Livros para o regresso às aulas… por Ana Ramalhete

No regresso às aulas, ler, sonhar,  criar.
Na escola, em casa ou na rua, imaginar sem parar.

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Cheguei atrasado à escola porque…, texto de Davide Cali, ilustração de Benjamin Chaud, Editora Orfeu Negro, colecção Orfeu Mini

«PRIMEIRO, umas formigas gigantes roubam o pequeno-almoço. Depois, aparecem ninjas ferozes, uma gigantesca teia de aranha, um monstro-bolha peganhento e outros assombrosos imprevistos a caminho da escola…»

Uma história que narra as supostas peripécias que o protagonista, sempre acompanhado pelo cão, teve de enfrentar no caminho para a escola e que o levaram a atrasar-se e a ser interrogado pela professora. As suas desculpas transformam-se em aventuras, plenas de acção e de personagens fantásticas, onde não faltam elementos de histórias tradicionais como o Capuchinho Vermelho ou o Flautista de Hamelin.

As ilustrações divertidas e expressivas completam o bom humor do texto. Plenas de pormenores, perdemo-nos nas imagens à procura de qualquer elemento que tenha escapado à primeira leitura.
Benjamin Chaud opta pelos tons laranjas, verdes ou castanhos e utiliza-os consoante as características das personagens como, por exemplo, o rapaz em verde, as bailarinas em laranja, as formigas em castanho, os ninjas em preto ou a professora numa junção destas combinações.

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Sonho com asas, texto de Teresa Marques, ilustração de Fátima Afonso, editora Kalandraka

«Não sabia o que queria mas, se pudesse, voar seria. Sentia por dentro uma inquietação de ave, vontade súbita e suave de longe, descolar do chão com destino sem mapa. Maneira de estar, sem estar, sempre de olhos e cabeça no ar, nas nuvens, na lua…»

Uma viagem poética, com asas, pelo céu, pelas nuvens, como uma ave, num voo que dança com o vento e com o tempo, atravessa o mar e parte pelo desconhecido. Uma viagem interior pelos sonhos e pelos desejos que nos pedem para ser realizados e não apenas idealizados. «Sem asas, futuro sonhado pode ficar escondido, adiado no escorrer do tempo. Um dia! Um dia!»

As ilustrações dão-nos as asas e levam-nos pela viagem poética das imagens que acompanham o texto. Ficamos a contemplá-las e a observar o desenho, a cor e o formato dos recortes.
Este álbum recebeu a Menção Honrosa do VII Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados em 2014.

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A rapariga e o sonho, texto de Luísa Dacosta, ilustrações de Cristina Valadas, Editora Asa

Uma rapariga sonhava, fantasiava e brincava com uns seres invisíveis. Com eles voava, inventava histórias, brincava no jardim, experimentava-lhes roupas, sempre na companhia do seu gato. Outras vezes ficava triste e sozinha. Estava a crescer por dentro, crescia pelo sonho.
Uma viagem pela imaginação, até reinos distantes que leva à consciência do eu através da relação com o outro. Pelo sonho, a rapariga adquire poderes, capacidades de transformação e atinge a liberdade plena.
A força da escrita pictórica de Luísa Dacosta espraia-se na ilustração de cristina Valadas e a força da pintura e do grafismo desta espelham-se na palavra da outra. As duas partilham a mesma liberdade criativa estabelecendo uma fusão entre as duas linguagens.

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E tu, vês o que eu vejo? Ed Emberly, editora Bruaá

«Que livro é este? Que animal é este? Segura a página contra a luz e verás.
Na maioria dos livros olhamos para a página de forma a ver as ilustrações, mas neste não. Para vermos a ilustração completa, e encontrar a solução para a adivinha proposta por uma pequena pista, há que olhar através das páginas. Criado por Ed Emberley no final dos anos 70, este livro-jogo nasceu sem prazo de validade. O seu design mantém-se fresco, e o original e engenhoso jogo de transparências demonstra uma vez mais a qualidade interactiva do papel, que não pára de surpreender leitores de todas as idades. Sem pilhas para gastar, este livro vai ser difícil de pousar.»
Este livro tem instruções, logo no início. Elas indicam que é preciso ler uma pista, tentar adivinhar que animal ou letras faltam e, só então, deixar que a luz atravesse as páginas para apreender o que realmente está desenhado. Como uma adivinha que ajuda a imaginar, como um jogo que ensina a ver, como uma magia que faz sonhar.
No final, outra surpresa, a constatação de que as imagens foram elaboradas apenas a partir de duas formas geométricas, um triângulo e metade de um círculo.
Na capa, eu vejo um carneiro, e tu o que vês?

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O pequeno inventor, texto de Hyun Duk, ilustrações de Cho Mi-Ae, tradução de Yunseon Yang e Pedro Moura, editora Orfeu Negro, colecção Orfeu Mini

«O Pequeno Inventor, conto da autoria do escritor coreano Hyun Duk, tem como protagonista Noma, um menino que quer construir um comboio. Com uma tesoura numa mão e uma caixa de cartão na outra, Noma começa por cortar a chaminé e as rodas do seu comboio. Mas quantas rodas tem um comboio? E quantas carruagens? De quantos lugares? Não é fácil, mas Noma decide consultar o Livro dos Comboios. No final, perante o seu novo brinquedo, Noma sente-se um verdadeiro inventor!»

Uma história que descreve o planeamento, o desenho e a execução de todos os passos que Noma, o protagonista, tem de dar para conseguir montar um comboio de cartão: «O melhor comboio de sempre». A mãe ajuda e Noma termina o seu trabalho feliz por ter conseguido construir «um comboio quase verdadeiro».
Os desenhos suaves, ternos e tranquilos de Cho Mi-Ae expandem-se pelas páginas e acompanham todos os movimentos de Noma na execução do seu brinquedo, transmitindo vontade de criarmos o nosso próprio comboio.

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