Tag Archives: Hábitos de leitura

Ler mal

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Pode-se ler mal um livro? Será uma criança ou um adolescente capaz de examinar por si um texto e retirar das suas profundezas algo mais do que apenas aquilo que está à superfície? Num blogue no qual tropecei enquanto fazia as minhas pesquisas na Internet, uma leitora expôs num artigo a sua preocupação com o facto de achar que lê mal os livros, que os outros conseguem retirar deles analogias e referências que ela não consegue por fazer uma leitura completamente distinta. Tudo dependerá do livro que se lê, é certo, mas parece-me uma questão muito pertinente.

Na adolescência sofri da mesma ansiedade. Nas aulas de português, sempre que se analisava um texto, tinha muita dificuldade em interpretá-lo segundo os parâmetros fornecidos pela professora ou pelo manual escolar. Não havia uma grande liberdade ou compreensão por visões diferentes, pelo que me sentia limitada e pouco à vontade para expor as minhas ideias. Por fim, veio a desmotivação. Para que as notas não sofressem com isso, deixei as minhas próprias interpretações de lado. Talvez seja por esse motivo que tenha lido tão pouca literatura nos tempos da escola, principalmente no secundário. Por outro lado, foi nesses anos que mais produzi ao nível da escrita. Tenho textos e textos e poemas às dezenas, escritos nessa altura.

Será então possível que muitos leitores jovens se afastem da leitura por acreditarem que «leem mal»? Por não lerem os livros como os professores, educadores ou outros tencionam que eles sejam lidos?

Como se pode decidir se uma criança está certa ou não na sua interpretação se, apesar de não ser aquilo que se esperava, for ainda assim válida? Como se poderá estimular o pensamento crítico e a criatividade nas crianças, sem com isso tornar demasiado dispersos os parâmetros que determinam a interpretação correta de um texto? Não creio que haverá uma única resposta certa.

O artigo que referi pode ser lido aqui.

 

«Os pais preocupam-se de mais com o que os filhos leem»

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Esta é uma afirmação proferida por Judy Blum, autora americana best-seller de livros para jovens, com mais de oitenta milhões de exemplares vendidos. Numa reportagem do jornal The Telegraph, a escritora diz ainda que todas as crianças possuem um «censor interno» que as levará a evitar ler aquilo que as fizer sentirem-se desconfortáveis.

Judy Blum chegou a ver alguns dos seus livros serem banidos das bibliotecas, nos anos 1980, por abordarem temas considerados chocantes, relacionados com o sexo na adolescência, o racismo, o divórcio e o bullying, por exemplo.

Quando conversa com os seus jovens leitores, a autora diz sempre: «Vão e leiam à vontade. Leiam aquilo de que gostarem.»

É sempre polémica a questão sobre aquilo que os pais devem evitar ou não que as crianças leiam. Preocupação de mais ou de menos nunca é, de modo nenhum, benéfico para ninguém. É sobretudo o bom-senso que deve guiar pais e educadores, tendo em conta a idade da criança ou do jovem, as suas habilitações, a sua personalidade. Contudo, é frequente esse bom-senso ser contaminado pelos seus próprios medos e preconceitos, acabando os pais por não deixarem os filhos defrontarem-se com leituras que poderão ser mais desafiantes, tanto no que diz respeito à linguagem, como ao conteúdo.

É preciso é que os pais ou educadores estejam atentos e disponíveis para conversarem com as suas crianças sobre aquilo elas leem. Seja aquilo que for.

 

Os adolescentes estão a ler menos?

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Em Portugal, com a crise, é possível que sim. Todavia, não terá tanto que ver com a crise, mas com uma especial apetência dos portugueses pela tecnologia. Neste caso, o estudo foi feito nos EUA e demonstra que os adolescentes americanos estão, cada vez mais, a trocaros livros pela Internet, onde podem ver séries, espreitar os blogues uns dos outros, conversar com os amigos, etc. A tendência verifica-se desde há uma década e tem-se agravado nos últimos anos, com a ascensão dos smartphones e a proliferação da Internet gratuita. No entanto, apesar disso, o responsável pelo estudo diz que muito depende dos pais, e do contacto que eles próprios têm com os livros e a forma como promovem esse contacto com os filhos. O artigo pode ser lido aqui.

