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Livraria infantil de Benavente vai encerrar…

A livraria Fadas, Bruxas e Dragões é uma das poucas, em Portugal, dedicadas exclusivamente a livros para crianças. Há uns meses fizemos uma pequena entrevista aos donos, para conhecer o seu valioso trabalho, e que pode ser lida aqui. A livraria atravessou a crise e resistiu com força e coragem e espírito de iniciativa, mas há poucos dias verificámos, com muita tristeza, que a livraria vai encerrar por «força dos números», como explicam os donos num post no facebook.  É uma pena, e a revista Fábulas deixa um abraço solidário a Mafalda Ganhão e a Pedro Peralta e o desejo de que um dia possam abrir um novo projeto, com uma nova energia, e assim continuar o excelente trabalho de divulgação e promoção da leitura entre as crianças. A página da livraria fica aqui. Não deixem de a visitar!

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A força da poesia

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por Sofia Pereira

«Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas.»
Federico Lorca

«A poesia é a arte de comunicar a emoção humana pelo verbo musical.»
René Waltz

Hoje, a 21 de março, assinala-se o Dia Mundial da Poesia.

A poesia é um género literário muito rico, que nos transporta para um mundo diferente, onde podemos sonhar, refletir e viver. Quando falamos de poemas, é inevitável lembrarmo-nos de todo um conjunto de palavras cheias de significado, de sentido, de ritmo e de musicalidade. São todas essas características, aliadas à criatividade e a uma forte dimensão estética, que tornam a poesia, de uma forma geral, fascinante para a maioria dos leitores.

Ler poesia é tentar mergulhar na verdadeira mensagem do texto poético – só conhecida pelo poeta –, mas a pluralidade de significações atribuídas pelos leitores constrói um puzzle que enriquece o poema. Mas, mais do que tentar captar o sentido e a expressão das palavras, a leitura de poesia pode contribuir para o desenvolvimento pessoal, intelectual, emocional e social dos leitores.

Conhecer o que grandes poetas deixaram escrito e que perdura no tempo, compreender melhor o mundo que nos rodeia e, dessa forma, poder participar nele, conhecer outras formas de ver e sentir o mundo, saber mais sobre poesia, refletir e adotar uma atitude crítica face à realidade que nos rodeia, e inspirar-nos para escrever, são benefícios que todos os leitores podem descobrir nesta viagem pela arte poética.

A poesia é, muitas vezes, o espelho da alma do seu autor, mas também do ser humano que se dedica ao prazer da sua leitura. A poesia é uma recriação do mundo: descreve a realidade de um modo misterioso, transformando-se num bálsamo e os momentos menos positivos, as injustiças, as violências e os sentimentos negativos enchem-se de cor e vivacidade. São palavras silenciosas que têm um poder terapêutico para quem as lê.

Neste Dia Mundial da Poesia, deixamos aqui a sugestão de alguns livros, para partilhar, para oferecer:

O MEU PRIMEIRO ÁLBUM DE POESIA

O Meu Primeiro Álbum de Poesia, de Alice Vieira, ilustrações de Danuta Wojciechowska, Dom Quixote

«O Meu Primeiro Álbum de Poesia tem a capacidade rara de tornar acessíveis, a leitores de todas as idades, poemas de grandes autores portugueses do século XVI aos nossos dias, conseguindo proporcionar-lhes um prazer genuíno e duradouro. Nesta antologia encontra-se poesia criteriosamente seleccionada por Alice Vieira de autores como Luís Vaz de Camões, Fernando Pessoa, Miguel Torga, António Gedeão, Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen, Mário-Henrique Leiria, Ruy Belo, Luísa Ducla Soares, Matilde Rosa Araújo, Vasco Graça Moura, entre outros. Cada leitor será livre de decidir aquele que prefere, aquele de que menos gosta, aquele que mais o encantou (mesmo que não tenha percebido as palavras todas), aquele que lhe pareceu mais estranho, aquele que aprendeu logo de cor. As autoras Alice Vieira e Danuta Wojciechowska coleccionaram os poemas e conceberam as imagens deste álbum, que somos convidados a apreciar página a página e, no final, a completar. Trata-se de uma obra para leitura individual ou em grupo. Com ela se pode começar a amar a língua, a literatura e os livros numa aventura através da linguagem poética que envolve compreensão, imaginação e coração.»

