Monthly Archives: Abril 2016

Dia Mundial do Livro: escritores e ilustradora sugerem a leitura de livros

por Sofia Pereira

Hoje é o Dia Mundial do Livro!

A data, assinalada desde 1996 e por decisão da UNESCO, foi escolhida com base na lenda de S. Jorge e o Dragão, adaptada para honrar uma velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de S. Jorge e, em troca, recebem um livro. Simultaneamente, presta-se homenagem à obra de grandes escritores, como Cervantes e Shakespeare, falecidos exatamente em abril de 1616.

Para assinalar a data, a Fábulas convidou escritores e ilustradores a sugerirem a leitura de um livro, apenas um, e a justificar o motivo da sua escolha:

Catarina Gomes, Ilustradora

O dariz, Olivier Douzou, Editora Cosacnaify

«Inspirado num conto satírico do escritor russo Nikolai Gógol, O dariz de Olivier Douzou é um livro que conta, de uma forma genial, a história de um nariz que procura um lenço para se assoar. Escolhi-o porque foi dos poucos livros que me convenceu pela lombada/título. Depois de pegar nele, a ilustração da capa convenceu-me ainda mais e quando o abri para ler a primeira página, não lhe tirei mais as mãos de cima, porque soube que ele tinha de vir comigo para casa. Talvez o facto de eu ter a voz um pouco anasalada, tenha ajudado. Começa assim (ler em voz alta): “Guando agordei esta banhã / esdava gombletamente endupido. / Zaí bra domar ar.” Recomendo-o para qualquer faixa etária.»

(c) Miguel Alves
Catarina Nunes de Almeida, Escritora

Cândido ou O Optimismo, Voltaire, tradução de Rui Tavares, ilustração de Vera Tavares, Tinta-da-China

«A minha escolha vai para um dos livros que marcou, pela sua intemporal frescura, imprevisibilidade e lucidez, a fase final da minha adolescência. E são vários os aspectos que sublinho desse primeiro contacto com o romance de Voltaire – o mais evidente de todos foi, sem dúvida, a dimensão caricatural da obra. Voltaire expõe-nos, com um humor e uma imaginação brilhantes, uma série de tipos humanos que, servindo de espelho da sua época, não deixam de se fazer presentes nos nossos dias. A adolescência é o tempo de procurar respostas para uma série de contradições da vida humana que esta narrativa expõe com profunda inteligência. É o tempo de afirmação da liberdade individual, mas também de descoberta dos valores fundamentais da sociedade, temas escavados até ao osso nas alegorias iluministas. Há perguntas fundamentais sobre injustiça, ignorância, fanatismo a que alguma literatura nos permite aceder e que nunca mais se devem calar dentro de nós. Confesso que o facto de saber que se tratava de uma obra que, à época, não pôde circular senão clandestinamente, aguçou ainda mais o desejo de leitura. Herói de impensáveis façanhas, Cândido leva-nos aos extremos do compadecimento e do riso, da revolta e da aceitação, do repúdio e do espanto. Como esquecer a sua bem-amada Cunegundes, os filósofos Pangloss e Martin, a passagem por uma Lisboa que se ergue a todo o custo do terramoto, o encontro do mítico Eldorado e todo o novelo de infortúnios e desventuras “no melhor dos mundos possíveis”? Esta obra é puro deleite – e a edição ilustrada da Tinta-da-China veio refinar ainda mais o prazer que é revivê-la.»

 Maria Francisca Almeida Gama, Escritora

«O livro que hoje vos recomendo chama-se Madalena e foi escrito por mim, há cerca de seis meses, após o falecimento do meu pai. Fala sobre a saudade, a dor, sobre o facto de termos que aprender a lidar com a perda. Também fala sobre os sonhos, sobre a alegria, sobre o amor. É um livro que demonstra o quanto anseio por chegar mais longe e em como, apesar da dor que sinto, me esforço para ser cada vez melhor, orgulhando sempre o meu querido pai. »

Patrícia Ervilha, Escritora

O Principezinho – O Grande Livro Pop-Up, Antoine de Saint-Exupéry, Editorial Presença

«Tendo que escolher um livro infantil, não hesitaria na edição O Principezinho – O Grande Livro Pop-Up por Antoine de Saint-Exupéry, da Editorial Presença. O Principezinho é um livro essencial e um livro que atravessa a nossa própria existência. Faz sentido aos 2 anos, como faz aos 92. Esta edição é extraordinariamente bonita e apelativa. Tem o embondeiro mais inesquecível da literatura. Neste caso, a minha escolha vale pelo conteúdo eterno e também muito pela forma.»

