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Leituras para as Férias Grandes, por Ana Ramalhete

Vamos aproveitar as férias para olhar com atenção. Olhar para cima, olhar para baixo, olhar para dentro, olhar para fora,  olhar para eles, olhar para nós…Olhar para todos os lados!

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Inventário ilustrado das aves – texto de Virginie Aladjidi, ilustração de Emmanuelle Tchoukriel, tradução de Elisabete Ramos

«Do pinguim ao cardeal, do melro à andorinha… são quase 80 as espécies de aves que voam e trinam por entre as páginas deste inventário repleto de penas e plumas coloridas.»

Um inventário minucioso de várias espécies de aves, ensinando a identificar e a nomear cada parte do corpo, desde o bico até às penas. Descreve a alimentação, as atividades preferidas, os cantos e o chilrear característico de cada espécie. Recheado de ilustrações realistas e coloridas, este inventário é um companheiro indispensável na descoberta das aves e dos seus voos.

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Noite Estrelada – Texto e ilustração de Jimmy Liao, tradução de Ana M. Noronha e Domenica Ignomeriello, edição Kalandraka

«Noite estrelada tem como protagonista uma jovem menina, cuja narrativa na primeira pessoa mostra a forma como é afectada pela sua realidade e pelo mundo que a rodeia. É uma história sobre a solidão e a amizade, a perda e a descoberta, sobre o crescimento e sobre como a arte e a imaginação podem ser veículos de liberdade.»

Nesta história dedicada a todas «as crianças que não se sentem em sintonia com o mundo», a imaginação e a fantasia surgem como formas de libertação de uma realidade pouco atraente, onde estão presentes os conflitos familiares, a solidão e o bullying. O nascimento de uma amizade inesperada vai despontar como um meio de libertação, de fortalecimento individual e de descoberta da beleza, da natureza ou da arte.
O quadro A noite estrelada de Van Gogh inspirou Jimmy Liao no título, em partes do texto e nas aguarelas intensas, onde predominam os amarelos e os azuis fortes. Como é habitual nos seus álbuns, as imagens funcionam como um outro texto que desenvolve, completa e acrescenta o que está escrito.

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O que aconteceu à minha irmã? Texto De Simona Ciraolo, tradução de Rui Lopes, edição Orfeu Negro

«Esta é a história ternurenta de uma menina que muito intrigada com a irmã adolescente, tenta desvendar a todo o custo este grande mistério. Quem é esta nova irmã? Porque já não quer brincar aos mesmos jogos e anda aos segredinhos pela casa?»

Este álbum ilustrado aborda a cumplicidade entre irmãs e o momento em que esta é perturbada pelas alterações de comportamento e pelas mudanças físicas que a irmã mais velha sofre, da noite para o dia. A consciência e investigação de tal fenómeno, pela mais nova, são acompanhadas página a página pelas ternas ilustrações que jogam com os tons de laranja e vermelho em contraste com os azuis e cinzentos, embrenhando-se texto e imagem numa fusão perfeita.

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Na Boca do Lobo – Texto de Sara Monteiro, Ilustração de Susana Carvalhinhos, edição APCC (Associação para a promoção cultural da criança)

«Estes poemas, inspirados em expressões idiomáticas comuns, como por exemplo “fazer uma tempestade num copo de água”, “dar nome aos bois” ou “perder a cabeça”, foram escritos como se se desconhecesse o seu significado, abrindo caminho para o mundo do imaginário.»

Dezassete poemas que nos afastam das conceções iniciais com que certas expressões idiomáticas são utilizadas e nos fazem sorrir e pensar e olhar para todos os lados: para a cidade, para o mundo animal, para o mar, para a lua, para o corpo humano, para o céu. São versos que não batem na mesma tecla e que certamente não nos levam por maus caminhos.
As ilustrações coloridas e bem-humoradas de Susana Carvalhinhos vestem os poemas e lavam-nos alma.

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Olhos tropeçando em nuvens e outras coisas – Texto de João Pedro Mésseder, ilustração de Rachel Caiano, edição Caminho

«Há olhos que quase só deslizam no telemóvel; e olhos que tropeçam em nuvens, em bolas, em pessoas, em patas de aranha, eu sei lá em quê. Às vezes, esses olhos tropeçantes querem que as mãos escrevam textos à maneira de haicais (este livro explica o que são). Os olhos tropeçam num melro, a mão escreve um; numa borboleta, a mão escreve outro, e por aí fora. E há mãos que gostam de desenhar…haicais. Mas será isso possível? É abrir o livro e logo se verá.»

João Pedro Mésseder tropeça em coisas e como das coisas nascem outras coisas escreveu estes poemas de instantes ou instantes de poemas inspirados nos haicais japoneses. São versos que nos transportam ora para a claridade das manhãs, ora para as nubladas tardes de verão e que, em certos momentos, nos fazem lembrar Eugénio de Andrade.
A delicadeza e beleza das ilustrações de Rachel Caiano, a preto, vermelho e azul, traduzem-se em fortes imagens poéticas, quais haicais desenhados.
Um livro que nos deixa com
«Olhos
Tropeçando nas nuvens,
Aturdidos de alegria»

As escolhas de Natal de… Ana Ramalhete

Em Dezembro, cartas e desejos.

