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Sete dicas para pais de leitores relutantes

Filhos de pessoas que leem, dizem os estudos, normalmente também se tornam bons leitores. Contudo, muitos pais debatem-se com estratégias para convencerem os filhos entre os nove e os doze anos a lerem mais. Ficção? Não ficção? Com muitos bonecos, sem bonecos, com jogos ou enigmas para resolver? Escolher para eles ou deixá-los escolher sozinhos? E o que fazer quando começam a ler um livro mas o deixam a meio? E quando o fazem sucessivamente?

A mãe de uma criança leitora deixa alguns conselhos preciosos e úteis para pais de leitores mais relutantes. Resumindo e adaptando, aqui ficam sete dicas.

1. Qual é o mal de deixar um livro, ou vários, a meio?

R: Todos nós o fazemos. Não é motivo para preocupação. Todos testamos diversos géneros até encontrarmos aquele ou aqueles de que mais gostamos.

2. Os livros de que gostamos não têm necessariamente de ser os mesmos de que os nossos filhos gostam.

R: Hoje em dia a variedade de títulos disponíveis é muito maior do que há uns anos. É bom explorar e descobrir novos livros com a criança. Também pode acontecer gostar dos mesmos clássicos. Talvez seja uma questão de haver uma abertura de ambas as partes para o novo e para os velhos clássicos.

3. O seu filho poderá demorar algum tempo até querer livros maiores e mais complexos.

R: Tudo começa pelo princípio. Um livro com muitos bonecos, cheio de ação e aventura, depois passa para um livro com um pouco mais de texto, até por fim se decidir a ler algo mais complicado. Faz parte do crescimento do leitor. É preciso passar por esse processo.

4. Deixe-os ler onde quiserem.

R: O melhor é não obrigar a ler num lugar específico, como por exemplo sentado na cadeira, direito, com o livro sobre a mesa. Nós também não o fazemos.

5. Não critique as suas escolhas de leitura.

R: Se o seu filho tem 12 anos e decide ler um livro infantil que está indicado para 6 anos, tente não criticar a sua escolha, isso pode desencorajá-lo. O melhor é tentar compreender porque escolheu aquela obra e dar-lhe a independência de decidir o que é melhor para si. Nós, adultos, também gostamos de ler livros para crianças, não é verdade?

6. Ler em voz alta.

R: Ler em conjunto pode ser divertido. Enquanto leem em voz alta, vão fazendo paragens para conversar sobre o que se leu. É uma boa forma de estimular a capacidade de interpretação, de refletir sobre algo. É também um bom momento para reforçar vínculos entre pais e filhos.

7. Pedir recomendações.

R: A variedade de obras é tão grande que não será difícil encontrar livros que estimulem nos leitores relutantes o gosto pela leitura. Ir a uma livraria, explorar as prateleiras, conversar com crianças que gostem de ler, tudo isso vai ajudar.

 

A literatura de tradição oral

por Sofia Pereira

«A literatura da tradição oral portuguesa deve ser devidamente valorizada, dando-lhe uma dimensão nacional.»
Graça Capinha

A literatura tradicional de transmissão oral faz parte do nosso património imaterial. É inegável o seu valor literário, cultural e social, por isso torna-se importante incentivar as crianças e os jovens dos dias de hoje a lerem e conhecerem estes textos.

Pese embora o facto de a literatura de tradição oral já não cumprir o seu objetivo primordial – preservar os costumes, a cultura e a tradição de uma determinada comunidade -, certo é que integra a nossa memória coletiva como recriação simbólica de um espaço-tempo, que deve ser objeto de leitura e conhecimento, valorizando-se social e culturalmente.

Estes textos, perpetuados ao longo dos séculos de geração em geração, assumem uma função socializadora, pedagógica e lúdica pois, através de jogos de palavras e de uma coesão social, é apreendido o conhecimento cultural e social de outrora.

A literatura de tradição oral inclui um diversificado repertório:

Lendas e contos

Contos e Lendas de Portugal, adaptação de Isabel Ramalhete e João Pedro Mésseder, Porto Editora

«Eis uma mão-cheia de contos e lendas de Portugal e de outras regiões do Mundo: de Angola, Moçambique, Timor, Espanha, França, Alemanha, do povo cigano e até do mundo árabe. Histórias para ler, reler e contar. Um nunca acabar de modos de encantar, de ter graça, de emocionar e de transmitir ensinamentos.»

