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Dr. Seuss homenageado com um museu

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Theodor Seuss Geisel, ou Dr. Seuss, como é conhecido mundialmente, será em breve homenageado com um museu, na sua terra natal, em Springfield, Massachusetts, nos EUA. O museu terá dois pisos e custará cerca de três milhões de dólares. Os visitantes poderão visitar diversos ambientes que recriam cenas retiradas das obras do autor, com personagens em tamanho real, a três dimensões, e lugares dos livros. Este primeiro piso será inaugurado em junho de 2016. No segundo piso haverá exposições diversas ligadas à vida e obra do autor. Este só será aberto ao público em 2017.

A notícia é daqui.

Eoin Colfer e Oliver Jeffers escrevem livro juntos

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Imaginary Fred é o título do livro ilustrado, que será lançado em outubro nos EUA e na Inglaterra, pela HarperCollins. Imaginary Fred marca a estreia de uma parceria dourada entre dois dos mais importantes autores de literatura infantil e juvenil mundial. O livro pega no conceito de amigos imaginários e dá-lhe um toque único. É a história de dois rapazinhos que partilham o gosto por filmes, música e banda-desenhada, e como «com um pouco de eletricidade, um pouco de sorte e um pouco de magia podem dar origem a uma amizade como nenhuma outra». Os editores acreditam que este livro dará um clássico infantil instantâneo.

Eoin Colfer é o autor da série juvenil best-seller mundial Artemis Fowl, e Oliver Jeffers é autor premiado de inúmeros livros infantis ilustrados, entre os quais The Day The Crayons Quit.

Mais informações aqui.

Livros infantis de Julie Andrews adaptados a televisão

veryfairyprincess Julie Andrews encantou muitas crianças como a ama mágica Mary Poppins, que dava uma colher de açúcar para ajudar a tomar o remédio, e como Maria, em Música no Coração, com a sua voz doce e a sua alegria contagiante. Mas não foi só no cinema e na televisão que a versátil atriz desenvolveu a sua carreira. Além de atriz e cantora, Andrews tornou-se também autora de literatura infantil. veryfairyprincess_capa Entre vários outros livros, escreveu, em parceria com a filha, Emma Walton Hamilton, uma série infantil chamada The Very Fairy Princess, sobre uma menina chamada Geraldine que vive o seu dia a dia como uma princesa fada. Foram já publicados oito volumes, com o nono, intitulado The Very Fairy Princess: A Spooky, Sparkly Halloween, a ser lançado no outono. A série é já considerada um clássico infantil e será agora adaptada a televisão. A produção ficará a cargo de um estúdio canadiano, a Nelvana Enterprises, e a estreia está prevista para 2016.

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RICHARD DREW / THE ASSOCIATED PRESS FILE PHOTO

«Eu e a Emma não podíamos estar mais entusiasmadas em fazer esta parceria com a Nelvana», contou Andrews. «Estes livros são uma celebração à individualidade. Esperamos encorajar crianças a sentirem-se felizes com as suas paixões e os seus talentos únicos, mesmo que essas paixões e esses talentos sejam diferentes dos da sua família ou dos amigos, e a Nelvana é a parceira perfeita para levar a nossa querida Princesa a uma audiência mais alargada.»

Para saber mais sobre esta série de livros poderá visitar a página oficial em www.theveryfairyprincess.com.

Notícia daqui.

Andersen, o patrono do Dia Internacional do Livro Infantil

HANS CHRISTIAN ANDERSEN

por Sofia Pereira

No dia 2 de abril, comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen. A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância do livro e da leitura no desenvolvimento das crianças.

Hans Christian Andersen nasceu a 2 de abril de 1805, na Dinamarca, e deixou-nos um legado enorme de narrativas encantadoras. Mas há todo um conjunto de curiosidades da vida deste contador de histórias que muitos leitores desconhecem e que partilhamos hoje aqui:

– Andersen nasceu na cama dos seus pais, feita a partir do caixão de um Conde.

– A cidade natal de Andersen, Odesen, fica numa linda ilha verde. Talvez tenha sido esse ambiente o grande impulsionador para desde sempre gostar de contemplar a natureza.

– Criança sonhadora, desde muito novo, acreditou que seria famoso.

– O pai de Andersen era sapateiro e lia-lhe muitas histórias, como peças de teatro e contos. A morte prematura do pai obrigou-o a crescer muito rápido.

