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Quando éramos pequenos…

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No outro dia passou na televisão Um Polícia no Jardim Escola, um filme de 1990, em que Arnold Schwarzenegger interpreta um polícia infiltrado num infantário e que de repente é atirado para um cenário para o qual nenhuma academia de polícia o poderia ter preparado: tomar conta de miúdos e miúdas de 4 e 5 anos.

Após um começo algo atribulado (talvez caótico seja a palavra certa), Jonh Kimble, o «gigante com um sotaque engraçado» lá encontra uma maneira de pôr ordem na casa, e até encontra momentos de calmaria para ler histórias às crianças.

Uma das histórias que ele lê é um poema do livro When We Were Very Young, de A.A. Milne. Spring Morning é o título do poema, para quem tiver curiosidade. Poderão lê-lo na íntegra aqui.

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A.A. Milne é o criador da personagem Winnie-the-pooh, popularizado pelos desenhos animados da Disney. When We Were Very Young não se encontra editado em Portugal e muito pouco da obra do autor se encontrará atualmente nas livrarias do país.

Fica, no entanto, a curiosidade!

Andersen, o patrono do Dia Internacional do Livro Infantil

HANS CHRISTIAN ANDERSEN

por Sofia Pereira

No dia 2 de abril, comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen. A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância do livro e da leitura no desenvolvimento das crianças.

Hans Christian Andersen nasceu a 2 de abril de 1805, na Dinamarca, e deixou-nos um legado enorme de narrativas encantadoras. Mas há todo um conjunto de curiosidades da vida deste contador de histórias que muitos leitores desconhecem e que partilhamos hoje aqui:

– Andersen nasceu na cama dos seus pais, feita a partir do caixão de um Conde.

– A cidade natal de Andersen, Odesen, fica numa linda ilha verde. Talvez tenha sido esse ambiente o grande impulsionador para desde sempre gostar de contemplar a natureza.

– Criança sonhadora, desde muito novo, acreditou que seria famoso.

– O pai de Andersen era sapateiro e lia-lhe muitas histórias, como peças de teatro e contos. A morte prematura do pai obrigou-o a crescer muito rápido.

– Quando acompanhava a avó ao asilo, escutava contos de fadas.

– Enquanto era jovem, acreditava que o palco era a sua vocação, nas áreas do teatro ou da dança.

– O seu livro preferido era As 1001 Noites.

– Andersen era pobre, mas adorava viajar em diferentes meios de transporte (carruagem, mula ou cavalo, comboio); por essa mesma razão, conheceu muitas pessoas famosas e escreveu muitos diários de viagem com desenhos.

– Na viagem mais longínqua que fez (Turquia), o escritor levou uma corda para fugir em caso de incêndio.

– Entrou na Universidade aos vinte e três anos, através do auxílio de amigos, que lhe pagaram os estudos.

– Andersen publicou os seus primeiros contos de fadas em 1835.

– A partir de 1837, todos os anos, publicou livros de contos pelo Natal.

– Andersen adorava música, sobretudo ópera.

– O fogo e a mesquinhez eram das coisas que mais o desagradavam.

– No dia em que completou setenta anos de vida, a sua cidade natal foi iluminada em sua homenagem.

– Andersen escreveu 156 contos e muitos outros livros (romances, peças de teatro, autobiografias, entre outros), que estão traduzidos em mais de cem idiomas.

– Hans Christian Andersen foi um dos escritores que visitaram o nosso país.

O escritor viveu setenta anos, mas a sua obra faz perpetuar entre nós a sua vitalidade.

Mais informações sobre o autor aqui.

Aproveitamos também para deixar algumas sugestões de leitura de livros do autor:

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O Rei Vai Nu, Ilustração Anastassija Archipowa, Everest Editora

«Livro recomendado para o 3.º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma. Era uma vez um rei que gastava todo o seu dinheiro em roupa. Um dia apresentaram-se diante dele dois impostores que se faziam passar por alfaiates. Diziam que não só conseguiam fazer trajes muito bonitos, com cores e padrões maravilhosos, como também eram capazes de dotá-los de uma qualidade extraordinária: ficavam invisíveis diante de qualquer pessoa que não fosse qualificada para o cargo que ocupava…»

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Três Contos de Andersen, O Rouxinol – A Princesa e a Ervilha – Os Sapatos Vermelhos, Texto Editores

«Livro recomendado para o 4.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada – Grau de Dificuldade I. Três contos famosos de Hans Christian Andersen – O Rouxinol, A Princesa e a Ervilha e Sapatos Vermelhos –, que são de leitura obrigatória. Por isso, estes contos fazem parte das Metas Curriculares de Português para o Ensino Básico e são recomendados pelo Plano Nacional de Leitura.»

