Category Archives: INFANTIL

Editoras apostam no infantojuvenil

Em 2017, editoras com catálogos dedicados à literatura para adultos estão agora a apostar no mercado infantojuvenil.

A Bizâncio, criada em 1997, com um extenso catálogo dedicado a áreas como a ciência e a história, abraça este ano um novo projeto a pensar nas crianças, lançando a coleção Meio Palmo_Palmo e Meio. A coleção integrará livros com forte componente didática e os primeiros livros a serem lançados serão O livro que dorme e O livro zangado, com textos de Cédric Ramadier e ilustrações de Vincent Bourgeau, cuja publicação está prevista já para abril.

Para maio, segue-se Como desenhar animais uma galinha, da autoria de Jean-Vincent Sénac, através do qual vamos descobrir como, em apenas três ou quatro rabiscos, uma criança consegue desenhar um animal uma galinha e como isso lhe estimula a imaginação, tornando-se no ponto de partida para criar histórias fantásticas.

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Entre outras novidades, está ainda previsto para outubro a publicação do livro The Big Book of Bugs, de Yoval Zommer, que, através de belas e coloridas ilustrações, nos conta tudo sobre o maravilhoso mundo dos insetos.

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Uma coleção que vem agitar o mercado editorial do infantojuvenil com novos títulos, a par da chancela da Almedina, a Minotauro, que foi reavivada e terá agora também livros dirigidos às crianças. Os primeiros títulos já saíram e entre eles está A última paragem, de Matt de la Peña e Christian Robinson, livro vencedor da medalha Newbery.

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Recentemente lançada, a Jacareca, a chancela infantojuvenil da Editora Ítaca, de Isabel Castro Silva, publicou em Portugal Jumanji e O Expresso Polar, ambos da autoria de Chris van Allsburg e considerados clássicos da literatura infantil mundial.

Boas notícias para os leitores mais pequenos!

O álbum infantil

por Sofia Pereira

A literatura para a infância desempenha um papel primordial na formação de futuros leitores que, na juventude e na idade adulta, manifestam um interesse e prazer próprios pelo ato de ler. Por essa razão, torna-se fundamental a criação de hábitos de leitura desde tenra idade, através de um contacto precoce com o universo das letras e dos livros.

Pese embora o facto de ser, algumas vezes, considerado um meio de intertextualidade, certo é que o álbum infantil tem conseguido granjear, ao longo dos tempos, um reconhecimento notável como género literário eficaz na aproximação dos pequenos leitores ao mundo da literatura.

Pelas suas particularidades, o álbum infantil atribui uma universalidade ao objeto livro, entrelaçando a linguagem verbal e imagética, o que permite fruir em pleno do seu caráter artístico, aprimorar a sensibilidade  estética e desenvolver a capacidade de expressão.

Características do álbum infantil:

  • Presença de elementos paratextuais;
  • Capa rija em formato de grandes dimensões;
  • Ilustrações muito apelativas de página inteira ou dupla página;
  • Modos diversos de organizar a informação: narrativo (o enredo resolve-se numa situação final); lista (sequência de tópicos ou de ideias); e documentário (função meramente didática).

Os álbuns podem ser puros – apenas com ilustrações – ou significativamente ilustrados, quando o texto e a imagem estabelecem uma relação de interdependência, conferindo um sentido global à obra.

Potencialidades do álbum infantil:

O álbum infantil visa contribuir para a educação literária da criança, preparando-a para participar ativamente no processo de exploração da obra. Privilegiando momentos enriquecedores e agradáveis, os pequenos leitores têm, por vezes, acesso a referências culturais que remetem para áreas tão diversas, como a arte, a música, o teatro, a história, a geografia, a ciência, possibilitando o alargamento dos seus horizontes culturais e despertando a sua sensibilidade estético-literária. Os conteúdos temáticos proporcionam um conhecimento do mundo, um diálogo aberto sobre os problemas relativos ao universo pueril e um contacto com o fantástico e o maravilhoso. Atualmente, já existem também álbuns que incluem, no seu conteúdo, mapas, cartas, livros de receitas, entre outros tipos de textos, assumindo-se, desse modo, como pontes para a construção de representações mentais sobre diferentes géneros textuais.

