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Dia Mundial do Livro: qual a importância da leitura?

por Sofia Pereira

Hoje é o Dia Mundial do Livro!
O Dia Mundial do Livro é celebrado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de abril. Esta data foi escolhida com base na tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge, e recebem em troca um livro, testemunho das aventuras heróicas do cavaleiro. Em simultâneo, é prestada homenagem à obra de grandes escritores, como William Shakespeare e Miguel de Cervantes, falecidos em abril de 1616.

A leitura deve ser um hino à vida. O contacto com o livro como instrumento de trabalho e de lazer facilita o acesso à cultura, à informação e à educação, fomenta hábitos de leitura, contribui para a preservação das tradições e da cultura locais, estimula a inovação educacional, ampliando os horizontes sociais e culturais e contribuindo para o desenvolvimento democrático das sociedades, base de uma cidadania ativa e plena.

Para assinalar a data, a Fábulas convidou alguns leitores a partilharem a importância da leitura nas suas vidas:

Raquel Cravo, 6 anos, aluna do 1º ano

«Ler é muito importante porque aprendemos todas as coisas do mundo. Adoro ler e estou muito feliz porque já consigo ser eu a ler os livros sozinha.»

Alunos do 3º ano da turma 18 da Escola Básica do 1º ciclo da Gândara dos Olivais, Leiria

«A leitura é muito importante porque nos transporta para lugares mágicos. Permite-nos imaginar e viver aventuras fantásticas. Quando lemos, conseguimos esquecer as nossas tristezas.»

Fábio Canceiro, 31 anos, Jornalista

«É difícil descrever a importância que a leitura teve na minha vida. Desde que me conheço que as letras e as palavras, os livros, fazem parte da minha vida. Seja na construção de cenários imaginários seja no melhor conhecimento do mundo real. Graças aos livros e à leitura abri portas, quebra fronteiras, desvende mistérios. Não consigo imaginar a minha vida sem livros.»

André Barros, 32 anos, Compositor e Pianista autodidata

«Parece-me que em todos os géneros literários persiste, por parte do seu autor, uma vontade inequívoca de partilha. Seja esta de factos históricos ou científicos, de estados de espírito ou de sentimentos recalcados, de mundo ficcionados ou de relatos autobiográficos, a verdade é que de um livro comungamos na mesma medida em que se fôssemos o interlocutor presencial do autor da obra. E que privilégio é poder fazê-lo com tamanha intimidade e ao tempo que queremos… Sempre achei curioso que um poema musicado impõe necessariamente o seu tempo através da música que o acompanha, confinado ao seu ritmo e duração, sendo que um poema escrito adapta-se ao tempo de cada leitor, individualmente. Como apaixonado pelos sons confesso que para mim não há melhor combinação do que uma boa leitura potenciada por uma consonante paisagem sonora instrumental! Parabéns aos autores que, tantas vezes, nos comunicam de forma absolutamente altruísta e indelével!»

Catarina Pereira, 34 anos, Professora do 1º ciclo

«Para mim, a leitura tem uma grande importância. Com ela, estimulamos a nossa capacidade de aprendizagem e memória, como também a nossa escrita. Com a leitura desenvolvemos ainda a nossa imaginação, criatividade e adquirimos novos conhecimentos. E, para além de tudo isto, é um ótimo passatempo com efeito terapêutico que nos permite sonhar! Por isso, acho importante a leitura tanto nas crianças como nos adultos.»

Micael Sousa, 34 anos, Engenheiro Civil

«Ler para mim é a oportunidade de aprender, de aceder a conhecimentos que de outra forma me estariam vedados. Ler permite quebrar as fronteiras do tempo e do espaço, permite conhecer ideias distantes na sua pureza original. Podemos escapar à pressão e ditadura do presente acelerado, pois ler desenrola-se ao nosso ritmo, numa viagem para outra dimensão.»

Rita Pereira, 36 anos, Psicóloga

«Para mim, a leitura é importante porque ao lermos um livro este transporta-nos para outras vivências e novas realidades, desenvolvendo assim o nosso imaginário e a nossa criatividade. Ajuda-nos a libertar emoções e sentimentos reprimidos, a conhecer melhor o nosso interior e as pessoas que nos rodeiam, contribuindo para um melhor bem-estar aos níveis da saúde mental, emocional e social. No fundo, acaba por nos ajudar a crescer pessoal, espiritual e profissionalmente.»

Telma Fontes, 39 anos, Funcionária Pública

«Não me lembro de quando aprendi a ler, lembro-me unicamente de escrever em espelho porque era mais fácil e lembro-me, lembro-me perfeitamente do dia em que li Blaupunkt na porta do frigorífico lá de casa. Já nessa altura olhava para o copo meio cheio quando ele se apresentava meio vazio e disse rapidamente para a minha mãe: é frigorífico no país de outras pessoas. Deixo aqui o meu agradecimento aos meus pais por terem sempre livros em cima das suas mesinhas de cabeceiras, uns castanhos ou verdes da Círculos de Leitores, grandes, de uns escritores com nomes diferentes, como Alexandre Herculano e Eça de Queiroz. E agradeço também por nunca me deixarem faltar os livros coloridos no meu quarto, os da Anita e os da Condessa de Segur. E, claro, ao senhor da carrinha da Calouste Gulbenkian que me deixava sempre levar mais livros do que o permitido!
A importância da leitura da minha vida? Deve ter muita, não me lembro de como era dormir, sem ter um livro ao lado!»