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Uma última carta, texto de Antonis Papatheodoulou, ilustrações de Iris Samartz, Kalandraka

«Aquele era o último dia de trabalho do senhor Costas. O último dia como único carteiro de toda a ilha. Era uma época em que não havia telefone, nem correio electrónico, e em que todas as notícias viajavam a pé…»

Uma história importante para explicar ( ou lembrar), às crianças, o papel fundamental que os carteiros e os correios desempenhavam quando ainda não existiam as novas tecnologias; e para reafirmar como ainda é bom escrever e receber cartas em papel, escritas à mão, ou não.

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Cartas de uma mãe à sua filha, Sara Monteiro, Caminho

«Quando Luisinha, com 15 anos, sai de casa da mãe para ir estudar inglês em Inglaterra, esta começa a ser invadida pelos mais estranhos seres: sereias, fadas, bruxas, 1 Pai Natal, 1 fantasma e 1 gnomo (não necessariamente por esta ordem), que a mãe cordialmente recebe e se prontifica a alimentar, dando origem a uma imparável aventura que a leva de casa para a floresta – lugar onde tudo o que existe se mexe e opina (desde folhas e formigas até àspedras mais duras) – e de novo para casa, onde finalmente irá tomar uma decisão radical. Estas cartas, que se prolongam no tempo, são o relato pormenorizado dessas peripécias.»

Quando as pessoas que nos são queridas estão longe, criamos estratégias para encurtar a distância e utilizamos as palavras como pontes que nos levam até ao outro. As cartas que a mãe de Luisinha lhe escreve, narrando as suas aventuras em lugares magicos e com uns seres supostamente amigos da filha, transpotam-na para junto da filha e integram-na num universo comum.

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Diógenes, texto de Pablo Albo, ilustrações de Pablo Auladell, Kalandraka

«Diógenes tem um hobby: colecionar coisas. Que tipo de coisas? Todas. Encontra-as, apanha-as e leva-as para casa. Acontece que Diógenes vive com os pais, com a irmã, com o irmão mais novo e com os avós, e todos eles coleccionam coisas:todo o género de coisas. Não podem imaginar quão cheia está aquela casa. E como se isso não bastasse, Diógenes tem um tio solteiro que também é colecionista e que os visita frequentemente com a sua colecão de… cartas de amor.»

Uma história terna e deliciosa que se inspirou na síndrome de Diógenes para descrever uma família de coleccionadores compulsivos. Um «vício de amealhar coisas» que «já vem de longe», como nos explica Diógenes, o protagonista e narrador.

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Três desejos, texto de Eva Mejuto, ilustrações de Gabriel Pacheco, tradução de Dora Batalim Sottomayor, OQO Editora

«Sonhar em noites de Lua, traz fortuna. Podeis pedir três desejos., dizia o misterioso papel que desceu pela chaminé de um casal de velhinhos enquanto passavam o tempo a assar um naco de pão ao lume. Dentes de ouro, roupas elegantes, um palácio de diamantes… eÉ difícil escolher, e a velhinha achou que com um chouriço no pão pensaria muito melhor. De repente… zás! Apareceu-lhe o chouriço. Tinha gasto o seu primeiro desejo! Quantos onhos cabem em três desejos!»

Um conto adaptado da tradição oral portuguesa, que se debruça sobre a importância de mantermos a capacidade de sonhar, condição necessária para conseguirmos concretizar os desejos que nos trazem mais felicidade.

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O livro dos desejos, texto de Virgílio Alberto Vieira, ilustrações de Cristina Robalo, Caminho

«Sob o céu alto, e fundo, da infância que acorda dos desejos, de margem a margem, tensa, o sonho unia, descalço, sobre o abismo, um menino a medo caminhava. De olhos fechados, um equilibrio de vara forçava contra o peito. A seu lado, pé ante pé, seguia um anjo. Parado em terra, um cavalinho cego espera em silêncio a cor mansa do dia. Em que país há-de nascer esse desejo do poeta que nas palavras do mundo acaba e principia?»

Um livro de poemas marcados pelas rimas, pelo jogo sonoro das palavras, pelo humor, pela imaginação narrativa e pela sátira a algumas figuras típicas do mundo do poder, em contraponto a outras em que a beleza, a natureza e o amor se elevam e nos seduzem pela ternura das suas expressões.

Livros para o regresso às aulas… por Ana Ramalhete

No regresso às aulas, ler, sonhar,  criar.
Na escola, em casa ou na rua, imaginar sem parar.

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Cheguei atrasado à escola porque…, texto de Davide Cali, ilustração de Benjamin Chaud, Editora Orfeu Negro, colecção Orfeu Mini

«PRIMEIRO, umas formigas gigantes roubam o pequeno-almoço. Depois, aparecem ninjas ferozes, uma gigantesca teia de aranha, um monstro-bolha peganhento e outros assombrosos imprevistos a caminho da escola…»

Uma história que narra as supostas peripécias que o protagonista, sempre acompanhado pelo cão, teve de enfrentar no caminho para a escola e que o levaram a atrasar-se e a ser interrogado pela professora. As suas desculpas transformam-se em aventuras, plenas de acção e de personagens fantásticas, onde não faltam elementos de histórias tradicionais como o Capuchinho Vermelho ou o Flautista de Hamelin.

