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Dia Mundial do Livro: qual a importância da leitura?

por Sofia Pereira

Hoje é o Dia Mundial do Livro!
O Dia Mundial do Livro é celebrado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de abril. Esta data foi escolhida com base na tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge, e recebem em troca um livro, testemunho das aventuras heróicas do cavaleiro. Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como William Shakespeare e Miguel de Cervantes, falecidos em abril de 1616.

A leitura deve ser um hino à vida. O contacto com o livro como instrumento de trabalho e de lazer facilita o acesso à cultura, à informação e à educação, fomenta hábitos de leitura, contribui para a preservação das tradições e da cultura locais, estimula a inovação educacional, ampliando os horizontes sociais e culturais e contribuindo para o desenvolvimento democrático das sociedades, base de uma cidadania ativa e plena.

Para assinalar a data, a Fábulas convidou alguns leitores a partilharem a importância da leitura nas suas vidas:

Raquel Cravo, 6 anos, aluna do 1º ano

«Ler é muito importante porque aprendemos todas as coisas do mundo. Adoro ler e estou muito feliz porque já consigo ser eu a ler os livros sozinha.»

Alunos do 3º ano da turma 18 da Escola Básica do 1º ciclo da Gândara dos Olivais, Leiria

«A leitura é muito importante porque nos transporta para lugares mágicos. Permite-nos imaginar e viver aventuras fantásticas. Quando lemos, conseguimos esquecer as nossas tristezas.»

Fábio Canceiro, 31 anos, Jornalista

«É difícil descrever a importância que a leitura teve na minha vida. Desde que me conheço que as letras e as palavras, os livros, fazem parte da minha vida. Seja na construção de cenários imaginários seja no melhor conhecimento do mundo real. Graças aos livros e à leitura abri portas, quebra fronteiras, desvende mistérios. Não consigo imaginar a minha vida sem livros.»

André Barros, 32 anos, Compositor e Pianista autodidata

«Parece-me que em todos os géneros literários persiste, por parte do seu autor, uma vontade inequívoca de partilha. Seja esta de factos históricos ou científicos, de estados de espírito ou de sentimentos recalcados, de mundo ficcionados ou de relatos autobiográficos, a verdade é que de um livro comungamos na mesma medida em que se fôssemos o interlocutor presencial do autor da obra. E que privilégio é poder fazê-lo com tamanha intimidade e ao tempo que queremos… Sempre achei curioso que um poema musicado impõe necessariamente o seu tempo através da música que o acompanha, confinado ao seu ritmo e duração, sendo que um poema escrito adapta-se ao tempo de cada leitor, individualmente. Como apaixonado pelos sons confesso que para mim não há melhor combinação do que uma boa leitura potenciada por uma consonante paisagem sonora instrumental! Parabéns aos autores que, tantas vezes, nos comunicam de forma absolutamente altruísta e indelével!»

Catarina Pereira, 34 anos, Professora do 1º ciclo

«Para mim, a leitura tem uma grande importância. Com ela, estimulamos a nossa capacidade de aprendizagem e memória, como também a nossa escrita. Com a leitura desenvolvemos ainda a nossa imaginação, criatividade e adquirimos novos conhecimentos. E, para além de tudo isto, é um ótimo passatempo com efeito terapêutico que nos permite sonhar! Por isso, acho importante a leitura tanto nas crianças como nos adultos.»

Micael Sousa, 34 anos, Engenheiro Civil

«Ler para mim é a oportunidade de aprender, de aceder a conhecimentos que de outra forma me estariam vedados. Ler permite quebrar as fronteiras do tempo e do espaço, permite conhecer ideias distantes na sua pureza original. Podemos escapar à pressão e ditadura do presente acelerado, pois ler desenrola-se ao nosso ritmo, numa viagem para outra dimensão.»

Rita Pereira, 36 anos, Psicóloga

«Para mim, a leitura é importante porque ao lermos um livro este transporta-nos para outras vivências e novas realidades, desenvolvendo assim o nosso imaginário e a nossa criatividade. Ajuda-nos a libertar emoções e sentimentos reprimidos, a conhecer melhor o nosso interior e as pessoas que nos rodeiam, contribuindo para um melhor bem-estar aos níveis da saúde mental, emocional e social. No fundo, acaba por nos ajudar a crescer pessoal, espiritual e profissionalmente.»

