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Leitura através de tablets com as crianças conta como hora do conto?

por Catarina Araújo

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É a pergunta feita pelo jornal The New York Times num artigo que questiona se ler no iPad ou num tablet vale o mesmo que ler um livro ou será como ver televisão?

Pediatras, educadores e especialistas recomendam aos pais que comecem a ler livros com os seus filhos mesmo quando ainda são bebés. Contudo, com o crescimento do mercado dos dispositivos eletrónicos, e com novos e-books e aplicações de leitura infantis a serem lançados a toda a hora, são cada vez mais os pais que adotam os tablets como suporte de leitura.

A experiência de ler através de um ecrã é deveras diferente daquela de ler um livro encadernado. Como é que isso afeta o modo como a criança processa e apreende a informação?

Alguns estudos concluem que «elimina uma certa dinâmica que conduz ao desenvolvimento da linguagem». A interação que ler um livro promove com o virar da página, o apontar para os bonecos, aprender os sons com os pais, falar sobre a história, perde-se quando o dispositivo eletrónico faz isso tudo por eles. Será também mais fácil a criança distrair-se, não estar tão empenhada, quando pode carregar em tantos botões diferentes, sem se concentrar verdadeiramente em cada página.

O artigo aponta para um estudo feito em 2013 com crianças entre os três e os cinco anos cujos pais costumam ler e-books com elas e em que verificaram que essas crianças tinham mais dificuldades de compreensão do que aquelas que liam livros encadernados com o pai ou a mãe. Por outro lado, outros estudos demonstram que as crianças aprendem as palavras mais depressa através de um dispositivo eletrónico do que de maneira tradicional. Pode-se inferir daqui que embora favoreçam efetivamente a apreensão de vocabulário em quantidade, no que diz respeito à qualidade da aprendizagem não serão tão eficazes, muito pelo contrário.

O ideal seria portanto uma conjugação dos dois: favorecer a leitura de livros tradicionais, mas complementar com leitura através de tablets à medida que a criança for crescendo, tendo em conta as vantagens e desvantagens de cada suporte, pelo menos enquanto não se encontrar um consenso quanto à utilização de dispositivos eletrónicos com crianças.

Há uns meses a revista Visão, se não me engano, publicou uma reportagem sobre este tema, mas infelizmente não consegui encontrá-la. O artigo completo do The New York Times pode ser lido aqui.

O projeto «Todos Juntos Podemos Ler»

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O projeto «Todos Juntos Podemos Ler» resulta de uma ação desenvolvida pela Rede de Bibliotecas Escolares, o Plano Nacional de Leitura e a Direção de Serviços da Educação Especial e Apoios Sócio-educativos, para «a criação de bibliotecas inclusivas, capazes de proporcionar oportunidades de leitura para todos os alunos».  Este programa serve para dar resposta a uma população escolar diversa que inclui crianças e jovens com necessidades especiais, de forma a que todos tenham acesso à leitura. As bibliotecas desempenham um papel importante de inclusão no domínio da literacia e da igualdade de oportunidades e é neste sentido que o projeto visa «dotar as bibliotecas escolares de recursos adequados, em diferentes formatos acessíveis aos alunos com necessidades educativas especiais e desenvolver boas práticas de promoção da leitura, tendo em conta as capacidades e necessidades individuais dos alunos».

Mais pormenores sobre este projeto na página oficial aqui.

 

O livro sem bonecos

É um livro infantil e não tem desenhos, nem bonecos, nem figura coloridas. Tudo o que tem é palavras e é super divertido. The Book With No Pictures, de B.J. Novak, cativa as crianças para o maravilhoso mundo das palavras. O livro perfeito para ler em voz alta.

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No vídeo, o autor e ator B.J. Novak (conhecido pela participação em séries como The Office e filmes como Sacanas Sem Lei) lê o seu livro para uma sala cheia de pequenotes muito entusiasmados.

Kailash Satyarthi e Malala Yousafzay laureados com Prémio Nobel da Paz

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Este ano o Prémio Nobel da Paz foi atribuído a Kailash Satyarthi e Malala Yousafzay, pela sua luta pelos direitos das crianças e dos jovens.

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Kailash Satyarthi, originário da Índia, é um ativista no combate ao trabalho infantil e à iliteracia. A sua organização, a Bachpan Bachao Andolan, já libertou cerca de oitenta mil crianças da exploração laboral e ajudou a reintegrá-las através de reabilitação e da educação.

