Category Archives: ARTIGOS

A livraria Simply Books, Inglaterra


Esta livraria infantil e juvenil situa-se na região de Manchester e já ganhou vários prémios. Organizam diversos eventos para crianças e têm até um clube de leitura para bebés!

O espaço inclui ainda um café cujo tema é dedicado à Alice no País das Maravilhas. Com montras decoradas a preceito e um ambiente convidativo, a livraria cria um mundo encantado para crianças e pais descobrirem o prazer da leitura! 

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Lançamento do livro «Julião, o melro-poeta»: entrevista à autora Sofia Fraga


Sofia Fraga nasceu em Lisboa, em agosto de 1981. Trabalha no mundo editorial há mais de dez anos e, em 2016, lançou-se como autora de histórias para crianças, concorrendo com o conto infantil O Sapo Edgar, O Melro-Poeta e A Mosca Zé-Zé ao Prémio Matilde Rosa Araújo, iniciativa da Câmara Municipal da Trofa e do Instituto Camões, tendo sido galardoada com o Prémio Lusofonia. Em 2017, publicou o seu primeiro livro, A tartaruga Celeste e o menino que chorava música, pela editora Minotauro.

Quem conhece a Sofia, sabe que ela é enérgica e despachada. Sabe também que ela trabalha com palavras, mas a essas não as despacha, tendo com elas um cuidado e um carinho que se transmitem nas páginas dos seus livros.

No dia em que a sua segunda obra chega às livrarias, fomos conhecer um pouco melhor a Sofia.

Neste momento em que estás a lançar o teu segundo livro, comecemos pelo princípio. Quando nasceu em ti a vontade de escrever histórias para crianças?

Adorava dizer-te que sempre tive o sonho de escrever para crianças, ou que sempre julguei ter talento para isso, mas a verdade é que esse desejo só surgiu quando o Pedro fez dois anos e lhe comecei a ler algumas histórias à noite. Reparei que ele gostava imenso e senti necessidade de inventar umas historietas. A imaginação alimenta-se a si própria e, quando dei por mim, estava a escrevinhar umas ideias no papel.

Foi nessa altura que concorreste ao Prémio Matilde Rosa Araújo com o conto O Sapo Edgar, o Melro-Poeta e a Mosca Zé-Zé, com o qual ganhaste o Prémio Lusofonia? Qual a sensação de receber tal distinção?

Foi um momento extremamente importante, de viragem até, porque concorria com pseudónimo e iria ter uma avaliação idónea por parte de um júri habituado à área infantil. Não é o mesmo que mostrar os nossos textos a pessoas que gostam de nós e cuja apreciação pode ser condicionada pelos afetos.

E como é que o conto O Sapo Edgar, o Melro-Poeta e a Mosca Zé-Zé evolui para este livro que agora publicas, Julião, o Melro-Poeta?

Mexi apenas numas frases que achei mais rebuscadas e mudei-lhe o título. Tive alguma dificuldade em encontrar o título perfeito.

Queres falar-nos umbocadinho desta obra e deste trio improvável de amigos?

A ideia central do conto era a perseverança, e estas três personagens nunca desistem dos seus sonhos. Acho que foi por isso que os juntei. Três animais de espécies distintas e diferentes dos da sua raça. O melro Julião quer ser poeta (e vai sê-lo, à sua maneira), o sapo Edgar acha que é um príncipe e nada o demove, a mosca Zé-Zé, descendente das tsé-tsé, cai a dormir de meia em meia hora e sonha poder picar alguém na vida e também ela não desiste.

As tuas obras dão sempre muita relevância à amizade, ao respeito pelas diferenças e à importância de nos aceitarmos e amarmos como somos. Sentes que esses são os valores que a literatura pode ajudar a incutir nas crianças?

Acima de tudo, e porque em primeiro lugar escrevo para os meus dois filhos, são esses os valores que gostaria de lhes incutir a eles. E acho que sim, que a literatura, como todas as outras formas de arte, ajudam a divulgar valores, sobretudo se também houver um esforço dos pais no sentido de os ajudar a interpretá-los.

Um livro infantil vive tanto de palavras como de imagens e ilustrações. Como foi trabalhar com o Helder T. Peleja nesta aventura?

Concordo a cem por cento. Aliás, acho que o impacto visual é mais importante até do que o texto. Porque se as ilustrações não forem apelativas ninguém compra o livro. Na área infantil, e nos tempos que correm, o texto vem depois. Adorei trabalhar com o Helder. Ele percebeu as personagens na perfeição e deu-lhes o seu cunho pessoal. Não podia ter escolhido melhor ilustrador para esta aventura.

A tua obra, A tartaruga Celeste e o menino que chorava música, publicada no ano passado, foi a primeira obra de autoria portuguesa a ser publicada pela Minotauro. Lembras-te do primeiro momento em que viste o teu livro nas montras das livrarias? Qual a sensação?

Foi uma sensação única. Seria de esperar que, trabalhando eu na área e habituada a ver os livros a chegarem-nos da gráfica em primeira mão, não estivesse tão ansiosa por ver o meu, mas não. Quando a Sara Lutas, a minha editora, me enviou os meus exemplares, foi incrível. E depois vê-lo nas livrarias, sem palavras… Melhor do que isso só quando vejo fotos dos mais novos a ler o meu livro…

Como é o teu processo de criação artística? Trabalhar no mundo editorial ajuda-te de alguma forma?

Estes dois primeiros livros escrevi-os de rajada. Todos os momentos livres passava-os no café a escrever. Entretanto, já tenho outro conto, mas o processo de criação foi diferente, os conceitos talvez mais estudados. Trabalhar no meio editorial é sem dúvida uma mais-valia. Primeiro, porque leio todos os dias, quase sem exceção, depois porque leio bons autores, com os quais aprendo imenso.

O que gostarias de dizer às crianças que começam agora a ler os teus livros?

Que espero que gostem! Que sejam uma porta para outros livros.

E, como mãe de dois filhos pequenos, que conselhos darias aos pais na relação dos seus filhos com a literatura?

Para começarem cedo. As crianças têm uma imaginação fértil, mas ela tem de ser trabalhada. Quanto mais cedo lhes derem a ler, mais eles gostarão de ler. E igualmente importante é encontrarem um livro de que eles gostem, porque as leituras se vão aprofundando com o tempo.

