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Sete dicas para pais de leitores relutantes

Filhos de pessoas que leem, dizem os estudos, normalmente também se tornam bons leitores. Contudo, muitos pais debatem-se com estratégias para convencerem os filhos entre os nove e os doze anos a lerem mais. Ficção? Não ficção? Com muitos bonecos, sem bonecos, com jogos ou enigmas para resolver? Escolher para eles ou deixá-los escolher sozinhos? E o que fazer quando começam a ler um livro mas o deixam a meio? E quando o fazem sucessivamente?

A mãe de uma criança leitora deixa alguns conselhos preciosos e úteis para pais de leitores mais relutantes. Resumindo e adaptando, aqui ficam sete dicas.

1. Qual é o mal de deixar um livro, ou vários, a meio?

R: Todos nós o fazemos. Não é motivo para preocupação. Todos testamos diversos géneros até encontrarmos aquele ou aqueles de que mais gostamos.

2. Os livros de que gostamos não têm necessariamente de ser os mesmos de que os nossos filhos gostam.

R: Hoje em dia a variedade de títulos disponíveis é muito maior do que há uns anos. É bom explorar e descobrir novos livros com a criança. Também pode acontecer gostar dos mesmos clássicos. Talvez seja uma questão de haver uma abertura de ambas as partes para o novo e para os velhos clássicos.

3. O seu filho poderá demorar algum tempo até querer livros maiores e mais complexos.

R: Tudo começa pelo princípio. Um livro com muitos bonecos, cheio de ação e aventura, depois passa para um livro com um pouco mais de texto, até por fim se decidir a ler algo mais complicado. Faz parte do crescimento do leitor. É preciso passar por esse processo.

4. Deixe-os ler onde quiserem.

R: O melhor é não obrigar a ler num lugar específico, como por exemplo sentado na cadeira, direito, com o livro sobre a mesa. Nós também não o fazemos.

5. Não critique as suas escolhas de leitura.

R: Se o seu filho tem 12 anos e decide ler um livro infantil que está indicado para 6 anos, tente não criticar a sua escolha, isso pode desencorajá-lo. O melhor é tentar compreender porque escolheu aquela obra e dar-lhe a independência de decidir o que é melhor para si. Nós, adultos, também gostamos de ler livros para crianças, não é verdade?

6. Ler em voz alta.

R: Ler em conjunto pode ser divertido. Enquanto leem em voz alta, vão fazendo paragens para conversar sobre o que se leu. É uma boa forma de estimular a capacidade de interpretação, de refletir sobre algo. É também um bom momento para reforçar vínculos entre pais e filhos.

7. Pedir recomendações.

R: A variedade de obras é tão grande que não será difícil encontrar livros que estimulem nos leitores relutantes o gosto pela leitura. Ir a uma livraria, explorar as prateleiras, conversar com crianças que gostem de ler, tudo isso vai ajudar.

 

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Como pôr as crianças a ler durante as férias?

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Esta é a pergunta que muitos pais fazem nesta altura. Com a chegada das férias, as crianças tendem a colocar os livros de lado e a procurar outras formas de entretenimento.

É verão, o tempo está bom, o que se quer é sair, apanhar sol, brincar na areia, chapinhar na água, isso tudo faz muito bem para o desenvolvimento da criança, mas deixar a leitura completamente de lado durante três meses pode não ser lá muito bom. Principalmente quando, em setembro, a criança regressar às aulas, pois ficar demasiado tempo sem praticar, pode levar a um recuo na aprendizagem, especialmente em crianças que ainda estão no 1.º ciclo, e, portanto, não dominam bem a leitura. Além disso, ler também entretém. E pode ser a escolha certa nas pausas, nas horas de maior calor.

Como motivar as crianças para a leitura durante os meses das férias?

As bibliotecas municipais organizam nesta época diversas atividades e oficinas que envolvem os livros e a leitura, pelo que pode ser uma boa opção para estimular na criança o gosto pelas letras. Procure na biblioteca da sua zona e encontrará certamente iniciativas variadas.