(c) Time
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Aos dezassete anos, Malala Yousafzay, ativista paquistanesa, tornou-se uma das mais conhecidas personalidades mundiais pelo seu trabalho na defesa do direito das crianças e das mulheres à educação.

Mais pormenores sobre esta distinção na página dos Prémios Nobel.

O que fazer para que os rapazes queiram ler?

por Catarina Araújo

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É a pergunta crítica que muitos pais fazem, sem saberem como convencer os filhos rapazes a pegarem num livro e a lê-lo até ao fim. Há diversos estudos que indicam efetivamente que as raparigas mais facilmente leem um livro do que os rapazes. Contudo, isso não quer dizer que eles não gostem de ler. Apenas que não gostam de ler o mesmo que as raparigas, dado que esses estudos indicam que se por um lado eles se afastam mais da literatura, por outro preferem banda desenhada, não-ficção, e humor, o tipo de livros que tendem a ser subvalorizados.

A pensar nesta problemática Jon Scieszka, autor norte-americano de livros infantis e juvenis, e que já foi Embaixador Nacional da Literatura para a Juventude, nos EUA, fundou a Guys Read (rapazes leem), um programa de literacia para rapazes, com o objetivo de incutir nos jovens a vontade e o gosto de ler, chamando com isso a atenção para a questão com o fim de desenvolver o conceito de leitura para que inclua não só literatura, mas também outro tipo de livros como não-ficção, novelas gráficas, banda desenhada, etc.

Recentemente surgiu uma discussão gerada por outro autor, Jonathan Emmett, sobre a forma como o marketing dos livros é feito e em que alegava que «no Reino Unido os livros ilustrados refletem mais o gosto das raparigas do que dos rapazes» e que isso resulta do facto de haver muito mais mulheres na indústria da edição do que homens. Jon Scieszka admite, numa entrevista dada ao blogue Playing by the book, que «é razoável colocar-se a questão e que talvez essa discrepância de género na indústria influencie os livros que são publicados, adquiridos e premiados nos livros infantis e juvenis». A entrevista completa pode ser lida, clicando na ligação.

No sítio Guys Read encontramos mais informações sobre a missão do autor Jon Scieszka com este programa, bem como ferramentas que poderão ajudar a conquistar os rapazes para a leitura: www.guysread.com.

Quanto ao caso português não será muito diferente, mas explorando os sítios portugueses encontrei alguns títulos que poderão cativar os rapazes. Além dos livros do Geronimo Stilton ou do Diário de Um Banana,  aqui ficam outras sugestões.

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Dez minutos por dia

por Alexandra Martins

A leitura diária é aconselhada desde a mais tenra idade. Pediatras de todo o mundo aconselham a que os pais leiam em voz alta para os seus filhos como forma de estimular o seu desenvolvimento e o seu crescimento.
A campanha Read On. Get On., criada por um conjunto de organizações e empresas do Reino Unido com o objetivo de garantir que todas as crianças têm «futuros mais brilhantes ao terminarem a escola básica enquanto leitores confiantes», lançou agora um vídeo que procura exemplificar a importância que a leitura tem para as crianças. Uma forma criativa de nos mostrar uma realidade que todos devemos promover: crianças que leem serão adultos mais bem preparados para a vida.

Dia Internacional da Literacia

No dia 8 de setembro passado celebrou-se o Dia Internacional da Literacia. Segundo o dicionário da Porto Editora literacia significa «capacidade de usar a leitura e a escrita como forma de adquirir conhecimentos, desenvolver as próprias potencialidades e participar ativamente na sociedade».

Dois terços dos 775 milhões de adultos iletrados e 63% dos 126 milhões de jovens analfabetos, são do sexo feminino.

Um filho nascido de uma mãe alfabetizada, terá o dobro das hipóteses de ultrapassar os cinco anos de idade e de receber uma educação.

Aqui ficam algumas fotografias de crianças na escola. Daqui.