Queres convidar os nossos leitores a irem ao lançamento do Julião, o Melro-Poeta?

Sim! Adoraria que aparecessem para conhecer este trio e eu vos conhecer. Muito obrigada!


Eis a história do Julião,
um melro que quer ser poeta.
Todos o acham trapalhão
e há quem diga que é pateta.

Três amigos improváveis viajam juntos na floresta: uma mosca que cai redonda a dormir a cada passo, um melro que mais do que tudo quer ser poeta e um sapo convencido de que é realeza. Dirigem-se para um concurso, mas é a própria viagem a verdadeira descoberta.

Lançamento dia 13 de novembro, às 18h30, na Livraria Almedina Atrium Saldanha.

Entrevista a Jaime de Oliveira Martins

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por Sofia Pereira

Jaime de Oliveira Martins nasceu em 1963, na Marinha Grande. Viveu em Leiria e frequentou o curso de Relações Públicas na LeTourneau University, Texas, EUA. Em 2015, licenciou-se em Relações Humanas e Comunicação Organizacional, na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais de Leiria. Escritor com um sentido de humor requintado e muito atento à realidade que nos rodeia, incursou no universo literário com a publicação do livro Fontes de Guerra, Fontes de Paz.

A Fábulas entrevistou o autor. Jaime de Oliveira Martins, que desde cedo manifestou um enorme fascínio pela escrita, fala-nos do seu percurso, dos seus gostos e inspirações no mundo das letras.

Em que momento da sua vida surge a paixão pela escrita?

Sempre gostei de escrever. Desde os tempos da escola primária. No entanto, tudo o que escrevia, lia, saboreava e rasgava. Até que a Fátima, a minha mulher, incentivou-me a guardar os meus escritos, sendo que alguns deles estiveram na origem do primeiro livro, Fontes de Guerra Fontes de Paz. A boa aceitação pelos leitores foi o impulso que faltava para continuar, num processo que se entranhou e que resultou em mais dois livros, o Mar Liberal e, o mais recente, Heróis do Ar.

Considera que tem sido dado espaço suficiente à literatura em Portugal?

Tenho que reconhecer que algo tem sido feito nos últimos tempos. Parece-me que há empenho para fazer regressar o gosto pela leitura. No entanto, também me parece que há alguns autores com valor que nunca conseguem verdadeiramente revelar a sua obra e que, por manifesta falta de apoio, permanecerão desconhecidos. Refiro-me a autores portugueses, naturalmente, pois muitas pessoas compram pelo nome… e, nesse sentido, penso que o espaço dado não é ainda suficiente. É importante estimular novos autores, reconhecer os meritórios e fomentar a sua leitura.

Qual foi o livro que mais o marcou em criança? Porquê?

Em criança não era grande leitor. Lia as aventuras dos Cinco e banda desenhada. Mais tarde, fui influenciado por algumas obras de Dale Carnagie, que foram determinantes para a minha forma de interagir com os outros, e pela obra A Pérola de John Steinbeck, que me alertou para a relativização da riqueza. A Vela Branca, de Sergio Bambarén, também foi marcante para mim, pelo simbolismo da viagem à descoberta do mundo, que pode, acima de tudo, ser a auto descoberta.

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Fontes de Guerra, Fontes de Paz recria um período conturbado da nossa história – as Invasões Francesas – e desenrola-se num lugar muito especial para si, nas Fontes, em Leiria. Podemos considerar que esta sua primeira incursão na escrita é uma homenagem aos seus antepassados e ao lugar onde vive há cerca de 10 anos?

Sem dúvida! É intencional a homenagem aos meus antepassados, onde figura um soldado de Napoleão que se apaixonou por uma camponesa e por cá ficou. A minha mãe ainda tinha o apelido francês «Mingot». Por outro lado, há cerca de onze anos que me mudei para as Fontes. É um lugar que eu adoro, considero a «aldeia mais aldeia» do concelho de Leiria. Quis plasmar esta minha paixão por aquele lugar, descrevendo toda a zona e a sua envolvência nas narrativas e também na escolha do título.

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Mar Liberal conta a aventura de dois jovens e grandes amigos de infância, Rufino e Teodoro, que partem à descoberta de novas aventuras. Este livro é um convite aos mais jovens para refletirem sobre a importância dos sonhos que todos temos, lembrando-os que há momentos na vida em que é necessária uma atitude firme e assertiva para conseguir alcançar aquilo que desejamos?

Mar Liberal é isso e muito mais. Considero que não deveremos desistir dos nossos sonhos, mas para os perseguir há que ter consciência da sua exequibilidade, senão deixam de ser sonhos para serem utopias, que nos conduzem a um estado de frustração permanente. No caso dos dois jovens que refere, eles foram atrás de algo, não sabiam muito bem de quê, mas acabaram por encontrar o seu rumo, ainda que esbarrando em dissonâncias. No entanto, a partir do momento em que o objetivo é definido, o foco e a firmeza são determinantes. Foi graças a esse foco, à firmeza e à determinação dos valores que defendiam que os liberais, embora em clara inferioridade numérica e capacidade bélica, venceram as batalhas decisivas para o desenlace da guerra.

Deixou algum sonho de criança e/ou adolescente por realizar? E, hoje, é um sonhador?

Tenho que sorrir para responder a esta questão! Tantos sonhos que ficaram para trás, mas tantos outros que se tornaram realidade. A vida é a gestão destas emoções e a forma como lidamos com elas pode condicionar a nossa atitude. Por exemplo, enquanto adolescente não perdia uma corrida de Fórmula 1 e sonhava um dia ser piloto. Tomei consciência que este era um sonho que não podia concretizar e não me deixei dominar por qualquer frustração. Ciente da minha realidade, agarrei-me a coisas mais simples e tangíveis como praticar mergulho com garrafa, viver intensamente as amizades, ir viver para as Fontes e escrever um livro. Penso que um sonho tangível é saudável e um sonho intangível pode tornar-se numa obsessão patológica. Hoje, continuo a sonhar, claro! E muitos desses sonhos estão patentes, e de alguma forma vividos, em alguns protagonistas ficcionados. Espero um dia pegar numa autocaravana e sair, sem destino e sem tempo, nem que seja através de um dos meus próximos personagens.