ANOS 70 POEMAS DISPERSOS

Anos 70: Poemas Dispersos, de Alexandre O’Neill, Assírio & Alvim

«Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 8.º ano de escolaridade. Leitura orientada na Sala de Aula – Grau de dificuldade II. Os textos de Alexandre O’Neill que compõem este volume nunca foram por ele incluídos em livros seus. À excepção de dois, recuperados de uma antologia, e de três encontrados no espólio, o autor publicou-os em jornais e revistas durante a década de 70. O conjunto aqui editado resultou da pesquisa feita no âmbito da biografia do poeta (Alexandre O’Neill: Uma Biografia Literária, de Maria Antónia Oliveira, Dom Quixote). Pôde constatar-se que, embora o poeta viesse publicando regularmente desde os finais da década anterior, os anos 70 eram aqueles em que a sua produção se tornava mais assídua, e em que mais textos haveriam de ficar confinados às páginas dos periódicos. Reúnem-se também poemas escritos para os jornais Diário de Lisboa e A Luta, e para as revistas Flama e Ele. Foram encontrados no espólio do poeta os poemas “Magritte” e “Azul Ar”, bem como os poemas sem título designados por Fragmentos, inéditos. Acrescentam-se ainda dois poemas datados de 1972 que E.M. de Melo e Castro e José-Alberto Marques incluíram na Antologia da Poesia Concreta em Portugal (Lisboa, Assírio & Alvim, 1973). Em anexo, publicam-se dois textos com poemas, e uma versão em prosa da primeira parte de “Rã & Descobridor.”»

SONETOS

Sonetos, de Florbela Espanca, Porto Editora

«Escritos nas primeiras décadas do século XX, os sonetos de Florbela são a expressão poética da paixão sensual e da confissão feminina. Simultaneamente pujante e frágil, a poetisa revela, por vezes de forma egocêntrica e narcisista, uma feminilidade intranquila e insatisfeita, imersa na Dor e no Amor. Influenciada por poetas como António Nobre ou Antero de Quental, Florbela revelou-se pouco permeável aos grupos e movimentos literários da época e construiu uma estética própria, pautada por um discurso poético veemente, descomplexado e livre de constrições sociais.»

E, como este dia marca também o início da primavera, convidamos a desfrutar do poema «Quando vier a primavera», de Alberto Caeiro, declamado pelo ator Pedro Lamares.

Feliz Dia Mundial da Poesia!

Os livros infantis e a evolução dos tempos

por Cristina Dionísio

Helen Day, uma entusiasta de uma coleção de livros de clássicos da Ladybird, tem estado a colocar no Twitter imagens comparativas das ilustrações desses livros, publicados nos anos 1960. Os posts têm feito tal sucesso que a sua conta já tem mais de cinco mil seguidores.

As imagens demonstram as atualizações progressivas que essas ilustrações têm recebido em reedições mais recentes, e em que se notam muitas diferenças, como por exemplo a inclusão de personagens de raças diversas, onde antes só havia personagens de raça branca, ou na roupa das meninas, que passam a usar calças de ganga em vez de saias, ou até mesmo ao nível de segurança, em que foi pintado um colete salva-vidas num rapaz navegando num barco de borracha.

Segundo a editora, estas alterações foram feitas para refletir a evolução dos tempos e permitir que os livros continuassem a ser lidos pelas crianças modernas, sem as alienar. O estereótipo da menina que brinca com bonecas e do rapaz que brinca com carros é quebrado, bem como o do pai que se mantém à distância enquanto os filhos brincam, ou da mãe que os observa da janela enquanto cozinha. As novas ilustrações demonstram que o pai está mais envolvido na educação dos seus rebentos. São mais fiéis também no retrato das brincadeiras das crianças, que degeneram frequentemente em confusão.

Aqui ficam alguns exemplos, mas em @LBFlyawayhome poderão ver muitos mais.

Poderá também ler dois artigos muito interessantes sobre este tema aqui e aqui.

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(c) Ladybird Books Ltd.

 

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(c) Ladybird Books Ltd.

 

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(c) Ladybird Books Ltd.

 

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(c) Ladybird Books Ltd.