– Quando acompanhava a avó ao asilo, escutava contos de fadas.

– Enquanto era jovem, acreditava que o palco era a sua vocação, nas áreas do teatro ou da dança.

– O seu livro preferido era As 1001 Noites.

– Andersen era pobre, mas adorava viajar em diferentes meios de transporte (carruagem, mula ou cavalo, comboio); por essa mesma razão, conheceu muitas pessoas famosas e escreveu muitos diários de viagem com desenhos.

– Na viagem mais longínqua que fez (Turquia), o escritor levou uma corda para fugir em caso de incêndio.

– Entrou na Universidade aos vinte e três anos, através do auxílio de amigos, que lhe pagaram os estudos.

– Andersen publicou os seus primeiros contos de fadas em 1835.

– A partir de 1837, todos os anos, publicou livros de contos pelo Natal.

– Andersen adorava música, sobretudo ópera.

– O fogo e a mesquinhez eram das coisas que mais o desagradavam.

– No dia em que completou setenta anos de vida, a sua cidade natal foi iluminada em sua homenagem.

– Andersen escreveu 156 contos e muitos outros livros (romances, peças de teatro, autobiografias, entre outros), que estão traduzidos em mais de cem idiomas.

– Hans Christian Andersen foi um dos escritores que visitaram o nosso país.

O escritor viveu setenta anos, mas a sua obra faz perpetuar entre nós a sua vitalidade.

Mais informações sobre o autor aqui.

Aproveitamos também para deixar algumas sugestões de leitura de livros do autor:

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O Rei Vai Nu, Ilustração Anastassija Archipowa, Everest Editora

«Livro recomendado para o 3.º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma. Era uma vez um rei que gastava todo o seu dinheiro em roupa. Um dia apresentaram-se diante dele dois impostores que se faziam passar por alfaiates. Diziam que não só conseguiam fazer trajes muito bonitos, com cores e padrões maravilhosos, como também eram capazes de dotá-los de uma qualidade extraordinária: ficavam invisíveis diante de qualquer pessoa que não fosse qualificada para o cargo que ocupava…»

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Três Contos de Andersen, O Rouxinol – A Princesa e a Ervilha – Os Sapatos Vermelhos, Texto Editores

«Livro recomendado para o 4.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada – Grau de Dificuldade I. Três contos famosos de Hans Christian Andersen – O Rouxinol, A Princesa e a Ervilha e Sapatos Vermelhos –, que são de leitura obrigatória. Por isso, estes contos fazem parte das Metas Curriculares de Português para o Ensino Básico e são recomendados pelo Plano Nacional de Leitura.»

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O Soldadinho de Chumbo, Ilustrações Teresa Lima, prefácio José Jorge Letria, Dom Quixote

«Livro recomendado para o 4.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada – Grau de Dificuldade I.»

Dez coisas que você não sabia sobre Lewis Carroll

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Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, cujo nome verdadeiro era Charles Lutwidge Dodgson, foi publicado há 150 anos. Para celebrar esta data a Publishers Weekly, publicação dedicada ao mercado editorial, reuniu um conjunto de dez factos sobre o autor e que poucos leitores conhecerão. Ora aqui ficam alguns deles:

– Carroll sofria de inúmeras maleitas: enxaquecas, epilepsia, surdez parcial, hiperatividade e gaguez.

– Era um grande escritor de cartas, chegando a enviar mais de duas mil num ano. E às vezes escrevia ao contrário, obrigando o pobre do recetor da carta a lê-la através de um espelho.

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–  O gato Cheshire foi inspirado nos moldes de queijo do condado de Cheshire, em Inglaterra, uma zona rica em produção de laticínios, onde a frase «to grin like a Cheshire cat» (rir tolamente, a propósito de tudo e de nada, segundo o dicionário da Porto Editora) era uma expressão muito usada. Os queijeiros moldavam o queijo de forma a ficar com uma cabeça de gato sorridente.

– É possível encontrar um coelho branco e Alice segurando um flamingo nos vitrais de uma igreja do Christ College, em Oxford, onde Carroll passou grande parte da sua vida.

– Mesmo depois de Alice ter alcançado sucesso internacional, a única vez que Carroll viajou foi em 1867 em que foi à Rússia. No regresso parou na Polónia, Alemanha, Bélgica e França.