Contos Tradicionais do Povo Português,  seleção de Teófilo Braga, Porto Editora

«Histórias de reis, príncipes, condes, cavaleiros, sargentos, mágicos, meninas feias, meninas bonitas, sapateiros, ermitões, velhinhas, ladrões, fadas, anões, bois, galinhas, lobos, baratas… Histórias ricas em ensinamentos seculares e, como árvores, com raízes tão profundas que ajudam a conhecer e compreender a identidade da cultura portuguesa.»

Fábulas

As Mais Belas Fábulas de La Fontaine, Jean de La Fontaine, ilustrações de Gauthier Dosimont, Civilização Editora

«35 fábulas que vão deliciar as crianças mais pequenas. O Leão e o Mosquito, O Lobo e o Cordeiro, A Lebre e a Tartaruga e A Cigarra e a Formiga são alguns dos títulos que este livro apresenta, de uma forma mais sucinta e acompanhado por ilustrações de Gauthier Dosimont.»

A Raposa Azul – Oito Histórias Tradicionais com Mensagens Universais, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, ilustrações de Ana Afonso, Editorial Caminho

«Quem ler histórias inventadas há séculos, e que foram passando de boca em boca, de pais para filhos, de avós para netos, descobre rapidamente que, por trás de personagens e lugares diferentes, se encontram mensagens comuns. A razão é simples. A humanidade é só uma e os seres humanos, quer vivam no campo ou na cidade, na montanha ou na planície, numa região desértica ou na selva, têm preocupações, sonhos, desejos e alegrias muito semelhantes.»

Rimas Infantis e Poesia Popular

Rimas Perfeitas, Imperfeitas e Mais-Que-Perfeitas, de Alice Vieira, ilustrações de Afonso Cruz, Texto Editora

«Lê este álbum e verás que não há dois poemas iguais. Uns têm mais humor e ironia, outros melancolia, e para cada poema foi escolhido um determinado tempo verbal. Consegues identificá-los? Presente, Futuro, Gerúndio, Imperativo, Pretérito Perfeito, Imperfeito e Mais-Que-Perfeito.»

Travalengas, de José Dias Pires, ilustrações de Catarina Correia Marques, Booksmile

«Se já conheces de cor consoantes e vogais, ditongos, acentos, sinais, para o que preciso for: não temas os trava-línguas, desafia as lengalengas, para que em qualquer altura não te atrapalhem a leitura, e verás que, sem favor, quem ganha sempre é o leitor.»

Adivinhas

Adivinha, adivinha, recolha e seleção de Luísa Ducla Soares, ilustrações Sofia Lucas, Livros Horizonte

«Há milhares da anos que existem adivinhas, que têm feito rir e pensar muitas gerações de adultos e crianças. Já se perdeu a memória de quem as inventou, e são hoje um tesouro da nossa cultura, que não pára de crescer porque há sempre gente imaginativa que o vai acrescentando. Escolhemos para vocês estas 150 adivinhas, que se referem a coisas que todos conhecem, para que descubram a solução sem o auxílio dos mais crescidos. Leiam com atenção, puxem pela cabeça, vejam se acertam. Os desenhos ilustram as soluções de muitas adivinhas mas, para ser mais divertido, não estão na mesma página.»

Adivinhas com Bicho, de Maria Teresa Maia Gonzalez, Pi

«Aqui encontrarás muitas adivinhas engraçadas sobre os mais variados animais.Um livro divertido onde podes testar os teus conhecimentos sobre o mundo animal e brincar às palavras com os teus familiares e amigos da escola.»

Provérbios

Provérbios de Sempre, de Zero a Oito, Zero a Oito

«Um livro com histórias divertidas que ajudam a perceber alguns dos provérbios mais ouvidos da nossa tradição. A não perder! Quem o avisa, seu amigo é!»

9789727312085

Provérbios e Adágios Populares, de Cláudia Vieira, Planeta Editora

«Se o sol quando nasce é para todos, acautele-se que ao minguar da lua não comece coisa alguma, acredite que, quem semeia ventos, colhe tempestades e, em terra de cegos quem tem olho é Rei pois, viver não custa, o que custa é saber viver. Em nome do património literário popular, Provérbios e Adágios Populares concede-nos uma viagem a tempos antigos, à morada da humanização de hábitos, conselhos e práticas esquecidas para bem governar a vida. O livro justifica-se pela virtude de recuperar a consciência tradicional no espaço lusófono, no sentido de combater a marginalização da linguagem criativa do povo que está enraizada numa sabedoria que se traduz pela perspicácia, simplicidade, bom-senso, experiência e humor. Reunimos neste livro milhares de provérbios ordenados por letras, por temas e actividades, santos e religião e por estações do ano ou meses do ano, facilitando a consulta por todos e, sobretudo, pelos alunos do primeiro e segundo ciclos.»