Pela preocupação pedagógica contemplada, assente na transmissão de valores veiculados e na socialização das crianças, o álbum infantil contribui para o desenvolvimento da criança aos níveis social, cultural, afetivo e linguístico, tornando-se, cada vez mais, um objeto de fruição e de pedagogia para pais e educadores.

 

Desassossegos, curiosidades e inquietações na literatura: entrevista ao escritor Paulo Kellerman

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(c) Ricardo Graça

por Sofia Pereira

Paulo Kellerman nasceu em Leiria, em 1974. Editou, em edições artesanais e limitadas de autor, Livro de Estórias (1999), Dicionário (2000), Sete (2000), Uma Pequena Nuvem Solitária perdida no Imenso Azul do Céu (2001), Fascículo (2002 a 2005, 75 edições), Da Vida e da Morte (2005). Foi um dos responsáveis pela conceção e edição da revista literária Cadernos do Alinhavar e é autor do blogue A Gaveta do Paulo. Participa na organização de diferentes eventos e iniciativas culturais.

A Fábulas entrevistou o escritor. Paulo Kellerman fala-nos do seu percurso e gostos literários, do universo dos seus livros e da importância da literatura na vida de todos nós.

Como surgiu o gosto pela escrita?
Na escola, quando percebi o alcance da palavra escrita. Os professores liam textos meus à turma e havia sempre grandes reações, geralmente de riso porque eram textos com algo de humorístico. E eu, num canto, assistia ao poder que essas palavras tinham, as reações que causavam. Não era eu que desencadeava as reações, eram as minhas palavras. Essa descoberta foi determinante.

Lembra-se do primeiro livro que leu na infância?
Não lembro. As recordações mais fortes e antigas referem-se aos Cinco, mas certamente que terei lido muitos livros antes; contudo, não tenho memória dessas leituras.

Qual a importância de A Gaveta do Paulo?
O blogue foi criado em sequência da publicação do livro Gastar Palavras, em 2005. Alguns dos contos que tinha pré-selecionado para esse livro acabaram por ficar de fora e criei o blogue para os divulgar. A partir daí, a Gaveta ganhou uma enorme importância; os livros que fui publicando foram sendo alinhavados e pré-publicados no blogue, conto a conto, permitindo-me um contacto imediato com os leitores, uma interatividade muito estimulante e enriquecedora. Foi tornando-se um sítio de experimentação e partilha, de crescimento, de liberdade. Mais tarde, com a explosão das redes sociais, os blogues tornaram-se menos apetecíveis para muita gente, mas a Gaveta continua a ser um local especial para mim.

Miniaturas, como o título sugere, é um livro de pequenas histórias, num total de cinquenta e seis, recheadas de humor. Considera que o humor pode ser uma forma de nos aliviar das vicissitudes da vida?
O humor pode ser uma distração poderosa. Mas também pode ser uma forma muito incisiva de nos fazer pensar, de nos confrontar, de nos agitar.

A morte, a solidão ou o confronto interior são alguns dos temas presentes no livro Gastar Palavras. É seu objetivo levar os leitores a identificarem-se e a refletirem sobre as emoções e os pensamentos inerentes a todo o ser humano?
O objetivo é confrontar o leitor consigo próprio e desassossegá-lo. Já percebi que muitos leitores procuram na literatura uma possibilidade de fuga ou de sonho, ou até respostas para as suas inquietações. Mas os escritores que julgam ter respostas ou soluções assustam-me um bocado. Prefiro causar alguma inquietação, algum desconforto; porque é o desconforto que nos impele a avançar, arriscar, tentar. Quando estamos confortáveis, tendemos a ficar quietinhos.