Célia Alves, 40 anos, Funcionária Pública

«Há pessoas tão pobres, tão pobres, que só têm dinheiro! Esta frase feita ajuda-me a esclarecer o que, para mim, a leitura tem de tão especial uma vez que, independentemente do estrato social e da condição financeira, todos podemos ler! A leitura aguça-nos a sede de viver e permite-nos tudo… viajar, conhecer, sentir!! Quem nunca sonhou e foi feliz devorando as letras escritas por alguém com tanta paixão como quem as recebe, humildemente no seu coração?»

Saul António Gomes, Professor Universitário

«Ler é a oportunidade do encontro, da reflexão, da descoberta do maravilhoso e do sonho, mas também a oportunidade de crescer na vida e de se aprender a olhar o mundo de forma mais original, pessoal e sem limites. Ler por necessidade, ler para debater, ler para vencer barreiras e estarmos disponíveis para cada novo amanhã.»

Feliz Dia Mundial do Livro! E boas leituras!

Bruxas, caveiras e gatos pretos…

por Sofia Pereira

Bruxas, caveiras, gatos pretos, fantasmas, abóboras, cemitério, monstros, feitiçarias, velas e morcegos. São alguns dos símbolos do Halloween ou Dia das Bruxas – como é conhecida entre nós – uma tradição marcadamente americana. A sua origem remonta ao povo celta, que acreditava que, no dia 31 de outubro, os espíritos dos mortos voltavam aos seus lares para visitar os familiares e guiá-los ao mundo do além.

Pese embora o facto de não existir uma tradição tão forte no nosso país, certo é que esta festividade acaba por contagiar as crianças e os jovens que, entusiasticamente, se deixam envolver por este mundo misterioso, sombrio e até assustador. Tudo, do terror à diversão, leva a uma enorme curiosidade de conhecer e entrar no espírito tenebroso do Halloween.

Para ajudar a celebrar esta época, deixamos aqui a sugestão de alguns livros para que todos os leitores, dos mais pequeninos aos mais crescidos, possam viver esta festa, num verdadeiro ambiente fantasmagórico:

Desculpa… Por acaso és uma bruxa?, de Emily Horn, ilustração de Pawel Pawlak, Dinalivro

«Título Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura 2007 (Jardim de Infância / Ler Voz Alta Sala Aula). O Leonardo é um gato preto, muito solitário, que passa o tempo todo na biblioteca. Certo dia, ao ler A Enciclopédia das Bruxas, descobre que elas adoram gatos pretos. Mas como poderá o Leonardo encontrar uma bruxa, se nunca na sua vida viu nenhuma? E todas as vezes que pergunta: «Desculpa… Por acaso és uma bruxa?», engana-se sempre! Por fim, o gato Leonardo desiste e regressa à biblioteca… sem desconfiar de que há uma grande surpresa à sua espera! Crianças a partir dos 5 anos.»

O Grande Livro das Bruxas & Feiticeiros, de José Viale Moutinho e Fedra Santos, Afrontamento

«Ora aqui está, rapaziada,
Um livro de meter medo.
São bruxos e feiticeiras,
Bailando sem orquestra, à luz das suas fogueiras!
Um de nós conta as histórias.
Todas elas de estarrecer!
O outro faz os desenhos. Para melhor se poder ver!
O primeiro é grandote, lá isso é,e chama-se Zé!
A segunda anda a ver se medra,come pastéis de nata e chama-se Fedra!»

Bruxas à Meia-Noite, de Roberto Pavanello, Planeta Editora

«Parece mentira mas é verdade: Bat Pat é um morcego que tem medo do escuro. É o morcego mais medricas que vocês já conheceram e «fala pelos cotovelos» mas é impossível não gostar dele. Na verdade, é muito divertido e mete-se em cada aventura que… só lido! O Tesouro do Cemitério e Bruxas à Meia-Noite são as duas primeiras histórias publicadas em Portugal. Pois é, o Bat Pat é escritor e a sua especialidade são os livros de terror, aqueles que falam de bruxas, fantasmas, cemitérios e coisas verdadeiramente assustadoras. Os seus amigos são a Rebecca, o Martin e o Leo. A Rebecca adora aranhas, ratos e sapos, o Martin é o intelectual do grupo e o Leo, tão ou mais medricas do que o Bat Pat, não perde uma oportunidade que seja para dizer: «e se petiscássemos qualquer coisa?». É com eles que Bat Pat vai investigar o mistério da estranha sombra (será um fantasma?) que anda a rondar os túmulos do cemitério e o curioso caso das casas invadidas… pela chaminé! A história do livro Bruxas à Meia-Noite é igualmente medonha. O dia estava a raiar e Bat Pat tinha acabado de cair no sono. De repente, um grito de arrepiar acordou o morcego. Era uma velhinha estranha a vender maçãs. Hummm, pensou ele, enquanto se lembrava da bruxa má da história da Branca de Neve, esta velhinha é estranha. E era mesmo. A pérfida bruxa Amanita andava à procura de um aprendiz e levara Rebecca para o seu antro… E agora? Uma coisa é certa, Bat Pat só tem medo do escuro, de mais nada…»

Grimpow – A Última das Bruxas, de Rafael Ábalos, Asa

«O destino cumpriu-se e Grimpow tem nas suas mãos a Pedra Filosofal. Segundo os alquimistas, esse é possivelmente o objecto mais poderoso do mundo, capaz de conceder a imortalidade e de transformar qualquer metal em ouro. Mas ainda há mais para descobrir… Por isso, Grimpow viaja até Paris, decidido a desvendar esse segredo milenar. Entretanto, o rei de França, temeroso da morte, deseja mais do que nunca apoderar-se da lendária Pedra. E só uma pessoa, em toda Paris, pode conseguir tal façanha: chama-se Agnes e desde há um ano que luta pela sobrevivência nas masmorras da Torre do Templo, acusada de bruxaria. Embora ela ainda não o saiba, os seus poderes permitem-lhe pactuar com o próprio Diabo…»

