Tag Archives: Importância da leitura

Cinco truques para pôr o seu filho a devorar livros

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Talvez não a devorar livros, mas quem sabe a ser um leitor pró-ativo e regular. No artigo Cinco trucos efectivos para fomentar la lectura en los más pequeños, a revista Babar faz uma síntese de como fomentar nos petizes o gosto pela leitura.

Aqui ficam esses cinco truques:

1. por imitação: crianças que vejam os seus pais ou avós ou familiares a lerem regularmente, sentir-se-ão atraídos pelos livros. O truque é comprar um livro ilustrado e deixá-lo ao alcance da criança para que ela o descubra e se aventure a folheá-lo.

2. leve o seu filho a uma livraria: se existe uma livraria no seu bairro leve lá as suas crianças. As livrarias costumam dinamizar os seus espaços com horas do conto, encontros com autores e pequenas oficinas. Estas visitas promovem o contacto próximo com o livro e com a leitura. Deixe-os explorar e não tente escolher os livros por eles, mas incentive-os a descobri-los.

3. conte-lhes histórias: conte anedotas, conte histórias da sua infância, leia em voz alta. Ajuda a articulação verbal, a apreensão de vocabulário, além de promover a imaginação.

4. organize pequenos teatros: as crianças gostam muito de teatrinhos e a dramatização dos diálogos e das cenas descritas cativará o gosto das crianças pelas histórias.

5. invente histórias com os seus filhos: incentive-os a criarem também os seus próprios contos e a ilustrá-los, pois assim em tornando-se parte do processo de criação, poderão sentir-se estimulados a partilhar o seu gosto pela leitura.

Via revista Babar.

Dez minutos por dia

por Alexandra Martins

A leitura diária é aconselhada desde a mais tenra idade. Pediatras de todo o mundo aconselham a que os pais leiam em voz alta para os seus filhos como forma de estimular o seu desenvolvimento e o seu crescimento.
A campanha Read On. Get On., criada por um conjunto de organizações e empresas do Reino Unido com o objetivo de garantir que todas as crianças têm «futuros mais brilhantes ao terminarem a escola básica enquanto leitores confiantes», lançou agora um vídeo que procura exemplificar a importância que a leitura tem para as crianças. Uma forma criativa de nos mostrar uma realidade que todos devemos promover: crianças que leem serão adultos mais bem preparados para a vida.

Ler «Harry Potter» pode torná-lo uma pessoa melhor

por Catarina Araújo

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Pelo menos é essa a conclusão de um conjunto de estudos levados a cabo na Universidade de Módena e Reggio Emília, em Itália, por uma equipa liderada pela psicóloga Loris Vezzali. A investigadora afirma que a leitura de Harry Potter «melhora atitudes relativamente a grupos estigmatizados como imigrantes, homossexuais e refugiados». Vezzali defende que «livros de fantasia como Harry Potter poderão ajudar educadores e pais a ensinar as crianças a serem mais tolerantes».

Para saber mais sobre este estudo ir aqui e ao artigo da Scientific American, Porque é que toda a gente deveria ler Harry Potter.

Obviamente trata-se apenas de um exemplo. Haverá muitos outros livros infantis e juvenis capazes de veicular valores de respeito e tolerância pelo outro e ajudar as crianças a serem «melhores adultos».

Via io9.

Dia Internacional da Literacia

No dia 8 de setembro passado celebrou-se o Dia Internacional da Literacia. Segundo o dicionário da Porto Editora literacia significa «capacidade de usar a leitura e a escrita como forma de adquirir conhecimentos, desenvolver as próprias potencialidades e participar ativamente na sociedade».

Dois terços dos 775 milhões de adultos iletrados e 63% dos 126 milhões de jovens analfabetos, são do sexo feminino.

Um filho nascido de uma mãe alfabetizada, terá o dobro das hipóteses de ultrapassar os cinco anos de idade e de receber uma educação.

Aqui ficam algumas fotografias de crianças na escola. Daqui.

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(c) muhammed muheisen, Paquistão
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(c) Reuters, Costa do Marfim
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(c) Jeoy I., Etiópia

Sobre a importância de ler contos de fadas

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«The love-gift of a fairy tale.», escreveu Lewis Carrol – «O presente de amor de um conto de fadas».

Philip Pullman, autor da trilogia juvenil His Dark Materials (Mundos Paralelos, editada na coleção Estrela do Mar, da Editorial Presença), escreveu um pequeno ensaio sobre a importância da leitura de contos de fadas na infância.

No seu texto, o autor debruça-se sobre uma questão – se os contos de fadas fomentam nas crianças o interesse pela ciência ou se pelo contrário têm um efeito perverso sobre o modo como se crê na magia e na fantasia, afetando a perceção da realidade.