A leitura e o estudo dos textos da tradição oral contribuem não só para o desenvolvimento das competências literárias e para a socialização das crianças e dos jovens, como também para uma maior dignidade deste tipo de literatura.

Biblioterapia, o que é?

por Sofia Pereira

«Ler significa reler e compreender, interpretar.
Cada um lê com os olhos que tem.
E interpreta a partir de onde os pés pisam.
Todo o ponto de vista é a vista de um ponto.
Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo.»
(Leonardo Boff)

A biblioterapia é uma atividade de leitura com objetivo preventivo e terapêutico, que procura proporcionar ao leitor / ouvinte o alívio dos sentimentos. Sendo uma terapia por meio de livros, realiza-se, individualmente ou em grupo, através da leitura de poemas, de livros de autoajuda e de ficção, com o propósito de possibilitar o desenvolvimento e equilíbrio plenos de saúde mental.

Proporcionar a aquisição de um melhor conhecimento de nós próprios, dos outros e do mundo, auxiliar na verbalização dos problemas e das emoções, prevenir o aparecimento de estados depressivos e neuróticos, desenvolver a sensibilidade social, reforçar os padrões culturais e sociais, aumentar a autoestima, estimular novos interesses, a criatividade e a imaginação são alguns dos benefícios da biblioterapia.

A literatura está ao serviço da mudança. Durante o processo de leitura, o leitor estabelece com o universo dos livros uma relação terapêutica, não só pelo texto em si, mas sobretudo pela pluralidade de significações que suscita. As palavras têm um poder inquestionável e curativo: emocionam, influenciam e convencem. O leitor identifica-se, por vezes, com as histórias, projetando-se intimamente nas vivências das personagens, das situações e dos acontecimentos narrados. Absorve os enredos e as características dos protagonistas que fazem rir, chorar, refletir, pensar, desfrutar, revendo-se nas suas ações, nos seus pensamentos e nas suas sensações. As histórias estimulam o leitor / ouvinte a desenvolver o seu imaginário, transformando as suas emoções e libertando os seus sentimentos. Neste sentido, a leitura ajuda a fomentar a empatia e a superar as fragilidades emocionais e as pressões do dia a dia, proporcionando o bem-estar físico, mental e social.

Atualmente, a biblioterapia é praticada em diversos contextos sociais – hospitais, lares, estabelecimentos prisionais e instituições dirigidas a crianças e jovens com necessidades especiais de educação -, adquirindo um enorme dinamismo e permitindo que todo o processo de pensamento crítico, reflexivo e libertador, estimulado pela leitura, auxilie o maior número de leitores.

A leitura assume-se como uma forma de entretenimento e de lazer, que compensa a frustração, melhora a saúde mental e promove a reinserção na sociedade.

A biblioterapia é, deste modo, utilizada como um instrumento da medicina e da psicologia para superar conflitos e problemas de ordem emocional, social e mental.

Todas as formas de leitura são importantes

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Muitos críticos defendem que a banda desenhada, os audiolivros ou até mesmo os e-books não são, realmente, leitura. Que a leitura que conta é a dos livros, de literatura, de poesia. Mas há quem defenda que não, que todas as formas de leitura, desde que leve à efetiva leitura, são importantes, pois só assim é possível alcançar todas as crianças, seja de que meio forem, sejam quais forem as suas preferências e as suas capacidades. Num artigo escrito por uma bibliotecária sobre este tema, chama-se a atenção para o «perigo» que os preconceitos em relação a outras formas de leitura podem representar para as crianças, afastando-as dos livros e podendo levar a que percam o prazer de ler. Emily Childress-Campbell trabalha numa biblioteca e escreve sobre as impressões que retirou no contacto com pais e educadores, e sobre a importância de pensar nos diversos formatos de leitura como plataformas para incluir crianças com diferentes gostos e capacidades, que de outra forma se afastariam da leitura. A bibliotecária refere como exemplo os audiolivros para as crianças com dificuldades de leitura, como a dislexia, e a banda desenhada como forma de apresentar crianças mais relutantes ao mundo dos livros e das histórias, incutindo e desenvolvendo nelas o prazer de ler.

O artigo completo pode ser lido aqui.