As ilustrações divertidas e expressivas completam o bom humor do texto. Plenas de pormenores, perdemo-nos nas imagens à procura de qualquer elemento que tenha escapado à primeira leitura.
Benjamin Chaud opta pelos tons laranjas, verdes ou castanhos e utiliza-os consoante as características das personagens como, por exemplo, o rapaz em verde, as bailarinas em laranja, as formigas em castanho, os ninjas em preto ou a professora numa junção destas combinações.

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Sonho com asas, texto de Teresa Marques, ilustração de Fátima Afonso, editora Kalandraka

«Não sabia o que queria mas, se pudesse, voar seria. Sentia por dentro uma inquietação de ave, vontade súbita e suave de longe, descolar do chão com destino sem mapa. Maneira de estar, sem estar, sempre de olhos e cabeça no ar, nas nuvens, na lua…»

Uma viagem poética, com asas, pelo céu, pelas nuvens, como uma ave, num voo que dança com o vento e com o tempo, atravessa o mar e parte pelo desconhecido. Uma viagem interior pelos sonhos e pelos desejos que nos pedem para ser realizados e não apenas idealizados. «Sem asas, futuro sonhado pode ficar escondido, adiado no escorrer do tempo. Um dia! Um dia!»

As ilustrações dão-nos as asas e levam-nos pela viagem poética das imagens que acompanham o texto. Ficamos a contemplá-las e a observar o desenho, a cor e o formato dos recortes.
Este álbum recebeu a Menção Honrosa do VII Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados em 2014.

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A rapariga e o sonho, texto de Luísa Dacosta, ilustrações de Cristina Valadas, Editora Asa

Uma rapariga sonhava, fantasiava e brincava com uns seres invisíveis. Com eles voava, inventava histórias, brincava no jardim, experimentava-lhes roupas, sempre na companhia do seu gato. Outras vezes ficava triste e sozinha. Estava a crescer por dentro, crescia pelo sonho.
Uma viagem pela imaginação, até reinos distantes que leva à consciência do eu através da relação com o outro. Pelo sonho, a rapariga adquire poderes, capacidades de transformação e atinge a liberdade plena.
A força da escrita pictórica de Luísa Dacosta espraia-se na ilustração de cristina Valadas e a força da pintura e do grafismo desta espelham-se na palavra da outra. As duas partilham a mesma liberdade criativa estabelecendo uma fusão entre as duas linguagens.

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E tu, vês o que eu vejo? Ed Emberly, editora Bruaá

«Que livro é este? Que animal é este? Segura a página contra a luz e verás.
Na maioria dos livros olhamos para a página de forma a ver as ilustrações, mas neste não. Para vermos a ilustração completa, e encontrar a solução para a adivinha proposta por uma pequena pista, há que olhar através das páginas. Criado por Ed Emberley no final dos anos 70, este livro-jogo nasceu sem prazo de validade. O seu design mantém-se fresco, e o original e engenhoso jogo de transparências demonstra uma vez mais a qualidade interactiva do papel, que não pára de surpreender leitores de todas as idades. Sem pilhas para gastar, este livro vai ser difícil de pousar.»
Este livro tem instruções, logo no início. Elas indicam que é preciso ler uma pista, tentar adivinhar que animal ou letras faltam e, só então, deixar que a luz atravesse as páginas para apreender o que realmente está desenhado. Como uma adivinha que ajuda a imaginar, como um jogo que ensina a ver, como uma magia que faz sonhar.
No final, outra surpresa, a constatação de que as imagens foram elaboradas apenas a partir de duas formas geométricas, um triângulo e metade de um círculo.
Na capa, eu vejo um carneiro, e tu o que vês?

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O pequeno inventor, texto de Hyun Duk, ilustrações de Cho Mi-Ae, tradução de Yunseon Yang e Pedro Moura, editora Orfeu Negro, colecção Orfeu Mini

«O Pequeno Inventor, conto da autoria do escritor coreano Hyun Duk, tem como protagonista Noma, um menino que quer construir um comboio. Com uma tesoura numa mão e uma caixa de cartão na outra, Noma começa por cortar a chaminé e as rodas do seu comboio. Mas quantas rodas tem um comboio? E quantas carruagens? De quantos lugares? Não é fácil, mas Noma decide consultar o Livro dos Comboios. No final, perante o seu novo brinquedo, Noma sente-se um verdadeiro inventor!»

Uma história que descreve o planeamento, o desenho e a execução de todos os passos que Noma, o protagonista, tem de dar para conseguir montar um comboio de cartão: «O melhor comboio de sempre». A mãe ajuda e Noma termina o seu trabalho feliz por ter conseguido construir «um comboio quase verdadeiro».
Os desenhos suaves, ternos e tranquilos de Cho Mi-Ae expandem-se pelas páginas e acompanham todos os movimentos de Noma na execução do seu brinquedo, transmitindo vontade de criarmos o nosso próprio comboio.

Livros para as Férias Grandes… por Ana Ramalhete

Baleias na banheira, cabeças perdidas, histórias inventadas, poemas poesiados, dedos mágicos. Para ler, saborear e aproveitar as férias.