Há muitos livros de atividades que não só ensinam uma coisa ou outra mas também entretêm, envolvendo a criança em algo construtivo nos momentos de lazer.

Livros mais práticos, sobre invenções, viagens ou história e ciência também podem ser uma boa opção.

Para crianças mais crescidas, que já dominem bem a leitura, histórias de aventuras ajudarão a transportá-las para outros mundos e a envolvê-las, estimulando-lhes a imaginação, o que é igualmente um bom exercício mental.

Uma criança que lê é uma criança que pensa, que tem mais facilidade em encontrar soluções criativas e em resolver problemas. As férias são importantes para descansar e para recarregar energias, depois de um ano escolar intenso, mas isso não significa que tenham de se afastar completamente de tudo aquilo que envolva aprendizagem, pois esse é,  e deve ser, um processo contínuo.

E ler também é muito divertido!

Aqui ficam algumas das nossas recomendações de livros de atividades:

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E para outras leituras:

Livros para as Férias Grandes… por Cristina Dionísio

Livros para as Férias Grandes… por Sofia Pereira

Livros para as Férias Grandes… por Alexandra Martins

Livros para as Férias Grandes… por Ana Ramalhete

 

Livros para ler com o bebé

À partida pensa-se que um bebé de seis meses ou de apenas dois anos ainda é muito pequeno para ler livros, que não tem capacidade para compreender o que se é lido em voz alta e, por isso, não vale a pena. Mas não é verdade. Ler em voz alta para o bebé, apontar para as ilustrações, o gesto de virar a página e de encontrar novas cores, novas letras, novos símbolos na página podem ajudar no desenvolvimento do bebé. Além disso, é uma excelente atividade para se fazer em conjunto. Contudo, às vezes é difícil encontrar o que ler com o bebé. Aqui ficam algumas sugestões.

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O Elmer e o Tempo, David McKee, Nuvem de Letras

«A mensagem mais importante da série Elmer é a de que não faz mal ser diferente e pode até ser divertido. A diferença é importante e bela e deve ser aceite por todos.»

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Os Animais do Mar para Sentir, Vários, Edicare

«As escamas do sargo, as ventosas do polvo, a pele suave do golfinho ou a carapaça da tartaruga… Um pequeno documentário tátil para responder às perguntas dos mais novos e conhecer os animais marinhos na ponta dos dedos!»

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Nonô e o Bacio, Sibylle Delacroix, Booksmile

«O bacio chegou à nossa casa e a mamã quer que eu aprenda a usá-lo, para ser uma menina crescida. Mas há tantas coisas mais interessantes para fazer!A Nonô está a crescer. Com as suas histórias amorosas e ternurentas, vamos descobrir como o crescimento é uma etapa divertida!»

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A Hora da Papa, Explorar com os Sentidos, Cristina Raiconi, Edições ASA

«Este livro oferece à criança amiguinhos sorridentes com os quais ela pode partilhar a hora da refeição e promove a aprendizagem dos nomes dos objectos que estão presentes naquele momento.»

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Eu Vejo, Helen Oxenbury, Gatafunho

«Para o bebé, aprender a ler significa em primeiro lugar familiarizar-se com o objecto livro, como um brinquedo. Depois, aos poucos, ampliando os seus horizontes, ele apropria-se do seu conteúdo através da representação de objectos, personagens, da capacidade de estabelecer relações de causa/efeito, dos ritos e dos ritmos do quotidiano. A familiaridade com o tempo lento e calmo da leitura é a promessa ideal para que, mais tarde, a criança leia sozinha, o que será uma conquista dos anos seguintes.»

Sete razões para ler com as crianças

por Sofia Pereira

O hábito de ler ou contar histórias constitui uma preciosa ferramenta para o relacionamento afetivo entre pais e filhos mas, acima de tudo, contribui para o desenvolvimento pessoal, social e intelectual das crianças e para um melhor desempenho escolar.