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O facto de ter cumprido o Serviço Militar Obrigatório influenciou a escrita de Heróis do Ar?

Não. Cumpri o serviço militar obrigatório, no exército. O facto do serviço militar ser obrigatório na altura, condicionou o meu percurso de vida, pois tive de suspender os meus estudos nos Estados Unidos. Nunca me passou pela cabeça não poder regressar ao meu país sem poder andar de cabeça erguida. O Heróis do Ar surge na sequência da relevância que quis dar aos diferentes ramos das forças armadas em diferentes épocas da nossa História.

Podemos considerar que os seus três livros publicados compõem uma trilogia?

Sim. Verdadeiramente até mais do que uma trilogia. No Fontes de Guerra, Fontes de Paz, tem algum relevo o exército. No Mar Liberal, a Marinha de Guerra e a importância do domínio do Mar. Por fim, com o Heróis do Ar a aviação militar e a importância do domínio do ar. Outra trilogia é que, considerando a importância e a influência que a Maçonaria teve em cada uma das épocas das diferentes narrativas, resolvi incluir no primeiro livro a descrição de uma cerimónia de iniciação de um aprendiz, no segundo uma passagem ao grau de companheiro, e no terceiro, a elevação ao grau de mestre maçon, que são os três primeiros graus da maçonaria. Há ainda a peculiaridade dos nomes do três principais personagens no Fontes de Guerra Fontes de Paz, Tiago, James e Jacques, que não foram escolhidos ao acaso.

Na sua obra, é percetível um fascínio pela maçonaria, pela religião e pela carbonária. A que se deve esse interesse?

O meu pai foi pastor evangélico. Deixou a sua marca na Igreja Baptista de Leiria, da Marinha Grande, das Caldas da Rainha, de Alcobaça, da Vieira de Leiria, entre outras. Era um homem dedicado a causas filantrópicas e também nesse ponto de vista deixou marca. Naturalmente que foi uma referência para mim. Sou particularmente crítico em relação à Igreja Católica, sobretudo de uma determinada época de obscurantismo e de repressão. Não me revejo em qualquer dogma e, por isso, a minha posição crítica é mais abrangente. Hoje, não professo qualquer religião, respeito a espiritualidade de cada um e sinto-me bem em qualquer lugar onde a minha espiritualidade seja respeitada e sejam procurados os ideais de paz. Por outro lado como maçon, procuro através das minhas obras desmistificar muitos rumores à volta da Maçonaria e tento abordar este tema de uma forma simples, questionando mesmo alguns assuntos que são caros à própria Maçonaria. Um leitor atento referiu-me que a Maçonaria quase que é ela própria um personagem. E eu concordo, pois é intencional. Pela carbonária, não tenho qualquer fascínio. Foi uma organização que teve a sua época, com metodologias de ação questionáveis. Muitas vezes, tem sido confundida com a Maçonaria e, por isso, tem dado lugar a muitos mal-entendidos, que procuro esclarecer no Heróis do Ar. Quero deixar bem claro que as minhas «provocações», como gosto de lhes chamar, em nada concorrem para a diminuição intelectual do outro, mas são, isso sim, um convite à reflexão e a uma contextualização histórica.

A cidade e a região de Leiria surgem frequentemente como cenário das suas narrativas. Paralelamente, nas suas obras, os leitores são desafiados a conviver com personagens que marcaram a história deste território. Considera que Leiria tem um património histórico-cultural inspirador?

Sem dúvida! E isso para mim é uma espécie de ponto de honra. Independentemente dos posicionamentos políticos ou religiosos que Leiria tenha tomado no passado, fazem parte de um património histórico e cultural que deve ser preservado e divulgado. A região esteve sempre presente nas minhas narrativas e faço questão que esteja no futuro. Leiria tem potencial capaz de despertar paixões e é notório o trabalho que nos últimos anos tem sido feito no sentido de levar Leiria mais longe. Pela minha parte, procuro fazer passar a minha paixão e dar o meu modesto contributo.

Sente-se satisfeito com a receção que os livros têm tido junto dos leitores?

Muito. Começou pela concretização de um sonho, escrever um livro. Depois esse livro teve leitores que puxaram para o segundo e, mais tarde, para o terceiro. O Heróis do Ar, em apenas cinco meses, surge com a segunda edição. Só posso estar satisfeito, mas sobretudo grato aos meus leitores.

Dos livros que já publicou, há algum que tenha gostado mais de escrever? Porquê?

São todos diferentes. O Fontes de Guerra, Fontes de Paz foi uma edição de autor, a primeira experiência que, quase a medo, resultou numa grande exposição. Para o Mar Liberal, já parti mais ciente de que tinha leitores, e o meu grau de exigência na pesquisa e no trabalho foi maior. Deixei de sentir a tal exposição para sentir uma entrega aos leitores. O facto de ter suscitado o interesse da Editora Marcador foi um passo determinante como motivação e para alguma evolução. Um processo de aprendizagem muito marcante e que devo ao profissionalismo de todos os colaboradores da Marcador, em particular ao meu editor, o Hugo Gonçalves, para com quem tenho uma dívida de gratidão. Este processo de aprendizagem veio a repercutir-se na elaboração do Heróis do Ar e o processo de aprendizagem continuou com o excelente trabalho da Cultura Editora, do João Gonçalves que continua a acreditar em mim, e da infinita paciência da minha editora e revisora, a Paula Caetano. Tenho, portanto, dificuldade em dizer qual gostei mais de escrever, pois com cada um saí mais rico e com noção que tenho muito a aprender ainda. É tão difícil de responder a esta questão, como será a um pai confrontado com a pergunta: qual dos filhos gosta mais?

Escreve todos os dias? Por prazer ou necessidade?

Não escrevo todos os dias. Escrevo quando uma ideia surge e depois é difícil parar, tornando-se numa necessidade. Cheguei a passar noites inteiras a escrever ou a acordar de noite com necessidade de escrever. Nunca escrevi por obrigação ou por compromisso editorial. Apenas por prazer. Ando sempre com o meu caderno de apontamentos à mão e, por vezes, do anotar de uma ideia à beira-mar, ou ao apreciar uma estrela cadente, ou numa conversa informal com amigos, pode surgir uma mão cheia de páginas…

Tem algum ritual de escrita?