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A baleia, texto e ilustração de Benji Davies, editora Orfeu Negro

Noé, um menino que vivia com o pai e seis gatos, ao pé do mar, ao passear na praia depois de uma tempestade nocturna, encontrou uma baleia. Temendo pela sua sobrevivência, decidiu levá-la para casa, tomar conta dela e entretê-la com histórias e músicas. Contente com a sua nova companheira, o menino temia a reacção do pai, quando este chegasse,  ao final do dia. Como iria reagir?
Uma história sobre a amizade, a solidão e a relação pai/filho. Um álbum onde o texto que se lê se conjuga com aquele que se depreende, seja por palavras ou por imagens. Nestas,
a utilização das cores e os pormenores dos desenhos transportam-nos para um filme de animação.

Benji Davies além de autor e ilustrador é também realizador de animação. A baleia foi o seu primeiro livro de literatura para a infância. Com ele ganhou o Oscar’s First Book 2014.

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Eu quero a minha cabeça, texto e ilustração de António Jorge Gonçalves, editora Pato Lógico

Por vezes é preciso dizer não mas dizer sempre não pode fazer-nos perder a cabeça. Foi o que aconteceu a Céu, uma menina que adorava andar de baloiço e que ao responder ao pai NÃO com muita força, a sua cabeça saltou para uma montanha, longe do baloiço onde estava. Desejosa de recuperar a cabeça, Céu partiu para a montanha acompanhada por uma gaivota. Pelo caminho encontrou diversas cabeças que experimentou, como a cabeça-flor ou a cabeça-pedra, mas nenhuma lhe agradou pois era a sua a única que lhe servia, a única que queria. A viagem da menina continuou e, no coração da montanha, recuperou a sua cabeça, depois de ter conseguido passar por desafios inesperados, principalmente o último: descobrir a palavra mágica que a levaria de regresso a casa.
Uma história que aborda a vontade de dizer constantemente não, o desejo de teimar e a necessidade de utilizar outras palavras e outras atitudes que têm o poder de não nos fazer perder a cabeça facilmente. A força do traço e a intensidade da paleta cromática aquece-nos como se também estivéssemos envolvidos pelo calor da montanha e pelo seu coração generoso.

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O recado de Rosie, texto e ilustração de Maurice Sendak, editora Kalandraka.

Rosie é uma menina citadina que usa a imaginação para viver aventuras e acontecimentos emocionantes, com os seus amigos e vizinhos. Nas suas brincadeiras, inventam lugares e personagens que os transportam para outras realidades e os levam a experimentar variadas sensações e emoções. Um dia podem ser maravilhosas cantoras, poderosas dançarinas ou corajosos bombeiros, no outro incorporarem objectos, como foguetes às cores.
Ao escrever O recado de Rosie, Maurice Sendak inspirou-se na sua infância passada em Brooklyn,  numa criança que conheceu nessa época e pretendeu transmitir a importância da criatividade e da imaginação no universo infantil.
Para as expressivas ilustrações, Sendak escolheu três tons: rosa, azul e preto.

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Poesia-me!, texto de Álvaro Magalhães, ilustrações de Cristina Valadas, editora Asa

Poemas para amar. Palavras para sentir. Um livro atravessado pelo verbo poesiar, onde se fala da vida, do tempo, do amor, da natureza, de animais e da poesia.
As ilustrações de Cristina Valadas plenas de sensibilidade, delicadeza e movimento são imagens poéticas que acompanham as palavras poéticas.
Um livro para lermos e vermos e vermos e lermos, tantas vezes até ficarmos irremediavelmente poesiados.

Poesia-me!
Abre-me e lê-me.
Devagar e também furiosamente.
Como quem ama.
Em troca, poesio-te.

O que é isso?
Ficas em modo poético, digamos assim.
A partir daí, não respondo por mim.
Já caçaste uma alegria em pleno voo?
Oh, sim, tem que se lhe diga.
Já saboreaste um pedacinho de azul
Ou ouviste bater o coração de uma formiga?
Sabes quantos grãos de tudo
Há num grão de nada?
Já viste um pezinho de erva a crescer?
Já te aconteceu coincidires com o mundo,
Perfeitamente, sem estares a contar?
Pois tudo isso, e mais, pode acontecer
Se te poesiar.
(…)

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O dedo mágico, texto de Roald Dahl, ilustrações de Quentin Blake

A Rapariga não suportava caça. Fazia tudo o que estava ao seu alcance para impedir os seus vizinhos de matarem animais, por pura diversão. Um dia, ao ver chegá-los, pai e filhos, com um veado morto pendurado num pau, a Rapariga ficou zangada, furiosa e apontou-lhes o seu dedo mágico. E quando a Rapariga apontava o dedo mágico tudo podia acontecer, tudo se podia transformar…

Uma narrativa que convida à reflexão sobre o comportamento do homem na Terra e sobre a sua relação com os outros seres vivos, nomeadamente os animais. As histórias de Roald Dahl, para crianças, são sempre inesperadas, irreverentes e plenas de imaginação, apelando a uma secreta identificação do leitor. Quem não gostaria de ter um dedo mágico?