Bruxa Endiabrada, de Kim Harrison, Chá das Cinco

«Em Hollows os vampiros são apenas o início… Apesar de namorar com um vampiro e viver com outro, Rachel Morgan conseguiu sempre manter-se um passo à frente dos problemas… até agora. Um tenebroso assassino em série fez das ruas de Cincinnati o seu terreno de caça e ninguém está a salvo, seja humano, Inderlander ou morto-vivo. Talvez a única maneira de parar esse assassino seja uma misteriosa relíquia que se encontra nas mãos de Rachel Morgan, destemida caçadora de recompensas e bruxa temerária. Mas revelar tal artefacto poderá dar início a uma batalha apocalíptica entre as diversas raças sobrenaturais de Hollows. A decisão pode salvar vidas… ou matar muitas mais! Mais uma vez, Rachel não pode falhar pois o preço a pagar é alto de mais.»

A Festa das Bruxas, de Agatha Christie, Asa

«A famosa escritora de policiais Ariadne Oliver prepara-se para celebrar a Noite das Bruxas em casa de uma amiga. Outra das convidadas é Joyce, uma jovem fã de livros policiais, que confessa ter já assistido a um assassinato. Mas a sua fama de contadora de histórias mirabolantes faz com que ninguém lhe preste atenção. Ou talvez não seja bem assim. Quando Joyce é encontrada morta nessa mesma noite, Mrs. Oliver questiona se esta última história seria mesmo fruto da sua imaginação. Quem de entre os convidados quereria silenciá-la? Mrs. Oliver não conhece ninguém melhor do que o seu amigo Hercule Poirot para responder a esta questão. Mas nem mesmo para o grande detective será fácil desmascarar o assassino.»

Dez livros para celebrar o Dia dos Avós

por Sofia Pereira

Avós. Sabedoria, experiência e amor são atributos destes Seres Humanos que se tornam tão especiais como queridos na educação e formação dos netos.

Neste dia em que se assinala o Dia dos Avós, deixamos aqui a sugestão de alguns livros, para que avós e netos possam ler, proporcionando momentos de grande ternura intergeracional:

O Bolinha Visita os Avós, de Eric Hill, Editorial Presença

«Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para a Educação pré-escolar. Ler em voz alta / Contar / Trabalhar na sala. O Bolinha passa uma tarde feliz com a avó e o avô. Faz algumas travessuras, joga à bola com o avô e até lhe dá um banho no jardim. Antes de voltar a casa, a avó lê-lhe uma história. Divertem-se imenso juntos!»

Ruca Dança com a Avó, de Sarah Margaret Johanson, ilustração de Éric Sévigny, Asa

«Em casa da Avó, o Ruca vê uma fotografia de um casal jovem a dançar. A Avó explica que aquele casal são ela e o Avô, num concurso de dança em que participaram quando eram novos. O Ruca fica espantado e pede para a Avó o ensinar a dançar.»

O Avô conta… 365 Histórias, de Jacqueline Bovy, ilustração de Carlos Busquets, Civilização Editora

«A cada dia do ano é dedicada uma história cheia de imaginação que as crianças poderão ler elas próprias ou ouvir antes de ir para a cama.»

Avós, de Chema Heras, ilustração de Rosa Osuna, Kalandraka

«Chema Heras relata em Avós a ternurenta história de dois velhinhos, Manuel e Manuela, que aceitam com naturalidade as marcas dos anos. Manuela é coquete como uma rapariguinha e Manuel adora dançar com ela. Através de uma estrutura acumulativa e de um texto poético, Avós ensina-nos a encontrar a beleza através dos olhos do amor e mostra-nos todo o carinho que pode existir quando o corpo murcha e nos faz descobrir as vantagens de viver com um sorriso nos lábios. As ilustrações a aguarela de Rosa Osuna põem em destaque o sentido lírico do texto, por meio de um estilo simples e expressivo à base de cores suaves que insinuam a doçura latente nas personagens. Um álbum para crianças – sobre anciãos – que não tem idade, galardoado com o Prémio Llibreter 2003, outorgado pelo Grémio de Livreiros Catalães. Também foi incluído na lista Os melhores de 2004 pelo Banco do Livro da Venezuela.»

Elmer e o Avô Eldo, de David McKee, Editorial Caminho

«O Elmer vai visitar o Avô Eldo. Diverte-se a lembrar ao Avô todas as coisas que faziam juntos — mas o Avô Eldo estará tão esquecido quanto o Elmer pensa? O Avô é velho, mas é um elefante. E os elefantes nunca esquecem. Ou será que esquecem? Elmer é a mais conhecida criação do artista inglês David Mckee, estando editado em mais de 20 línguas.»

O Meu Avô, de Catarina Sobral, Orfeu Negro

«Prémio Internacional de Ilustração 2014 na Feira do Livro Infantil de Bolonha. O meu avô. E o Dr. Sebastião. Duas personagens, dois tempos diferentes. O meu Avô acorda todos os dias às 6 da manhã. O Dr. Sebastião acorda às 7. Cruzam-se todos os dias à mesma hora. O meu Avô já teve uma loja de relógios. Agora tem bastante tempo. O Dr. Sebastião não é relojoeiro nem tem tempo a perder. O meu Avô tem aulas de alemão e aulas de pilates. Escreve cartas de amor (ridículas) e faz regularmente piqueniques na relva, comme il faut. Depois, ainda tem tempo para ir buscar-me à escola… De Pessoa a Manet, de Almada a Tati, um livro repleto de referências artísticas. Uma história enternecedora sobre a relação das crianças com os avós e sobre todos os afectos que se cruzam no Tempo.»