Ritual não tenho. Para mim é fundamental visitar e conhecer minimamente os locais que descrevo nas minhas narrativas. Receber a energia telúrica que emana desses locais. Procuro também vivenciar as experiências que descrevo. Por exemplo, para melhor entender a vida a bordo de um veleiro, para além de imensa bibliografia que consultei, fui passar um fim-de-semana a bordo do Creoula, como parte da guarnição, para ter essa vivência. A descrição da batalha do cabo de S. Vicente no Mar Liberal foi escrita a bordo. Para o Heróis do Ar, fui fazer um voo num avião com 67 anos, de vidro aberto e a apanhar o vento na cara e ainda experienciei algumas manobras acrobáticas, de defesa ou ataque, para ter essa vivência. Montei e pintei kits de miniaturas de aviões da época e, ao descrever algumas dogfights, brincava com os aviões sobre a minha secretária, tal qual uma criança. Estranho? Talvez, mas muito inspirador e estou certo que com impacto na intensidade das narrativas.

Lembra-se do momento em que viu pela primeira vez um livro seu nas montras das livrarias? Descreva-nos como foi a sensação.

Uma expressão que uso muito: fiquei de coração cheio! Foi como ver um pedaço de mim, olhar-me ao espelho. Mas melhor ainda foi ver uma senhora a ler um dos meus livros na praia. Não resisti e fui perguntar-lhe se estava a gostar. A senhora ficou a olhar para mim, respondeu que sim; conversámos um pouco sobre o livro e só mais tarde depois é que a senhora reparou que eu era o autor. Foi hilariante, mas muito gratificante!

Podemos esperar a publicação de um novo livro para breve?

Depende do significado de breve. Estou já a trabalhar num novo projeto, mas ainda na fase de pesquisa. Já escrevi algumas páginas, mas nada de muito consistente. Neste momento, sinto que tenho uma responsabilidade acrescida. Não gosto de escrever sob pressão. Julgo que se conseguir «mergulhar» com êxito nos próximos meses na época em que me vou situar, em 2020 teremos por aí o meu quarto filho de papel.

Qual a sua maior ambição literária?

É continuar a receber telefonemas, mensagens, e-mails de gratificação e encorajamento. É continuar a ter os leitores a pedir mais. Escrevo para agradar aos leitores, escrevo procurando dar um contributo para o nosso enriquecimento cultural. Se algo de melhor vier por acréscimo, apenas ficarei mais satisfeito.

Obrigada!

Os melhores livros infantis, segundo o autor Phillip Womack


Womack, que tem publicado em Portugal «O outro livro», pela Editorial Estampa, escreveu um artigo para o jornal online The Independent, enumerando 30 livros infantis que diz que, independentemente da época em que foram publicados, «podem ser lidos e apreciados pelas crianças de hoje tanto quanto foram pelas crianças do passado». No entanto, Womack salvaguarda que «não existe espaço nesta lista para tudo», tendo deixado de fora muitas obras suas favoritas, entre outras.

O escritor e jornalista britânico Phillip Womack, autor de livros de fantasia para jovens, partilhou recentemente aquela que considera ser a lista dos melhores livros infantis, entre «os clássicos que já conhecemos e as pérolas escondidas que merecem mais atenção».

Aproveitando a filosofia de Womack, que afirma que esta lista não é definitiva e deve antes ser vista como uma espécie de guia para voltar a encontrar «a magia e o encanto» dos livros infantis, pegamos na mesma e partilhamos convosco os livros seleccionados por Womack e que têm edições por terras portuguesas:

A História de Pedrito Coelho, de Beatrix Potter (Porto Editora, 2018)


Pedrito é um coelho traquinas que mora num bosque, com os seus irmãos e a mãe. Um dia, a mãe tem de sair e recomenda-lhes que fiquem em casa. Pedrito, desobediente, resolve fazer uma visita à horta do Sr.Gregório, que por pouco não lhe custa a vida.

Como Treinares o Teu Dragão, de Cressida Cowel (Bertrand Editora, 2013)


Esta é a história de um jovem Viking, Hiccup Hadoque Horrendo III, passada num tempo em que existiam dragões e durante o qual ele se tornou herói da maneira mais difícil. É importante que a leiam porque «ainda pode haver um dia em que os Heróis voltem a ser precisos. Ainda pode haver um dia em que os dragões regressem» e «quando esse dia chegar, os homens vão precisar de saber como os treinar e como os derrotar». Uma história apaixonante que já foi passada ao cinema pelo estúdio que criou o Shrek e Madagáscar e que já tem marcadas para o futuro novas aventuras com o Hiccup.

A Árvore das Mentiras, de Frances Hardinge (Editorial Presença, 2017)


Vencedor do Prémio Costa para melhor livro do ano 2015.

As folhas eram frias e ligeiramente pegajosas. Não havia engano possível: Faith tinha-as visto meticulosamente reproduzidas no diário do pai. Estava diante da árvore das mentiras, que fora o maior segredo do reverendo, que fora o seu tesouro e a sua maldição. E agora a planta era dela, e a viagem que o pai não chegara a fazer poderia ser feita pela filha. Quando o pai de Faith morre, em circunstâncias misteriosas, ela decide investigar, para descobrir a verdade que se esconde por trás das mentiras. Procurando pistas entre os seus pertences, descobre uma estranha árvore, que se alimenta de mentiras sussurradas e dá um fruto que revela segredos ocultos. Mas, quando perde o controlo das falsidades que põe a circular, Faith percebe que, se a mentira seduz, a verdade estilhaça.

Artemis Fowl, de Eoin Colfer (Vogais, 2012)


Artemis Fowl, com apenas 12 anos, é o maior génio criminoso de sempre, responsável por todos os grandes golpes da década.

Neste livro recheado de enigmas, reviravoltas inesperadas e muita ação, Artemis Fowl tem uma missão a cumprir: recuperar a fortuna da família. Este é o primeiro contacto do jovem com o povo do subsolo, onde vivem perigosas fadas armadas até aos dentes e com tecnologia de ponta, centauros, trolls monstruosos e anões mentirosos.