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O Soldadinho de Chumbo, Ilustrações Teresa Lima, prefácio José Jorge Letria, Dom Quixote

«Livro recomendado para o 4.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada – Grau de Dificuldade I.»

Madame Doubtfire – o livro que inspirou o filme

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por Catarina Araújo

Mrs. Doubtfire é daqueles filmes de família que pais e filhos que cresceram na década de 1990 recordam com carinho, ainda mais porque hoje em dia são uma raridade. A inocência, a palermice, o afeto, o humor, são ingredientes que ajudaram a torná-lo um clássico da cinematografia americana. Grande parte do sucesso do filme deveu-se, no entanto, à interpretação de Robin Williams no papel da excêntrica ama Doubtfire, personagem que tem origens literárias. O argumento do filme foi baseado num livro intitulado Madame Doubtfire, escrito por Anne Fine, uma autora britânica galardoada com inúmeros prémios. A premissa é a mesma do filme – um pai divorciado disfarça-se de ama para poder estar perto dos filhos –, mas o tom da história será bem diferente, mais sério, sendo que o livro é direcionado para adolescentes e jovens adultos. Trata-se de um retrato mais cru do divórcio e das suas consequências em toda a família.

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Aliás, os livros de Anne Fine abordam tradicionalmente temas ligados à família, a questões geracionais ou sociais. Em Goggle-Eyes, obra galardoada com o Carnegie Medal de 1989, Anne Fine conta a história de Kitty que tudo faz para que o novo namorado da mãe não se transforme no seu novo padrasto. Ou em Bill’s New Frock, em que um dia Bill acorda e descobre que se transformou numa rapariga. A mãe age como se ele tivesse sido sempre uma rapariga, vestindo-o com um vestido cor de rosa e mandando-o para a escola, numa espécie de situação à freaky friday. Durante um dia Billy vê-se obrigado a ver o mundo da perspetiva das raparigas ganhando um novo respeito pelo sexo feminino.

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(c) The Guardian

Em 2014, Anne Fine foi um dos autores que subscreveram a campanha Let Books be Books, de que também fizeram parte Philip Pullman e Malorie Blackman, criada para apelar às editoras britânicas para deixarem de promover e de rotular os livros infantis e juvenis conforme o género, dividindo-os em títulos «para rapazes» e «para raparigas».

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Recentemente foi anunciado que Madame Doubtfire será adaptado a musical por três veteranos do teatro e vencedores de prémios Tony (os Óscares do teatro americano): Alan Menken (conhecido pelas composições musicais feitas para A Pequena Sereia, A Bela e o Monstro e Aladino, da Disney), David Zippel (escritor de canções para musicais da Broadway) e Harvey Fierstein (dramaturgo e que interpretou o papel do irmão da personagem de Robin Williams na adaptação ao cinema do livro). A esta altura o espetáculo encontra-se em pré-produção pelo que nenhuma data de estreia foi anunciada.

Para saber mais sobre a autora Anne Fine e a sua obra pode visitar o seu sítio oficial aqui.

A notícia é daqui.

 

Dez coisas que você não sabia sobre Lewis Carroll

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Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, cujo nome verdadeiro era Charles Lutwidge Dodgson, foi publicado há 150 anos. Para celebrar esta data a Publishers Weekly, publicação dedicada ao mercado editorial, reuniu um conjunto de dez factos sobre o autor e que poucos leitores conhecerão. Ora aqui ficam alguns deles:

– Carroll sofria de inúmeras maleitas: enxaquecas, epilepsia, surdez parcial, hiperatividade e gaguez.

– Era um grande escritor de cartas, chegando a enviar mais de duas mil num ano. E às vezes escrevia ao contrário, obrigando o pobre do recetor da carta a lê-la através de um espelho.

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–  O gato Cheshire foi inspirado nos moldes de queijo do condado de Cheshire, em Inglaterra, uma zona rica em produção de laticínios, onde a frase «to grin like a Cheshire cat» (rir tolamente, a propósito de tudo e de nada, segundo o dicionário da Porto Editora) era uma expressão muito usada. Os queijeiros moldavam o queijo de forma a ficar com uma cabeça de gato sorridente.