Uma Mão Cheia de Coisas – Histórias do Avô Cantigas, de Avô Cantigas, ilustração de João Mendonça, Bertrand

«Cinco objetos. Cinco histórias. Cinco narradores inesperados, que veem o mundo através de uma perspetiva muito própria. O sapato, a bola, o grão de areia, a casa e o barco protagonizam estas histórias deliciosas que vão encantar as crianças. Nelas encontramos toda a sensibilidade e criatividade de um homem que tem dedicado desde sempre o seu talento aos mais jovens. E assim é, uma vez mais.»

O Relógio da Minha Avó, de Geraldine McCaughrean, ilustração de Stephen Lambert, Everest Editora

«Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 2º Ano de Escolaridade. Leitura Autónoma. Sabes dizer as horas sem olhar para o relógio? A minha avó diz que consegue contar os segundos pelas batidas do meu coração, que uma hora é o tempo que a água da banheira leva a ficar fria e que o dia chega ao fim quando a minha mãe me dá um beijo de boas-noites.»

 

Anita de Férias com os Avós, de Gilbert Delahaye, ilustração de Marcel Malier, Pi

«Os livros da Anita percorrem, desde há 50 anos, as mãos de todas as crianças portuguesas. Não há Avó que não se lembre da Anita, como não há neta que não deseje ler as histórias desta pequena criança desenhada desde sempre por Marcel Marlier.»

O Caderno do Avô Heinrich, de Conceição Dinis Tomé, Editorial Presença

«Heinrich e Jósef conheceram-se na Polónia. Heinrich tinha chegado há pouco tempo da Alemanha, porque o pai não queria que o filho crescesse num país onde então dominavam o ódio, o preconceito, o abuso do poder e todas as formas de fanatismo. Naquele tempo, o homem que tinha subido ao poder resolveu dominar o mundo e perseguir todos aqueles que considerava serem de raças inferiores como os judeus ou os ciganos, e também todas as pessoas que lhe opusessem resistência. Esse homem chamava- se Adolf Hitler. Esta história, escrita com grande sensibilidade, conta-nos como Heinrich, e o seu amigo judeu, Jósef, apesar de tudo o que sofreram, conseguiram manter uma amizade que ficou para a vida. A autora mostra-nos ainda como o amor pelos livros e pela leitura, e a capacidade humana de criar beleza são importantes para promover a paz entre os povos. Prémio Literário Maria Rosa Colaço.»

«Nunca ninguém conseguirá ir ao fundo de um riso de criança.»

por Sofia Pereira

«Nunca ninguém conseguirá ir ao fundo de um riso de criança.»
Victor Hugo

A II Guerra Mundial, em 1945, constituiu o ponto de partida para o reconhecimento de SER CRIANÇA. Depois de terminada a guerra e da crise instalada, muitos países não tinham condições económicas e afetivas para educar as suas crianças. Muitas não tinham pais, não tinham lugar para dormir, comida para se alimentar e escola onde estudar. Todos estes condicionantes levaram a uma enorme debilidade física e psíquica, que conduziu as crianças à morte. Muitas morreram em situações dramáticas.

Como resposta a estas dificuldades foi criada a UNICEF e, mais tarde, assinalou-se o dia comemorativo de todas as crianças do Mundo. Foi a 1 de junho de 1950 que se comemorou pela primeira vez o Dia Mundial da Criança. Porém, só em 1959 foi aprovada a «Declaração dos Direitos da Criança», que define os dez direitos das crianças, que se pautam pelo respeito, pelo amor, pela compreensão, pela proteção, pela educação gratuita e por todos os cuidados necessários que proporcionem um crescimento saudável num clima de PAZ e FRATERNIDADE!

Todas as crianças devem ter estes direitos! Neste dia, mais do que uma festa de alegria e amizade, em que as crianças se tornam as personagens principais, é urgente refletir e encontrar medidas que garantam o bem-estar e a felicidade de todas as crianças, porque o melhor do Mundo é o sorriso de uma criança!

Torna-se importante falar com as crianças sobre os seus direitos e levá-las a exprimir as suas ideias sobre o assunto: se acham que todos/as os/as meninos/as do Mundo vivem com as mesmas condições, em paz e em segurança; se todas as crianças vão à escola aprender coisas novas, como elas; se têm um/a médico/a que cuide delas quando estão doentes; se, no fundo, todos os meninos e todas as meninas terão a mesma sorte que elas.

Os livros podem ajudar a falar sobre os Direitos da Criança. Através das ilustrações e do texto que deve ser lido pausadamente, as crianças poderão compreender que o direito a uma infância protegida, respeitada, feliz e saudável deverá estar acessível a todos/as os/as meninos/as do Mundo. Deixamos hoje aqui a sugestão de alguns livros, para ler neste dia tão especial:

Os Direitos das Crianças, de Luísa Ducla Soares, ilustração de Maria João Lopes, Civilização Editora

«Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 1.º e 2.º anos de escolaridade. Apoio a Projectos relacionados com Cidadania. No ano em que a ONU comemora 20 anos sobre a “Declaração dos Direitos das Crianças”, Luísa Ducla Soares explica, aos mais novos, o significado de alguns dos Direitos das Crianças como, entre outros, o direito a ter um nome, a uma educação, à protecção, o direito a ter uma família e a poder brincar. Mas a autora termina lembrando que as crianças têm também deveres.»