As crianças que contactam com os livros todos os dias – através da leitura ou pelo simples ato de ouvir histórias – estão mais preparadas para desenvolver a criatividade, a imaginação e o sentido estético.

É importante que, num ambiente familiar, se crie um momento agradável e harmonioso, para que os pais e as crianças possam desfrutar da leitura, como um verdadeiro ato de prazer, criando com o livro uma relação de apreço. A leitura partilhada é uma atividade bastante divertida, que auxilia a criança no seu crescimento e formação enquanto indivíduo e na sua relação com o Outro e o Mundo.

Sete razões para ler com as crianças:

  1. Ouvir ler em voz alta, ler em conjunto, conversar sobre livros desenvolve a inteligência e a imaginação.
  2. Os livros enriquecem o vocabulário e a linguagem.
  3. As imagens, as informações e ideias dos livros alargam o conhecimento do mundo.
  4. Quem tem o hábito de ler conhece-se melhor a si próprio e compreende melhor os outros.
  5. Ler em conjunto é divertido e reforça o prazer do convívio.
  6. Os laços afetivos entre as crianças e os adultos tornam-se mais fortes.
  7. A leitura torna as crianças mais calmas, ajuda-as a ganhar autoconfiança e poder de decisão.

(Extraído do site da CONFAP – Confederação Nacional das Associações de Pais)

Biblioterapia, o que é?

por Sofia Pereira

«Ler significa reler e compreender, interpretar.
Cada um lê com os olhos que tem.
E interpreta a partir de onde os pés pisam.
Todo o ponto de vista é a vista de um ponto.
Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo.»
(Leonardo Boff)

A biblioterapia é uma atividade de leitura com objetivo preventivo e terapêutico, que procura proporcionar ao leitor / ouvinte o alívio dos sentimentos. Sendo uma terapia por meio de livros, realiza-se, individualmente ou em grupo, através da leitura de poemas, de livros de autoajuda e de ficção, com o propósito de possibilitar o desenvolvimento e equilíbrio plenos de saúde mental.

Proporcionar a aquisição de um melhor conhecimento de nós próprios, dos outros e do mundo, auxiliar na verbalização dos problemas e das emoções, prevenir o aparecimento de estados depressivos e neuróticos, desenvolver a sensibilidade social, reforçar os padrões culturais e sociais, aumentar a autoestima, estimular novos interesses, a criatividade e a imaginação são alguns dos benefícios da biblioterapia.

A literatura está ao serviço da mudança. Durante o processo de leitura, o leitor estabelece com o universo dos livros uma relação terapêutica, não só pelo texto em si, mas sobretudo pela pluralidade de significações que suscita. As palavras têm um poder inquestionável e curativo: emocionam, influenciam e convencem. O leitor identifica-se, por vezes, com as histórias, projetando-se intimamente nas vivências das personagens, das situações e dos acontecimentos narrados. Absorve os enredos e as características dos protagonistas que fazem rir, chorar, refletir, pensar, desfrutar, revendo-se nas suas ações, nos seus pensamentos e nas suas sensações. As histórias estimulam o leitor / ouvinte a desenvolver o seu imaginário, transformando as suas emoções e libertando os seus sentimentos. Neste sentido, a leitura ajuda a fomentar a empatia e a superar as fragilidades emocionais e as pressões do dia a dia, proporcionando o bem-estar físico, mental e social.

Atualmente, a biblioterapia é praticada em diversos contextos sociais – hospitais, lares, estabelecimentos prisionais e instituições dirigidas a crianças e jovens com necessidades especiais de educação -, adquirindo um enorme dinamismo e permitindo que todo o processo de pensamento crítico, reflexivo e libertador, estimulado pela leitura, auxilie o maior número de leitores.

A leitura assume-se como uma forma de entretenimento e de lazer, que compensa a frustração, melhora a saúde mental e promove a reinserção na sociedade.

A biblioterapia é, deste modo, utilizada como um instrumento da medicina e da psicologia para superar conflitos e problemas de ordem emocional, social e mental.

