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Ana Maria Machado de visita a Portugal

A escritora brasileira Ana Maria Machado, vencedora do Prémio Hans Christian Andersen, estará presente no 1.º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia, organizado pela Fundação «O Século» e a decorrer entre os dias 2 e 7 de fevereiro.

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Ana Maria Machado é jornalista, professora, pintora e escritora. Foi uma das fundadoras, em 1980, da primeira livraria infantil no Brasil, a Malasartes, existente até hoje, no Rio de Janeiro. No ano 2000 recebeu o Prémio Hans Christian Andersen, um dos mais importantes galardões destinados à literatura infantil e juvenil.

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Algumas das suas obras estão disponíveis em Portugal através da Dinalivro, entre os quais Ponto de Vista, com Ziraldo, O Elfo e a Sereia, com ilustrações de Rogério Borges, e a adaptação da obra A Pedra da Sabedoria, de Hans Christian Andersen.

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Além de Ana Maria Machado estará presente Adelice Souza, também do Brasil, Carmelinda Gonçalves, de Cabo Verde, Luis Carlos Patraquim, de Moçambique, e Ondjaki, de Angola.

Mais sobre os participantes deste encontro aqui.

Hoje LER no Chiado dedicada a «O Principezinho»

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Um pouco em cima da hora, mas ainda dá tempo. Hoje, a tertúlia LER no Chiado, que se realiza todas as primeiras quintas-feiras do mês, na Livraria Bertrand do Chiado, será sobre O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry. O tema deve-se ao facto de se terem passado setenta anos sobre a publicação da obra, colocando-a em domínio público. Será lançada uma nova edição com o texto original (que tem ligeiras diferenças em relação ao texto «canonizado»).  O encontro conta com a presença da ilustradora Catarina Sobral, a psiquiatra Manuela Correia e o escritor Valter Hugo Mãe (que assina o prefácio desta edição da Porto Editora). A partir das 18h30, com moderação da jornalista Anabela Mota Ribeiro.

Autora de «Divergente» lança campanha de doação de livros

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Veronica Roth, autora do best-seller distópico Divergente, lançou recentemente uma campanha a que deu o nome de #AbnegationDonation, em parceria com a First Book, uma associação não governamental que fornece livros novos a crianças desfavorecidas. Assim, ao longo do mês de dezembro, por cada dois dólares e meio doados à First Book, a HarperCollins compromete-se a doar uma cópia do primeiro livro da saga da autora. O nome da campanha, #AbnegationDonation, faz referência a uma das cinco fações presentes na história de Divergente, os Abnegados, cuja maior característica é o altruísmo.

Mais sobre esta iniciativa aqui

Concurso literário para crianças La Atrevida

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A Associação Sociocultural Atrevida, através do Projeto La Atrevida – «uma iniciativa pedagógico-literária que visa promover, num universo de crianças e adolescentes lusófonos de todo o mundo, dos 8 aos 14 anos, a livre criação artístico-literária» –, desafia crianças dos 8 aos 14 anos a criar textos sobre um tema da sua preferência. Os três melhores serão editados em livro e os seus autores receberão «um computador portátil e um lote de livros» (1.º prémio), «uma caneta de aparo e um lote de livros» (2.º prémio) e «um lote de livros» (3.º prémio).  Esta é já a terceira edição do Concurso Internacional de Escritores Infanto-Juvenis Lusófonos. Os concursos anteriores resultaram em duas antologias: Ler É Bom, Escrever É Melhor e A Pátria É a Infância.  O regulamento e o formulário para participação encontram-se aqui.

Via Público.

1º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia

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Em 2015 realiza-se o primeiro encontro da lusofonia dedicado à literatura infantil e juvenil. Este evento é organizado pela Fundação O Século, com o patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura e com os apoios da Sociedade Portuguesa de Autores, da Fundação Portuguesa das Comunicações e do Plano Nacional de Leitura. O encontro decorrerá entre os dias 2 e 7 de fevereiro, no espaço da Fundação O Século, em São Pedro do Estoril.