Como habitual nos livros deste autor, as características ilustrações, a preto e branco, são de Quentin Blake.

 

As escolhas de Natal de…Ana Ramalhete

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Ao pensar na árvore de natal, tive a ideia de escolher cinco livros em que as árvores estão presentes e contribuem para a renovação do homem e da paisagem. Cinco histórias, cinco fábulas.

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A Árvore Vermelha, de Shaun Tan, tradução de Gabriela Rocha Alves, Kalandraka

«A tristeza, a falta de comunicação e de esperança, a solidão, o caos, o medo, o desinteresse, a indecisão… Quando estes e outros sentimentos negativos nos asfixiam, em algum momento ou lugar, encontramos essa luz tão necessária e animadora.»

Uma fábula poética, uma história que parte de um sentimento: a tristeza e de um estado: o desânimo para chegar a um outro sentimento: a alegria e a um outro estado: a esperança. Estes nascem a partir de uma raiz que se transforma numa árvore vermelha, como a cor do cabelo da personagem principal.
Um álbum com pouco texto e com imagens realizadas com óleos e colagens, de uma grande força e intensidade, como o são todas as ilustrações de Shaun Tan.

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O jardim curioso, de Peter Brown, Caminho

«O Jorge descobre numa linha férrea abandonada umas plantas a morrer.
Decide cuidar delas – e a cidade escura e cinzenta transforma-se num jardim verde e luxuriante.»

Nesta história, Jorge, o protagonista, sente-se cada vez mais feliz ao tratar das plantas que nasceram subitamente nas ruas e ao constatar a mudança da sua cidade, outrora escura e soturna, numa localidade alegre e verdejante e viva.

Através do desenrolar da narrativa percebemos que a natureza, com a sua capacidade de transformação e renascimento, transmite força e esperança e ajuda o homem a reflectir sobre a devida integração dos espaços verdes nas cidades, ou melhor, sobre a devida integração das cidades nos espaços verdes.

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Um gato na árvore, texto de Pablo Albo, ilustrações de Géraldine Alibeu, tradução de Dora Batalim Sottomayor, OQO

«Um gato perseguido por um cão sobe a uma árvore muito alta e não consegue descer. Aqueles que passam por ali sobem com a intenção de ajudar; mas a situação vai-se complicando cada vez mais e a solidariedade dos bombeiros, vizinhos e familiares acaba por se tornar um problema para a árvore, já que não aguenta com tanto peso…»

Nesta narrativa, onde o real e o fantástico se cruzam, palavras e imagens dialogam entre si. As ilustrações acentuam o carácter lúdico do texto resultando, o conjunto, num jogo contínuo.

Outra história, onde é a intervenção da natureza que vai solucionar o complicado problema instalado na árvore.

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A árvore generosa, de Shel Silverstein, Bruaá

«Este livro é o mais conhecido do escritor e ilustrador norte-americano Shel Silverstein. O clássico, escrito em 1964, comoveu gerações com a história de uma árvore e um menino. Com poucas palavras, Silverstein fala da relação entre o homem e a natureza, onde uma árvore oferece tudo a um menino, que a deixa de lado ao crescer, ao mesmo tempo que se torna um homem egoísta. Mas para agradar ao menino que ama, a generosidade não tem fim – ainda que isto signifique a sua própria destruição.»

A árvore generosa é uma fábula sobre a relação entre o homem e a natureza, sobre a amizade, sobre o crescimento e sobre o envelhecimento. O distanciamento entre o rapaz e a árvore sugere a destruição da flora pela humanidade e, no final, a reaproximação do rapaz/idoso à sua velha e esquecida amiga, reafirma a constatação de que o ser humano também é natureza.

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Segredos na floresta, de Jimmy Liao, tradução de Ana M. Noronha e Domenica Ignomeriello, Kalandraka

«Sonhos transformados em empolgantes viagens pelos caminhos da imaginação. Caminhos com encruzilhadas inesperadas, entre muitos segredos e surpresas, sempre na peugada de coelho Felpudo.»

No início desta história uma menina segue um coelho através de uma floresta. Imediatamente, pensamos em Alice no país das maravilhas e no seu sonho. No entanto,  os sonhos desta menina são outros. Viajam pelas árvores, pelo céu, pelas emoções e pela magia. Nesta floresta, há segredos a descobrir, lugares a visitar.
As imagens, a preto e branco (ocasionalmente a cinzento e azul), abrem as portas para o mundo onírico e fantástico da menina e do seu coelho.

Segredos na floresta é o primeiro livro publicado por Jimmy Liao.

A rapariga e o sonho

Luísa Dacosta – Infância e Literatura

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A infância rural de Luísa Dacosta foi marcada pelas histórias que ouvia contar, quer pela mãe (histórias tradicionais portuguesas), quer pela ama (histórias galegas), quer pela tia (histórias trágicas e religiosas). Gostava muito de ler e sentia-se deslumbrada pelas palavras: “No princípio era o verbo – pelo menos na minha infância, toda caldeada pelo encantamento da palavra” (Dacosta,2008:60). Através da leitura descobriu as histórias de fadas. E aos nove anos, quando foi para o liceu, encontrou os livros de Hans Christian Andersen que a influenciaram para sempre.