Telma Fontes, 39 anos, Funcionária Pública

«Não me lembro de quando aprendi a ler, lembro-me unicamente de escrever em espelho porque era mais fácil e lembro-me, lembro-me perfeitamente do dia em que li Blaupunkt na porta do frigorífico lá de casa. Já nessa altura olhava para o copo meio cheio quando ele se apresentava meio vazio e disse rapidamente para a minha mãe: é frigorífico no país de outras pessoas. Deixo aqui o meu agradecimento aos meus pais por terem sempre livros em cima das suas mesinhas de cabeceiras, uns castanhos ou verdes da Círculos de Leitores, grandes, de uns escritores com nomes diferentes, como Alexandre Herculano e Eça de Queiroz. E agradeço também por nunca me deixarem faltar os livros coloridos no meu quarto, os da Anita e os da Condessa de Segur. E, claro, ao senhor da carrinha da Calouste Gulbenkian que me deixava sempre levar mais livros do que o permitido!
A importância da leitura da minha vida? Deve ter muita, não me lembro de como era dormir, sem ter um livro ao lado!»

Célia Alves, 40 anos, Funcionária Pública

«Há pessoas tão pobres, tão pobres, que só têm dinheiro! Esta frase feita ajuda-me a esclarecer o que, para mim, a leitura tem de tão especial uma vez que, independentemente do estrato social e da condição financeira, todos podemos ler! A leitura aguça-nos a sede de viver e permite-nos tudo… viajar, conhecer, sentir!! Quem nunca sonhou e foi feliz devorando as letras escritas por alguém com tanta paixão como quem as recebe, humildemente no seu coração?»

Saul António Gomes, Professor Universitário

«Ler é a oportunidade do encontro, da reflexão, da descoberta do maravilhoso e do sonho, mas também a oportunidade de crescer na vida e de se aprender a olhar o mundo de forma mais original, pessoal e sem limites. Ler por necessidade, ler para debater, ler para vencer barreiras e estarmos disponíveis para cada novo amanhã.»

Feliz Dia Mundial do Livro! E boas leituras!

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Dia Mundial do Livro: escritores e ilustradora sugerem a leitura de livros

por Sofia Pereira

Hoje é o Dia Mundial do Livro!

A data, assinalada desde 1996 e por decisão da UNESCO, foi escolhida com base na lenda de S. Jorge e o Dragão, adaptada para honrar uma velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de S. Jorge e, em troca, recebem um livro. Simultaneamente, presta-se homenagem à obra de grandes escritores, como Cervantes e Shakespeare, falecidos exatamente em abril de 1616.

Para assinalar a data, a Fábulas convidou escritores e ilustradores a sugerirem a leitura de um livro, apenas um, e a justificar o motivo da sua escolha:

Catarina Gomes, Ilustradora

O dariz, Olivier Douzou, Editora Cosacnaify

«Inspirado num conto satírico do escritor russo Nikolai Gógol, O dariz de Olivier Douzou é um livro que conta, de uma forma genial, a história de um nariz que procura um lenço para se assoar. Escolhi-o porque foi dos poucos livros que me convenceu pela lombada/título. Depois de pegar nele, a ilustração da capa convenceu-me ainda mais e quando o abri para ler a primeira página, não lhe tirei mais as mãos de cima, porque soube que ele tinha de vir comigo para casa. Talvez o facto de eu ter a voz um pouco anasalada, tenha ajudado. Começa assim (ler em voz alta): “Guando agordei esta banhã / esdava gombletamente endupido. / Zaí bra domar ar.” Recomendo-o para qualquer faixa etária.»