Já está confirmada a presença de diversos autores como António Torrado, Ondjaki, Margarida Fonseca Santos, Carla Maia de Almeida, Isabel Minhós Martins, David Machado, Teresa Calçada, Fernando Pinto do Amaral e Cláudia Marques; os ilustradores André Letria, Catarina Sobral, Danuta Wojciechowska; e os contadores de histórias António Fontinha, Rudolfo Castro, Sónia Gameiro, Maurício Leite (Brasil).

Além de sessões nas escolas, no programa do evento constam já debates com especialistas dedicados a temas como a literatura infantil, a importância da família na educação para a leitura e também sobre a edição e o mercado da literatura infantil e juvenil.

Para saber mais sobre este encontro não deixe de visitar a página oficial aqui.

Gulbenkian desafia jovens para leitura em voz alta

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É um concurso de talentos diferente daqueles que vemos na televisão. Aqui trata-se de desafiar os concorrentes a lerem, a lerem em voz alta. Organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian, para participarem no concurso Dá Voz à Letra, os concorrentes deverão ter entre 13 e 17 anos, escolher um texto de um autor português e gravar um vídeo até três minutos com o desempenho da sua leitura. Os vinte melhores passarão por um casting em que terão de ler perante um júri. Os dez jovens que passarem irão participar num espetáculo que se realiza a 7 de Fevereiro de 2015, na Gulbenkian, onde serão então encontrados os três vencedores. O vencedor ganha uma viagem a Londres, com passagem para um adulto incluída, enquanto aqueles que ficarem no 2.º e 3.º lugares recebem um iPad.

Os vídeos podem ser enviados até dia 29 de Outubro.

Esta iniciativa pretende desenvolver nos jovens «a dicção, a colocação e a projecção da voz, a noção de ritmo na leitura e a descoberta das possibilidades interpretativas na leitura de diferentes tipos de textos».

Mais pormenores sobre o concurso no sítio do jornal Público.

Contos tecidos – Os livros de pano da Bru Junça

por Ana Ramalhete

bru9A Bru sempre gostou de contos. De os ouvir, de os aprender, de os contar, de os cantar e de os acompanhar à guitarra.

Começou a contá-los na sua actividade de educadora de infância, em Évora, cidade onde nasceu e cresceu, e continuou a contá-los em encontros de contadores ou outros eventos em que participava. Ao mesmo tempo que os contava, sonhava fazê-los em panos e, como a costura já fazia parte da sua vida (a mãe e a avó sempre costuraram e a Bru também fazia alguns trabalhos), um dia, resolveu aproximar os contos dos trapos, das linhas, das agulhas, e uni-los, conto a conto, ponto a ponto.

Surgiram, assim, os primeiros livros, em 2012 e em 2013 nasceu a Conto por Ponto, uma marca registada de livros de pano.bru6
São livros que «que fiam histórias, bordam lengalengas e cerzem cantilenas da tradição oral, ilustrados de uma forma simples, brincando com texturas, cores e padrões de tecidos.»

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São livros que cosem contos e tecem imagens.

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São livros onde as cores e os padrões foram escolhidos meticulosamente para que exista uma coerência entre texto, imagem e universo tradicional.

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São livros que fazem reviver as histórias que ajudam a crescer.

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São livros que acompanham outros livros, nas sessões que a Bru faz em escolas, bibliotecas, ludotecas e livrarias do norte ao sul do país.

A Bru, conta, canta, toca… e cose.
E ao coser, conta outra vez.
A Bru escreve contos com tecidos.

Os livros da Bru Junça podem ser encomendados na página do facebook da Conto por Ponto ou adquiridos na livraria GATAfunho.

As fotografias são de Margarida Junça.