15 dicas para pôr os seus filhos a falar sobre livros

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por Catarina Araújo

Laura Lambert, escritora e editora, escreveu um artigo sobre como por vezes os pais têm dificuldade em conversar com os filhos sobre os livros que estão a ler. Fazem as perguntas típicas e depois a conversa morre ali, sem terem explorado verdadeiramente os temas e os sentimentos despertados pela leitura do texto. Tal pode ser muito frustrante e acabar por levar a que as crianças percam interesse na leitura. Mas então como ter uma conversa interessante e construtiva com os filhos sobre a história que acabaram de ler? Aqui ficam as 15 dicas da autora para iniciar uma boa conversa sobre livros.

(O artigo é daqui.)

(A tradução não é literal, mas passa as ideias gerais. Não dispensa contudo a leitura do artigo original.)

Para crianças pequenas:

1)  Apontar e perguntar – Pare a meio da história e peça-lhes para apontarem objetos e cores. Se já tiverem idade suficiente, saberão contar: «Quantas flores vês?». Isto é vital para o desenvolvimento da linguagem.

2) Fazer uma previsão – Perguntar «O que achas que vai acontecer a seguir?» Mesmo que já tenham lido aquela história dezenas de vezes. A repetição é importante para as crianças.

3) Fazer uma pausa e deixá-los continuar – Isto funcionará muito bem com livros de rimas, em que se lê um verso e se pára antes da última palavra, deixando-os acabar a rima.

4) Fazer comparações com a vida real – Por exemplo, se estão a ler sobre uma personagem que tem cabelo loiro, perguntar à criança de que cor é o seu próprio cabelo. Ou se o peluche de uma personagem tem um nome, perguntar por sua vez como se chama o seu peluche preferido.

5) Continuar a história – Terminado o livro, imaginar outras histórias com as personagens ou fazer pequenos teatrinhos, em que cada um interpreta uma personagem. Isso ajudá-los-á a pensar mais profundamente nas características das personagens e da história.

Crianças em idade escolar:

6) Falar sobre as palavras difíceis – Se a criança estiver a ler para o pai ou para mãe, é fácil parar numa palavra mais difícil e questionar-se sobre ela. Tenha um dicionário ao pé e consulte-o sempre que precisar. (O exercício estimulará a aprendizagem de palavras novas.)

7) Explorar mais pessoalmente os assuntos – Incentive a criança a pensar mais na história, a colocar-se na pele da personagem e a pensar o que faria de diferente se estivesse no seu lugar. (Isto promove a empatia, a capacidade de se colocar no lugar dos outros, e a ver as diferentes perspetivas de uma situação.)

8) Comparar com outros livros – As crianças adoram séries e os volumes são sempre diferentes uns dos outros, por isso pode-se perguntar-lhes o que acharam daquele volume em comparação com os anteriores.

9) Evitar as perguntas típicas de um trabalho para a escola – Para ter um verdadeiro diálogo com o seu filho, evite as perguntas típicas que são feitas em sala de aula, e incentive-o a explorar mais profundamente os temas falados na história.

10) Estabelecer ligações com o mundo real – À medida que os livros que eles leem se tornam mais complexos, pode-se discutir temas mais profundos, como por exemplo a morte ou o preconceito. É aqui que a conversa poderá tornar-se mais interessante.

11) Deixe-se levar – Ler com o seu filho deve ser uma experiência divertida e as conversas que surgem naturalmente à medida que progridem em conjunto na leitura são as melhores.

Para leitores mais avançados:

12) Leia o que eles estão a ler – O seu filho é agora um leitor independente, mas mesmo que já leia sozinho, isso não quer dizer que não possa ter uma conversa com ele sobre o que está a ler. Leia também e depois conferencie com ele sobre a história.

13) Seja fiel a si mesmo – Numa conversa verdadeiramente interessante partilham-se opiniões e diferentes pontos de vista. (Respeite a opinião do seu filho e não tenha medo de partilhar a sua.)

14) Não julgue – O seu filho está a desenvolver a sua forma de ver o mundo e a testar diferentes valores que vai aprendendo com as suas próprias vivências. Isso é importante. Não desvalorize as suas visões sobre uma personagem ou sobre uma história. Poderá estar a perder uma oportunidade de perceber como é que o seu filho pensa sobre as coisas.

15) Seja um leitor – Partilhe a sua paixão pela leitura com os seus filhos e deixe-os tomar-lhe o gosto pelo exemplo. Leia muito, à frente deles. Fale sobre as personagens, os sítios e as histórias dos livros que lê. Se estiver entusiasmado, eles também vão ficar.