Pullman refere um livro em particular de Richard Dawkins, intitulado The Magic of Reality, em que Dawkins se propõe explicar vários mitos através da ciência e mostrar como isso é tão mais interessante do que a magia. Apesar de considerar o livro uma boa introdução à ciência, Pullman defende que não se pode requerer uma «prova científica de tudo aquilo em que acreditamos, porque não só isso é impossível, como também, em muitos casos, desnecessário ou inapropriado.»

«Existirão modelos relativamente objetivos que nos permitam estudar a experiência pela qual uma criança passa quando lê uma história?», pergunta Philip Pullman.  O autor descobriu que sim e nas suas pesquisas fez algumas descobertas interessantes, como por exemplo que a leitura em voz alta promove uma aquisição mais rápida e mais variada da linguagem por parte das crianças. No entanto, o que ele estava interessado em saber era concretamente em relação aos contos de fadas. Philip Pullman refere que estes podem desempenhar um papel na capacidade da criança em estabelecer um sistema de crenças que lhe permita identificar valores morais, distinguir a fantasia da realidade, estimular a criatividade e promover o pensamento crítico, qualidades importantes para o estudo científico. A leitura de contos de fadas não impede as crianças de perceberem o mundo em que vivem, antes poderá fornecer-lhes ferramentas para lidarem com ele. O autor acredita que a leitura na infância funciona tal como as brincadeiras, como quando se finge ter um amigo imaginário ou se desempenha um papel num jogo. Tudo isso contribui para a aprendizagem, a experiência da vida.

Parece-me evidente que os contos de fadas, a fantasia e a ficção-científica, por exemplo, têm desempenhado um papel importante na progressão científica.  Obras como as de Júlio Verne, Isaac Asimov ou mesmo Mary Shelley, têm inspirado crianças e jovens a enveredarem mais tarde em carreiras ligadas às ciências nas mais diversas áreas de investigação, resultando em inúmeras descobertas importantes para a Humanidade.

É, contudo, uma questão legítima, merecedora de um debate justo. O ensaio completo de Philip Pullman pode ser lido aqui.

 

Aprender que todas as crianças são diferentes

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A literatura não é tudo e em certas idades as crianças preferem ler livros de não-ficção ou então livros com histórias sobre factos interessantes, que lhes ensinem algo concreto sobre o seu mundo. Há uma coleção da editora Arteplural que demonstra aos mais jovens que somos todos diferentes, e que cada um enfrenta desafios mais complicados do que outros, mas que podem ser ultrapassados com ajuda, como a dislexia, por exemplo, ou a dificuldade de concentração. Promovendo a compreensão deste tipo de problemas com que diversas crianças se deparam pode ajudar a reduzir o bullying e o isolamento. Além disso, mostra que é possível encontrar o método certo para que essas crianças sejam tão bem-sucedidas como as outras. Com ilustrações apelativas e uma linguagem acessível, esta coleção, intitulada Geniozinhos, da autoria de Barbara Esham, conta já com cinco volumes publicados em Portugal. Para conhecer todos os livros basta ir aqui.

Ler mal

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Pode-se ler mal um livro? Será uma criança ou um adolescente capaz de examinar por si um texto e retirar das suas profundezas algo mais do que apenas aquilo que está à superfície? Num blogue no qual tropecei enquanto fazia as minhas pesquisas na Internet, uma leitora expôs num artigo a sua preocupação com o facto de achar que lê mal os livros, que os outros conseguem retirar deles analogias e referências que ela não consegue por fazer uma leitura completamente distinta. Tudo dependerá do livro que se lê, é certo, mas parece-me uma questão muito pertinente.

Na adolescência sofri da mesma ansiedade. Nas aulas de português, sempre que se analisava um texto, tinha muita dificuldade em interpretá-lo segundo os parâmetros fornecidos pela professora ou pelo manual escolar. Não havia uma grande liberdade ou compreensão por visões diferentes, pelo que me sentia limitada e pouco à vontade para expor as minhas ideias. Por fim, veio a desmotivação. Para que as notas não sofressem com isso, deixei as minhas próprias interpretações de lado. Talvez seja por esse motivo que tenha lido tão pouca literatura nos tempos da escola, principalmente no secundário. Por outro lado, foi nesses anos que mais produzi ao nível da escrita. Tenho textos e textos e poemas às dezenas, escritos nessa altura.

Será então possível que muitos leitores jovens se afastem da leitura por acreditarem que «leem mal»? Por não lerem os livros como os professores, educadores ou outros tencionam que eles sejam lidos?

Como se pode decidir se uma criança está certa ou não na sua interpretação se, apesar de não ser aquilo que se esperava, for ainda assim válida? Como se poderá estimular o pensamento crítico e a criatividade nas crianças, sem com isso tornar demasiado dispersos os parâmetros que determinam a interpretação correta de um texto? Não creio que haverá uma única resposta certa.