A Semana dos Livros Banidos

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Na semana passada decorreu mais uma Semana dos Livros Banidos, nos EUA, uma iniciativa que acontece todos os anos com o objetivo de chamar a atenção para a prática de retirada de livros das bibliotecas escolares, impedindo as crianças e os jovens de terem acesso livre a determinadas obras. Trata-se de censura que acontece tanto por parte de professores, como das próprias associações de pais, apesar das campanhas pela liberdade de escolha de leituras.

Uma escola no Texas não se deixou intimidar e nessa mesma semana baniu mais algumas obras da sua biblioteca, incluindo A Culpa É das Estrelas, de John Green, após vários pais terem apresentado queixa de que o livro era demasiado obsceno para ser lido por crianças.

O jornal The Guardian escreve que um dos pais terá dito a um jornal local que não se tratava de banir os livros da biblioteca, que não concordava com isso, mas retirar das listas de leituras obrigatórias livros inapropriados para jovens por apresentarem conteúdo considerado obsceno. No entanto, a escola acabou por decidir retirar essas obras da sua biblioteca para evitar mais protestos de pais. Essas obras serão reavaliadas por todos os envolvidos neste processo.

O artigo completo pode ser lido aqui.

 

Aquilo que deve saber para escrever um bom livro infantil

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No seu blogue, O Jardim Assombrado, Carla Maia de Almeida deixou uma síntese daquilo que a seu ver faz um bom livro infantil e que pode servir de guia para todos aqueles que aspiram a escrever uma história para crianças. Não é tão simples como parece e aqui fica o porquê:

«– Tem uma boa ideia e um conceito global forte;
– Tem uma linguagem verbal cuidada, estimulante e adequada ao destinatário infantil, abrindo para o literário, com possibilidades plurisignificativas, múltiplas, com um carácter aberto;
– Tem ritmo e musicalidade na leitura em voz alta;
– Tem ilustrações criativas e adequadas ao texto, acrescentando-lhe significado. Põe cuidado no design gráfico, formato e edição;
– Tem valores humanistas e intemporais. Está em sintonia com o seu tempo. É progressista, muitas vezes;
– Tem uma marca autoral forte;
– Tem emoções associadas à infância e significativas para a criança (humor, gozo, fantasia, devaneio, justiça. segurança…);
– Tem pensamento. Questiona. Permite reflectir.»

Quem estiver interessado em saber mais, poderá experimentar frequentar o curso de Livro Infantil ministrado pela jornalista na Booktailors. Inscrições aqui.

O início da animação nas Bibliotecas Municipais de Lisboa – Parte II

por Ana Ramalhete

(A parte I encontra-se aqui.)

A Biblioteca Municipal de Alvalade

Em 1982, Luísa Fialho transitou da Biblioteca das Galveias para a Biblioteca Municipal de Alvalade, na Rua Teixeira de Pascoaes, para assumir o cargo de coordenadora da biblioteca. Uma das primeiras medidas que concretizou foi a de criar uma secção infantil, até aí inexistente. Aproveitou a zona onde funcionava uma cozinha e transformou-a num espaço dedicado aos mais novos. A partir desse momento, definiu um programa de promoção da leitura, destinado à comunidade envolvente, que incluía a realização de exposições, encontros com escritores, concursos de leitura e escrita, teatros, horas do conto, assim como a criação de um clube de animação da leitura para crianças e jovens.

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A Biblioteca iniciou uma colaboração estreita com a escola primária que ficava mesmo ao lado, levando as crianças a participar em todas as actividades a elas destinadas e contribuindo para o enriquecimento do seu nível cultural. Aos poucos, foi-se tornando um pólo cultural importante no bairro.

Isabel Alçada lembra-se das idas frequentes à Biblioteca de Alvalade, onde fez sessões de animação centradas nos livros escritos em parceria com Ana Maria Magalhães, sobretudo os da colecção Uma Aventura. «Os alunos liam os livros na escola com as professoras e depois a Luísa organizava encontros na biblioteca para eles poderem colocar questões». Algumas actividades nasciam na biblioteca, mas cresciam para fora do seu espaço indo até outros lugares como a Feira do Livro, onde as crianças apresentavam os trabalhos realizados nas aulas sobre os livros que liam.