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Frequentou a escola primária e a escola secundária em Vila Real. A força da paisagem de Trás-os-Montes atraía-a ao mesmo tempo que desejava conhecer “como seria o mundo para além do Marão” 1 que lhe surgia como uma fronteira a transpor: “Outra coisa que guardo com muita força é o azul amassado com violetas das encostas do Marão, que se viam do meu quintal, e que eram para mim uma barreira”. 2
As histórias e os contos tradicionais acompanharam a sua infância e adolescência e livros como As mil e uma noites levaram-na a “viajar” para outros pontos do mundo: “Bagdad, onde eu passei os últimos anos da infância e o começo da adolescência, em companhia do califa Haroun-al-Raschid e presa da sedutora palavra de Xerazade” (Dacosta, 2008:214).
Lembra-se do afecto que recebia: “Fui muito mimada; é uma das coisas que guardo mais, o mimo” 3 e considera que a sua infância foi “envolvida por uma névoa de sonho” (Dacosta, 2008:155).

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Luísa Dacosta escreveu o primeiro livro para a infância, O príncipe que guardava ovelhas, em 1970, fruto da vontade de dar, aos seus alunos, obras diferentes daquelas que existiam destinadas aos leitores infantis. Era professora do ensino público e tinha publicado quatro livros: dois de ficção e dois de ensaio.

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Até 2007, escreveu treze livros infanto-juvenis, nove de ficção: O Príncipe que Guardava Ovelhas; O Elefante Cor-de-rosa, A Menina Coração de Pássaro, História com Recadinho, Sonhos na Palma da Mão, Lá vai uma… Lá vão duas, A Rapariga e o Sonho, O Perfume do Sonho, na Tarde, O Rapaz que sabia acordar a Primavera;

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dois de teatro: O Teatrinho do Romão, Robertices;

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um conto de Natal: Os magos que não chegaram a Belém;

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uma narrativa histórica: A batalha de Aljubarrota

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e quatro antologias, reunidas em dois volumes: De mãos dadas, estrada fora, I e II.

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Sobre a sua escrita dirigida a um público infantil, afirma que:

“A criança é antes de mais sonho e imaginação. Daí que a minha literatura, que lhes é destinada, se enraíza no património universal do sonho e do imaginário português, já que parto das minhas raízes universais e nacionais”. (Maldonado,2007:7)

E que:
“Sempre a infância foi o berço da minha escrita” (…) “A infância é uma raiz, que não se pode negar.” (Maldonado, 2007:7)

 

1 2 3 Luísa Dacosta in entrevista ao sítio Catalivros: http://catatu.catalivros.org/fala_estar_le-nos/le_LM05_entr_l_dacosta_2_c.pdf
Bibliografia:
Dacosta, Luísa, Um olhar naufragado, Asa, Lisboa, 2008
Maldonado, Manuela, “Conversa com Luísa Dacosta provocada por Manuela Maldonado”, in Boletim Solta Palavra, nº11 e 12, CRILIJ, 2007, disponível em: http://www.crilij.com [10 de fevereiro de 2014]

Fotografias de Luísa Dacosta retiradas da internet.

Luísa Ducla Soares, uma vida dedicada à escrita e à leitura

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Maria Luísa Bliebernicht Ducla Soares de Sottomayor Cardia nasceu em Lisboa no dia 20 de Julho de 1939. Tem dedicado a sua vida à escrita e à investigação e divulgação da literatura para a infância e juventude.
Cresceu rodeada de histórias. O pai contava-lhe adivinhas, lengalengas e trava-línguas e Luísa devorava os livros de escritores clássicos, principalmente Eça de Queiroz e Júlio Verne, cujas obras desencadearam o seu gosto pela leitura e pela escrita.
Começou a contar histórias para crianças, ainda jovem, para entreter um dos irmãos, dez anos mais novo, que não gostava dos livros que existiam para a sua idade.
Licenciou-se em Filologia Germânica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Durante a época da faculdade, esteve ligada ao grupo da revista Poesia 61 que pretendia fundar em Portugal uma escola poética experimentalista.
Embora já publicasse poemas em revistas e jornais desde 1951, foi em 1970 que publicou a primeira obra, um livro de poemas intitulado Contrato. Iniciou a sua atividade profissional como tradutora, consultora literária e jornalista, tendo sido directora da revista de divulgação cultural Vida.

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Em 1972 publicou o primeiro livro para crianças, A história da papoila, que marcou o início da sua actividade como autora e estudiosa de literatura para a infância e juventude e lhe valeu o Grande Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, do Secretariado Nacional de Informação (SNI), o qual recusou por razões políticas.
Durante quatro anos (de 1972 a 1976), participou no suplemento infantil do Diário Popular “O Doutor Sabichão” e mais tarde no “Sábado Popular” onde foram divulgados vários contos seus. Alguns foram cortados pela Censura e não chegaram a ser publicados. Aconteceu com o conto O soldado João, história sobre a guerra colonial que acabaria por ser editado mais tarde, em livro.