N.º 1 de uma coleção que já vendeu mais de 20 milhões de livros em todo o mundo.

A saga Harry Potter, de J.K. Rowling (Editorial Presença, 2002)


Harry Potter não é um herói habitual. É apenas um miúdo magricela, míope e desajeitado com uma estranha cicatriz na testa. Estranha, de facto, porque afinal encerra misteriosos poderes que o distinguem do cinzento mundo dos muggles (os complicados humanos) e que irá fazer dele uma criança especialmente dotada para o universo da magia.

Admitido na escola de Hogwarts onde se formam os mais famosos feiticeiros do mundo, Harry Potter irá viver todas as aventuras que a sua imaginação lhe irá proporcionar.

Harry Potter e a Pedra Filosofal é o primeiro livro de uma saga mágica, divertida, cheia de surpresas e perigos de arrepiar, que cresce com os seus protagonistas.

Tom e o Jardim da Meia-Noite, de Philippa Pearce (Relógio d’Água, 2010)


Quando Tom tem de ir passar o Verão a casa dos tios, resigna-se a semanas intermináveis de aborrecimento. Acordado na cama, ouve o relógio do avô na entrada. Onze… Doze… Treze… Treze! Tom corre pelas escadas abaixo e encontra ao sair pela porta das traseiras um maravilhoso jardim. Um jardim que todos dizem que não existe. O jardim da meia-noite está cheio de magia e aventuras e crianças. Serão fantasmas? Ou será Tom o fantasma?

O Feiticeiro e a Sombra,de Ursula K. Le Guin (Editorial Presença, 2003)


Numa terra longínqua chamada Terramar vive o maiorde todos os arquimagos. O seu nome é Gued, mas há muito tempo atrás, ele era um jovem chamado Gavião, um ser estranho, irrequieto e sedento de poder e sabedoria, que se tornou aprendiz de feiticeiro. Neste livro conta-se a história da sua iniciação no mundo da magia e dos desafios que teve que superar depois de ter profanado antigos segredos e libertado uma negra e pérfida sombra sobre o mundo. Aprendeu a usar as palavras que libertavam poder mágico, domou um dragão de tempos imemoriais e teve de atravessar perigos de morte para manter o equilíbrio de Terramar. No meio de um suspense quase insustentável, de encontros místicos, de amizades inquebráveis, de sábios poderosos e de forças tenebrosas do reino das trevas e da morte, Gued não pode vacilar, qualquer fraqueza sua fará perigar o equilíbrio que sustenta o mundo… e a sombra maléfica que ele libertou, gélida e silenciosa, só está à espera desse momento para devastar, com as suas asas negras, o mundo inteiro.

O Ciclo de Terramar é uma admirável tetralogia, por muitos comparada a clássicos como Nárnia de C.S. Lewis ou O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien. Esta magnífica saga, que se tornou numa obra de referência no vastíssimo percurso literário desta escritora norte-americana, tem início com O Feiticeiro e a Sombra. O universo de Terramar, simultaneamente tão semelhante e diferente do nosso, é, sem dúvida, uma das maiores criações da literatura fantástica, e o poder misterioso e mágico que emana da narrativa, a sensibilidade que ilumina os momentos de profunda sabedoria, a intensidade das personagens, o estilo elegante e cristalino conquistam-nos de imediato e rapidamente nos arrebata para os meandros dos seus reinos imaginários.

A História de Ferdinando, de Munro Leaf (Kalandraka, 2016)


Era uma vez,em Espanha… um pequeno touro que se chamava Ferdinando. Todos os touros da mesma idade gostavam de correr e saltar e dar marradas uns aos outros. Todos menos Ferdinando. Do que ele gostava era de estar sossegado, a cheirar as flores…». A História de Ferdinando é uma alegoria pacifista e antibélica que conta com mais de 60 traduções. A Kalandraka recupera agora a primeira versão a preto e branco deste clássico, ainda tão atual, mas que já data de 1936.

O lirismo da prosa, a linguagem próxima da infância e um humor muito subtil são algumas das qualidades deste texto com que Munro Leaf questiona as touradas e rejeita a violência, para além de apoiar a liberdade individual e o respeito pela diferença. Ilustrado por Robert Lawson, este álbum foi selecionado pela Internationale Jugend Bibliothek com um dos 10 clássicos em prol da paz e da tolerância.

Onde Vivem os Monstros,de Maurice Sendak (Kalandraka, 2009)


Na noite em que Max vestiu o seu fato de lobo e começou a fazer travessuras a torto e a direito, a mãe chamou-lhe – Monstro!

E Max respondeu-lhe: – Vou-te Comer!

Então ela mandou-o para a cama sem jantar. Naquela mesma noite, no quarto de Max surgiu uma floresta que cresceu….

Esta obra, publicada pela primeira vez em 1963, suscitou certa polémica pelo tratamento nada exemplar para com as crianças, mas tornou-se num clássico da Literatura infantil e juvenil e num referente imprescindível do seu género. Não só obteve a Medalha Caldecott (1964) e o American Book Award, como também foi eleito pelo ‘The New York Times Book Review’ como um dos melhores livros ilustrados; desde então foi traduzido em inúmeras línguas e tornou-se num dos títulos mais lidos.

Max empreende uma viagem simbólica a partir daí até um lugar fantástico, atravessando um tempo mítico e enfrentando os seus próprios medos. Depois de se tornar no rei de uns monstros tão ferozes como insinuantes, regressa ao ponto de partida, onde o aguarda o jantar. Uma viagem de ida e volta, pelo tempo e pelo espaço, da realidade à ficção, sem que nada nem ninguém explique se essa metamorfose foi produto de um sonho ou de uma fantasia. Um paradigma do álbum ilustrado pela perfeita conjugação entre palavra e imagem; uma história poética e singela, narrada com humor, com total economia expressiva e absoluta harmonia entre texto e imagem. 


Matilda, de Roadl Dahl (Oficina do Livro, 2017)


O pai da Matilda acha que a filha não é mais do que uma crosta.

A mãe passa o tempo a jogar bingo e a ver televisão. 