Os Mundos Separados Que Partilhamos narra, num tom intimista, situações e momentos contaminados por solidões, cumplicidades, melancolias e obsessões. Podemos ver nele um retrato da sociedade dos dias de hoje?
Para quem escreve, a observação é fundamental. E um texto inclui, consciente ou inconscientemente, muito do que é observado. Um texto será uma mistura de observação, reflexão, imaginação e vivência; nesse sentido, será sempre um retrato da contemporaneidade do autor. Mesmo que se escreva ficção científica ou romance histórico.

Mente-me e seremos mais felizes é o título de um dos seus e-books. Nele, podemos encontrar a estória «Toda a gente sabe que o facebook é uma treta». Considera que as redes sociais podem ser prejudiciais para os relacionamentos?
As redes sociais têm potencialidades extraordinárias mas também assustadoras. Por esta altura, é impossível pensar em redes sociais e não lembrar o que o Trump faz neste âmbito, a forma como manipula a realidade usando o Twitter.

Silêncios entre Nós é um livro que, à semelhança dos anteriores, aborda as relações humanas no mundo contemporâneo. O silêncio pode ser audível?
O silêncio pode ser tão ruidoso que é capaz de nos ensurdecer. Devia haver nas escolas, juntamente com o português, a matemática e a educação física, uma disciplina que ensinasse como lidar com o silêncio, como aprender a geri-lo e até a saboreá-lo.

Chega de Fado é um ato revolucionário?
Neste país de consensos meio podres e quase sempre aparentes, dizer que não se gosta de fado é quase um ato de rebeldia. E, por acaso, não gosto mesmo nada de fado. Mas o fado a que se refere o título não é o género musical, é antes aquele espírito de ladainha e lamentação, de conformismo, de lamuria e queixa, que caracteriza tantos discursos e posturas. E nesse sentido, sim: chega de fado.

O Céu das Mães é o seu primeiro livro infantojuvenil, com ilustrações de Rute Reimão. Trata um tema difícil e pouco abordado na literatura para crianças: a perda. Conta a história de um menino que perdeu a mãe e que é confrontado com uma afirmação muitas vezes escutada: «a tua mãe está no céu». Considera que os livros podem ajudar a explicar a morte às crianças?
Mais do que explicar, talvez os livros possam ajudar a lidar com emoções. E não gosto muito da literatura que tenta dar respostas ou explicações, da literatura com lições ou moralismos. Parece-me bem mais enriquecedor quando suscita questões, desassossegos, curiosidades, inquietações. Quando tira o sono, em vez de adormecer.

Com o livro Serviços Mínimos de Felicidade deu o salto da escrita de contos para o romance. Somos comodamente felizes ou ambicionamos uma felicidade esplêndida e impossível de alcançar?
O desejo de uma felicidade esplêndida pode ter muitas formas e materializações, pode ser simplesmente aquilo a que chamamos sonhos; e se deixamos de sonhar, passamos a viver em função do que somos ou temos, não mudamos; não crescemos. Vivemos em serviços mínimos. Essa é uma das ideias presentes no livro: como reagir quando percebemos que deixámos de sonhar?

Muito recentemente, publicou mais um livro dirigido ao público mais novo: A tristeza dá fome, com ilustrações de Lisa Teles. Fale-nos um pouco desta história.
No final dos anos 90, tinha uma espécie de editora caseira, através da qual editava os meus próprios livros; eram edições artesanais, em que eu construía cada um dos exemplares dos livros; depois, oferecia-os. Fiz, deste modo, milhares de livrinhos. A Lisa é a responsável pela Escaravelho, uma editora que também tem uma componente muito importante de trabalho manual na conceção dos seus livros. E isso fascinou-me. Além disso, é uma ilustradora fantástica. Portanto, foi uma enorme honra colaborar com ela neste projeto, foi das aventuras mais fantásticas em que participei. Quanto à estória, nasceu da sugestão de uma aluna, numa visita a uma escola.