Notícia através daqui.

Porque é que os adultos leem literatura YA?

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Imagem daqui.

«Será que se pode ser demasiado velho para ler romances para “Jovens Adultos”?» é a pergunta que John Green, autor de «A Culpa é das Estrelas», coloca e responde num ensaio escrito para a revista Cosmopolitan. Green considera que os adultos não deixam de procurar respostas para perguntas fundamentais a partir do momento em que começam a trabalhar e a constituir as suas famílias. Existirá também contido neste tipo de romances um certo positivismo e uma esperança juvenil de um mundo ainda cheio de segredos por revelar. O autor sente que os temas, até os mais difíceis, são abordados de uma maneira direta e franca que agradará aos leitores adultos.
As respostas possíveis são muitas e variadas, e só cada leitor poderá definir por si exatamente o que retira deste género de literatura, com protagonistas adolescentes em processo de descoberta da realidade.
O artigo de John Green pode ser lido aqui.

Porque é que os rapazes leem menos que as raparigas?

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Será uma pergunta controversa. Os rapazes lerão efetivamente menos que as raparigas? Nas minhas visitas às escolas eram de facto as raparigas que mais perguntas me colocavam sobre os meus livros, mas julgo que isso terá que ver com o facto de a personagem principal dos meus primeiros livros ser uma fada. Já no caso do «Monstro, em que o protagonista é um rapaz roliço com excesso de imaginação, notei uma grande diferença. Eram muito mais os rapazes que me abordavam e com um curioso fervor que nunca detetei nas raparigas. Eram menos, sim, mas mais empenhados na história. Foi pelo menos essa a minha perceção.
Num artigo intitulado What If Boys Can’t Find the Right (Reading) Stuff?, discute-se se os rapazes leem pouco por na indústria editorial, bem como na crítica literária, haver mais mulheres do que homens. Em que é que isso influencia o interesse das crianças do sexo masculino pela leitura? No artigo é sugerido que o facto de haver mais mulheres editoras pode ter impacto no tipo de livros que são lançados e cujos conteúdos interessarão menos aos rapazes do que às raparigas. Um exemplo citado é o dos livros infantis ilustrados que o autor Jonathan Emmett considera serem mais apelativos para as meninas do que para os meninos. Parte da culpa disto será, segundo ele, dos homens editores por não se interessarem tanto pela edição de livros infantis e juvenis. Será mesmo assim? Esta é pois uma questão interessante para refletir e debater.

Estudo sobre a diversidade na literatura YA

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Entende-se «diversidade» por presença de personagens, neste caso as principais, de diferentes raças, etnias, orientações sexuais ou com algum tipo de deficiência física ou mental. O estudo analisa os livros para Jovens Adultos da lista de best-sellers de 2013 do jornal New York Times . Esta análise foi feita pela DiversityinYA.com, fundada pelas autoras Cindy Pon e Malinda Lo, com o objetivo de promover a diversidade na literatura para crianças e jovens. Não é rigorosamente científico, mas retira algumas conclusões interessantes. O estudo completo pode ser consultado aqui.

 