A stôra Docemel é a única que vê o potencial da menina. 

A Sra. Partetudo, diretora da Escola Tiraniza, julga todos os alunos burros e fecha-os dentro da Pildra.

E a Matilda… é uma menina dotada de uma grande inteligência, que se cansou do comportamento idiota dos adultos e vai ensinar-lhes uma grande lição!

O Livro da Selva, de Rudyard Kipling (Livros do Brasil, 2017)


Abandonada pelos pais no interior da selva indiana, uma criança morena e nua, ainda a dar os primeiros passos, é encontrada por uma alcateia – e logo esta se torna a sua alcateia. Mowgli, assim lhe chama a Mãe Loba, tornar-se-ia um dos seus lobitos e em breve aprenderia a conhecer todos os sussurros da erva, todo o sopro tépido da noite, todo o pio de mocho ou som de peixe no charco. O sábio urso Baloo e a pantera negra Bagheera, a poderosa jiboia Kaa e o ameaçador tigre Shere Khan são alguns dos fascinantes habitantes do mundo de perigos e deslumbramento, de excitação e de medos, de coragem e de amizade onde Mowgli irá crescer. Publicadas originalmente em revistas, estas inesquecíveis aventuras foram compiladas pela primeira vez em livro em 1894, numa edição que contou com ilustrações originais concebidas pelo pai do autor e que recuperamos nesta nova edição. Diversas vezes adaptado ao cinema O Livro da Selva é uma obra-prima da literatura juvenil, adotado pelo Escutismo como livro de referência e acarinhado por crianças e adultos de todo o mundo.

O Rei que Foi e Um Dia Será, de T.H. White (Publicações Europa-América, 1989)


Esta é aobra-prima da literatura que reconta o mito arturiano e que foi adaptada ao cinema por Walt Disney. A história decorre no país encantado de Gramarye, a Inglaterra feudal de domínio normando, e segue a lenda do rei Artur, dos cavaleiros da Távola Redonda, da demanda do Santo Graal e da mística espada Excalibur. É considerada pelos especialistas a obra que veio modernizar o mito do rei Artur e renovar o interesse do público por este tema.

O Vento nos Salgueiros, de Kenneth Grahame (Relógio d’Água, 2017)


Um dos mais importantes e populares clássicos de todos os tempos, O Vento nos Salgueiros de Kenneth Grahame tem vindo a atrair, com o passar dos tempos, um crescente número de leitores. O Rato Almiscarado, o Senhor Toupeira, o Texugo e o incrível Senhor Sapo são personagens inesquecíveis que com as suas aventuras encantam gerações sucessivas de crianças. Mas O Vento nos Salgueiros não é apenas isso… é também a história que todos os filhos gostariam de ver contada aos seus pais.

O Hobbit, de JRR Tolkien (Publicações Europa-América, 2001)


O Hobbit é a história das aventuras de um grupo de anões que vão à procura de um tesouro guardado por um terrível dragão.

São relutantemente acompanhados por Bilbo Baggins, um hobbit apreciador do conforto e vida calma. Encontros com elfos, gnomos e aranhas gigantes, conversas com o dragão, Smaug, o Magnífico, e a presença involuntária na Batalha dos Cinco Exércitos são algumas das experiências por que Bilbo passará. O Hobbit é não só uma história maravilhosa como o prelúdio a O Senhor dos Anéis.

Os Reinos do Norte, de Philip Pullman (Editorial Presença, 2018)


Mundos Paralelos é uma trilogia mágica e poderosa, com aventuras, imaginação e mistério, Philip Pullman tem sido comparado a C.S. Lewis, Tolkien ou Lewis Carroll, e recebeu diversos prémios literários, como a Carnegie Medal, o Guardian Children’s Fiction Prize, o Whitbread Book of the Year, o Smarties Prize, o Astrid Lindgren Memorial Award, pelo conjunto da sua obra. Em Os Reinos do Norte, Lyra, a protagonista, é uma menina de onze anos sempre acompanhada pelo seu génio, Pantalaimon. É com ele que empreende uma perigosa viagem às vastidões longínquas do Norte, para tentar desvendar os seus mistérios…

Mas a realidade revela-se assustadora… Lyra conhece criaturas fantásticas, feiticeiras que cruzam os céus gélidos, espectros fatais e ursos blindados, numa luta terrífica entre a vida e a morte, o bem e o mal, a sobrevivência ou a aniquilação do mundo… Traduzida em mais de 40 línguas, esta trilogia ultrapassou já os 18 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, tendo uma adaptação ao cinema, sob o título A Bússola Dourada, com Nicole Kidman e Daniel Craig nos principais papéis.

As Crónicas de Nárnia, de C.S. Lewis (Editorial Presença, 2003)


Este clássico de literatura infantil escrito em 1955 por C.S. Lewis e ilustrado por Pauline Baynes é o primeiro de sete volumes que compõem As Crónicas de Nárnia e que dão início a uma nova coleção da Presença com o mesmo nome. Neste livro, Digory e Polly conhecem-se e tornam-se amigos num frio e chuvoso Verão em Londres. Os dois irão viver fantásticas aventuras quando o maléfico tio de Digory, Andrew, que pensa ser um mágico, os manda repentinamente para outro mundo. Acabam por encontrar o caminho para Nárnia, um mundo encantado repleto de um sol radiante, de flores e árvores que crescem miraculosamente e de animais falantes, criado através da canção de Leão… Uma história inesquecível, que nos mostra como começou o gloriosonascimento de Nárnia. Uma obra que vai apaixonar miúdos e graúdos, amplamente conhecida do público em geral.

O Caminho do Peregrino, de John Bunyan (Alma dos Livros, 2017)


O Caminho do Peregrino é considerado, depois da Bíblia, o livro mais vendido de sempre. É a obra de ficção mais importante na história do cristianismo. Nenhum outro foi traduzido em tantos idiomas, teve tantas edições ou inspirou tantos milhões de leitores em todo omundo. É o n.º 1 da lista «os melhores livros de sempre» do The Guardian. A obra descreve os passos de um peregrino através do caminho da vida e oferece uma profunda mensagem espiritual para aqueles que estão decididos a viver de um modo mais verdadeiro, em consonância com aquilo que trazem gravado no coração.