Foi autor e concebeu algumas exposições literárias como Foto estórias (2000), As Palavras do Olhar (2002), Pedaços de Literatura (2005) e Insignificâncias (2006). Quer partilhar connosco como foram essas experiências?
Todos esses projetos estiveram relacionados com a exploração do potencial entre texto e imagem, tendo criado contos originais a partir de fotos ou pinturas de diversas pessoas. A relação texto / imagem é algo que continua ainda hoje a apaixonar-me, assim como a possibilidade de colaboração e criação conjunta com autores das mais diversas áreas. A aventura mais recente neste domínio é um blogue chamado Fotografar Palavras, criado há alguns meses. Mas desses projetos de início do século, o que melhor recordo foi uma exposição que criei (e que depois deu origem a um e-book) chamada Sincronismos (2002); marcou-me particularmente porque foi o único trabalho onde, além do conceito e do texto, também concebi as imagens.

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Quando lemos os seus livros, percebemos que a escrita é sempre muito fluida e de leitura fácil, mas não deixa de ser inquietante. Tem a ver com as temáticas abordadas ou é um estilo próprio?
Tem a ver com um estilo próprio, com opções técnicas. Sempre fiz experiências do ponto de vista técnico, sempre me testei e me desafiei, sempre refleti sobre a dimensão mais técnica da minha escrita. Existe uma dimensão instintiva e incontrolável na escrita, mas também é fundamental o trabalho puramente técnico de depuração, de análise e corte, de adequação; e este trabalho está em evolução constante, é sempre melhorável.

Ao longo da sua carreira, já foi distinguido com alguns prémios literários. Como encara todo esse reconhecimento?
Encaro como um incentivo, sinto-me agradecido e responsabilizado. Depois, esqueço e continuo a fazer o que tenho a fazer.

É notória a relação de proximidade que mantém com os seus leitores. Como o faz? Provoca isso mesmo ou é a própria ambiência da escrita que a suscita?
Talvez tenha a ver com o facto de encarar a literatura como algo natural e não uma espécie de dádiva divina apenas ao alcance de meia dúzia de privilegiados, como por vezes acontece com alguns escritores. Gosto quando escritor e leitor estão ao mesmo nível, e ambos podem partilhar algo. É possível que a relação de proximidade nasça daí.

Conte-nos uma situação vivida num encontro com os seus leitores e tenha sido particularmente especial.
As idas a escolas são sempre momentos intensos. Houve, por exemplo, situações tremendas em idas a escolas de 1º ciclo para falar sobre o primeiro livro infantil, que conta a estória de um menino que não tem mãe, e onde convivi com meninos que não têm mãe. Uma das experiências mais tremendas que tive foi numa ida a uma prisão, onde estive duas ou três horas com presos que não me conheciam de lado nenhum, nem tinham tido qualquer contacto com o meu trabalho. Mas nos encontros mais convencionais com leitores também acontece todo o tipo de coisa, desde pedidos concretos de conselhos a ameaças de ser processado por ter uma escrita indecente e perturbadora.

Como tem sido a receção dos leitores à sua escrita?
Importante é existir reação, o que custa é a indiferença. As reações vão sendo boas ou más mas geralmente fortes, e isso é que importa. Se fosse como naqueles inquéritos que fazem aos serviços de comunicações, preferia ser avaliado com 1 ou 10, e não 5.

Onde e quando é que gosta mais de escrever?
Não tenho rituais de escrita nem grandes exigências. Preciso apenas de ter um desejo genuíno de escrever, um desejo que por vezes é uma necessidade. E mesmo que as mãos não estejam a teclar ou a rabiscar, a mente está muitas vezes a escrever. Durante a condução, por exemplo.

Qual foi o último livro que leu?
O meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout.

Se fosse uma personagem literária, qual seria? E porquê?
Tom Sawyer. Foi uma personagem que marcou muito a minha infância, através da série que passava na televisão nos anos oitenta. Na altura não fazia ideia que tinha origem num livro. Nunca quis ser bombeiro ou piloto ou super-herói. Queria ser o Tom Sawyer.