Todas as formas de leitura são importantes

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Muitos críticos defendem que a banda desenhada, os audiolivros ou até mesmo os e-books não são, realmente, leitura. Que a leitura que conta é a dos livros, de literatura, de poesia. Mas há quem defenda que não, que todas as formas de leitura, desde que leve à efetiva leitura, são importantes, pois só assim é possível alcançar todas as crianças, seja de que meio forem, sejam quais forem as suas preferências e as suas capacidades. Num artigo escrito por uma bibliotecária sobre este tema, chama-se a atenção para o «perigo» que os preconceitos em relação a outras formas de leitura podem representar para as crianças, afastando-as dos livros e podendo levar a que percam o prazer de ler. Emily Childress-Campbell trabalha numa biblioteca e escreve sobre as impressões que retirou no contacto com pais e educadores, e sobre a importância de pensar nos diversos formatos de leitura como plataformas para incluir crianças com diferentes gostos e capacidades, que de outra forma se afastariam da leitura. A bibliotecária refere como exemplo os audiolivros para as crianças com dificuldades de leitura, como a dislexia, e a banda desenhada como forma de apresentar crianças mais relutantes ao mundo dos livros e das histórias, incutindo e desenvolvendo nelas o prazer de ler.

O artigo completo pode ser lido aqui.

O prazer da leitura

(Ilustração de Adam McCauley)
(Ilustração de Adam McCauley)
por Sofia Pereira

«Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte.»
Carlos Ruiz Zafón

A leitura é um hábito que deve ser iniciado na primeira infância, através de momentos de leitura, em que a família, o jardim de infância e a escola se assumem como principais mediadores. Observar a ilustração da capa do livro e de todas as suas páginas, escutar a história e recontá-la são ações que podem ajudar a criança a construir empatia e convivência com o livro e, certamente, ficarão guardadas na memória com grande afeto e entusiasmo.

O gosto pela leitura não é inato, adquire-se ao longo da vida. Ler por prazer exige esforço, paciência e dedicação. Todos podemos ajudar a colaborar para o alargamento e o aprofundamento dos hábitos de leitura, com o objetivo de aumentar os níveis de literacia e fomentar o prazer da leitura. Cativar, partilhar e envolver os outros nas nossas leituras poderão ser estratégias para despertar o prazer da leitura.

Ler por prazer não se remete ao simples ato de ler para se informar, mas é antes um hábito mais saudável e apaixonado.

Ler por prazer é abrir a janela para o mundo. É deixar-se transportar para o desconhecido, uma realidade cheia de descobertas, mistério, magia, encantamento e diversão, criando uma cumplicidade que só o prazer da leitura pode proporcionar.

Ler por prazer é conhecer o Eu, o Outro e o Mundo. É sentir e desfrutar das coisas e das pessoas, dos olhares e dos gestos, das emoções e dos sentimentos, das paisagens e dos lugares, da vida e do mundo.

Ler por prazer é a busca do belo, do misterioso e de momentos de fruição.

Quem descobre o prazer da leitura nunca mais pára de ler. Pode até ler um, dois, três ou mais livros em simultâneo.

Lê apenas pelo gosto de ler.

Afinal o que devem ler os adolescentes?

por Catarina Araújo
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(c) CORDON PRESS