Direitos da Criança, de Maria João Carvalho, ilustração de Carla Nazareth, Everest

«Quando a cor azul da amizade unir as crianças de todo o mundo, uma ponte feita de arco-íris levará a todas elas um gesto de amor e conduzirá ao tesouro da harmonia e do bem-estar.  Partindo do texto da Declaração Universal dos Direitos da Criança este livro pretende contribuir para que os princípios nela consagrados sejam cada vez mais divulgados e reconhecidos a todas as crianças sem excepção alguma.»

No Dia da Criança, de Luísa Ducla Soares, ilustração de Danuta Wojciechowska, APCC

«Há, por esse mundo fora, infâncias douradas ou simplesmente alegres e felizes.Mas há também crianças sem direitos, forçadas a trabalhos pesados e perigosos, obrigadas a combater em guerras, sem ninguém que as proteja. São meninos como vocês… Querem conhecer a história de um deles?»

Para não quebrar o encanto – os direitos da criança, de Vergílio Alberto Vieira, ilustração de Rita Oliveira Dias, Caminho

«Livro recomendado para apoio a projetos relacionados com a cidadania nos 3.º, 4.º, 5.º e 6.º anos de escolaridade. Vergílio Alberto Vieira dedica este livro aos direitos da criança, numa série de poemas em que alia a sensibilidade fina e justa à mestria da forma breve. As ilustrações deliberadamente «ingénuas» emprestam uma graça particular a este álbum a cores. O livro inclui o texto integral da Declaração dos Direitos da Criança.»

Amali e Abdul do Outro Lado do Muro, de Isabel Bravo, ilustração de Daniela Bacalhau, Caminho das Palavras

«Amali é uma menina de dez anos, natural do território da Palestina, que ao longo da história, rodeada pelo feminino, pela mãe e a avó-materna, partilha toda a sua cultura hebraica. Ela representa a fação israelita do conflito e tem um papel importante, para o qual persuade a sua família, na resolução do conflito preconizado na história; materializado no muro que separa as duas culturas. Abdul é um menino, da sua idade, natural do território da Palestina, que representa a fação palestiniana. Amali perde a sua bola na “Terra Proibida”, na demanda de recuperá-la confraterniza com Abdul. A amizade é descoberta e proibida por ambas as famílias. É através da “Declaração Universal dos Direitos da Criança”, que Amali consegue convencer os adultos de que o seu conflito não tem razão de ser. De forma figurada, à medida que o conflito diminui, representado pela amizade que vai surgindo entre a família de ambos, o muro desaparece. Dentro da história há outra história encaixada, um segredo que o avô da Amali – o avô Moisés – guarda das crianças da família: “Shoá” (holocausto), uma nuvem negríssima que o acompanha.  Este conto infantil, dirigido às crianças entre os nove e doze anos, é uma lição de História, uma história de Fé, um elogio à Paz, dedicado a todos aqueles que têm um muro a separá-los.»

Ser Criança é…, de Fernando Paulo Gomes, Luís Matos e Nuno Caravela, Fnac

«Este livro ilustra, ao longo de doze canções, o fantástico mundo das crianças e dá a conhecer todos os seus direitos para uma vida em harmonia. Os 10 Direitos da Criança, canções e atividades divertidas…»

A todas as crianças do Mundo um grande beijinho e um Feliz Dia da Criança!

Andersen, o patrono do Dia Internacional do Livro Infantil

HANS CHRISTIAN ANDERSEN

por Sofia Pereira

No dia 2 de abril, comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen. A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância do livro e da leitura no desenvolvimento das crianças.

Hans Christian Andersen nasceu a 2 de abril de 1805, na Dinamarca, e deixou-nos um legado enorme de narrativas encantadoras. Mas há todo um conjunto de curiosidades da vida deste contador de histórias que muitos leitores desconhecem e que partilhamos hoje aqui:

– Andersen nasceu na cama dos seus pais, feita a partir do caixão de um Conde.

– A cidade natal de Andersen, Odesen, fica numa linda ilha verde. Talvez tenha sido esse ambiente o grande impulsionador para desde sempre gostar de contemplar a natureza.

– Criança sonhadora, desde muito novo, acreditou que seria famoso.

– O pai de Andersen era sapateiro e lia-lhe muitas histórias, como peças de teatro e contos. A morte prematura do pai obrigou-o a crescer muito rápido.

– Quando acompanhava a avó ao asilo, escutava contos de fadas.

– Enquanto era jovem, acreditava que o palco era a sua vocação, nas áreas do teatro ou da dança.

– O seu livro preferido era As 1001 Noites.

– Andersen era pobre, mas adorava viajar em diferentes meios de transporte (carruagem, mula ou cavalo, comboio); por essa mesma razão, conheceu muitas pessoas famosas e escreveu muitos diários de viagem com desenhos.

– Na viagem mais longínqua que fez (Turquia), o escritor levou uma corda para fugir em caso de incêndio.

– Entrou na Universidade aos vinte e três anos, através do auxílio de amigos, que lhe pagaram os estudos.

– Andersen publicou os seus primeiros contos de fadas em 1835.

– A partir de 1837, todos os anos, publicou livros de contos pelo Natal.

– Andersen adorava música, sobretudo ópera.

– O fogo e a mesquinhez eram das coisas que mais o desagradavam.

– No dia em que completou setenta anos de vida, a sua cidade natal foi iluminada em sua homenagem.

– Andersen escreveu 156 contos e muitos outros livros (romances, peças de teatro, autobiografias, entre outros), que estão traduzidos em mais de cem idiomas.

– Hans Christian Andersen foi um dos escritores que visitaram o nosso país.

O escritor viveu setenta anos, mas a sua obra faz perpetuar entre nós a sua vitalidade.

Mais informações sobre o autor aqui.