BÊ-Á-BÁ… Vamos ler com os bebés!

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por Sofia Pereira

Nas sociedades contemporâneas, a leitura tem vindo a assumir um papel primordial no desenvolvimento cultural, científico e social de todos os seres humanos. Torna-se, assim, fundamental encontrar atividades que captem a atenção para o mundo dos livros, sobretudo nas crianças e nos jovens que ainda não criaram hábitos de leitura.

Como o prazer da leitura é algo que se aprende e se cultiva, é necessário criar condições em que o ato de ler tenha a capacidade de dar resposta aos desejos, às curiosidades, aos interesses e às necessidades das crianças e dos jovens.

O encanto pelo mundo dos livros e das letras deve ser iniciado em tenra idade, nas crianças mais pequeninas (0 aos 36 meses), com a participação da família como elemento de mediação no processo de relacionamento do bebé com o livro. Neste primeiro contacto, os bebés obtêm uma mensagem de apreço não só pela leitura – ler dá prazer, mas também é um ato de afeto: alguém lhe quer bem. O livro, que se mascara de brinquedo, torna-se essencial para o seu desenvolvimento cognitivo e afetivo. Cria-se um ambiente apelativo, em que pais e bebés/crianças estimulam capacidades cognitivas, motoras, sensoriais, emocionais e sociais, através do envolvimento da leitura numa dimensão lúdica.

Esta descoberta da paixão pela leitura em família procura, ainda, estimular vínculos de afeto, através da observar, do escutar e da partilha de emoções. Deixamos aqui a sugestão de alguns livros que podem distrair e entreter os mais pequeninos e a família, contribuindo assim para a sua formação enquanto leitores:

Ovelha Tita

Ovelha Tita, de Yoyo Books, Marus

«Este livro macio que emite sons quando é manuseado, vai fazer as delícias do seu bebé durante horas, quer em casa, quer em viagem. – Chocalho – Pega – Chia quando se aperta- Brinquedo macio e fofo – Sons tipo estalido.»
É um livro que visa a reprodução, pelo bebé, de sons para estimular a perceção auditiva e a sensibilização do gosto pela música.

Abelhinha

Abelhinha Atarefada – Ao Telefone, de Dawn Sirett, Civilização Editora

«Um livro de brincar muito divertido que faz as crianças pequenas sentirem-se crescidas! Este livro inclui um telefone de brincar com toques reais e luzinhas. As crianças podem usá-lo para fazer de conta que ligam à família, aos colegas de trabalho ou até cantar os parabéns a um amigo.»
Um excelente brinquedo-livro que estimula as crianças a desenvolverem o seu vocabulário e a criarem histórias.

O Bolinha

O Bolinha e as Primeiras Formas – Um Livro para Ver e Sentir, de Eric Hill, Editorial Presença

«Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura. Educação pré-escolar. Leitura com apoio do educador. No presente livro, o Bolinha ensina os mais pequeninos a reconhecer formas simples, apresentadas em imagens cheias de cor e com texturas cativantes para sentir com os dedos.»
A história do Bolinha proporciona atividades de estímulo, observação e reconhecimento de texturas, através dos recetores sensoriais, com vista a desenvolver a sensibilidade visual, tátil e estética.

Dar novas Vozes para um futuro com Letras

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No sábado passado, dia 7 de fevereiro, aconteceu o culminar do concurso Dá Voz à Letra, num espetáculo realizado na Fundação Calouste Gulbenkian, em que dez jovens demonstraram o seu talento como recitadores. O júri contava com Catarina Furtado, Albano Jerónimo e David Machado, e coube a eles decidir quais seriam os três grandes vencedores: António Miguel Gonçalves, Maria Adelaide Casquinha e Daniel Joaquim.

Aqui ficam os seus vídeos.

Mais sobre o concurso e os vencedores aqui.

Estará a leitura na sala de aula a estragar o prazer de ler?

por Catarina Araújo
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Frank Cottrell Boyce, escritor infantil e juvenil, conhecido pela obra Milhões (editado em Portugal pela Editorial Presença, em 2004), afirmou recentemente, num artigo escrito para o jornal The Guardian, que alguns métodos de ensino estão a poluir a experiência de leitura. O autor alerta que determinadas estratégias aplicadas para encorajar a literacia estão a afastar as crianças dos livros ao invés de as aproximar deles. Isto acontecerá devido a uma análise excessiva dos textos que retira o prazer da leitura. Cottrell Boyce explica que em vez de se deixar a criança apreciar a história, os professores muitas vezes interrompem o momento de leitura para dar indicações daquilo a que devem estar atentas para mais tarde realizarem diferentes exercícios. O autor acredita que isso afeta o gosto pela história que se está a ouvir ou a ler. Ele defende que «o prazer de ler é uma forma profunda e poderosa de atenção, uma espécie de pensamento lento». O escritor apoia ainda a leitura em voz alta, pois ela não tem de ser um ato solitário.