As restantes curiosidades podem ser encontradas aqui.

Acresce ainda um outro facto curioso acerca de Lewis Carroll – é que ele era matemático e inseriu diversos enigmas matemáticos e de lógica nos seus livros.

Orfeu Negro publica «Este chapéu não é meu», de Jon Klassen

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A obra vencedora do Caldecott Medal de 2013 e do Kate Greenaway Medal de 2014, This is not my hat, de Jon Klassen, está a chegar a Portugal pela Orfeu Negro. O livro vem na sequência do best-seller I Want My Hat Back, também editado por cá pela Orfeu Negro, com o título Quero o Meu Chapéu, mas desta vez segue a história de um peixinho que encontra um chapéu alto. O que acontece se um peixe gigante acordar e for atrás do chapéu? Em breve nas livrarias.

Aqui encontrarão uma entrevista que o autor deu ao The Guardian sobre o processo de criação da obra (em inglês).

O velho e o mar – do livro aos filmes

por Ana Ramalhete

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O velho e o mar, último livro publicado em vida por Ernest Hemingway, é uma narrativa literária de complexa classificação. Para uns, um conto, para outros, uma novela, para Jorge de Sena, um «breve poema em prosa, uma epopeia de simples trama, singelamente narrada» (Cf. Prefácio De Jorge de Sena in O velho e o mar, Edição Livros do Brasil, Lisboa, 1956 ).

O livro narra a história de um velho pescador, Santiago, que está a atravessar uma fase de pouca sorte na pesca, pois não apanhou nenhum peixe durante oitenta e quatro dias seguidos. Santiago tem um grande amigo, Manolin, um rapaz a quem ensinou a pescar, que foi seu companheiro de barco até os pais o proibirem de voltar para o mar com o velho. Este regressa à faina, sozinho, e enceta uma luta de vida e de morte para capturar um peixe enorme. Passa quatro dias em alto mar até conseguir capturar «o seu irmão peixe». Quando se sente triunfante, é atacado por tubarões que comem o peixe deixando apenas a carcaça. Santiago regressa derrotado e exausto, deita-se e dorme (ou estará moribundo?).

Da novela, publicada em 1952, fizeram-se duas adaptações para cinema e uma para televisão. O primeiro filme, realizado em 1958, dirigido por John Sturges e com interpretação de Spencer Tracy, durava oitenta e seis minutos. O telefilme foi realizado em 1990 por Jud Taylor, com a duração de noventa e dois minutos e o filme curto de animação foi produzido em 1999 por Alexander Petrov e tem vinte minutos. O primeiro não se encontra à venda e na internet está disponível, apenas, um vídeo de quatro minutos. Os outros dois podem ser visualizados, na totalidade, na internet.

O telefilme e o filme de animação  

O velho e o mar – filme para televisão, e O velho e o mar – filme de animação, são dois textos fílmicos criados a partir de um texto verbal: uma obra literária. Trata-se de dois exemplos de transcodificação intersemiótica em que é notória a interpretação de cada um, traduzida na apropriação distinta dos códigos dos diferentes sistemas semióticos.

Existe, no entanto, uma grande distinção entre os dois. No primeiro há a transposição de um texto literário para um texto audiovisual, concretamente um filme para televisão. No segundo essa transposição é feita em dois momentos distintos: do texto literário para o texto pictórico e em seguida, do texto pictórico para o texto audiovisual.

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Alexander Petrov executou pinturas em placas de vidro, feitas com os dedos e com pincéis e transpô-las para vinte e nove mil fotogramas. A transformação da situação inicial deu-se, assim, em dois suportes diferentes, cada um com os seus códigos próprios. Os signos verbais do livro foram transformados em signos materiais das pinturas que por sua vez foram transformados num texto hibrido, com imagem, som e música: do texto literário para o texto pictórico e em seguida, do texto pictórico para o texto audiovisual.

As imagens do filme de animação possuem uma grande qualidade estética e uma forte sensibilidade inerente. Poderiam não existir diálogos que o sentido da história seria apreendido da mesma forma. A própria utilização das cores transmite a mensagem desejada. A sucessão dos dias e das noites é dada pela paleta de tons escolhidos para o nascer e o pôr-do-sol. Os azuis do mar e do céu, não só se referem ao espaço físico, ou às condições meteorológicas, como também nos deixam perceber o estado psicológico das personagens. As cores vivas do final transmitem uma sensação de esperança no futuro, protagonizada na juventude do rapaz que corre.