Aproveitamos também para deixar algumas sugestões de leitura de livros do autor:

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O Rei Vai Nu, Ilustração Anastassija Archipowa, Everest Editora

«Livro recomendado para o 3.º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma. Era uma vez um rei que gastava todo o seu dinheiro em roupa. Um dia apresentaram-se diante dele dois impostores que se faziam passar por alfaiates. Diziam que não só conseguiam fazer trajes muito bonitos, com cores e padrões maravilhosos, como também eram capazes de dotá-los de uma qualidade extraordinária: ficavam invisíveis diante de qualquer pessoa que não fosse qualificada para o cargo que ocupava…»

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Três Contos de Andersen, O Rouxinol – A Princesa e a Ervilha – Os Sapatos Vermelhos, Texto Editores

«Livro recomendado para o 4.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada – Grau de Dificuldade I. Três contos famosos de Hans Christian Andersen – O Rouxinol, A Princesa e a Ervilha e Sapatos Vermelhos –, que são de leitura obrigatória. Por isso, estes contos fazem parte das Metas Curriculares de Português para o Ensino Básico e são recomendados pelo Plano Nacional de Leitura.»

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O Soldadinho de Chumbo, Ilustrações Teresa Lima, prefácio José Jorge Letria, Dom Quixote

«Livro recomendado para o 4.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada – Grau de Dificuldade I.»

Hoje é dia da festa do livro infantil!

Os livros são para encontrar, para abrir, para folhear, para desvendar, para explorar, e para fechar e para rever e reencontrar. Os livros são janelas que se abrem devagarinho, apreciando a lufada que trazem quando se lhes descobre a paisagem, página a página. Hoje celebra-se o Dia Internacional do Livro Infantil – são aqueles livros em que tudo começa: a imaginação, o conhecimento, o futuro.

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Levanta-se o pano e começa o teatro!

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por Sofia Pereira

No passado dia 27 de março celebrou-se o Dia Mundial do Teatro.

O teatro teve origem na Antiguidade Clássica, no século V. a.C., e era representado nos festivais anuais em honra de Dionísio, deus das festas e do vinho, e em jogos públicos, para divertimento do povo. Os textos abordavam géneros específicos – a tragédia e a comédia – e, mais do que provocar o riso, serviam para distrair os populares das desgraças e criticar os costumes da sociedade. Sófocles, Ésquilo e Eurípides, na tragédia, e Aristófanes e Plauto, na comédia, foram dos autores que mais se destacaram e influenciaram, posteriormente, os dramaturgos que se lhes seguiram.

Ao longo dos tempos, o teatro afirmou-se como um importante veículo de comunicação e transmissão de ideias sociais, culturais, políticas, económicas e educativas, evoluindo em termos de representação e géneros teatrais (farsa, auto, melodrama, tragicomédia, musical, entre outros). Não é, portanto, de questionar a sua vitalidade até aos dias de hoje.

Pese embora o objetivo primordial ser despertar sentimentos e emoções nos espetadores, o teatro procura ser também um suplemento da vida, mantendo à distância o mal e a desgraça, mas pretende ainda apresentar em cena intrigas, com intuito pedagógico e moralizante, que levem à reflexão grandes questões do Homem e da sociedade: a educação, a dignidade humana, a religião, o respeito e a política.

A leitura e a representação de textos de teatro revelam-se uma importante forma de aprendizagem e de crescimento para as crianças e os jovens, uma vez que favorece a auto-estima, a criatividade e a imaginação, estimula a relação interpessoal, a criação de histórias, personagens e jogos de imitação, e desenvolve a comunicação verbal e não-verbal.

Para assinalar o Dia Mundial do Teatro, deixamos aqui a sugestão de alguns livros de teatro, para ler, para partilhar, para representar:

POLEGARZINHO

Polegarzinho, de João Paulo Seara Cardoso, ilustração de Júlio Vanzeler, Campo das Letras

«Esta peça foi escrita especialmente para o Teatro de Marionetas do Porto e representada pela primeira vez em 25 de Maio de 2002, no Balleteatro Auditório. O texto inspira-se livremente nas versões clássicas do Polegarzinho escritas por Joseph Jacobs, Perrault, Grimm e Andersen e ainda nas versões aculturadas de que Tom Thumb (Inglaterra), Tom Poucet (França) e João Polegar (Portugal) são alguns exemplos.»

HOJE TAMBÉM HÁ PALHAÇOS

Hoje Também Há Palhaços, de Maria Alberta Menéres e António Torrado, ilustração de Nikola Raspopovic, Edições Asa

«É assim que, depois de Hoje Há Palhaços, a ASA lança agora Hoje Também Há Palhaços, segundo título de uma série assinada por António Torrado e Maria Alberta Menéres que reúne em livro vários dos sketches televisivos que ambos escreveram há já vários anos para a RTP, em torno das aventuras e desventuras dos simpáticos Anacleto e Emilinho.   Com textos muito engraçados, adequados sobretudo aos 1º e 2º ciclos de escolaridade, e ilustrações bem apelativas da autoria de Nikola Raspopovic, Hoje Também Há Palhaços vem assim pôr à disposição de professores, dinamizadores de tempos livres e educadores em geral mais um conjunto de textos dramáticos que estes poderão trabalhar com as crianças, dando-lhes a possibilidade de subirem aos palcos das escolas, associações recreativas e casas de espectáculos, em actividades teatrais infantis de manifesto interesse lúdico-didáctico.»