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(c) muhammed muheisen, Paquistão
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(c) Reuters, Costa do Marfim
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(c) Jeoy I., Etiópia

Bancos alimentares oferecem livros no Reino Unido

(c) The Telegraph
(c) The Telegraph

Os livros podem não encher o estômago, mas alimentam a alma, e com isso em mente, milhares de cópias do livro infantil Super Duck, de Jez Alborough, estão a ser oferecidas juntamente com as refeições, em mais de sessenta bancos alimentares espalhados pelo Reino Unido. Viv Bird, chefe executiva da Booktrust, uma associação que promove os livros, a leitura e a escrita, afirma que «os livros podem fazer a diferença na vida das pessoas, em situações de grande stress e em períodos difíceis. Partilhar livros é uma boa forma de as famílias reservarem algum tempo para descansar e relaxar. Os estudos indicam que ler em conjunto fortalece os laços familiares e ajuda as crianças a serem mais bem-sucedidas na escola, independentemente do contexto familiar».

Artigo do The Telegraph.

Room to Read, destino: literacia

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A Room to Read é uma organização não governamental que procura fomentar a literacia no mundo, principalmente nos países em desenvolvimento.  Fundada em 1999 por John Wood, um antigo executivo da Microsoft, o seu objetivo é levar os livros às crianças desfavorecidas e assim dar-lhes uma hipótese de deixarem a pobreza através da educação.

Ao fim de quinze anos, o projeto apresenta números impressionantes – 15 000 bibliotecas construídas e mais de 1600 escolas, atingindo um universo de sete milhões e meio de crianças.

No seu trabalho para cumprir a missão proposta, um dos muitos obstáculos com que a organização se deparou foi com a falta de livros escritos na língua materna dos países intervencionados, como por exemplo em Lao, Hindi, Tamil, Afrikaans, SeSotho, Kiswahili, Chinaya. Deste modo, a organização criou uma editora infantil e juvenil, com o objetivo de publicar livros nessas línguas e permitir que as crianças aprendessem a ler e tivessem acesso à educação.

Tudo sobre a Room to Read aqui.

O artigo é daqui.

Sobre a importância de ler contos de fadas

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«The love-gift of a fairy tale.», escreveu Lewis Carrol – «O presente de amor de um conto de fadas».

Philip Pullman, autor da trilogia juvenil His Dark Materials (Mundos Paralelos, editada na coleção Estrela do Mar, da Editorial Presença), escreveu um pequeno ensaio sobre a importância da leitura de contos de fadas na infância.

No seu texto, o autor debruça-se sobre uma questão – se os contos de fadas fomentam nas crianças o interesse pela ciência ou se pelo contrário têm um efeito perverso sobre o modo como se crê na magia e na fantasia, afetando a perceção da realidade.

Pullman refere um livro em particular de Richard Dawkins, intitulado The Magic of Reality, em que Dawkins se propõe explicar vários mitos através da ciência e mostrar como isso é tão mais interessante do que a magia. Apesar de considerar o livro uma boa introdução à ciência, Pullman defende que não se pode requerer uma «prova científica de tudo aquilo em que acreditamos, porque não só isso é impossível, como também, em muitos casos, desnecessário ou inapropriado.»

«Existirão modelos relativamente objetivos que nos permitam estudar a experiência pela qual uma criança passa quando lê uma história?», pergunta Philip Pullman.  O autor descobriu que sim e nas suas pesquisas fez algumas descobertas interessantes, como por exemplo que a leitura em voz alta promove uma aquisição mais rápida e mais variada da linguagem por parte das crianças. No entanto, o que ele estava interessado em saber era concretamente em relação aos contos de fadas. Philip Pullman refere que estes podem desempenhar um papel na capacidade da criança em estabelecer um sistema de crenças que lhe permita identificar valores morais, distinguir a fantasia da realidade, estimular a criatividade e promover o pensamento crítico, qualidades importantes para o estudo científico. A leitura de contos de fadas não impede as crianças de perceberem o mundo em que vivem, antes poderá fornecer-lhes ferramentas para lidarem com ele. O autor acredita que a leitura na infância funciona tal como as brincadeiras, como quando se finge ter um amigo imaginário ou se desempenha um papel num jogo. Tudo isso contribui para a aprendizagem, a experiência da vida.

Parece-me evidente que os contos de fadas, a fantasia e a ficção-científica, por exemplo, têm desempenhado um papel importante na progressão científica.  Obras como as de Júlio Verne, Isaac Asimov ou mesmo Mary Shelley, têm inspirado crianças e jovens a enveredarem mais tarde em carreiras ligadas às ciências nas mais diversas áreas de investigação, resultando em inúmeras descobertas importantes para a Humanidade.

É, contudo, uma questão legítima, merecedora de um debate justo. O ensaio completo de Philip Pullman pode ser lido aqui.