(c) Ricardo Graça
Paulo Kellerman, Escritor

Contos de cães e maus lobos, Valter Hugo Mãe, Porto Editora

«O livro que sugiro é Contos de cães e maus lobos, de Valter Hugo Mãe. Trata-se de um belo e cuidado livro que reúne diversos contos que podem ter vários níveis de leitura, de acordo com a idade dos leitores; apesar de em princípio ser destinado a jovens, será igualmente um livro fascinante para leitores adultos. É composto por onze contos que nos convidam simultaneamente a sairmos de nós e mergulharmos em nós, ora ternos ora duros, sempre enigmáticos e mágicos, por vezes arrebatadores. Cada um dos contos é acompanhado por ilustrações originais de diferentes artistas, o que confere a cada estória um imaginário e uma densidade muito concreta. Um livro que corresponde à definição que o próprio autor atribui ao que será um bom livro: aquele que tem “a capacidade de expressar algo que até ali estaria numa espécie de escuridão. A capacidade de colocar em discurso algo que podemos reconhecer, com que nos podemos identificar e que parece de alguma forma solucionar um problema nosso, mas que até ali ninguém tinha expressado daquela forma.”»

Boas leituras e Feliz Dia Mundial do Livro!

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A livraria Aqui Há Gato, em Santarém

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(c) António Antunes

Há um espaço, situado em Santarém, onde as crianças podem entrar, como se entrassem para dentro de um livro, qual Alice no País das Maravilhas. É a livraria Aqui Há Gato, dedicada aos livros infantis e juvenis. Tem à porta, a dar as boas-vindas, um grande gato, que, com o seu grande sorriso, faz mesmo lembrar o Gato de Cheshire. Passa-se a porta e encontra-se um lugar cheio de cor, decorado com desenhos nas paredes e mobiliário branco, dando destaque àquilo que é essencial na livraria – os livros. Mas a Aqui Há Gato não convida só a conhecer os livros mas a explorá-los também, através de inúmeras atividades, desde leituras e teatros a oficinas de arte. Um lugar a visitar, sem dúvida alguma.

Saiba mais em http://www.aquihagato.weebly.com

 

«Geronimo Stilton» e os valores extrarráticos

por Sofia Pereira

Geronimo Stilton é uma coleção de livros de literatura infantil e juvenil, publicada pela Editorial Presença, em Portugal. Em 2001, foi distinguida com o Prémio Andersen e, um ano depois, conquistou o eBook Award como melhor livro eletrónico infantojuvenil.

Muitos são os leitores – crianças e jovens – que têm um enorme fascínio pelas fantásticas aventuras da personagem Geronimo Stilton, um ratinho que vive na Ratázia, uma ilha em forma de queijo, situada no Oceano Rático Meridional. Formado em Ratologia da Literatura Rática e em Filosofia Arqueorrática Comparada, é diretor há já vinte anos do jornal Diário dos Roedores, fundado pelo seu avô Torcato Viravolta. Aventureiro nato, cativa a simpatia de quem lê as suas histórias, pela sua extraordinária capacidade de transformar as adversidades e fraquezas em grandes êxitos. Nos tempos livres, Stilton gosta de colecionar cascas antigas de Parmesão do século XVIII, jogar xadrez e, sobretudo, adora contar histórias a Benjamim, o seu sobrinho preferido.