Espanta-Pardais - capa

Espanta-Pardais, de Maria Rosa Colaço, ilustração de Albino Moura, Vega

«Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 3.º Ano de escolaridade. Leitura com apoio do professor. Espanta-Pardais é unanimemente aclamado como a maior obra infantil da literatura portuguesa do século XX. A procura que tem tido, a multiplicidade de trabalhos escolares que tem gerado, as várias representações teatrais, quer pelos alunos das escolas quer por companhias teatrais, a quantidade de referências que tem suscitado, tudo aponta nesse sentido. A odisseia poética do Espanta-Pardais apostado em ser pessoa real, Maria Primavera e o Pássaro Verde são personagens inesquecíveis, e as suas aventuras na Estrada-Larga ficaram na memória de muitas gerações de leitores.»

OS PIRATAS

Os Piratas, de Manuel António Pina, Porto Editora

«Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 6.º Ano de Escolaridade. Leitura Orientada. E se, de repente, te visses a bordo de um navio de piratas? Não fazes ideia de como foste lá parar, só sabes que tens de salvar a tua mãe, mas o Capitão toma-te por um dos seus grumetes… No meio do desespero, acordas e pensas que tudo não passou de um terrível pesadelo. Mas logo te apercebes que ainda trazes na cabeça o lenço vermelho de pirata… Terá sido sonho ou realidade?»

OS HERDEIROS DA LUA DE JOANA

Os Herdeiros da Lua de Joana, de Maria Teresa Maia Gonzalez, Pi

«Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 8.º Ano de escolaridade. Leitura orientada na Sala de Aula. Grau de dificuldade I. A partir do livro A Lua de Joana, escreveu Maria Teresa Maia Gonzalez esta peça de teatro onde vamos encontrar as suas personagens no momento do luto pela perda irreparável que sofrera. Confrontam-se entre si, transmitindo uma advertência contra o uso de drogas que é cada vez mais importante nos tempos que correm. Se gostaste de A Lua de Joana, não vais querer deixar de ler este livro. A Lua de Joana é um dos maiores sucessos de sempre na literatura juvenil portuguesa. A sua leitura por centenas de milhares de jovens, pais e professores do país impôs a escrita pela autora desta peça, possibilitando assim que muitos deles a encenem e possam, como no livro, debater e prevenir o uso das drogas.»

HISTÓRIA BREVE DA LUA

História Breve da Lua, de António Gedeão, Porto Editora

«Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 8.º Ano de Escolaridade. Leitura Orientada. Vou contar-vos uma história que espero que vos agrade. Diz essa história que outrora a superfície da Lua não era como é agora… Descobre a história (breve) da Lua, nesta divertida peça escrita em verso, com um toque sublime de imaginação.  A Coleção Educação Literária reúne obras de referência da literatura portuguesa e universal indicadas pelas Metas Curriculares de Português e pelo Plano Nacional de Leitura.»

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In Nomine Dei, de José Saramago, Editorial Caminho

«Entre o homem, com a sua razão, e os animais, com o seu instinto, quem, afinal, estará mais bem dotado para o governo da vida? “Não faz sentido?” “Se os cães tivessem inventado um Deus, brigariam por diferenças de opinião quanto ao nome a dar-lhe, Perdigueiro fosse, ou Lobo-d’Alsácia? E no caso de estarem de acordo quanto ao apelativo, andariam, gerações após gerações, a morder-se mutuamente por causa da forma das orelhas ou do tufado do seu canino Deus?” Estas considerações podiam ser tomadas como ofensivas, mas José Saramago trata de se defender: “Não é culpa minha nem do meu discreto ateísmo se em Münster, no século XVI, como em tantos outros tempos e lugares, católicos e protestantes andaram a trucidar-se uns aos outros em nome de Deus – ‘In Nomine Dei’ – para virem a alcançar, na eternidade, o mesmo Paraíso.” “Os acontecimentos descritos nesta peça representam, tão só, um trágico capítulo da longa e, pelos vistos, irremediável história da intolerância humana”, explica o autor. “Que o leiam assim, e assim o entendam, crentes e não crentes, e farão, talvez, um favor a si próprios. Os animais, claro está, não precisam.” (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)»

JÚLIO CÉSAR

Júlio César, de William Shakespeare, Cotovia

«Júlio César quer o poder numa Cidade que sabe estar minada pela podridão, pela intriga, pela alienação. A Tragédia de Júlio César, título com que a peça nos aparece na sua primeira edição, é a tragédia de quem assume o poder sabendo que não pode ser justo quem governa um mundo injusto, e assim se condena à morte. Por ambição, como dizem os honestos? Não importa. Quem quiser reinar num mundo injusto terá de ser tirano. E por ser tirano será abatido. E sendo abatido dará lugar a nova tirania, mais injusta do que a sua, numa Cidade que o terá abatido menos para se purificar que para esconjurar uma culpa que é incapaz de reconhecer. Mais do que a tragédia de um homem ou a tragédia do poder, A Tragédia de Júlio César é a tragédia da própria Cidade, da própria vida política de todos os seus cidadãos. Júlio César é a tragédia de Roma. E Roma é a Cidade, é a vida em comum dos homens.»

Feliz Dia Mundial do Teatro!

Dez coisas que você não sabia sobre Lewis Carroll

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Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, cujo nome verdadeiro era Charles Lutwidge Dodgson, foi publicado há 150 anos. Para celebrar esta data a Publishers Weekly, publicação dedicada ao mercado editorial, reuniu um conjunto de dez factos sobre o autor e que poucos leitores conhecerão. Ora aqui ficam alguns deles:

– Carroll sofria de inúmeras maleitas: enxaquecas, epilepsia, surdez parcial, hiperatividade e gaguez.

– Era um grande escritor de cartas, chegando a enviar mais de duas mil num ano. E às vezes escrevia ao contrário, obrigando o pobre do recetor da carta a lê-la através de um espelho.