«E se as histórias infantis passassem a ser de leitura obrigatória para adultos?»

por Sofia Pereira

«As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender, e tenho pena. Além de ser preciso escolher as palavras, faz falta um certo jeito de contar, uma maneira muito certa e muito explicada, uma paciência muito grande – e a mim falta-me pelo menos a paciência, do que peço desculpa.»
José Saramago

A MAIOR FLOR DO MUNDO

A maior flor do mundo é o único livro infantil que o Nobel nos deixou como legado. Uma história magnífica dirigida às crianças, em que se nota um jeito especial do escritor para captar a atenção dos leitores, através de um jogo simbólico de ilustrações que auxiliam na construção do sentido da narrativa, criando uma dinâmica viva na maravilhosa viagem que as crianças fazem como leitoras e personagens, como Saramago assim convida.

O autor conta-nos a história de um menino que faz nascer a maior flor do mundo. O espaço em que decorre a ação (uma aldeia), a idade do protagonista (a infância) e as suas aventuras remetem-nos para um universo pueril vivido em plena alegria, liberdade, despreocupação e em comunhão com a Natureza. O sacrifício do menino para fazer nascer a maior flor, afastando-se do conhecido e deixando os «outros» preocupados com a sua ausência, revela a astúcia e o altruísmo do herói, transformando o seu ato numa «obra-milagre».

Todas estas peripécias convidam-nos a refletir sobre a importância de todas as crianças terem uma infância alegre e despreocupada, e como é fundamental promover valores como o sentido de altruísmo, o respeito pelos outros e pela Natureza, e o valor da amizade.

Um livro de excelência recomendável para crianças e adultos!

Título: A Maior Flor do Mundo
Autor: José Saramago
Editora: Porto Editora

Sara, uma escritora rara

por Ana Ramalhete

Sara Monteiro é uma escritora com vários livros publicados na área da literatura para a infância e juventude.

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Na sua obra, as personagens têm características que as tornam únicas e inesquecíveis. Seja uma princesa peluda que quer governar o reino de seu pai (A princesa que queria ser rei), um príncipe excessivamente tímido que usa uma máscara (O príncipe perfeito), uma mãe que convive com seres estranhos (Cartas de uma mãe à sua filha) ou uma lebre preocupada com o equilíbrio ecológico (A lebre e o raminho de salsa), nenhuma nos deixa indiferente. Pelo contrário, ficamos sempre com vontade de as reencontrar e ansiamos por descobrir quem serão e como serão as próximas.

Sara respondeu a dez perguntas, uma sobre cada livro editado. As suas respostas fazem-nos sorrir, refletir e conferir que a Sara é mesmo uma escritora rara!

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Como surgiu a ideia deste título?
Estas meninas que se perdem dentro de um prédio são uma espécie de D. Quixote: veem o que não está lá, o que imaginam. Como o Cavaleiro da Triste Figura que via gigantes onde havia moinhos, elas veem florestas, praias e jardins em cada casa onde entram.

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Uma atitude diferente pode ser transformadora do eu e do outro?
Penso que sim. Uma atitude e uma postura diferentes levam a ações inesperadas e inabituais que por sua vez se repercutem até ao infinito. Por causa da postura de alguém, outros podem mudar, e mudando, algo de novo acontece. Neste caso, pelo menos foi assim que o desejei e criei: o príncipe, um ser especial, precursor de uma sociedade nova.

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As princesas já se emanciparam?
Mais ou menos. Estão mais em vias de se emanciparem. Cada dia um passo em frente, mas ainda faltam muitos passos, apesar do já longo caminho percorrido. E algumas princesas, como se sabe, ainda vivem encarceradas.

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A infância mora numa casa em cima de uma árvore?
Ah, claro! Mora perto do céu, por entre folhas e ramos, no meio dos pássaros e dos frutos. A infância mora ao pé do impossível e do sonho. Cria mundos, está sempre uns metros acima do chão para poder ver mais longe, mas também para se recolher e inventar com mais liberdade, sem os constrangimentos do dia-a-dia e sem a supervisão dos adultos. Hoje, mais do que nunca, as crianças precisam de uma casa na árvore, para se protegerem do olhar omnipresente dos adultos.