Deixá-las ler o que quiserem

Que livros devem ler as crianças? Que tipo de livros? Livros de monstros para os rapazes, livros de princesas para as raparigas. Livros considerados muito bons pelos críticos ou apenas muito bons em vendas, mas não tão bons ao nível da escrita? Há quem defenda que se deva deixar as crianças e os jovens lerem o que quiserem, independentemente de género ou da qualidade, desde que leiam, isso é que é importante. Outros, pelo contrário, acreditam que não, que deve haver critério.
O estabelecimento de critérios estará sempre sujeito a níveis de subjetividade que variam de pessoas para pessoa.  Não creio que se deva limitar aquilo que um rapaz ou uma rapariga podem ler, como se os rapazes só se interessassem por banda desenhada e as raparigas por histórias românticas, como defende também uma jornalista num artigo do The Telegraph, e que serviu de base para esta minha breve reflexão. O melhor é deixá-los expandir os seus horizontes não a partir de estereótipos de género, mas do conteúdo das histórias.
É claro que certos livros, principalmente aqueles que foram publicados num determinado momento histórico, devem ser lidos com orientação, para que as suas histórias sejam contextualizadas, como no caso por exemplo de As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain, do Não Matem a Cotovia, de Harper Lee, do Tintin, e no que diz respeito a autores portugueses, dos livros de Odette de Saint-Maurice, entre outros. Pode-se assim estabelecer um paralelismo entre aquilo que estarão a estudar na disciplina de História, e as visões de cada época através da literatura.  É uma forma prática de estimular uma leitura crítica e isso só pode ser enriquecedor para a criança e para o jovem.
É, pois, importante que leiam um pouco de tudo, e que os rapazes também leiam livros cujo marketing é mais direcionado para as raparigas, e que as raparigas tenham acesso a livros que à partida seriam mais destinados aos rapazes, porque assim constroem dentro de si a capacidade de questionar e de olhar o mundo sob diferentes perspetivas que não aquelas determinadas somente pelo género, por estereótipos ou pelo contexto da época ou da sociedade em que vivem.

Ilustração retirada daqui
Ilustração retirada daqui

Vendas de livros infantis e juvenis e hábitos de leitura

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À falta de estudos sobre a venda de livros em Portugal, principalmente para crianças e jovens, bem como de hábitos de leitura, temos os dos outros países, e embora não sejam de modo nenhum um espelho da nossa realidade, podem no entanto ajudar a formar uma ideia de como anda o mercado. Um desses estudos, divulgado aqui, conta-nos que a maior dos livros para crianças ainda são comprados nas livrarias, apesar de os e-books estarem em claro crescimento, bem como as vendas pela internet (nos EUA). Revela ainda que os livros para Jovens Adultos – na sua maioria comprados por adultos a partir dos dezoito anos –  e os livros infantis ilustrados são os que mais se vendem no mercado infantil e juvenil. O género mais procurado entre as crianças é o da Fantasia e o da Ficção-Científica. Gostava muito de saber como é relativamente ao nosso mercado e se os resultados seriam parecidos ou, pelo contrário, muito diferentes.

Crianças americanas leem em média 40 minutos por dia

Esta é a conclusão de um estudo feito pelo centro Joan Ganz Cooney, uma plataforma cuja missão é desenvolver a aprendizagem através dos meios digitais. A tese resulta de uma série de entrevistas realizadas a 1500 pais de crianças entre os dois e os dez anos. Como todos os estudos, este dará com certeza azo a muitas discussões, dado que se fala em leitura, e nas plataformas em que acontece essa leitura, mas não no conteúdo lido, que pode ser qualquer coisa, e não necessariamente literatura.  O mesmo estudo conclui que cada uma dessas crianças vê em média 42 minutos de televisão por dia, uma grande concorrente à leitura, sem dúvida. A investigação pode ser lida aqui.

Notícia daqui.

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Serão os romances para adolescentes maus para os rapazes?

Esta pergunta é feita num artigo do The Guardian e parece-me bastante pertinente. Abundam nos escaparates romances juvenis e Young Adult em que os rapazes são lindos, altos, musculados, confiantes, com sorrisos enviesados, ligeiramente trocistas, enfim, perfeitos, pelo menos fisicamente. Na verdade, a maior parte dos jovens de sexo masculino com catorze, quinze, dezassete anos, passa uma fase de transformação, com borbulhas no rosto, a barba ainda rala ou então descontrolada numa cara de miúdo a caminhar para adulto. Esta tendência cria por um lado expectativas irrealistas nas raparigas e, por outro, poderá afetar a auto-estima dos rapazes sujeitos a comparações. São estas as questões que o artigo coloca e pode ser lido aqui. Algo para refletir.