O artigo que referi pode ser lido aqui.

 

Subestimar as crianças e as suas leituras

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(c) Pintura de Mary Stevenson Cassatt.

A literatura infantil e juvenil tende a ser tratada como um género menor. Mesmo alguns autores que escrevem habitualmente livros para adultos e que resolvem fazer uma «pausa» dos assuntos sérios e escrever para os mais pequenos por ser «simples» e «leve», subestimam o que é escrever para os jovens. Como se a complexidade de um enredo e a forma artística fosse exclusiva dos «bons entendedores» dos crescidos.  Assim, é mais fácil dar a ler às crianças livros simples, com respostas simples e moralizadoras, sem qualquer vestígio de imaginação para que desde cedo a criança saiba mover-se no mundo real.

Paula Rivera Donoso, escritora chilena,  escreve sobre este tema, afirmando que «estas concepciones de “adulto” e “infantil” parecen sostenerse en exageraciones polarizadas (la brutalidad descorazonada en oposición a la ingenuidad descerebrada), que no representan lo que significa madurar en experiencias vitales ni el potencial lúdico y creador de la imaginación de los primeros años».

Um livro infantil ou juvenil não se rege por padrões menores do que aqueles dirigidos aos adultos. Nem as expectativas de qualidade devem ser mais baixas. E certamente que não será benéfico para a criança, se se subestimar a sua capacidade de retirar algo para si da experiência da leitura de um livro com um enredo menos óbvio e com uma linguagem um pouco mais avançada.

Não será, igualmente, produtivo limitar as leituras com base na idade do leitor. Paula Rivera Donoso diz que «si consideramos que la literatura infantil es efectivamente literatura, no podemos seguir viendo sus obras como como cremas para la piel, que sirven sólo para determinadas fases de la vida y que luego deben abandonarse y reemplazarse por otras. Menos aun cuando los niños, si los consideramos como seres humanos, tienen progresos lectores distintos, independientes de su nivel escolar o edad.»

A autora foca-se ainda na ruptura entre a infância, a juventude e a idade adulta, pois certos livros não têm idade e a mesma história pode ganhar novos significados em diferentes fases da vida. Termina com uma citação de Ursula K. Le Guin, autora americana, que dizia que um adulto criativo é uma criança que sobreviveu – «The creative adult is the child who has survived».

Relativizar a literatura infantil e, principalmente, a literatura juvenil, sem lhe dar o devido crédito como literatura genuína, de qualidade, que mereça uma atenção tão relevante e cuidada como qualquer outra, só prejudica o saudável crescimento intelectual e criativo das crianças, dos jovens e, curiosamente, dos próprios adultos.

O artigo completo pode ser lido aqui.

Tintin (des)contextualizado

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Há muitos livros para crianças que embora se tenham tornado clássicos intemporais, não o são sem uma aura de polémica à volta. Num artigo intitulado Putting Tintin into Historical Perspective, um livreiro conta como se debate com pedidos de pais e educadores que chegam à livraria e pedem para deixar de vender certos livros por serem ofensivos, racistas, elitistas, etc. Um desses livros era o Tintin no Congo por considerarem que advogava valores colonialistas. Apesar de efetivamente o livreiro concordar com os receios desses pais de que certos livros não serão apropriados para crianças por conterem valores que no nosso contexto atual são condenáveis, o livreiro acredita que não se deve retirá-los das prateleiras, evitando a sua leitura, mas que, pelo contrário, se deve dá-los a ler, tendo em atenção a sua perspetiva histórica. O papel do livreiro não deve ser, portanto, o de censor, mas antes o de promotor do pensamento crítico, do debate.
Muitos críticos consideram também que os livros da autora britânica Enid Blyton são elitistas, sexistas e xenófobos e, no entanto, continuam a vender, e em Portugal, estão sempre no top infantil dos livros mais vendidos.  Os livros para crianças da escritora portuguesa Odette de Saint-Maurice, escritos e publicados durante a ditatura, também são criticados por no seu âmago promoverem os valores do regime.
É por isso grande o risco de as crianças que leem estes livros sem qualquer tipo de orientação, serem depois incapazes de terem sobre eles uma visão crítica e de discernirem o que é realmente certo e errado nessas histórias, e de isso influenciar a maneira como lidam com o mundo real.
O importante, parece-me, é que estes livros sejam lidos, sim, com a devida contextualização, para que dessa forma, como refere o artigo, se possa ajudar a expandir mentalidades e não a encerrá-las. Impedir a leitura desses livros, em vez de reconhecer a falibilidade das ideias presentes nos seus enredos, com vista a um maior entendimento, é um erro. Tendo contacto com essas obras, os jovens aprenderão que existem diferentes visões do mundo e que estas vão evoluindo nos diferentes momentos da nossa História, influenciando, em consequência, a produção cultural da época, nomeadamente a literária.