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As cartas ajudam a encurtar a distância e a suportar a separação?
As cartas de antigamente ajudavam a suportar a separação e as grandes distâncias. Hoje, as cartas foram substituídas por mails, sms, conversas via internet, telefonemas, mesmo para quem não está assim tão distante como isso. Mas é parecido: quando falta a presença física, pomos palavras que funcionam como pontes: daqui até lá, de nós até ao outro; e de lá para cá e do outro para nós.

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A vida no campo influencia a escrita?
Imenso. Quando fui morar para o campo, descobri os animais, foi uma festa! E embora na cidade haja convívio com vários deles, são de uma espécie diferente, domésticos. No campo, apesar de haver também os animais domésticos e os semidomésticos, há os outros que cruzam o mesmo espaço, mas que são livres, não pertencem a ninguém a não ser a eles mesmos e à natureza. Gostei muito de conhecer estes, encontrá-los nos meus passeios e fazê-los entrar nas histórias do bosque.

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As crianças precisam de super-heróis?
As crianças gostariam de ser elas mesmas super-heróis, ter poderes, transformar o mundo, a vida à sua volta, salvar quem precisa. Como são pequenas e fracas, mas ao mesmo tempo têm um apurado sentido de justiça, admiram quem consegue com os seus imensos poderes fazer tudo o que ela desejaria fazer mas não é capaz.

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Os animais podem ser felizes dentro de gaiolas?
Hum, pergunta difícil. Quem sabe o que os animais (coelhos, pássaros  ou outros) pensam? Lembro-me de um conto de Machado de Assis Ideias do Canário em que a ideia que o canário fazia do mundo ia mudando consoante o que ele via do sítio onde a sua gaiola ia sendo colocada (sempre mundos pequenos) até que finalmente, já fora da gaiola, define  o mundo como um espaço infinito e azul, com o sol por cima, já completamente esquecido dos mundos de antes. Ele ia sendo feliz em todos. Talvez seja assim com toda a gente e não só com os animais.

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O que há por detrás da linha da horizonte?
Um urso que quer aprender a ler? Monstros e perigos? A liberdade, a aventura? O desejo de conhecer? Amigos novos? Mistérios para descobrir e resolver? Nunca o saberemos a menos que nos aventuremos também.

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Júlia e a lebre são parentes de Alice e da Lebre de Março?
São primas, mas vamos lá definir melhor o parentesco. A lebre é prima-irmã da lebre de Março, se não mesmo a própria lebre de Março, e Júlia uma prima afastada de Alice, e prima-irmã de Delfina e Marina, duas irmãs que vivem numa outra quinta, personagens criadas pelo escritor francês Marcel Aymé.

Sara Monteiro nasceu em Lisboa, onde vive atualmente. Tem formação na área de Educação pela Arte e toda a sua atividade tem sido relacionada com a escrita. O primeiro livro publicado foi uma história para a infância intitulada As Meninas de la Mancha. Outros se seguiram, tendo o último sido publicado na Caminho: A Lebre e o Raminho de Salsa. ateliers de leitura e escrita criativa em escolas, estabelecimentos prisionais e bibliotecas. Foi coordenadora editorial na Fundação Odemira e subdiretora da revista Arte Musical. É cofundadora do grupo de teatro 3 em Pipa, para a qual escreveu textos, tendo sido levadas à cena, da sua autoria, as peças O Fantasminha e a Baleia e Um Coração Perfeito. Para além dos livros publicados, tem colaboração dispersa em revistas e antologias. Desde 2013 dedica-se também à joalharia.

Livros que ajudam a explicar a morte às crianças

Do livro «Duck, death and the tulip», de Wolf Erlbruch.
Do livro «Duck, death and the tulip», de Wolf Erlbruch.
por Sofia Pereira

Falar da morte aos mais novos não é fácil, mas isso não deverá ser motivo para os excluir das explicações, do choro e da tristeza.

Se até aos três anos a criança não consegue entender que a morte é definitiva e irreversível, certo é que, a partir dos seis, sete anos, já começa a compreender o seu significado e a sentir o quão doloroso e angustiante é perder para sempre alguém que lhe é querido (família e/ou animal de estimação).