– É possível encontrar um coelho branco e Alice segurando um flamingo nos vitrais de uma igreja do Christ College, em Oxford, onde Carroll passou grande parte da sua vida.

– Mesmo depois de Alice ter alcançado sucesso internacional, a única vez que Carroll viajou foi em 1867 em que foi à Rússia. No regresso parou na Polónia, Alemanha, Bélgica e França.

As restantes curiosidades podem ser encontradas aqui.

Acresce ainda um outro facto curioso acerca de Lewis Carroll – é que ele era matemático e inseriu diversos enigmas matemáticos e de lógica nos seus livros.

A origem secreta do Ursinho Pooh

Winnie-the-Pooh, ou Ursinho Pooh, como é por cá conhecido, é uma personagem incontornável do mundo Disney, com a sua cor amarela e a T-shirt vermelha e um apetite muito grande por mel.

As origens do Ursinho Pooh, porém, são literárias e recuam algumas décadas antes de a Disney ter realizado os primeiros desenhos-animados, tão conhecidos hoje.

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A personagem foi pois inventada por um escritor chamado A.A. Milne. A inspiração veio de um urso de peluche que pertencia ao filho, Christopher Robin Milne. Foi aliás o seu próprio filho que serviu de base para a personagem do menino, amigo de Pooh, o Christopher Robin. O nome, Winnie-the-Pooh, foi retirado de dois sítios diferentes – Winnie era o nome de um urso preto americano do jardim zoológico que pai e filho costumavam visitar, e Pooh, era um cisne de um lago que também visitavam com regularidade.

O primeiro livro em que Pooh aparece pela primeira vez foi lançado em 1924, com o título When We Were Very Young. O primeiro a tê-lo como protagonista foi Winnie-the-Pooh, publicado dois anos depois, com ilustrações de E. H. Shepard.

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O sucesso foi de tal forma grande que em 1930, um senhor chamado Stephen Slesinger, comprou a Milne os direitos para cinema e comercialização. Quase dois anos depois, Pooh já era um negócio de 50 milhões de dólares.

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O primeiro filme animado do Ursinho Pooh, produzido pela Disney, estreou no cinema em 1977, lançando a imagem da personagem como ela é conhecida hoje.

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Em Portugal, podemos encontrar o livro de A.A. Milne nas livrarias, com o título Puff e os Seus Amigos, publicado pela editora Relógio D’Água, com ilustrações do autor.

Os gatos excêntricos de T.S. Eliot

Serão poucos aqueles que nunca ouviram falar do musical Cats, composto por Andrew Lloyd Webber. A peça estreou-se em Londres, em 1981, e esteve dezoito anos em cartaz na Broadway, em Nova Iorque. A inspiração de Lloyd Webber é que já não será talvez tão conhecida, mas veio de um livrinho infantil intitulado O Livro dos Gatos (Old Possum’s Book of Pratical Cats, no original), com poemas de T. S. Eliot. O livro resulta de uma seleção de versos escritos nos anos 1930, sob o nome «Old Possum», e que o autor incluía nas cartas que enviava aos seus afilhados. Em 1939, a editora Faber and Faber decidiu publicar quinze desses poemas sob a forma de livro.

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Por cá a edição existente é bilingue, da Nova Vega, ilustrada por Axel Scheffler

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A sinopse conta-nos o seguinte: «Venham conhecer Mister Mistofélix, o velho Fortunato que só quer dormir, e o Rufino Finório, que é um gato esquisito. Mas terão muita sorte se derem com o Mascarilho, criminoso perfeito que se ri da lei e que nunca ninguém consegue apanhar.»

Estudante cria edições únicas de Harry Potter e causa furor

Num trabalho para a universidade, a estudante húngara Kincső Nagy, de 26 anos, resolveu reformular o design dos livros de Harry Potter, de J.K. Rowling. Através de técnicas como corte a laser, impressão por meio de estêncil e utilização de tintas que brilham no escuro, Kincső criou novas ilustrações para as capas dos sete livros e para o primeiro volume, Harry Potter e a Pedra Filosofal, fez mesmo uma edição completa, com novas ilustrações no interior. O resultado deste trabalho está à vista.

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(c) Kincső Nagy
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(c) Kincső Nagy

Quando a jovem estudante colocou o seu trabalho na internet causou logo furor, com muitos a quererem saber como poder adquirir aqueles livros.

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Os pop-up são sempre curiosos e as ilustrações parecem saltar das páginas. A arte e o processo envolvidos causam fascínio quando verificamos estas meras fotografias animadas.