(c) Miguel Alves
Catarina Nunes de Almeida, Escritora

Cândido ou O Optimismo, Voltaire, tradução de Rui Tavares, ilustração de Vera Tavares, Tinta-da-China

«A minha escolha vai para um dos livros que marcou, pela sua intemporal frescura, imprevisibilidade e lucidez, a fase final da minha adolescência. E são vários os aspectos que sublinho desse primeiro contacto com o romance de Voltaire – o mais evidente de todos foi, sem dúvida, a dimensão caricatural da obra. Voltaire expõe-nos, com um humor e uma imaginação brilhantes, uma série de tipos humanos que, servindo de espelho da sua época, não deixam de se fazer presentes nos nossos dias. A adolescência é o tempo de procurar respostas para uma série de contradições da vida humana que esta narrativa expõe com profunda inteligência. É o tempo de afirmação da liberdade individual, mas também de descoberta dos valores fundamentais da sociedade, temas escavados até ao osso nas alegorias iluministas. Há perguntas fundamentais sobre injustiça, ignorância, fanatismo a que alguma literatura nos permite aceder e que nunca mais se devem calar dentro de nós. Confesso que o facto de saber que se tratava de uma obra que, à época, não pôde circular senão clandestinamente, aguçou ainda mais o desejo de leitura. Herói de impensáveis façanhas, Cândido leva-nos aos extremos do compadecimento e do riso, da revolta e da aceitação, do repúdio e do espanto. Como esquecer a sua bem-amada Cunegundes, os filósofos Pangloss e Martin, a passagem por uma Lisboa que se ergue a todo o custo do terramoto, o encontro do mítico Eldorado e todo o novelo de infortúnios e desventuras “no melhor dos mundos possíveis”? Esta obra é puro deleite – e a edição ilustrada da Tinta-da-China veio refinar ainda mais o prazer que é revivê-la.»

 Maria Francisca Almeida Gama, Escritora

«O livro que hoje vos recomendo chama-se Madalena e foi escrito por mim, há cerca de seis meses, após o falecimento do meu pai. Fala sobre a saudade, a dor, sobre o facto de termos que aprender a lidar com a perda. Também fala sobre os sonhos, sobre a alegria, sobre o amor. É um livro que demonstra o quanto anseio por chegar mais longe e em como, apesar da dor que sinto, me esforço para ser cada vez melhor, orgulhando sempre o meu querido pai. »

Patrícia Ervilha, Escritora

O Principezinho – O Grande Livro Pop-Up, Antoine de Saint-Exupéry, Editorial Presença

«Tendo que escolher um livro infantil, não hesitaria na edição O Principezinho – O Grande Livro Pop-Up por Antoine de Saint-Exupéry, da Editorial Presença. O Principezinho é um livro essencial e um livro que atravessa a nossa própria existência. Faz sentido aos 2 anos, como faz aos 92. Esta edição é extraordinariamente bonita e apelativa. Tem o embondeiro mais inesquecível da literatura. Neste caso, a minha escolha vale pelo conteúdo eterno e também muito pela forma.»

(c) Ricardo Graça
Paulo Kellerman, Escritor

Contos de cães e maus lobos, Valter Hugo Mãe, Porto Editora

«O livro que sugiro é Contos de cães e maus lobos, de Valter Hugo Mãe. Trata-se de um belo e cuidado livro que reúne diversos contos que podem ter vários níveis de leitura, de acordo com a idade dos leitores; apesar de em princípio ser destinado a jovens, será igualmente um livro fascinante para leitores adultos. É composto por onze contos que nos convidam simultaneamente a sairmos de nós e mergulharmos em nós, ora ternos ora duros, sempre enigmáticos e mágicos, por vezes arrebatadores. Cada um dos contos é acompanhado por ilustrações originais de diferentes artistas, o que confere a cada estória um imaginário e uma densidade muito concreta. Um livro que corresponde à definição que o próprio autor atribui ao que será um bom livro: aquele que tem “a capacidade de expressar algo que até ali estaria numa espécie de escuridão. A capacidade de colocar em discurso algo que podemos reconhecer, com que nos podemos identificar e que parece de alguma forma solucionar um problema nosso, mas que até ali ninguém tinha expressado daquela forma.”»

Boas leituras e Feliz Dia Mundial do Livro!