Os adultos sabem que o confronto da criança com a morte é inevitável. Por essa mesma razão, deverão prepará-la para essa perda com verdade e honestidade, procurando abordar o assunto com respostas claras e acessíveis às suas curiosidades e dúvidas. Quando uma criança é protegida desse impacto emocional e nenhum familiar clarifica esse assunto, será natural crescer num mundo de ilusão e terá, mais tarde, dificuldades em lidar com a perda e o luto.

Os livros podem ajudar a explicar a morte às crianças. A leitura de histórias que abordem o tema pode, sem dúvida, constituir uma oportunidade para criar condições para que, num ambiente familiar, tranquilo e lúdico, crianças e adultos possam falar sobre a morte. Cria-se, assim, um espaço seguro e de partilha de afeto, em que as crianças expressam as suas dúvidas, anseios e preocupações. Os pais explicam, de forma simples e delicada, que a morte é um processo natural da vida (seres humanos, animais, plantas…), ajudando a criança no seu crescimento psicológico, nomeadamente no seu processo de perda e luto, através da clareza de ideias e do incentivo à expressão de sentimentos.

Deixamos aqui a sugestão de alguns livros que podem ajudar a explicar, num momento familiar e lúdico, a morte às crianças:

Um gato tem sete vidas

Um gato tem 7 vidas, de Luísa Ducla Soares, ilustrações de Francisco Cunha, Civilização Editora

«Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 2.º ano de escolaridade. É de um modo extremamente hábil e cheio de ternura que a autora aborda, neste livro, a questão da morte. Através da história de um gato que, à medida que cresce, vai gastando as suas sete vidas, fala-se da vida e da morte. Uma história doce, com espectaculares ilustrações de Francisco Cunha.»

Para Onde Vamos Quando Desaparecemos

Para Onde Vamos Quando Desaparecemos?, de Isabel Minhós Martins, ilustrações de Madalena Matoso, Planeta Tangerina

«Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 4.º Ano de escolaridade. Leitura Orientada na Sala de Aula. À parte algumas exceções, ninguém consegue responder com certeza absoluta à pergunta que dá título a este livro. “Para Onde Vamos Quando Desaparecemos?” aproveita a ausência de respostas “preto no branco” para lançar novas hipóteses – mais coloridas e poéticas, mais sérias ou disparatadas, conforme o caso… – e assim iluminar um tema inevitavelmente sombrio.»

Menina Nina

Menina Nina – Duas razões para não chorar, de Ziraldo, Melhoramentos

«Com uma enternecedora força poética, o autor sonda os mistérios da vida e da morte e, numa linguagem cuidada simples, consegue falar de dor de um modo delicado e cheio de esperança, é talvez o livro mais comovente de quantos Ziraldo já escreveu para crianças.»

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O Meu Avô Foi Para o Céu, de Maria Teresa Maia Gonzalez, Editorial Presença

«Da conceituada escritora Maria Teresa Maia Gonzalez, autora de “A Lua de Joana”, chega-nos uma comovente história sobre a relação avós-netos, que ajuda os pequenos leitores a perceber como se consegue, no meio da tristeza e da dor, preservar a memória de um ente querido para sempre.»

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Ponte para Terabithia, de Katherine Paterson, Dom Quixote

Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 5.º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma. «Esta é a história de uma amizade que muda as vidas da Leslie e do Jess, dois estudantes do quinto ano que acreditam que no coração do bosque existe num mundo de aventuras chamado “Terabithia”.»

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Sete Minutos Depois da Meia-Noite, de Patrick Ness, Editorial Presença

«Passava pouco da meia-noite quando o monstro apareceu. Inspirado numa ideia original da escritora Siobhan Dowd, que morreu de cancro em 2007, Patrick Ness criou uma história de uma beleza tocante, que aborda verdades dolorosas com elegância e profundidade, sem nunca perder de vista a esperança no futuro. Fala-nos dos sentimentos de perda, medo e solidão e também da coragem e da compaixão necessárias para os ultrapassar. Fantasia e realidade misturam-se num livro de exceção, com ilustrações soberbas que complementam e expandem a beleza do texto.»

A intervenção pela arte, sobretudo pela leitura, torna-se um instrumento da psicologia, que ajuda a explicar a morte às crianças, falando-lhes da dor da perda de alguém que é querido e próximo, da saudade, das recordações e do luto.