Promover o gosto pela leitura é pois o ponto de partida para a literacia. Se se não se fomentar esse prazer, então qualquer análise de uma história corre o risco de não se fixar e de a criança acabar por não refletir no texto por si, mas apenas com base em parâmetros fornecidos, o que esvazia toda a experiência de leitura.

1º Encontro de Literatura Infanto-Juvenil da Lusofonia

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Em 2015 realiza-se o primeiro encontro da lusofonia dedicado à literatura infantil e juvenil. Este evento é organizado pela Fundação O Século, com o patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura e com os apoios da Sociedade Portuguesa de Autores, da Fundação Portuguesa das Comunicações e do Plano Nacional de Leitura. O encontro decorrerá entre os dias 2 e 7 de fevereiro, no espaço da Fundação O Século, em São Pedro do Estoril.

Já está confirmada a presença de diversos autores como António Torrado, Ondjaki, Margarida Fonseca Santos, Carla Maia de Almeida, Isabel Minhós Martins, David Machado, Teresa Calçada, Fernando Pinto do Amaral e Cláudia Marques; os ilustradores André Letria, Catarina Sobral, Danuta Wojciechowska; e os contadores de histórias António Fontinha, Rudolfo Castro, Sónia Gameiro, Maurício Leite (Brasil).

Além de sessões nas escolas, no programa do evento constam já debates com especialistas dedicados a temas como a literatura infantil, a importância da família na educação para a leitura e também sobre a edição e o mercado da literatura infantil e juvenil.

Para saber mais sobre este encontro não deixe de visitar a página oficial aqui.

Leitura através de tablets com as crianças conta como hora do conto?

por Catarina Araújo

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É a pergunta feita pelo jornal The New York Times num artigo que questiona se ler no iPad ou num tablet vale o mesmo que ler um livro ou será como ver televisão?

Pediatras, educadores e especialistas recomendam aos pais que comecem a ler livros com os seus filhos mesmo quando ainda são bebés. Contudo, com o crescimento do mercado dos dispositivos eletrónicos, e com novos e-books e aplicações de leitura infantis a serem lançados a toda a hora, são cada vez mais os pais que adotam os tablets como suporte de leitura.

A experiência de ler através de um ecrã é deveras diferente daquela de ler um livro encadernado. Como é que isso afeta o modo como a criança processa e apreende a informação?

Alguns estudos concluem que «elimina uma certa dinâmica que conduz ao desenvolvimento da linguagem». A interação que ler um livro promove com o virar da página, o apontar para os bonecos, aprender os sons com os pais, falar sobre a história, perde-se quando o dispositivo eletrónico faz isso tudo por eles. Será também mais fácil a criança distrair-se, não estar tão empenhada, quando pode carregar em tantos botões diferentes, sem se concentrar verdadeiramente em cada página.

O artigo aponta para um estudo feito em 2013 com crianças entre os três e os cinco anos cujos pais costumam ler e-books com elas e em que verificaram que essas crianças tinham mais dificuldades de compreensão do que aquelas que liam livros encadernados com o pai ou a mãe. Por outro lado, outros estudos demonstram que as crianças aprendem as palavras mais depressa através de um dispositivo eletrónico do que de maneira tradicional. Pode-se inferir daqui que embora favoreçam efetivamente a apreensão de vocabulário em quantidade, no que diz respeito à qualidade da aprendizagem não serão tão eficazes, muito pelo contrário.

O ideal seria portanto uma conjugação dos dois: favorecer a leitura de livros tradicionais, mas complementar com leitura através de tablets à medida que a criança for crescendo, tendo em conta as vantagens e desvantagens de cada suporte, pelo menos enquanto não se encontrar um consenso quanto à utilização de dispositivos eletrónicos com crianças.

Há uns meses a revista Visão, se não me engano, publicou uma reportagem sobre este tema, mas infelizmente não consegui encontrá-la. O artigo completo do The New York Times pode ser lido aqui.