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Foi adjunta do Gabinete do Ministro da Educação de 1976 a 1978.
Foi membro da direcção da Associação Portuguesa de Escritores.
Trabalhou, de 1979 a 2009, na Biblioteca Nacional onde realizou uma bibliografia de literatura para crianças e jovens em Portugal e organizou numerosas exposições e catálogos sobre Literatura Infantil. Foi assessora da Biblioteca e responsável pela Área de Pesquisa e Informação Bibliográfica.

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Foi colaboradora da revista Rua Sésamo de 1990 a 1995.
Em 1990, o seu conto Meninos de todas as cores foi integrado numa maleta pedagógica, organizada pela UNICEF e pela OIKOS.
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Escreveu o guião dos vinte e seis capítulos do programa Alhos e Bugalhos, uma série televisiva sobre a língua portuguesa, transmitida pela RTP durante as Comemorações do Ano Europeu das Línguas (2001).

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Tem participado em vários projectos que aliam a escrita à música. Em 1999, foi editado um CD com letras suas musicadas por Susana Ralha, intitulado 25, por ser constituído por 25 canções e se integrar na comemoração dos 25 anos da Revolução de 25 de abril. Em 2008, foi publicado o CD, O canto dos bichos, cantado pelo Bando dos Gambozinos, com poemas da autora; em 2011 surgiram O som das lengalengas e Poemas e canções para todas as ocasiões, os dois com cantigas de Daniel Completo.
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Tem elaborado para o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, para o Ministério da Educação e Fundação Gulbenkian diversas publicações selectivas da literatura infantil nacional e internacional. Realizou todas as páginas de Internet da Presidência da República para crianças e jovens no mandato do Presidente Jorge Sampaio. (http://www.presidenciarepublica.pt/pt/main.html).

Junto de escolas e bibliotecas desenvolve regularmente ações de incentivo à leitura. Participa frequentemente em colóquios, congressos e encontros, apresentando conferências e comunicações sobre problemática relacionada com os jovens e a leitura e sobre literatura para os mais novos.
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É sócia-fundadora do Instituto de Apoio à Criança.
Em 1986 o seu livro 6 histórias de encantar recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças pelo Melhor Texto do Biénio 1984-1985. Dez anos mais tarde foi-lhe atribuído o Prémio Calouste Gulbenkian pelo conjunto da sua obra.

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Em 2004 foi nomeada para o Prémio Hans Christian Andersen da IBBY (International Board on Books for Young People. Em 2009, a Sociedade Portuguesa de Autores distinguiu-a com a sua Medalha de Honra. Em 2010, foi proposta pela DGLB como candidata de Portugal ao Prémio Ibero-Americano SM de Literatura Infantil e Juvenil.
As suas obras encontram-se traduzidas para várias línguas nomeadamente francês, catalão, basco e galego.

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Até ao momento, Luísa Ducla Soares publicou cerca de 130 livros.

Leituras para o regresso das férias… por Ana Ramalhete

Para setembro e para o regresso às aulas, livros em que as letras e os números são protagonistas.

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Letras nos atacadores, de Cristina Falcón Maldonado, ilustrações de Marina Marcolin

«Quando aprende a ler, Flor descobre que as letras são contadoras de coisas.»
Flor tem seis irmãos. Trata deles e leva-os à escola, o seu local preferido. Quem narra a história, é um dos seus irmãos, que a admira e nos transmite o amor da irmã pelas letras e pelos sapatos – o único par que tem e que trata com todo o cuidado para não se estragarem pois os atacadores ajudam-na a desenrolar mais letras que a levam à leitura e ao encontro de mais histórias.
Letras nos atacadores é um livro que ressalta a importância da leitura, do papel determinante da mulher como educadora (Flor toma conta dos irmãos, a mãe é professora e a avó vive com os netos) e foca as vicissitudes e contrariedades do quotidiano das famílias actuais (para exercer a sua profissão, a mãe tem de trabalhar longe dos filhos).

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As letras de números vestidas, de João Pedro Mésseder, ilustrações de Marta Madureira

«Associando letras e números, nomes próprios e traços físicos ou de carácter, a escrita diverte e diverte-se. Nem só as letras e as palavras têm a ver com a poesia. Os números também. E tantas outras coisas, é claro. Para que cada um o saiba, basta ter os sentidos bem alerta, descobrindo nas palavras os ritmos da própria vida. E viver a experiência de ler, cantar, dançar, memorizar, dramatizar estes textos. Ou escrever outros, à maneira dos que o livro propõe.»
Do A ao Z, do início ao fim, cada letra do alfabeto tem um nome e veste um número.
Os poemas de João Pedro Mésseder encantam pelo ritmo, musicalidade e constituem um incentivo à leitura e à escrita daqueles que nelas começam a dar os primeiros passos.
Os traços das ilustrações de Marta Madureira dão aos versos uma roupagem acrescida, levando o leitor a pensar em novas histórias.
«O H é de Helena e Honório,
Meninos que vestem o 8,
Porque rima com biscoito.»