Os livros podem ser amores de perdição, ora porque nos cativam e relemos vezes sem conta, ora porque nos desapontam e nunca mais os voltamos a ler. Fale-nos de um livro que o tenha marcado e daquele que, de alguma forma, o desiludiu.
Os livros não desiludem, eu é que me desiludo porque tenho entusiasmos e expectativas irrealistas. Acontece com frequência. A última vez foi com o último livro que li: O meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout. Quanto a livros marcantes, prefiro aqueles que deixam marcas subtis, por vezes inconscientes, ou apenas percetíveis com o tempo. O Albert Cossery dizia: «Se um determinado livro não tiver sobre o leitor um tal impacto que no dia seguinte ele deixe de ir ao emprego, esse livro nada vale.» Não concordo muito com isto, se uma pessoa precisa de um livro para mudar de vida, algo me parece errado. Acredito mais que dezenas de livros ao longo de anos possam fazer alguém mudar a perspetiva, mudar o foco; na verdade, a literatura serve para isso mesmo, é essa uma das suas riquezas: proporcionar novos focos, novos ângulos.

Qual o/a escritor/a que convidaria para jantar? Porquê?
Elena Ferrante. Porque gosto bastante dos seus livros e porque a própria autora em si é uma espécie de personagem literária. Seria muito interessante tentar perceber onde começa a realidade e termina a ficção.

Que conselhos daria a um jovem que quisesse gastar as palavras na publicação de um livro?
Surpreende-me quando encontro pessoas que desejam escrever mas não leem. É fundamental, é o primeiro passo: ler. Descobrir, perceber, saborear, aprender através do que se lê. A leitura é o oxigénio de quem escreve, ou pelo menos um dos oxigénios. Também importa ser curioso, fazer questões e ter inquietações, imaginar, ter vontade de observar o mundo com um olhar diferente do que se usa habitualmente. Não ter medo de arriscar.

Podemos esperar a publicação de novos livros para breve?
Publiquei dois livros no espaço de três meses. Agora, é tempo de acalmar um pouco.

Canções e Histórias de Natal

por Alexandra Martins

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Edição em português – Edições Convite à Música

O Natal é uma época propícia à música, aos contos, às atividades em família. E que melhor programa do que pegar neste livro da Edições Convite à Música e passar um bom bocado com os miúdos? Ele tem histórias divertidas e engraçadas, ilustrações lindíssimas e 12 canções originais e perfeitas para cantar em conjunto que vêm num CD áudio.

Lá por casa, ofereci-o ao meu filho no último Natal e já lhe demos muito uso! Mais ainda agora que mais um Natal se aproxima. Antes de ir para a caminha, lemos sempre uma ou duas histórias (o livro tem 12) e, durante o dia, ouvimos as músicas e cantamos e dançamos. É um dois em um perfeito para quem, como o meu filhote, adora histórias e adora canções. Vá, eu também adoro!

 

Quando éramos pequenos…

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No outro dia passou na televisão Um Polícia no Jardim Escola, um filme de 1990, em que Arnold Schwarzenegger interpreta um polícia infiltrado num infantário e que de repente é atirado para um cenário para o qual nenhuma academia de polícia o poderia ter preparado: tomar conta de miúdos e miúdas de 4 e 5 anos.

Após um começo algo atribulado (talvez caótico seja a palavra certa), Jonh Kimble, o «gigante com um sotaque engraçado» lá encontra uma maneira de pôr ordem na casa, e até encontra momentos de calmaria para ler histórias às crianças.

Uma das histórias que ele lê é um poema do livro When We Were Very Young, de A.A. Milne. Spring Morning é o título do poema, para quem tiver curiosidade. Poderão lê-lo na íntegra aqui.

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A.A. Milne é o criador da personagem Winnie-the-pooh, popularizado pelos desenhos animados da Disney. When We Were Very Young não se encontra editado em Portugal e muito pouco da obra do autor se encontrará atualmente nas livrarias do país.

Fica, no entanto, a curiosidade!

Livros para o regresso às aulas… por Ana Ramalhete

No regresso às aulas, ler, sonhar,  criar.
Na escola, em casa ou na rua, imaginar sem parar.