Recentemente o jornal El País lançou uma pergunta que ainda não tinha sido feita e que dá uma nova dimensão ao debate sobre o que devem mesmo os jovens ler:  «¿Deberían los adolescentes leer literatura juvenil?». A questão que se tem colocado nos últimos tempos é se os adultos deveriam ler literatura para adolescentes, mas agora o que se pergunta é se os adolescentes deveriam ler literatura juvenil. Estão naquela idade entre a infância e a idade adulta em que se corre o risco de infantilizá-los demasiado ou de lhes exigir uma maturidade que ainda não têm, pelo que surge a dúvida se deixá-los ler livros juvenis não será manter essa dubitabilidade em vez de os ajudar a «crescer» e a entrar na fase adulta. É um debate legítimo. A resposta, contudo, é simples (mas de maneira nenhuma simplista) – tudo depende do leitor e do livro. Os adolescentes não são todos iguais nem os livros juvenis são todos iguais. Impedir que os jovens leiam aquilo que lhes agrada simplesmente porque os adultos acham que é demasiado infantil para eles pode deixá-los inseguros quanto às suas escolhas e fazer com que deixem de gostar de ler.  Por outro lado, como já foi debatido noutros artigos, uma orientação e um acompanhamento são essenciais, não com o objetivo de estabelecer limites, mas de ajudar a abrir horizontes, a expandir as escolhas, a conhecer outras perspectivas. Há uma diversidade tão grande de livros juvenis que aliam entretenimento com conteúdo relevante que seria redutor avaliá-los apenas por serem destinados às crianças, como se isso significasse automaticamente que essas histórias não têm profundidade capaz de formar e desenvolver o caráter e a intelectualidade de um adolescente. O artigo do El País, embora resvale um pouco para a questão do Young Adult, apresenta diversas perspectivas que interessa explorar. É por aqui.

O livro sem bonecos

É um livro infantil e não tem desenhos, nem bonecos, nem figura coloridas. Tudo o que tem é palavras e é super divertido. The Book With No Pictures, de B.J. Novak, cativa as crianças para o maravilhoso mundo das palavras. O livro perfeito para ler em voz alta.

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No vídeo, o autor e ator B.J. Novak (conhecido pela participação em séries como The Office e filmes como Sacanas Sem Lei) lê o seu livro para uma sala cheia de pequenotes muito entusiasmados.

Até que ponto poderão os livros para crianças ser «pesados»?

por Catarina Araújo

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Há temas sensíveis que às vezes são tratados nos livros infantis e juvenis que poderão ser considerados «pesados» para os jovens leitores. Todavia, é uma maneira de expô-los a assuntos difíceis através de uma história que demonstra aquilo com que muitas pessoas têm de lidar no seu dia-a-dia, como seja por exemplo o bullying, a violência, as dificuldades económicas, a doença, a morte e outros. Isso permitirá que ganhem uma noção das diferentes realidades que existem e também algum conhecimento de como lidar com determinadas situações.

Num artigo do The Guardian, uma autora de literatura juvenil, Rebecca Westcott, apresenta o seu ponto de vista sobre esta questão:

«Children live in families; they are surrounded by adults with all their adult problems. They wake up every morning in homes where there are everyday crises and challenges. They hear their friends talking and they watch the news on TV. Life happens and they are a part of that. Their books need to reflect what they hear, what they see. They need to recognise their situations in a book.»

Porém, até que ponto é que um livro pode ser demasiado pesado?

Em princípio as crianças saberão instintivamente aquilo que conseguem «aguentar» e pararão de ler algo que as faça sentir-se desconfortáveis. É preciso ter em conta a sua personalidade, a sua capacidade de superar as dificuldades, de entender o que lê, independentemente da idade. Dependerá também de como o autor tratou de certo assunto, da linguagem utilizada, do tato com que conta história, descreve as personagens e as suas ações. Por vezes não é uma questão de retirar esse livro à criança, mas de acompanhá-la na leitura, conversar, refletir com ela.

Rebecca Westcott faz um apontamento sobre a importância de ler histórias que desafiem: «In the same way that millions of people watch hospital dramas and imagine themselves as part of the action, books provide children with the chance to empathise. They can play out a role in a safe environment. They can learn about how other people think.»

Em conclusão, um livro só será demasiado pesado se a criança não estiver pronta para lidar com os temas tratados e isso não tem que ver necessariamente com a idade, mas com uma série de fatores que vão desde a sua personalidade, maturidade, ao contexto em que vive ou em que lê determinada história, que tipo de suporte tem por parte dos pais ou dos educadores.

O artigo do The Guardian sobre este tema pode ser lido aqui.