As aventuras vividas por este famoso rato, acompanhado por Benjamim, são incríveis e estão recheadas de muitas surpresas, que transmitem importantes valores para o desenvolvimento pessoal, social e intelectual das crianças e dos jovens:

Importância da família e dos amigos
A família é o porto de abrigo de Stilton, é a força que dá sentido à sua vida e é a luz que o ilumina nos momentos de maior consternação. Não há problema que abale as relações familiares, o seu alicerce emocional. Os amigos, igualmente fundamentais para Geronimo, são seus protegidos e festejam todas as suas vitórias, no final de cada aventura difícil e perigosa. Estar rodeado da família e dos amigos fá-lo sentir-se bem consigo próprio e feliz.

Altruísmo e resiliência
Geronimo mostra estar sempre disponível para ajudar os outros e tem uma capacidade extrema para aceitar e superar os obstáculos com que se depara, mantendo uma atitude otimista e não se deprimindo nas situações mais tristes.

Multiculturalismo, solidariedade e respeito pelos outros
Stilton vive numa sociedade multicultural, demonstrando curiosidade e espírito de descoberta pelas tradições de outras culturas. Tem consciência da importância do respeito, da paciência e da aceitação dos defeitos dos outros, e sabe que a igualdade entre todos/as é uma ferramenta crucial para a harmonia social.

Coragem e espírito de iniciativa
Os livros da coleção de Geronimo Stilton ensinam as crianças e os jovens que só as lutas que requerem sacrifícios poderão levar a finais felizes. Neste sentido, é necessário enfrentar as adversidades da vida e os medos, com força e ânimo, pois só assim se conseguirá obter o sucesso desejado. É transmitida uma mensagem de esperança e fé, para que os leitores mais novos nunca percam a coragem nos tempos mais difíceis.

«Em vez de seres contra a guerra, defende a paz!»
A paz é bastante valorizada nas aventuras de Geronimo Stilton. As suas histórias não apelam a comportamentos agressivos e desviantes, nem recorrem ao uso de palavras impróprias; pelo contrário, a ideia de que nos espera um futuro belo e feliz é a mensagem transmitida.

Histórias repletas de aventura e animação para oferecer e/ou ler aos/com os mais novos!

Título da coleção: Geronimo Stilton
Autor: Geronimo Stilton
Editora: Presença

«A Ilha dos Diabretes» ensina a ter uma vida mais saudável

 
por Sofia Pereira

Hoje é o Dia Mundial da Saúde, promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que este ano dedica especial atenção ao tema da diabetes, considerada já uma das doenças do século XXI.

A diabetes afeta, cada vez mais cedo, crianças, jovens e adultos e, desta forma, torna-se fundamental uma sensibilização ativa, prevenindo para os riscos desta epidemia, as causas e os possíveis tratamentos.

Todos conhecemos algum familiar e/ou amigo que, diariamente, lida com esta doença tão comum. Os livros, pelo seu caráter lúdico, pedagógico e mobilizador, são meios essenciais para consciencializar, desde tenra idade, os pequenos leitores para a importância de uma alimentação saudável, que previne algumas doenças e contribui para a adoção de um estilo de vida mais saudável.

Por isso, hoje, apresentamos aqui a sugestão de leitura da história A Ilha dos Diabretes que, através das aventuras de duas personagens – o João e a Maria – ensina os leitores mais novos a terem uma alimentação saudável, associada à prática do exercício físico, trazendo mais energia às suas vidas e tornando-se mais dinâmicos, fortes e saudáveis.

Título: A Ilha dos Diabretes
Autores: Carla Maia de Almeida, Cristina Cunha Cardoso e Pedro Borrego
Ilustrações: João Fazenda
Edição: Pato Lógico e Ordem dos Farmacêuticos

«O título A Ilha dos Diabretes integra a colectânea de livros da Geração Saudável, com várias temáticas de reconhecida importância para a Saúde Pública e com um público-alvo diferenciado entre as várias faixas etárias dos jovens. Este livro é uma co-edição da Ordem dos Farmacêuticos e do Pato Lógico, com o apoio da Novo Nordisk (no âmbito da iniciativa Changing Diabetes), do Programa Nacional para a Diabetes da Direcção-Geral da Saúde e da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM).»