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O resultado desta junção de signos diferentes materializou-se numa obra de arte onde «o signo mágico seduz e encanta» (Umberto Eco in A definição da arte). A intertextualidade é sempre intrínseca ao texto audiovisual, neste caso, é-o duplamente, pois o resultado final é um texto criado a partir de outro texto que por sua vez já foi criado a partir de outro texto.

As imagens do filme para televisão têm um cunho mais realista, onde a intensidade dramática é fortalecida através das aproximações da câmara e dos grandes planos.

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Apesar de ter apenas vinte minutos, o filme curto funciona como uma síntese da obra de Ernest Hemingway. Há um reconhecimento imediato desta por parte do espectador. No telefilme esse reconhecimento não é tão imediato e é interrompido pelas cenas e personagens introduzidas e não existentes no livro. Estas cenas pretendem, provavelmente, criar uma atenção acrescida e oferecer uma pluralidade de enunciados narrativos, com o objectivo de prender o telespectador ao aparelho.

No telefilme, a música funciona como um acompanhamento da imagem e da palavra escrita. É viva e dinâmica quando as cenas o são, é dramática e sentimental quando a situação o requere. É, toda ela, executada por uma orquestra. No filme de Petrov, a música é produzida com instrumentos, vozes, sons de animais: gaivotas, elefantes, leões, pássaros e sons do mar, dos remos a rasgar a água. Toda esta sonoridade contribui para criar um ambiente lírico e poético.

Os dois filmes representam uma recriação da obra inicial, distinta desta, que reflecte um outro olhar, uma outra leitura, mas que perpetua a sua dimensão existencial, filosófica e humana.

O filme de animação encontra-se aqui. O telefilme (The old man and the sea, de Jud Taylor) aqui.

Título: O Velho e o Mar
Autor: Ernest Hemingway
Tradução e Prefácio: Jorge de Sena
Editora: Livros do Brasil

 

Jacqueline Wilson publica o 100.º livro

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Jacqueline Wilson é uma das mais prolíficas autoras de literatura juvenil do mundo e em 2014 atingiu um marco importante ao publicar o seu centésimo livro. O título da obra é Opal Plumstead e é sobre uma rapariga de catorze anos, cujo pai é preso, e que para poder sustentar a família se vê obrigada a ir trabalhar para uma fábrica. A história passa-se no início do século XX, nas vésperas da Primeira Guerra Mundial. Opal leva algum tempo a adaptar-se, mas quando parece que se integrou totalmente, a guerra altera para sempre a sua vida.

A capacidade da autora em criar personagens femininas memoráveis, cheias de personalidade, e capazes de superar as dificuldades com imaginação e desenvoltura, conquistou milhões de leitores em todo o mundo e valeu-lhe a atribuição de inúmeros prémios. O seu sítio oficial fica aqui.

Em Portugal, os seus livros são publicados pela Editorial Presença, na coleção O Clube das Amigas.

A notícia é daqui.

A origem secreta do Ursinho Pooh

Winnie-the-Pooh, ou Ursinho Pooh, como é por cá conhecido, é uma personagem incontornável do mundo Disney, com a sua cor amarela e a T-shirt vermelha e um apetite muito grande por mel.

As origens do Ursinho Pooh, porém, são literárias e recuam algumas décadas antes de a Disney ter realizado os primeiros desenhos-animados, tão conhecidos hoje.

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A personagem foi pois inventada por um escritor chamado A.A. Milne. A inspiração veio de um urso de peluche que pertencia ao filho, Christopher Robin Milne. Foi aliás o seu próprio filho que serviu de base para a personagem do menino, amigo de Pooh, o Christopher Robin. O nome, Winnie-the-Pooh, foi retirado de dois sítios diferentes – Winnie era o nome de um urso preto americano do jardim zoológico que pai e filho costumavam visitar, e Pooh, era um cisne de um lago que também visitavam com regularidade.

O primeiro livro em que Pooh aparece pela primeira vez foi lançado em 1924, com o título When We Were Very Young. O primeiro a tê-lo como protagonista foi Winnie-the-Pooh, publicado dois anos depois, com ilustrações de E. H. Shepard.