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Pequeno livro da desmatemática, de Manuel António Pina, desenhos de Pedro Proença

«Este livro é um livro de “desmatemática” porque, aqui, os personagens da matemática, os números, os sinais, as contas são tratados como gente, têm sentimentos, sonhos. Até fraquezas e defeitos. Como tu e como eu. É um jogo que eu gosto muito de jogar, imaginar como as coisas seriam se fossem ao contrário. (…) Por isso te venho apresentar o amimigo zero (uma verdadeira nulidade, pensam alguns; o que eles se enganam!), os números negativos, os números imaginários, os números irracionais (raio de nome!), o misteriosíssimo e famosíssimo p. Talvez, quem sabe?, depois de teres conhecido estes, tu queiras conhecer outros. A maior parte das pessoas não calcula (a palavra calcular vem a propósito) a gente curiosa que vive na matemática.»

Palavras de Manuel António Pina, na introdução à terceira parte do livro.
Dividido em três partes: “Pequeno livro dos problemas”, “Pequeno livro das histórias” e “Onde se fala de alguns seres extraordinários”, nestes textos, em verso e em prosa, conseguimos olhar para a matemática de outra maneira, ver o outro lado das contas e dos problemas, e até encontrar números que querem ser poetas e outros que são narcisistas, ou seja, entramos no mundo da desmatemática.

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A árvore das folhas A4, de Carles Cano, ilustrações de Carlos Otin

Na primavera, na altura de renovação, certa árvore decidiu vestir-se de folhas de papel de tamanho A4, perante o desagrado das outras árvores do bosque e dos animais, com excepção dos pássaros que se deliciavam com as folhas e mais tarde com as histórias que estas contavam, através das letras. Chegou o outono, as folhas voaram e os pássaros choraram ao encontrá-las, transformando as letras.

Uma história que alia a preocupação ambiental e a preservação da floresta ao prazer da leitura e à descoberta das letras como signos constituintes das palavras, carregados de potencialidades de comunicação e transmissão, de histórias e de poesia.

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1, 2, 3, Conta Lá Outra Vez!, de Danuta Wojciechowska

«Vês como os números também servem para contar histórias? E falam todas as línguas! São universais: em qualquer parte do mundo, uma criança como tu, consegue ler o mesmo algarismo. Mas o que é mais fascinante é que podes utilizar os números para observar o mundo e compreender como as coisas são feitas. Os números estão escondidos em tudo, basta olhar com atenção. Existem nas plantas, flores e animais, mas também no teu corpo e na tua imaginação. Se aprenderes estes segredos podes usá-los para criar, planear e construir o mundo a tua volta.»

Neste livro, da autoria de Danuta Wojciechowska, a força e intensidade da cor alia-se à imaginação e clareza do texto. Os números são os protagonistas, têm significados e aparecem associados às pessoas, aos objectos e às histórias. Fazem parte do universo e levam-nos à sua descoberta. Surgem em seis línguas diferentes: português, inglês, francês, espanhol, alemão e mandarim.
Uma obra para ler e ver, uma, duas, três vezes e no final recomeçar, outra vez.

Na biblioteca de Laura e Maria

por Ana Ramalhete

Porque em Abril se comemora o Dia Internacional do Livro Infantil, e porque gostamos de saber o que pensam as crianças e o que têm nas suas bibliotecas, entrevistámos duas meninas: a Laura, de dez anos, e a Maria, de nove. Conversámos sobre livros, histórias e imagens. Obrigada, Laura e Maria!

Fábulas – Têm algum livro preferido? Porquê?
Laura – Tenho, O livro que explica tudo sobre os pais. Porque fiquei a saber coisas que ainda não sabia.
Maria – Tenho, o Diário de um Banana. Porque acho uma história muito engraçada.

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Fábulas – Qual foi o último livro que leram?
Laura – O meu preferido.
Maria – Também foi o meu preferido.

Fábulas – Num livro, o que preferem? O texto ou as ilustrações?
Laura – As ilustrações, porque nos permitem ler o livro por imagens, ou seja mostra-nos uma composição de arte.
Maria – O conjunto dos dois, texto e ilustração.

Fábulas – Há algum livro em que gostam do texto, mas não gostam das ilustrações?
Laura – Há, Uma flor chamada Maria, de Alves Redol.
Maria –  Há, O Principezinho.

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Fábulas – E há algum livro em que gostam das ilustrações, mas não gostam do texto?
Laura – Sim, Novas histórias de princesas e fadas.
Maria – Sim, Princesas esquecidas ou desconhecidas.

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Fábulas – Apreciam imagens a preto e branco?
Laura – Não, porque não nos permite ver as coisas como elas são realmente.
Maria – Sim, porque mostra uma imagem como era antigamente.

Fábulas – Antes de adormecer, gostam mais de ouvir ou de ler uma história?
Laura – Gosto mais de ser eu a ler.
Maria – Também gosto mais de ser eu a ler.

Fábulas – As histórias para adormecer têm de ser especiais?
Laura – Têm, pois tenho medo de certas histórias.
Maria – Não.

Fábulas – Ultimamente, qual foi o livro que leram mais vezes?
Laura – Quem mexeu no meu queijo.
MariaO meu diário top secret – Em digressão pela América.

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Fábulas – Qual é o livro que não têm, mas gostavam de ter?
LauraRomeu e Julieta e Os Maias.
MariaVerão e Romeu e Julieta.

Fábulas – Chegámos ao fim da entrevista. Obrigada pelas respostas!
Laura – Nunca tinha sido entrevistada.
Maria – Eu também não.