Para pensar, aprender, imaginar…

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Crianças que acreditam, crianças que são atiradas para um mundo sem futuro, mas onde a luz se encontra nos livros chamuscados, crianças que aprendem o significado profundo de certas palavras, crianças que são crianças, e crianças que descobrem a diversidade do afeto. Estes são alguns dos títulos que estão a dar que falar.

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Não fiz os trabalhos de casa porque…, de Davide Cali e Benjamin Chaud, Orfeu Negro

«É impossível fazer os trabalhos de casa quando um avião de macacos aterra à nossa porta. Além disso, os elfos esconderam todos os lápis. E houve também um problema com plantas carnívoras! As desculpas absurdas seguem-se umas às outras, num crescendo hilariante, ilustrado ao detalhe por Benjamin Chaud. Divertimento garantido para miúdos e graúdos e para todos os que gostam de procrastinar com muita imaginação.»

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Coleção «Vou pensar nisso», de Isabel Zambujal, ilustração Inês Fonseca, Alêtheia

«”Vou pensar nisto” é uma colecção que fala de coisas sérias a brincar. Fala de palavras enormes não por causa do seu tamanho, mas porque cabem muitas coisas importantes dentro delas.»

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Que Luz Estarias a Ler?, de João Pedro Mésseder, ilustração Ana Biscaia, Xerefé Edições

«Aysha é uma menina que perde Kalil num bombardeamento à escola deles mas que encontra nos livros uma ligação eterna com o amigo.» Artigo sobre o livro aqui.

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Eu acredito, de David Machado, ilustração Alex Gozblau, Alfaguara Portugal

«O que acontece quando um grande contador de histórias e um grande ilustrador se juntam? Uma história para sempre. Eu Acredito é um livro sobre a magia e o encanto de ser criança. Um menino que transforma as suas dúvidas em certezas e nos devolve a todos a esperança e a beleza da infância.»

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Não há dois iguais, de Javier Sobrino e Catarina Sobral, Kalandraka

«Há-os em todos os países, nas terras altas e nas planícies longínquas, nas urbes populosas e nas aldeias esquecidas. Podem encontrar-se em qualquer lugar, apesar de não serem fáceis de conseguir … Em Não há dois iguais, Javier Sobrino e Catarina Sobral abordam o tema do afeto a partir de um ponto de vista poético, diverso e com base numa proposta enigmática que deixa os leitores em suspense até ao final do livro.»

BÊ-Á-BÁ… Vamos ler com os bebés!

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por Sofia Pereira

Nas sociedades contemporâneas, a leitura tem vindo a assumir um papel primordial no desenvolvimento cultural, científico e social de todos os seres humanos. Torna-se, assim, fundamental encontrar atividades que captem a atenção para o mundo dos livros, sobretudo nas crianças e nos jovens que ainda não criaram hábitos de leitura.

Como o prazer da leitura é algo que se aprende e se cultiva, é necessário criar condições em que o ato de ler tenha a capacidade de dar resposta aos desejos, às curiosidades, aos interesses e às necessidades das crianças e dos jovens.

O encanto pelo mundo dos livros e das letras deve ser iniciado em tenra idade, nas crianças mais pequeninas (0 aos 36 meses), com a participação da família como elemento de mediação no processo de relacionamento do bebé com o livro. Neste primeiro contacto, os bebés obtêm uma mensagem de apreço não só pela leitura – ler dá prazer, mas também é um ato de afeto: alguém lhe quer bem. O livro, que se mascara de brinquedo, torna-se essencial para o seu desenvolvimento cognitivo e afetivo. Cria-se um ambiente apelativo, em que pais e bebés/crianças estimulam capacidades cognitivas, motoras, sensoriais, emocionais e sociais, através do envolvimento da leitura numa dimensão lúdica.

Esta descoberta da paixão pela leitura em família procura, ainda, estimular vínculos de afeto, através da observar, do escutar e da partilha de emoções. Deixamos aqui a sugestão de alguns livros que podem distrair e entreter os mais pequeninos e a família, contribuindo assim para a sua formação enquanto leitores:

Ovelha Tita

Ovelha Tita, de Yoyo Books, Marus

«Este livro macio que emite sons quando é manuseado, vai fazer as delícias do seu bebé durante horas, quer em casa, quer em viagem. – Chocalho – Pega – Chia quando se aperta- Brinquedo macio e fofo – Sons tipo estalido.»
É um livro que visa a reprodução, pelo bebé, de sons para estimular a perceção auditiva e a sensibilização do gosto pela música.

