser esquecida. As crianças e os jovens têm e devem conhecer a história da Revolução de 1974, que representa uma das mais importantes conquistas da cidadania, tornando crucial a vida em sociedade, através do respeito entre as pessoas, da aprendizagem de novos saberes, e da expressão e partilha de opiniões e ideais.

Os livros podem ajudar a explicar o 25 de Abril de 1974. Se, no contexto escolar, nem sempre este acontecimento histórico do século XX é, devidamente, valorizado, não é também inegável que em ambiente familiar este dia é, muitas vezes, apenas confundido como feriado, não se fazendo jus à sua memória.

As crianças e os jovens são o futuro da Nação e necessitam de conhecer e valorizar este importante evento da História Nacional. Por essa mesma razão, deixamos aqui a sugestão de alguns livros que podem ajudá-los a conhecer e a perceber melhor o que foi o 25 de Abril, símbolo de liberdade, de afirmação da dignidade humana, de igualdade e de democracia:

o tesouro

O Tesouro, de Manuel António Pina, ilustração de Pedro Proença, Assírio & Alvim

«Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 3º Ano de Escolaridade. Leitura Orientada. O Tesouro foi publicado pela primeira vez em 1994, pela Associação 25 de Abril e pela APRIL, com o alto patrocínio do Presidente da República de então, Dr. Mário Soares. Em 1999, nos 25 anos do 25 de Abril, O Tesouro deu origem ao premiado filme de João Botelho: Se a Memória Existe. A nova edição foi enriquecida com magníficos desenhos de Pedro Proença: uma parceria que já nos habituou a outros tesouros como O Pequeno Livro da Desmatemática ou Perguntem aos Vossos Gatos e aos Vossos Cães

fanha

Era uma vez o 25 de Abril, de José Fanha, Alfaguara

«José Fanha viveu o 25 de abril de 1974 com espanto, alegria e felicidade, como muitos outros jovens de então. Com o passar dos anos, percebeu que os jovens de hoje pouco sabem desses dias distantes. Resolveu então contar a história de como era Portugal antes da Revolução dos Cravos, como se desenrolaram os dias do 25 de abril e como surgiu o Movimento das Forças Armadas que o fez acontecer. Não quis fazer um livro de História. Quis antes falar desse período como quem conta uma história fantástica e complexa, heróica, divertida e contraditória, mas maravilhosa e verdadeira. Uma história que mudou a História.»

messeder

Romance do 25 de Abril, de João Pedro Mésseder, ilustração de Alex Gozblau, Editorial Caminho

«Distinção Prémio Nacional de Ilustração 2007. E se um menino se chamasse Portugal?
Ou então: pode o Portugal do antes do 25 de Abril ser comparado a um menino? Ora por que não? Ouçam pois a sua história: como cresceu e sofreu e lutou até, já adulto, ver realizado um sonho. E que sonho foi esse? O da liberdade, é claro. Mas imaginou também uma democracia e uma justiça que julgou possíveis no seu país à beira-mar. Esse país onde hoje o mesmo menino, homem feito agora, continua atento a sonhar com um mundo melhor.»

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O Rapaz da Bicicleta Azul, de Álvaro Magalhães, ilustração de Marta Madureira, Edições Asa

«O João subiu para a bicicleta, que rangeu aflitivamente. Às primeiras pedaladas, ela respondeu com estalidos, como os ossos de um velho que se levanta de uma cadeira, mas pouco depois já rolava pela estrada abaixo. Ele pedalou com mais força e atravessou o ar morno da manhã. Sentia não sabia o quê que o empurrava para diante. Cheirava-lhe não sabia a quê, sabia-lhe não sabia a quê. E esse «não sei quê» era a liberdade. Estava dentro dele e à volta dele, por todo o lado. Também ele era um rapaz numa bicicleta azul e também ele levava a flor da liberdade numa manhã de Abril. Com ela, podia ir até onde quisesse. Por isso, pedalou ainda com mais força e avançou a sorrir na direcção do Sol.»

7

7 X 25 Histórias da Liberdade, de Margarida Fonseca Santos, ilustração de Inês Carmo, Gailivro

«Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 5º Ano de escolaridade. Leitura autónoma e/ou leitura com apoio do professor ou dos pais. 7×25 Histórias da Liberdade é um conjunto de contos cujas personagens principais, falando na primeira pessoa, são objectos carregados de simbologia: o semáforo que travou a revolução durante uns minutos, o lápis da censura que, de repente, se vê como um elemento criativo nas mãos de uma criança, a G3, o portão da prisão de Caxias, o megafone…»

luar

A Magia do Luar de Abril – Cores de Liberdade em sonhos de criança, de João M. Costa, Chiado Editora

«A Magia do Luar de Abril revela-se num país ainda cinzento, perante os olhos deslumbrados de uma criança que abria as janelas do quarto e as portas da alma ao luar intenso de feitiço e sedução, que deixava a noite ainda mais brilhante. Naquela Primavera, a lua e as estrelas não couberam todas num céu cheio de sonhos: desceram e vieram proteger do medo os soldados que iam espalhar sementes de liberdade entre o cinza das armas, o vermelho das flores e o brilho dos sorrisos. Havia agora um país a renascer nos sentidos inocentes e nas almas apaixonadas. De repente, o azul acordava no piscar de olhos de uma chaimite e nos perfumes de fantasias, em fragrâncias de surpresa por um mundo que renascia em outras cores. Nesse país, agora tão perto, enquanto os homens aprendiam a sonhar e a viver sem olhar para trás, os outros, os que os aprisionaram, fugiram… O professor da escola do Carlos também fugiu… Mas ele tinha tanta pena: Quem nos ensina a ler e a escrever nunca deveria ser de nenhuma PIDE, para nunca nos fazer prisioneiros de nada! Nem de nós mesmos…»

salgueiro

Salgueiro Maia – o Homem do Tanque e da Liberdade, de José Jorge Letria, ilustração de António Jorge Gonçalves, Pato Lógico/INCM

«Era uma vez um capitão que aprendeu a fazer a guerra, mas que preferia a paz para poder ler, viver e ser feliz. Da guerra sabia tudo ou quase tudo. Noutros tempos teria sido cavaleiro, porque a sua arma era Cavalaria, mas, como os tempos mudam, o seu cavalo passou a ser um tanque de guerra, daqueles grandes e possantes que cospem fogo e derrubam casas, quartéis e muralhas, quando é preciso, quando a paz é vencida.»

Feliz Dia da Liberdade!

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