A rapariga e o sonho

Luísa Dacosta – Infância e Literatura

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A infância rural de Luísa Dacosta foi marcada pelas histórias que ouvia contar, quer pela mãe (histórias tradicionais portuguesas), quer pela ama (histórias galegas), quer pela tia (histórias trágicas e religiosas). Gostava muito de ler e sentia-se deslumbrada pelas palavras: “No princípio era o verbo – pelo menos na minha infância, toda caldeada pelo encantamento da palavra” (Dacosta,2008:60). Através da leitura descobriu as histórias de fadas. E aos nove anos, quando foi para o liceu, encontrou os livros de Hans Christian Andersen que a influenciaram para sempre.

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Frequentou a escola primária e a escola secundária em Vila Real. A força da paisagem de Trás-os-Montes atraía-a ao mesmo tempo que desejava conhecer “como seria o mundo para além do Marão” 1 que lhe surgia como uma fronteira a transpor: “Outra coisa que guardo com muita força é o azul amassado com violetas das encostas do Marão, que se viam do meu quintal, e que eram para mim uma barreira”. 2
As histórias e os contos tradicionais acompanharam a sua infância e adolescência e livros como As mil e uma noites levaram-na a “viajar” para outros pontos do mundo: “Bagdad, onde eu passei os últimos anos da infância e o começo da adolescência, em companhia do califa Haroun-al-Raschid e presa da sedutora palavra de Xerazade” (Dacosta, 2008:214).
Lembra-se do afecto que recebia: “Fui muito mimada; é uma das coisas que guardo mais, o mimo” 3 e considera que a sua infância foi “envolvida por uma névoa de sonho” (Dacosta, 2008:155).

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Luísa Dacosta escreveu o primeiro livro para a infância, O príncipe que guardava ovelhas, em 1970, fruto da vontade de dar, aos seus alunos, obras diferentes daquelas que existiam destinadas aos leitores infantis. Era professora do ensino público e tinha publicado quatro livros: dois de ficção e dois de ensaio.

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Até 2007, escreveu treze livros infanto-juvenis, nove de ficção: O Príncipe que Guardava Ovelhas; O Elefante Cor-de-rosa, A Menina Coração de Pássaro, História com Recadinho, Sonhos na Palma da Mão, Lá vai uma… Lá vão duas, A Rapariga e o Sonho, O Perfume do Sonho, na Tarde, O Rapaz que sabia acordar a Primavera;

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dois de teatro: O Teatrinho do Romão, Robertices;

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um conto de Natal: Os magos que não chegaram a Belém;

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uma narrativa histórica: A batalha de Aljubarrota

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e quatro antologias, reunidas em dois volumes: De mãos dadas, estrada fora, I e II.

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Sobre a sua escrita dirigida a um público infantil, afirma que:

“A criança é antes de mais sonho e imaginação. Daí que a minha literatura, que lhes é destinada, se enraíza no património universal do sonho e do imaginário português, já que parto das minhas raízes universais e nacionais”. (Maldonado,2007:7)

E que:
“Sempre a infância foi o berço da minha escrita” (…) “A infância é uma raiz, que não se pode negar.” (Maldonado, 2007:7)

 

1 2 3 Luísa Dacosta in entrevista ao sítio Catalivros: http://catatu.catalivros.org/fala_estar_le-nos/le_LM05_entr_l_dacosta_2_c.pdf
Bibliografia:
Dacosta, Luísa, Um olhar naufragado, Asa, Lisboa, 2008
Maldonado, Manuela, “Conversa com Luísa Dacosta provocada por Manuela Maldonado”, in Boletim Solta Palavra, nº11 e 12, CRILIJ, 2007, disponível em: http://www.crilij.com [10 de fevereiro de 2014]

Fotografias de Luísa Dacosta retiradas da internet.

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