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O sucesso foi de tal forma grande que em 1930, um senhor chamado Stephen Slesinger, comprou a Milne os direitos para cinema e comercialização. Quase dois anos depois, Pooh já era um negócio de 50 milhões de dólares.

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O primeiro filme animado do Ursinho Pooh, produzido pela Disney, estreou no cinema em 1977, lançando a imagem da personagem como ela é conhecida hoje.

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Em Portugal, podemos encontrar o livro de A.A. Milne nas livrarias, com o título Puff e os Seus Amigos, publicado pela editora Relógio D’Água, com ilustrações do autor.

Histórias de vida – Leo Lionni, o criador de Frederico

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por Ana Ramalhete

Leo Lionni nasceu em Amesterdão no dia 5 de Maio de 1910. Filho de uma cantora de ópera e de um polidor de diamantes, cedo se interessou pelas artes. O tio Piet, o seu herói durante a infância, introduziu-o no mundo da arte contemporânea ao armazenar em casa de Leo obras de pintura e ao fazer desenhos, para os quais o sobrinho posava como modelo. Aos poucos, a arte tornou-se a sua grande paixão. Interessava-se por pintura, escultura, canto, piano e arquitectura. Frequentava assiduamente os museus da cidade onde nascera, tendo conseguido autorização para os percorrer e desenhar à vontade no seu caderno de esboços. Enquanto desenhava, imaginava que um dia seria artista.

A natureza também o fascinava. Gostava de coleccionar animais pequenos, sobretudo répteis e construir terrários onde os guardava. Juntava areia, pedras, musgo e fetos para criar um ambiente semelhante aos seus habitats naturais. O sótão da casa tornou-se um zoo em miniatura povoado de aquários, gaiolas, terrários e reptilários e o seu quarto era o local privilegiado de experiências e aconchego para alguns dos seus companheiros. Brincava com a natureza para se sentir parte dela.

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Apesar dos seus grandes interesses residirem na arte e na natureza, Leo doutorou-se em Economia, na Universidade de Génova. Em 1931 casou-se e foi viver para Milão, onde começou por escrever sobre arquitectura europeia numa revista local. Em seguida, dedicou-se ao design gráfico.

Em 1939 foi para os Estados Unidos da América trabalhar numa agência de publicidade como director de arte. Mais tarde tornou-se director de design da Olivetti e director de arte da revista Fortune. Paralelamente ia desenvolvendo a sua actividade de pintor, escultor e ilustrador fazendo exposições em inúmeras galerias de diversos países.

Em 1959, já avô, durante uma viagem de comboio teve a ideia de entreter os netos, Pippo e Annie, criando uma história construída com bocados de papel de uma revista. Nascia assim o conto que daria origem a Pequeno azul e pequeno amarelo, a obra que iniciou a produção artística de Leo Lionni destinada ao público infantil e que o tornou num dos pioneiros do álbum ilustrado. As suas técnicas de colagem, aliadas à simplicidade e colorido das imagens abriram novos caminhos na experimentação e concepção da ilustração de livros infantis.

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Ao escrever para crianças regressou ao mundo da infância, ao sótão e ao seu quarto, onde foi buscar memórias, sonhos, ambientes mágicos e animais que inspiraram as personagens principais das suas histórias.

Desde então publicou cerca de quarenta livros entre os quais se encontra Frederico, o rato poeta que recolhia raios de sol, cores e palavras, para aquecer os seus companheiros durante o Inverno ou Mateus, o rato que deambula pelo museu e ambiciona ser artista, tal como Lionni o fazia enquanto criança.

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Cada livro resultou de um trabalho disciplinado e rigoroso que levava Leo a afirmar que as suas ideias nasciam de um duro labor criativo. Tudo começava com um momento em que algo surgia: podia ser uma forma, um ambiente, uma figura com uma irresistível carga poética, ou apenas «um súbito impulso irracional de desenhar um certo tipo de crocodilo».

Pelos seus méritos como escultor, designer, pintor e ilustrador, Leo Lionni recebeu a medalha de ouro do Instituto Americano de Artes Gráficas.

Publicou o último livro Uma pedra extraordinária, em 1994, com oitenta e quatro anos. Faleceu cinco anos depois, em Itália, na Toscânia, no dia 11 de Outubro.

 

Páginas consultadas:
Random House
Revista Imaginaria
Revista Babar
Kalandraka
Cria, Cria