Sobre os livros para meninas e os livros para meninos…

Illustration-_Paul_Windle_NYTimes
Ilustração: (c) Paul Windle/ NYTimes. Daqui.

A polémica dos livros de atividades diferenciados para meninas e meninos que rebentou há poucas semanas deve levar a uma reflexão sobre aquilo que são os estereótipos perpetuados nos livros para crianças. Não é uma questão nova, nem acabará por aqui.

Há dois anos, publicámos um artigo precisamente sobre este problema e que vale a pena recordar.

O título do artigo colocava uma questão importante:

Serão hoje os livros infantis tão sexistas como há 50 anos?

«Parece que sim.
Ou pelo menos parece que persiste o padrão sexista de livros cor de rosa de princesas para meninas e livros azuis de aventuras e monstros para os rapazes, como também persistem as histórias das mães que ficam em casa a cuidar dos filhos e dos pais que trabalham e trazem o dinheiro para casa, segundo este estudo. A questão é que esses livros não espelham convenientemente as diversas realidades existentes. Há mães que ficam em casa a cuidar dos seus pequenos, como há pais que ficam, enquanto as mães vão trabalhar. Há pais solteiros, há pais divorciados com outros companheiros, há filhos de diferentes casamentos e filhos de casais homossexuais, pelo que as histórias ilustradas infantis deveriam refletir mais esses diferentes contextos. O estudo chama a atenção para estas questões e também para a manutenção dos estereótipos relativamente às profissões preferidas pelas personagens infantis, como o rapaz querer ser polícia ou bombeiro e a rapariga querer ser professora ou enfermeira. São histórias antiquadas que podem alienar os pequenos leitores.

Barbie

Recentemente circulou na internet uma polémica sobre um livro infantil da boneca Barbie em que a protagonista era engenheira informática. Até aqui tudo maravilhoso. O problema é que à medida que se lia o livro chegava-se à conclusão de que afinal a Barbie não parecia perceber nada de computadores, dependendo dos amigos do sexo masculino para fazer aquilo que deveria ser o seu trabalho. O livro era de 2010, mas por alguma razão passou anos impune e só em 2014 é que foi descoberto pelos internautas, levando a uma verdadeira revolta que tomou tais proporções que a Mattel veio logo retratar-se, pedir desculpa e anunciar que ia tirar o livro de circulação, dado este não refletir a visão da empresa sobre a Barbie. O certo é que os leitores levaram quatro anos para se revoltarem contra o livro e a empresa a tirá-lo das prateleiras das livrarias.

Daqui

Artigo publicado pela primeira vez em 14 de janeiro de 2015.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s