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Cheguei atrasado à escola porque…, texto de Davide Cali, ilustração de Benjamin Chaud, Editora Orfeu Negro, colecção Orfeu Mini

«PRIMEIRO, umas formigas gigantes roubam o pequeno-almoço. Depois, aparecem ninjas ferozes, uma gigantesca teia de aranha, um monstro-bolha peganhento e outros assombrosos imprevistos a caminho da escola…»

Uma história que narra as supostas peripécias que o protagonista, sempre acompanhado pelo cão, teve de enfrentar no caminho para a escola e que o levaram a atrasar-se e a ser interrogado pela professora. As suas desculpas transformam-se em aventuras, plenas de acção e de personagens fantásticas, onde não faltam elementos de histórias tradicionais como o Capuchinho Vermelho ou o Flautista de Hamelin.

As ilustrações divertidas e expressivas completam o bom humor do texto. Plenas de pormenores, perdemo-nos nas imagens à procura de qualquer elemento que tenha escapado à primeira leitura.
Benjamin Chaud opta pelos tons laranjas, verdes ou castanhos e utiliza-os consoante as características das personagens como, por exemplo, o rapaz em verde, as bailarinas em laranja, as formigas em castanho, os ninjas em preto ou a professora numa junção destas combinações.

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Sonho com asas, texto de Teresa Marques, ilustração de Fátima Afonso, editora Kalandraka

«Não sabia o que queria mas, se pudesse, voar seria. Sentia por dentro uma inquietação de ave, vontade súbita e suave de longe, descolar do chão com destino sem mapa. Maneira de estar, sem estar, sempre de olhos e cabeça no ar, nas nuvens, na lua…»

Uma viagem poética, com asas, pelo céu, pelas nuvens, como uma ave, num voo que dança com o vento e com o tempo, atravessa o mar e parte pelo desconhecido. Uma viagem interior pelos sonhos e pelos desejos que nos pedem para ser realizados e não apenas idealizados. «Sem asas, futuro sonhado pode ficar escondido, adiado no escorrer do tempo. Um dia! Um dia!»

As ilustrações dão-nos as asas e levam-nos pela viagem poética das imagens que acompanham o texto. Ficamos a contemplá-las e a observar o desenho, a cor e o formato dos recortes.
Este álbum recebeu a Menção Honrosa do VII Prémio Internacional Compostela para Álbuns Ilustrados em 2014.

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A rapariga e o sonho, texto de Luísa Dacosta, ilustrações de Cristina Valadas, Editora Asa

Uma rapariga sonhava, fantasiava e brincava com uns seres invisíveis. Com eles voava, inventava histórias, brincava no jardim, experimentava-lhes roupas, sempre na companhia do seu gato. Outras vezes ficava triste e sozinha. Estava a crescer por dentro, crescia pelo sonho.
Uma viagem pela imaginação, até reinos distantes que leva à consciência do eu através da relação com o outro. Pelo sonho, a rapariga adquire poderes, capacidades de transformação e atinge a liberdade plena.
A força da escrita pictórica de Luísa Dacosta espraia-se na ilustração de cristina Valadas e a força da pintura e do grafismo desta espelham-se na palavra da outra. As duas partilham a mesma liberdade criativa estabelecendo uma fusão entre as duas linguagens.

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E tu, vês o que eu vejo? Ed Emberly, editora Bruaá

«Que livro é este? Que animal é este? Segura a página contra a luz e verás.
Na maioria dos livros olhamos para a página de forma a ver as ilustrações, mas neste não. Para vermos a ilustração completa, e encontrar a solução para a adivinha proposta por uma pequena pista, há que olhar através das páginas. Criado por Ed Emberley no final dos anos 70, este livro-jogo nasceu sem prazo de validade. O seu design mantém-se fresco, e o original e engenhoso jogo de transparências demonstra uma vez mais a qualidade interactiva do papel, que não pára de surpreender leitores de todas as idades. Sem pilhas para gastar, este livro vai ser difícil de pousar.»
Este livro tem instruções, logo no início. Elas indicam que é preciso ler uma pista, tentar adivinhar que animal ou letras faltam e, só então, deixar que a luz atravesse as páginas para apreender o que realmente está desenhado. Como uma adivinha que ajuda a imaginar, como um jogo que ensina a ver, como uma magia que faz sonhar.
No final, outra surpresa, a constatação de que as imagens foram elaboradas apenas a partir de duas formas geométricas, um triângulo e metade de um círculo.
Na capa, eu vejo um carneiro, e tu o que vês?