Em entrevista ao jornal The Telegraph, Kincső não revela se já há contactos de editores para transformar aquele trabalho numa edição para o público, contudo parece haver potencial para que tal aconteça.

Para ler o artigo completo e apreciar mais fotografias animadas dê um saltinho aqui.

A visita de Hans Christian Andersen a casa de Charles Dickens

wild-things-cover-214x300Está prestes a sair nos escaparates anglo-saxónicos um livro no mínimo intrigante intitulado Wild Things – Acts of Mischief in Children’s Literature, pela editora Candlewick, uma obra que reúne histórias, curiosidades e episódios caricatos sobre vários autores de literatura infantil e juvenil.
Num sítio criado para promover o lançamento do livro, têm sido publicados pequenos excertos de algumas dessas histórias, e entre as quais encontramos um episódio sobre a amizade entre Hans Christian Andersen e Charles Dickens, que terá azedado depois da visita que o pai dos contos de fadas fez ao autor inglês.

Aparentemente, Andersen não era uma pessoa amistosa. Havia quem o considerasse egocentrista, ansioso e muito irritante. Ainda assim tinha os seus admiradores. Charles Dickens era um deles. Um dia este convidou-o a ficar na sua casa por uns dias. Shans_christian_andersen_digital_collectionegundo contam os autores do livro, Andersen também era admirador de Dickens, pelo que foi com muito agrado que aceitou o seu convite para uma visita que não duraria mais de duas semanas. O contista ficou nada menos que cinco. E não foi por Dickens ter insistido para ele ficar. Ao que consta, às inúmeras dicas de que talvez fosse hora de regressar a sua casa, Andersen fez orelhas moucas. Quando ele finalmente se foi embora, o autor inglês terá posto uma mensagem no quarto de visitas a assinalar a estadia prolongada do contista e que para a família mais parecia ter sido anos.

Mais histórias no sítio dedicado ao livro em www.wildthings.blaine.org.

 

A infame equipa de críquete do autor de Peter Pan

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J. M. Barrie, autor de Peter Pan, a certa altura decidiu criar uma equipa de críquete a que se deu o nome de «Allahakbarries» – a junção da expressão islâmica «Allah akbar» com Barries foi propositada, na esperança de que os ajudasse a vencer jogos. A equipa era constituída por nomes distintos como Rudyard Kipling, H. G. Wells, Arthur Conan Doyle, P. G. Wodehouse e A. A. Milne. O problema é que eles eram tão maus, tão maus, que não havia nada que os ajudasse. O único que ainda jogava mais ou menos era Arthur Conan Doyle. Contudo, J. M. Barrie tinha uma explicação para isso: é que quanto melhor fossem na escrita, pior eram no jogo. Como dizia o saudoso Fernando Pessa: «E esta, hem?»

Daqui.

 

Politicamente (in)correto…

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Imagem daqui.

A preocupação com aquilo que é politicamente correto ou incorreto num livro para crianças chega por vezes a roçar o exagero. Um dos exemplos mais recentes é a polémica que se gerou à volta do livro Tous à poil!, de Marc Daniau e Claire Franek, um livro que mostra como são os corpos das pessoas por baixo das suas roupas, independentemente de profissão, raça, condição social, retirando-lhes não só o vestuário, mas os preconceitos. Mais sobre esta história aqui.
A censura começa, porém, muitas vezes dentro das próprias editoras, muito preocupadas em ferir susceptibilidades. Compreende-se a questão em certas situações, mas noutras a linha a partir da qual se considera que o politicamente (in)correto foi ultrapassado começa a ficar demasiado turva. Na Inglaterra, uma editora chamou a atenção de uma autora de livros infantis, Lindsey Gardiner, para o facto de ter no seu livro a ilustração de um dragão a deitar fogo da boca. A editora receava ser alvo de um processo por causa das normas de segurança, dado que uma criança que lesse aquele livro podia querer depois fingir ser um dragão e, na brincadeira, usar o fogo para interpretar a personagem. Outras alterações que a editora quis fazer foram tirar um rapaz de cima de um escadote e mudar a cor de um fogão elétrico ligado de vermelho para verde.  A autora chama a atenção para este tipo de atitudes que subestima a inteligência das crianças. E na verdade estas decisões não parecem ser tomadas com vista a proteger as crianças, mais parecem existir para proteger as editoras de serem processadas. Tudo sobre este caso no sítio da Publishing Perspectives.