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O autor Armindo Reis foi colaborador e dinamizador em inúmeras sessões que envolveram muitas crianças das escolas de Lisboa. Considera que «foi muito gratificante e o ambiente magnífico. Houve várias actividades de relevo ligadas à poesia, à literatura para crianças e à tradição oral». Por sua vez, Maria Teresa Maia Gonzalez recorda uma sessão com meninos do 1.º ciclo no Dia da árvore, que «foi muito interessante».

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Os anos noventa foram particularmente profícuos em actividades dinamizadas pela Biblioteca de Alvalade – sozinha ou em conjunto com outras bibliotecas municipais que foram surgindo – desde participações em feiras do livro, acções de sensibilização, encontros com escritores, exposições, dramatizações de contos, concursos, até à edição de publicações.

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Este dinamismo foi acompanhado de uma mudança na atitude do público que passou a reconhecer o valor desempenhado pelas bibliotecas no desenvolvimento da comunidade.

Dos vários projectos realizados, Luísa Fialho destaca o concurso Quem lê mais que tinha como base a leitura domiciliária e envolveu centenas de alunos das escolas primárias, entre os sete e os doze anos. Considera que «foi muito estimulante para a promoção da leitura domiciliária». No âmbito do trabalho com os alunos do secundário, salienta o concurso Jovens escritores, «cujo júri era composto por Jacinto Lucas Pires, Pedro Cordeiro, Sofia Ester e outros autores» assim como o projecto Eça em Lisboa, comemorativo do centenário de Eça de Queirós, que levou alunos, de mais de três dezenas de escolas, a percorrerem as ruas de Lisboa à descoberta do autor.

Armindo Reis realça o projecto Muitos mundos, uma só língua, de 1994, no âmbito das Comemorações de Lisboa Capital Europeia da Cultura, com uma semana inteira preenchida com actividades ligadas às várias comunidades da língua portuguesa. «Trabalhei nesse projecto com Vanda de Freitas e Luísa Fialho. Todas as bibliotecas municipais de Lisboa colaboraram, juntamente com turmas de várias escolas de Lisboa onde estavam incluídos vários grupos étnicos. A apresentação final realizou-se em Maio e Junho de 1994. De 20 de Maio a 12 de Junho houve apresentações no Pavilhão da Divisão das Bibliotecas da CML na Feira do Livro de Lisboa: contos e danças tradicionais das várias Comunidades de Língua Portuguesa, dramatizações de contos e recitais de poesia. Nas Bibliotecas Municipais, em Maio e Junho, foram expostos os trabalhos magníficos realizados pelas escolas nesse âmbito. No Palácio Galveias foi também lançada uma antologia (Antologia de contos e lendas da língua portuguesa) com contos e lendas das várias Comunidades de Língua Portuguesa (desde Portugal a Timor-Leste). Os textos foram seleccionados por mim e por Beatriz Weigert. Houve muita [adesão] por parte do público e as crianças deram o seu máximo. Foi, sem dúvida, um projecto de grande dinamização e com o maior sucesso.»

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Com a organização de todas estas iniciativas ligadas ao livro e à leitura, a Biblioteca Municipal das Galveias e a Biblioteca Municipal de Alvalade deram os primeiros passos na animação infantil, nas bibliotecas de Lisboa, abrindo caminho a uma prática que, hoje em dia, faz parte integrante do programa educativo de qualquer biblioteca do país. Como afirmam Maria Luísa Serrão Fialho e Manuela Matos Correia: «A introdução da animação nas bibliotecas municipais representou um passo significativo no papel que as bibliotecas desempenham na sociedade, nas transformações que têm vindo a sofrer e no desenvolvimento cultural das crianças, jovens e adultos» (Maria Luísa Serrão Fialho e Manuela Matos Correia, A animação nas bibliotecas municipais de Lisboa, uma reflexão sobre a mudança in biblioteca – revista das Bibliotecas municipais de Lisboa, 5e 6, p121).