No decorrer da viagem, desde o instante em que decide deixar a sua antiga cidade e percorrer o caminho que o levará à cidade celestial, o peregrino encontra diferentes personagens e lugares, e estes representam cada uma das etapas que deve ultrapassar para alcançar o seu destino. Em cada encruzilhada, um novo desafio. Em cada vitória, uma nova responsabilidade. Uma incrível experiência humana e espiritual. Para milhões de pessoas do mundo inteiro, O Caminho do Peregrino carrega uma mensagem de esperança e é um modelo ímpar da perseverança e do alento no meio das dificuldades da vida. É verdadeiramente inspirador e motiva a reflexão sobre aquilo que estamos dispostos a abandonar ou a guardar connosco quando decidimos seguir a nossa verdadeira vocação e o nosso coração.

As mil e uma noites, autor anónimo (E-primatur, 2017)


Entre 1704 e 1717, o orientalista francês Antoine Galland publicou em 12 volumes pela primeira vez numa língua europeia As Mil e Uma Noites. Apesar de Galland ter baseado a primeira parte da sua tradução no manuscrito (quase) completomais antigo que se conhece (Séc. XIV), mudou significativamente o texto, alterando de forma drástica várias histórias, fazendo acrescentos a seu gosto, introduzindo histórias que nunca tinham feito parte das versões manuscritas edepurando todas as partes impudicas.

As Mil e Uma Noites são um conjunto de histórias populares recolhidas por autor anónimo que teriam sido alegadamente escritas em persa e posteriormente traduzidas para árabe. 

O seu tom coloquial lembra os contos tradicionais portugueses, mas sem terem sido recolhidos por intelectuais e sem peias: as histórias são fantásticas, eróticas, violentas, apaixonantes e apaixonadas, cheias de lições morais e problemáticas filosóficas, de conselhos para melhor viver e amar. No corriqueiro de histórias para entreter reside a sabedoria milenar de vários povos e de uma antiguidade que nos é, ainda assim, ao mesmo tempo estranha e próxima. Talvez por isso as histórias de As Mil e Uma Noites estejam na base de muita da grande literatura universal por nos terem dado o imaginário da literatura fantástica oriental. Hugo Maia, tradutor e sociólogo, estudou língua, história e cultura árabes, preparou a primeira tradução feita em Portugal, a partir dos manuscritos árabes mais antigos, menos embelezada e filtrada pelo imaginário ocidental, mais pura, sobretudo mais fiel.

Contos, Hans Christian Andersen (Temas e Debates, 2015)


HansChristian Andersen queria ser um poeta para todas as idades e conseguiu-o: há mais de um século que cativa os corações tanto de crianças como de adultos. Notáveis pela capacidade descritiva e profunda sensibilidade, os seus contostransmitem-nos lições subtis sobre diversos aspetos do comportamento humano: a hipocrisia em O Fato Novo do Imperador, a compaixão em A Rapariguinha dos Fósforos, a necessidade da esperança em O Patinho Feio ou o poder da amizade e da coragem no admirável A Rainha da Neve… 

Do mestre dinamarquês, a presente edição reúne 156 contos, dos mais populares aos menos conhecidos, dos mais alegres aos mais sombrios, mas sempre fascinantes para gerações sucessivas de leitores.

Contos Completos, Irmãos Grimm (Temas e Debates, 2013)


Os Contos da Infância e do Lar (Kinder- und Hausmärchen), de Jacob e WilhelmGrimm, são a obra de língua alemã mais traduzida e editada no mundo. Publicada pela primeira vez em Berlim em 1812 e em 1815, foi crescendo em popularidade ao longo do Séc. XIX, consagrando-se como um dos tesouros da cultura popularalemã e europeia. Os critérios de rigor e de fidelidade por que se regia e os valores nacionalistas em que assentava inspiraram projetos idênticos de recolhade contos orais um pouco por toda a Europa.

A presente edição reúne os três volumes de Contos da Infância e do Lar e constitui a primeira tradução integral da obra em língua portuguesa.

As aventuras de Alice no País das Maravilhas e Alice do outro lado do espelho, Lewis Carroll (Relógio d’Água, 2000)


Dois em um, isto é, dois clássicos da literatura infantil, As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho num só livro. A edição tem ainda as ilustrações de John Tenniel que acompanharam as primeiras edições de ambos os livros. 
Lewis Carroll, pseudónimo de Charles Dogson, diácono, matemático, lente da Universidade de Oxford e fotógrafo amador, contava estas histórias, que depois passaria à escrita, para entreter as meninas Liddell, filhas do deão da Igreja de Cristo em Oxford, especialmente Alice, a sua favorita. De aí para cá foram, econtinuaram certamente a ser, milhões de crianças fascinadas pelo universofantástico da pequena Alice e do seu cortejo de animais e objetos que falam.

Aprende ciência com o «Mestre Carbono», de Filipe Monteiro

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por Sofia Pereira

No próximo dia 20, realiza-se, pelas 15h30m, no Centro de Interpretação Ambiental de Leiria, a apresentação do livro infantil Mestre Carbono, o Cientista, do escritor e cientista Filipe Monteiro.

Mestre Carbono, o Cientista conta a missão de três cientistas que fazem as suas investigações e experiências num laboratório, para descobrir uma solução que permita controlar e reverter as questões climáticas, causadas sobretudo pelo aquecimento global e pela excessiva libertação de CO2. No entanto, durante a noite, contam com a preciosa ajuda dos pequenos habitantes do laboratório – os átomos e as moléculas – que, chefiados pelo Mestre Caborno, se mostram bastante empenhados na salvação da Natureza.

Este livro concilia as palavras e os conceitos de química com as ilustrações apelativas e vivas, tornando-se muito interessante e motivador para promover e divulgar a ciência, e para suscitar a curiosidade e incentivar o interesse dos pequenos leitores.

Paralelamente, esta obra infantil procura homenagear todos os cientistas que, na sua grande maioria, trabalham num laboratório, numa sala, num gabinete ou numa biblioteca, na procura de um mundo melhor.