Abelhinha

Abelhinha Atarefada – Ao Telefone, de Dawn Sirett, Civilização Editora

«Um livro de brincar muito divertido que faz as crianças pequenas sentirem-se crescidas! Este livro inclui um telefone de brincar com toques reais e luzinhas. As crianças podem usá-lo para fazer de conta que ligam à família, aos colegas de trabalho ou até cantar os parabéns a um amigo.»
Um excelente brinquedo-livro que estimula as crianças a desenvolverem o seu vocabulário e a criarem histórias.

O Bolinha

O Bolinha e as Primeiras Formas – Um Livro para Ver e Sentir, de Eric Hill, Editorial Presença

«Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura. Educação pré-escolar. Leitura com apoio do educador. No presente livro, o Bolinha ensina os mais pequeninos a reconhecer formas simples, apresentadas em imagens cheias de cor e com texturas cativantes para sentir com os dedos.»
A história do Bolinha proporciona atividades de estímulo, observação e reconhecimento de texturas, através dos recetores sensoriais, com vista a desenvolver a sensibilidade visual, tátil e estética.

Fábulas para os meus olhos – «A Bússola Dourada»

A Bússola Dourada, também conhecido como Os Reinos do Norte, é o primeiro volume de uma trilogia escrita por Philip Pullman. Os três livros foram best-sellers mundiais, vencedores de inúmeros prémios, com o terceiro volume, O Telescópio de Âmbar, a ser mesmo nomeado para o Man Booker Prize, um feito inédito para um livro destinado a crianças. A Editorial Presença publica a trilogia em Portugal. Em parceria com a página Música para os meus olhos, a «Fábulas para os meus olhos» deste mês é dedicada a estes livros, ilustrando uma das suas frases mais memoráveis.

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Patrick Ness adapta «A Monster Calls» ao cinema

A Monster Calls. Patrick Ness.

A Monster Calls é um aclamado livro juvenil, escrito por Patrick Ness, com base numa ideia de Siobhan Dowd, uma escritora inglesa e ativista falecida em 2007. A história tem como protagonista um rapaz de doze anos, cuja mãe está às portas da morte, devido a um cancro, e é visitado por um monstro-árvore que lhe conta histórias, permitindo-lhe escapar para um mundo de fantasia.

Siobhan Dowd estava muito doente quando começou a desenvolver esta história, e após a sua morte, a editora convidou Patrick Ness a escrever o livro, tarefa que ele aceitou prontamente. Concluído o texto, coube a Jim Kay conceber as ilustrações. Os dois, escritor e ilustrador, ganharam com esta obra o Carnegie Medal e o Greenaway Medal, um feito nunca antes alcançado.

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Entretanto, os direitos de adaptação ao cinema foram adquiridos e o próprio autor, Patrick Ness, ficou responsável pela escrita do argumento. O filme é realizado por Juan Antonio Bayona, vencedor do prémio Goya por O Impossível, de 2012, e conta com atores como Felicity Jones (nomeada este ano para o Óscar de Melhor Atriz por A Teoria de Tudo), Liam Neeson e Sigourney Weaver nos principais papéis. A estreia está prevista para 16 de outubro de 2016.

A tradução portuguesa de A Monster Calls foi lançada em fevereiro pela Editorial Presença com o título Sete Minutos Depois da Meia-Noite. Aqui fica a sinopse:  «A escuridão, o vento, os gritos. O mesmo pesadelo noturno desde que a mãe de Conor ficou doente. Tudo é tão aterrorizador que Conor não se mostra assustado quando uma árvore próxima de sua casa se transforma num monstro… Mas só o monstro sabe que Conor esconde um segredo e é o único a estar ao seu lado nos seus maiores medos. É com ilustrações soberbas que complementam e expandem a beleza do texto que a fantasia e realidade se misturam em Sete Minutos Depois da Meia-Noite

Notícia daqui.