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O pequeno inventor, texto de Hyun Duk, ilustrações de Cho Mi-Ae, tradução de Yunseon Yang e Pedro Moura, editora Orfeu Negro, colecção Orfeu Mini

«O Pequeno Inventor, conto da autoria do escritor coreano Hyun Duk, tem como protagonista Noma, um menino que quer construir um comboio. Com uma tesoura numa mão e uma caixa de cartão na outra, Noma começa por cortar a chaminé e as rodas do seu comboio. Mas quantas rodas tem um comboio? E quantas carruagens? De quantos lugares? Não é fácil, mas Noma decide consultar o Livro dos Comboios. No final, perante o seu novo brinquedo, Noma sente-se um verdadeiro inventor!»

Uma história que descreve o planeamento, o desenho e a execução de todos os passos que Noma, o protagonista, tem de dar para conseguir montar um comboio de cartão: «O melhor comboio de sempre». A mãe ajuda e Noma termina o seu trabalho feliz por ter conseguido construir «um comboio quase verdadeiro».
Os desenhos suaves, ternos e tranquilos de Cho Mi-Ae expandem-se pelas páginas e acompanham todos os movimentos de Noma na execução do seu brinquedo, transmitindo vontade de criarmos o nosso próprio comboio.

As primeiras leituras do meu filho

O Sapo Saltitão, Booksmile

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O Sapo Saltitão não foi o primeiro livro que ofereci ao meu filho, mas foi o primeiro que ele apreciou verdadeiramente. Talvez porque a idade, aos doze meses, já lhe permitia prestar mais atenção ao encadeamento da história, talvez porque o facto de lhe ler o livro durante o banho nos proporcionasse a ambos momentos de muitas gargalhadas e diversão, talvez porque o livro é verdadeiramente bom, giro e adequado à faixa etária para que se dirige.

Assim, O Sapo Saltitão tornou-se companheiro diário na hora do banho. Com um material macio e à prova de água e com o tamanho perfeito para os bebés poderem agarrar, este livro conta uma história em frases muito curtinhas e com bom ritmo, uma por página, correspondentes aos desenhos de cada uma das suas seis páginas. Para além das frases, há palavras que indicam sons que podemos reproduzir e tornar a leitura mais dinâmica e divertida («poing, poing», «iupiii», etc.).

Em menos de nada, passou a ser o Tiago a pedir-me para ler a história, passando-me o livro para as mãos e apontando para o sapo da capa. E lá começava eu: «O sapo saltitão adora o seu lago…» E quando chegava ao fim, tal como o sapo que repetia tudo aquilo que mais gostava de fazer, também eu repetia incontáveis vezes a história, para gáudio do meu filho.

Um livro que parece uma brincadeira, que é prazer e diversão e que, ao mesmo tempo, permite desenvolver competências como a atenção, a memória (principalmente quando repetirmos a história e esperamos que o bebé já saiba que barulhos fazer nas alturas certas) e até alguns aspetos da motricidade fina ao permitir-lhes virar as páginas, apontar especificamente para a mosca ou o sapo ou o peixe. Acima de tudo, um livro que oferece momentos inesquecíveis em família.

Um livro que irei sempre recomendar quando me perguntarem que livros comprar para um bebé pequeno!

Sente os Contos, Yoyo Studios

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Um dos principais problemas ao comprar livros para bebés é encontrar livros que equilibrem harmoniosamente as imagens com uma história com princípio, meio e fim. É muito comum encontrar livros com grandes imagens, com texturas, com palavras soltas, mas que raramente têm uma linha orientadora da primeira à última página. E se esses livros são ótimos e engraçados em certos contextos, às vezes esta mãe queria um bocadinho mais.