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Mestre Carbono, o Cientista
Autor: Filipe Monteiro
Ilustrações: Ana Beatriz Marques
Editora: Chiado

Cinco anos de fábulas

Este mês a revista Fábulas comemora cinco anos de existência. Nos últimos meses, a atividade tem sido mais reduzida, mas ainda por cá estamos, ansiosos por retomar, por continuar a trazer artigos e novidades sobre o mundo dos livros para crianças. Ao longo destes cinco anos muitos foram os nossos visitantes. Já são mais de trezentos mil. De Portugal ao Brasil, de Espanha aos EUA. Muito obrigado a todos aqueles que nos procuram e que nos leem, esperamos continuar a publicar muitos e bons artigos nos próximos cinco anos!

#23 Uma história por dia…: «Não abras este livro»

Todas as noites, a rotina é a mesma: lavar os dentes, banho, cama. Espera, espera! Antes de ir para a caminha, há sempre uma história para contar. Ou duas, ou três… O filhote pede, a mãe acede. Na outra noite, lemos o livro Não abras este livro.

Quando vi este livro à venda, não resisti a comprá-lo para o Tiago. Um livro que dá ordens às quais vamos desobedecer? E os pais autorizam que a gente desobedeça? E ainda nos rimos todos com isso? É claramente a cara do meu filho.

E não me enganei. Ele adorou a história de tal forma que tivemos de ler o livro 3 vezes na mesma noite. Ri-se a bandeiras despregadas, por vezes nem espera que eu acabe de ler as frases tal a excitação de virar a página e ver o que lhe dizem na página a seguir. É malandrice a 100%, é uma animação, é um livro que cria uma interação única com o leitor e que ganha imenso em ser lido com entoações, volumes e gestos adequados à história.

Uma única personagem, um leitor e uma ordem simples que nunca é cumprida podem render infindáveis momentos de diversão. Tal como quando dei com o meu filho de 3 anos, sozinho do quarto, a “ler” esta história para si.

Não abras este livro
Autor: Andy Lee
Ilustrações: Heath McKenzie
Editora: Jacarandá Editora

#22 Uma história por dia…: «O Cuquedo e um amor que mete medo»

Todas as noites, a rotina é a mesma: lavar os dentes, banho, cama. Espera, espera! Antes de ir para a caminha, há sempre uma história para contar. Ou duas, ou três… O filhote pede, a mãe acede. Na outra noite, lemos o livro O Cuquedo e um amor que mete medo.

Depois de termos conhecido o Cuquedo há duas semanas, eis que continuamos a acompanhar as suas aventuras. Desta feita, no meio da selva, andam todos apaixonados e o Cuquedo decide que também quer encontrar uma namorada. Mas quem quiser ser namorada do Cuquedo terá de saber assustar. Será que as fêmeas da selva são boas pretendendes?

Num ritmo muito dinâmico, quase ao jeito de lengalenga, em rima, a história vai-se desenrolando ao estilo da Carochinha, com o Cuquedo a receber uma lista de diferentes pretendentes, o que nos permite ir apresentando diferentes animais e os sons que eles fazem aos jovens leitores. Com ilustrações ainda mais ricas, também aqui a interação com as crianças se propicia, pedindo-lhes que encontrem o Cuquedo no meio da vegetação. E o final, o final é, bem ao estilo do Cuquedo, surpreendente e assustador.

Sem dúvida, um livro para ler e reler e recitar mesmo quando não o estamos a ler, para fazer a delícia de miúdos e graúdos.

O Cuquedo e um amor que mete medo
Autor: Clara Cunha
Ilustrações: Paulo Galindro
Editora: Livros Horizonte

#21 Uma história por dia…: «O Cuquedo»

Todas as noites, a rotina é a mesma: lavar os dentes, banho, cama. Espera, espera! Antes de ir para a caminha, há sempre uma história para contar. Ou duas, ou três… O filhote pede, a mãe acede. Na outra noite, lemos o livro O Cuquedo.

O que é um Cuquedo? Pois que ninguém sabe, mas é daqueles livros de que toda a gente diz bem. Curiosos, lá fomos ler e descobrir que “o Cuquedo é muito assustador, prega sustos a quem estiver parado no mesmo lugar”, razão pela qual os animais andam todos em debandada pela selva, num atropelo constante, toldados pelo medo de algo desconhecido.

A cadência repetitiva, os diálogos simples, a ideia de movimento sempre presente, a par das ilustrações lindíssimas do Paulo Galindro, fazem deste livro uma emoção em crescendo, sempre a aumentar o mistério em torno do Cuquedo. Até que, de repente, um final surpreendente e muito assustador (pelo menos para os animais) espreita. E é gargalhada pela certa lá por casa, onde, à semelhança do Cuquedo, há um menino que adora pregar sustos e dizer “Buuuuuu”.

Ainda assim, é sempre uma ótima ocasião para explorar a noção dos medos e do desconhecido, ajudando a criança a desconstruir receios através do humor. E perceber que todas as críticas positivas a este livro são merecidas.

O Cuquedo
Autor: Clara Cunha
Ilustrações: Paulo Galindro
Editora: Livros Horizonte

Autor de «O Diário de um Banana» receia que as crianças estejam a perder a capacidade de conversar


Tudo por causa da tecnologia. «Quando vou de carro com os meus filhos para algum lado, eles ficam agarrados ao telemóvel. É estranho conduzir com toda a gente agarrada ao telemóvel», conta Jeff Kinney, autor da série juvenil de sucesso «O Diário de um Banana», editada em Portugal pela Booksmile, numa entrevista dada ao The Telegraph.

Jeff Kinney receia que, por causa da proliferação do uso do telemóvel entre as crianças, estas estejam a perder a capacidade de ter uma conversa entre elas e com os adultos. As conversas sucedem-se por meio de mensagens, com palavras incompletas, quase reduzidas ao mínimo. «Somos todos complacentes», afirma o autor, «como pais também».

A forma como as crianças comunicam alterou-se radicalmente nas últimas décadas e isso pode estar a afetar a forma como estes futuros adultos se socializam e se integram na socidade. «É quase impossível escrever sobre a infância sem mencionar telemóveis e mensagens eletrónicas.», admite Kinney. Ainda assim, o autor planeia continuar a escrever muitas mais histórias de Greg. Em novembro, sairá o 13.º título da série, ainda sem título.

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