Charles Dodgson

–  O gato Cheshire foi inspirado nos moldes de queijo do condado de Cheshire, em Inglaterra, uma zona rica em produção de laticínios, onde a frase «to grin like a Cheshire cat» (rir tolamente, a propósito de tudo e de nada, segundo o dicionário da Porto Editora) era uma expressão muito usada. Os queijeiros moldavam o queijo de forma a ficar com uma cabeça de gato sorridente.

– É possível encontrar um coelho branco e Alice segurando um flamingo nos vitrais de uma igreja do Christ College, em Oxford, onde Carroll passou grande parte da sua vida.

– Mesmo depois de Alice ter alcançado sucesso internacional, a única vez que Carroll viajou foi em 1867 em que foi à Rússia. No regresso parou na Polónia, Alemanha, Bélgica e França.

As restantes curiosidades podem ser encontradas aqui.

Acresce ainda um outro facto curioso acerca de Lewis Carroll – é que ele era matemático e inseriu diversos enigmas matemáticos e de lógica nos seus livros.

O Holocausto explicado às crianças

Hoje assinalam-se os setenta anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz, onde foram exterminados mais de um milhão de judeus. Um holocausto que, além de judeus, matou milhões de pessoas de outras raças e religiões. Para aquelas crianças que ainda não começaram a estudar a Segunda Guerra Mundial, o dia de hoje pode ser um meio de introduzir o assunto, ou para aqueles que já começaram, a desenvolver os seus conhecimentos da perspetiva da literatura. Nada como falar de um tema através dos livros. Aqui ficam alguns títulos para adolescentes relacionados com a Segunda Grande Guerra.

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A Evasão, CHERUB Henderson’s Boys – livro 1, de Robert Muchamore, Porto Editora

«Estamos no verão de 1940 e o exército de Hitler está a avançar por Paris, obrigando à evasão de milhões de civis franceses. No meio do caos, duas crianças britânicas são perseguidas por agentes alemães. O espião inglês Charles Henderson tenta alcançá-las primeiro, mas só conseguirá fazê-lo com a ajuda de um órfão francês de 12 anos. Os serviços secretos britânicos estão prestes a descobrir que as crianças podem ajudá-los a vencer a guerra.»

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O Rapaz do Pijama às Riscas, de John Boyne, Edições ASA

Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 3.º ciclo, destinado a leitura autónoma.

«Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas. Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…»

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O Diário de Anne Frank, de Anne Frank, Livros do Brasil

Um livro incontornável que revela as visões e sentimentos de uma jovem de treze anos que sofre na pele a perseguição aos judeus.

Livro recomendando pelo Plano Nacional de Leitura para o 8.° ano de escolaridade, destinado a leitura orientada – Grau de Dificuldade I.

«Todos conhecem a história profundamente dramática da jovem Anne Frank. Publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, o Diário veio revelar ao mundo o que fora, durante dois longos anos, o dia-a-dia de uma adolescente condenada a uma voluntária auto-reclusão, para tentar escapar à sorte dos judeus que os alemães haviam começado a deportar para supostos «campos de trabalho». Tentativa sem final feliz. Em Agosto de 1944, todos aqueles que estavam escondidos no pequeno anexo secreto onde a jovem habitava foram presos. Após uma breve passagem por Westerbork e Auschwitz, Anne Frank acaba então por ir parar a Bergen-Belsen, onde vem a morrer em Março de 1945, a escassos dois meses do final da guerra na Europa.»

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A Rapariga Que Roubava Livros, de Markus Zusak, Editorial Presença

Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para o 9.º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada – Grau de Dificuldade II.

«Quando a morte nos conta uma história temos todo o interesse em escutá-la. Assumindo o papel de narrador em A Rapariga Que Roubava Livros, vamos ao seu encontro na Alemanha, por ocasião da segunda guerra mundial, onde ela tem uma função muito activa na recolha de almas vítimas do conflito. E é por esta altura que se cruza pela segunda vez com Liesel, uma menina de nove anos de idade, entregue para adopção, que já tinha passado pelos olhos da morte no funeral do seu pequeno irmão. Foi aí que Liesel roubou o seu primeiro livro, o primeiro de muitos pelos quais se apaixonará e que a ajudarão a superar as dificuldades da vida, dando um sentido à sua existência. Quando o roubou, ainda não sabia ler, será com a ajuda do seu pai, um perfeito intérprete de acordeão que passará a saber percorrer o caminho das letras, exorcizando fantasmas do passado.»

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O Longo Inverno, de Ruta Sepetys, Contraponto

«Em 1941, Lina, de quinze anos, prepara-se para ingressar na escola de artes e para tudo o que aquele verão lhe pode proporcionar. No entanto, uma noite, a polícia secreta soviética invade a sua casa, levando-a juntamente com a sua mãe e o irmão mais novo. São enviados para a Sibéria. O pai de Lina é separado da família e conduzido a um campo de concentração. Lina decide arriscar tudo e usa a sua arte como forma de enviar mensagens, na esperança de que estas cheguem ao campo prisional onde o seu pai se encontra e lhe transmitam que a sua família ainda está viva. É uma longa e comovente viagem. Apenas a força, o amor e a esperança fazem com que Lina e a família resistam a cada dia. Mas será isso suficiente para os manter vivos?»

Estátua de Mafalda inaugurada em Espanha

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(c) Mafalda Oficial Facebook

O cartoonista Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino, inaugurou recentemente uma estátua de Mafalda em Oviedo, Espanha. Com cerca de oitenta centímetros de altura, feita de um material resistente aos maus-tratos do tempo, Mafalda encontra-se sentada num banquinho, com o seu vestidinho vermelho, no Campo San Francisco. A obra é de Pablo Irrgang e vem assinalar os cinquenta anos da personagem de Quino.

Daqui.