Foi então que descobri a coleção Sente os Contos, da Yoyo Studios. Os contos tradicionais da Branca de Neve, do Gato das Botas, da Cinderela, adaptados para os mais pequeninos, com frases muito curtas e imagens muito bonitas e apelativas e, claro, texturas diferentes em cada página. A simplicidade da história, aliada aos relevos e aos tecidos diferentes das páginas, cativam a atenção dos bebés e permitem aos pais ter um fio condutor do início ao fim do livro. O principal problema é explicar aos filhotes que a história acabou, pois eles vão querer lê-la outra e outra vez.

Cá em casa, começámos com a Branca de Neve que é, neste momento, o livro preferido do Tiago, que o quer ler todas as noites, sem exceção. E que já sabe identificar quem é a Branca de Neve, o príncipe, onde está o espelho, a maçã ou o «cobertor fofinho» (que é um cobertor de pelinho que tapa a Branca de Neve quando ela está adormecida). É o favorito do momento, do filho e da mãe, que está ansiosa por ir comprar o resto da coleção!

Feira do Livro de Lisboa está quase a abrir… e com novidades!

por Sofia Pereira

A 86ª Feira do Livro de Lisboa decorre entre 26 de maio e 13 de junho, no Parque Eduardo VII, uma organização da APEL – Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, que tem como objetivos promover o livro, e fomentar os hábitos de leitura e o incremento do nível de literacia.

Durante mais de duas semanas, os leitores têm oportunidade de participar nesta festa do livro, o maior evento literário do país, que tem na sua programação um vasto leque de atividades: apresentação de livros, sessões de autógrafos, concertos, doação de livros, cinema,  showcookings, debates, concertos, workshops, transmissão de programas de rádio e mostras gastronómicas.

Uma das grandes novidades da edição deste ano é a App, uma aplicação disponível em Android ou iOS, com o mapa dos pavilhões, a programação das iniciativas e os livros do dia.

Mais informação sobre a Feira do Livro de Lisboa 2016 aqui.

Feira Cultural de Coimbra

por Sofia Pereira

O Município de Coimbra promove, entre os dias 3 e 12 de junho, mais uma edição da Feira Cultural.

Promover a criatividade e as atividades culturais da e na cidade, projetar o trabalho de diferentes agentes de desenvolvimento criativo e cultural, e contribuir para o enriquecimento da criação artística são objetivos deste certame.

A iniciativa, que decorre no Parque Dr. Manuel Braga, é já considerada uma das maiores e melhores festas da Cultura do país, que abrange variadas áreas: a Literatura, o Artesanato, as Artes Performativas, a Música, as Artes Plásticas e a Gastronomia, atraindo milhares de visitantes pelo local aprazível em que se realiza, pela diversidade da oferta cultural, pela qualidade do programa de animação e pelo ambiente acolhedor.

Apresentações de livros, sessões de autógrafos, peças de teatro, sessões de poesia concertos, exposições e «24 horas culturais» são alguns dos atrativos da edição deste ano.

Uma Feira para valorizar a Cultura, a cidade do Mondego e o País!

«O dom da palavra», de Catarina Nunes de Almeida, na Feira do Livro de Lisboa

por Sofia Pereira

No próximo dia 28 de maio, será apresentado o livro infantojuvenil O dom da palavra, de Catarina Nunes de Almeida, com ilustrações de João Concha.

Catarina Nunes de Almeida é uma autora natural da cidade de Lisboa que tem dedicado a sua atividade literária à escrita de poesia. Com O dom da palavra, uma publicação da Não Edições, estreia-se na literatura para crianças e jovens, criando «uma espécie de poema contínuo, escrito sob a forma de diálogos», como refere.

A iniciativa, inserida no programa cultural da Feira do Livro de Lisboa, que decorre no Parque Eduardo VII, terá lugar no Stand BLX, pelas 18 horas, e a apresentação estará a cargo de  Ana Tecedeiro, com momentos de leitura por Cátia Sá.

Um momento que promete ser agradável e divertido! Mais uma sugestão de um livro para oferecer e/ou para ler com os mais novos.